sexta-feira, 12 de junho de 2015

Violência e exploração contra as trabalhadoras do sexo? É a criminalização, sexofóbico estúpido! - Parte 1: marcha das trabalhadoras do sexo em Honduras no Dia Internacional da Prostituta

Honduras: trabalhadoras do sexo marcham por seus direitos









(Video: EFE)



Quarta-feira, 03 de junho de 2015 | 10:40

Dezenas de mulheres da Rede de Trabalhadores Sexuais de Honduras marcharam terça-feira 02 de junho em Tegucigalpa para exigir respeito pelos seus direitos e justiça para o assassinato de 19 de suas colegas entre 2013 e 2014.

"Nós não somos putas nem prostitutas, somos profissionais do sexo e exigimos justiça", recitavam as mulheres durante a sua passeata até o Ministério Público em Tegucigalpa.

Envoltas em uma camiseta / camisola cor-de-rosa e muitas com o rosto coberto com uma máscara, as mulheres também protestaram por causa da discriminação e da violência de que são vítimas.

"Justiça, realize ações para mim" (no original, "ponte en mis tacones", literalmente "coloque os meus saltos", um jogo de palavras com "ponte las botas", que significa "tomar uma atitude" - Nota da Tradutora), "Não mais discriminação e estigma" e "Não mais tratamento cruel, desumano ou degradante", diziam outras faixas que as mulheres levavam, em comemoração ao Dia Internacional da Trabalhadora do Sexo.

Entre as manifestantes estavam incluídas algumas com idade superior a 50 e 60.

"Eu me dedico a este trabalho há 35 anos, eu tenho quatro filhas e eu perdi dois filhos. Minha situação é difícil, há dias em que não consigo dinheiro", disse à EFE Teresa Cardona, de 59 anos.

Ela acrescentou que ela não sabe ler e escrever porque ela não teve chance de receber educação e suas filhas "não são profissionais do sexo", mas dedicam-se "a servir as suas casas e cuidar de seus filhos".

As mulheres pediram ao Governo de Honduras a regulamentação do trabalho sexual para que elas tenham a garantia de acesso a direitos e condições dignas e seguras para o seu exercício.

A falta de regulamentação "faz muitas vezes soframos detenções arbitrárias, extorsões e ameaças, sendo recorrentes os tratos cruéis, degradantes e desumanos que se mostram em violência institucional", disseram as mulheres em um comunicado.

Também pediram ao Governo impunidade zero nos casos de 19 profissionais do sexo assassinadas, atendimento integral em serviços de saúde e garantia de seus direitos civis, políticos, culturais, econômicos e sociais.

"Da mesma forma que nós pedimos aos cidadãos hondurenhos respeitar a nossa decisão de trabalhar como profissionais do sexo, uma profissão que não deve ser discriminada ou estigmatizada", sublinha a proclamação das mulheres.

A Rede de Trabalhadoras Sexuais de Honduras é apoiada pelo Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, as Nações Unidas (FM) e a Rede de Trabalhadoras Sexuais da América Latina e do Caribe.

Fonte: EFE

El Comercio, Lima (Peru), 03 de junho de 2015, http://elcomercio.pe/mundo/latinoamerica/honduras-trabajadoras-sexuales-marchan-sus-derechos-noticia-1815866

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam

O mesmo jornal El Comercio publicou, três meses antes, um artigo da BBC sobre San Diego, Califórnia, tornando-se um centro de prostituição, trazendo o caso de uma mulher na exploração sexual. Eu vou comentá-lo na parte 2. Por enquanto, eu vou levantar alguns pontos sobre o caso acima.

1) Algo que prova que a prostituição não é, por si mesma, má e contra a dignidade das mulheres é que estas prostitutas marcharam pelo seu trabalho, não só por si mesmas como indivíduos.

2) Enquanto a Slut Walk é um evento criminoso nas ruas de vários países, e por "criminoso" quero dizer crimes como discurso de ódio contra os homens e ofensa ao Cristianismo, tudo isso por moças destemidas com rostos nus e às vezes mais do que seus rostos gritando frases sem sentido; algumas daquelas mulheres em Honduras estavam com máscaras. De quem essas mulheres mascaradas estavam com medo? Cafetões? Policiais? Funcionários públicos? Clientes abusivos? Alguém na família ou na vizinhança descobrir que ela é uma prostituta?

3) Você notou que nenhuma mulher que gosta deste trabalho é mencionada? Onde está uma mulher que disse uma vez a seus pais e seus irmãos que ela poderia se tornar uma profissional do sexo, como eu fiz? Sim, eu estou brincando, eu sei como é difícil não ter uma família adorável quanto a minha. Mas, embora algumas dessas mulheres estejam trabalhando como prostitutas por falta de opções, elas ainda pediram condições para CONTINUAR nesta atividade, não para SAIR dela.

4) A ilegalização da prostituição e da pornografia, que algumas feministas pedem, ENTREGA as trabalhadoras do sexo para o crime organizado, em vez LIVRÁ-LAS dele.

Abigail Pereira Aranha

Grupos de afinidade

Murray Bookchin

(in Anarquismo pós-escassez)

O termo "grupos de afinidade" é a tradução do espanhol "grupos de afinidad", nome de um tipo de organização criada na época anterior a Franco e que serviu de base à temível F. A. I. (que congregava os militantes mais idealistas do C. N. T., a imensa organização anarco-sindicalista). Criar hoje uma imitação servil do tipo de organização e dos métodos utilizados pela F. A. I. não seria possível, nem desejável. Os anarquistas espanhóis da década de 30 certamente enfrentavam problemas sociais inteiramente diferentes daqueles com que hoje se defrontam os anarquistas americanos. O modelo, entretanto, tem certas características que podem ser aplicadas a qualquer situação social, e que muitas vezes foram adotadas intuitivamente pelos radicais americanos que chamaram as organizações resultantes de "coletivas", "comunas" ou "famílias".

Os grupos de afinidade poderiam ser facilmente considerados como um novo tipo de prolongamento da família, em que os laços de parentesco foram substituídos por um relacionamento humano extremamente intenso, relacionamento que é alimentado por idéias e práticas revolucionárias comuns. Muito antes que a palavra "tribo" ganhasse popularidade no movimento da contracultura americana, os espanhóis anarquistas já chamavam suas reuniões de "asambleas de las tribus" - assembléias das tribos. Cada grupo de afinidade tem um número limitado de participantes para garantir o maior grau de intimidade possível entre seus membros. Autônomos, comunitários e francamente democráticos, os grupos combinam as teorias revolucionárias a um estilo de vida e um comportamento igualmente revolucionários, criando um espaço livre onde os seus integrantes podem reestruturar-se, tanto individual quanto socialmente como seres humanos.

Grupos de afinidade pretendem funcionar como catalizadores dentro do movimento popular, não como "vanguardas"; eles proporcionam iniciativa e conscientização, não um estado-maior e uma fonte de comando. Os grupos proliferam em um nível molecular e têm um "movimento Browniano" próprio. A união ou separação de cada grupo é determinada pelas circunstâncias do momento e não por ordens burocráticas vindas de um centro distante. Durante períodos de opressão política, os grupos de afinidade são altamente resistentes à infiltração policial. Devido ao alto grau de intimidade que existe entre os participantes, muitas vezes se torna difícil penetrar no grupo e, mesmo quando isso acontece, não há um mecanismo centralizado que dê aos infiltrados uma visão geral do movimento como um todo. Mesmo sob condições tão difíceis, os grupos de afinidade ainda conseguem manter contato através da literatura e de revistas.

Durante períodos de atividade mais intensa, por outro lado, nada impede que os grupos trabalhem juntos em qualquer nível que se fizer necessário. Eles podem unir-se através de grupos locais, regionais ou nacionais para formular planos de ação comum; podem criar comitês temporários (como os que congregavam estudantes e operários franceses em 1968) para coordenar determinadas tarefas. Entretanto, os grupos de afinidade sempre têm suas raízes nos movimentos populares e são sempre leais às formas sociais criadas pelos revolucionários, não a uma burocracia impessoal. Como resultado de sua autonomia e regionalismo, os grupos são capazes de manter uma avaliação crítica sensível sobre as novas perspectivas. Intensamente experimentais e diversificados quanto ao estilo de vida, eles funcionam como uma fonte de estímulo mútuo, influenciando também o movimento popular. Cada grupo procura adquirir os recursos necessários para funcionar com quase total autonomia, desenvolvendo um perfeito sistema de conhecimentos e experiências para vencer as limitações sociais e psicológicas impostas pela sociedade burguesa ao desenvolvimento individual. Agindo como um núcleo de conscientização e experiência, cada grupo tenta levar adiante uma forma de movimento revolucionário espontâneo do povo, fazendo-o atingir um ponto em que o grupo possa finalmente desaparecer, integrando-se às formas sociais orgânicas criadas pela revolução.

WOODCOCK, George (seleção). Os grandes escritos anarquistas. Tradução de Júlia Tettamanzi e Betina Becker. Revisão de Néca Motta, Ana Regina Vargas e Maria Clara Frantz. Porto Alegre: L & PM Editores, 1981, pág. 160-1.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Esqueça a pedofilia, o perigo é outro

Abigail Pereira Aranha

Pelo amor de Deus, você já se deu conta de que pedofilia não existe?! De acordo com a CID (Classificação Internacional de Doenças):

F65.4 Pedofilia

Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou no início da puberdade.

(http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f60_f69.htm)

Agora, vamos imaginar uma menina, por exemplo, de 9 anos. Qual a largura máxima que a vagina dela suporta? Qual a distância da vulva até a cabeça do útero? Os leitores homens sabem como é fazer penetração em uma vagina de uma mulher adulta sem lubrificação? Pelo amor de Deus! Você entendeu agora o que é um homem PREFERIR sexualmente uma criança a pelo menos uma garota adolescente? A pedofilia, por esta definição, é tão inverossímil e ridícula que é uma generosidade ela estar na Classificação Internacional de Doenças: devia estar em uma classificação internacional de calúnias e difamações.

O que não é inverossímil nem ridículo de forma alguma, embora possa ser uma calúnia, é o abuso sexual de menores (até 14 anos?). E mesmo isso, que é chamado de pedofilia, temos que dividir em dois casos. O sexo ou o ato lascivo com crianças só acontece quando o autor não consegue tê-lo com mulheres sexualmente amadurecidas (ou, no caso de autoras mulheres, quando ela não se sente à vontade para tê-lo com homens). Onde isso acontece com alguma frequência são os mesmos lugares onde mulheres e homens mal se encostam e onde também é comum sexo de homens e mulheres com animais. O sexo ou o ato lascivo de adultos com adolescentes pode ser um caso semelhante ao mesmo com crianças, mas também pode ser um interesse sexual normal da parte adulta recusado pela parte adolescente, ou até mesmo algo consensual entre os dois registrado como abusivo por terceiros.

Aliás, voltando à parte conceitual, o artigo "O perfil do pedófilo: uma abordagem da realidade brasileira", de Joelíria Vey de Castro e Cláudio Maldaner Bulawski, publicado na Revista Liberdades nº 6, de janeiro a abril de 2011 (http://www.revistaliberdades.org.br/site/outrasEdicoes/outrasEdicoesExibir.php?rcon_id=74), diz que:

Já, do ponto de vista médico, de acordo com Jim Hopper, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, a "pedofilia é um conceito de doença que abarca uma variedade de abuso sexual de menores, desde homossexuais que procuram meninos na rua, até parentes que mantêm relações sexuais com menores dentro de seus lares."

Curioso ser justamente um médico quem dá um conceito que pode ser criminal. E no parágrafo seguinte, os autores mencionam (depois de mostrar) a "divergência conceitual entre médicos e psicanalistas", o que só mostra que alguma coisa está errada. Eis o meu ponto.

Para começar, a acusação de pedofilia, na segunda definição, é algo tão grave que não pode ser feito sem provas nem gerar prisão sem um processo legal legítimo. Talvez o acusado deva mesmo ser protegido pelo próprio sistema judiciário até a comprovação da culpa, se houver, exatamente pela indignação popular. Isso não pode uma acusação tão banal quanto dizer "sua irmã é vadia" que pode destruir a vida de qualquer inocente, como já temos vários casos conhecidos.

Quem realmente está em perigo na questão da pedofilia são os ativistas de direitos humanos dos homens e meninos, MGTOW, e, no caso brasileiro, a Real (não, nenhum destes defende a pedofilia, lésbica imbecil). E também os cristãos conservadores de direita. Por quê? Quantos deles têm filhos? Pelo que eu sei, tirados os cristãos conservadores, muito poucos. Os que não têm filhos dificilmente teriam. Nós sabemos que o Lesbofeminismo não fez apenas os casamentos já existentes estarem em perigo. Também tornou o próprio relacionamento entre homens e mulheres (não apenas afetivo-sexual) mais pobre, desagradável e perigoso para os homens do que nunca. O Feminismo não fez apenas as mulheres estarem cada vez mais repulsivas, antipáticas e ridículas, também fez as senhoritas que ainda abrem a possibilidade do casamento cada vez exigir mais e oferecer menos. E por que falei de filhos? Porque se um daqueles homens não tem um filho seu, qualquer menino do qual ele se aproxime só pode ser filho de outro homem. E este homem, fora a possibilidade mais confortante de ser um cristão ou um ateu sério, será um frouxo, um afeminado, talvez um muçulmano, um feminista, ou um divorciado sem a guarda do filho. E o mais provável é que o menino esteja sob a "proteção" direta de u'a mãe feminista ou da escola esquerdista.

A grande mídia de todos os países desenvolvidos tentou matar os movimentos de direitos dos homens pelo silêncio, entramos na internet. Tentaram nos censurar nas redes sociais, em especial no Facebook, ainda estamos ativos. Tentaram nos asfixiar pela difamação na grande mídia em matérias esporádicas escritas de má vontade, ainda estamos ativos e soltos. Tentar enterrar as nossas ideias, as nossas denúncias e o nosso estilo de vida conosco parece uma boa opção, não acham?

Ah, e um outro grupo em perigo, isso não está muito evidente agora, é o das mulheres heterossexuais agradáveis, de mentalidade normal e não-castas. Estas mulheres serão, também, antifeministas. É o meu caso. E eu também não tenho filhos. Você me daria um emprego de babá do seu filho ou de professora do primeiro grau se fosse dono de uma escola ou diretor de uma escola pública, conhecendo meu trabalho defendendo o ateísmo e a licenciosidade? Se sim, obrigada, eu não te decepcionaria. Mas se não, temos duas situações. Se eu fosse trabalhar com crianças, porque eu tentaria induzir uma criança a uma sexualidade precoce? Mesmo se eu falar de sexualidade (hétero) ou do aparelho genital com crianças, vai ser sempre inapropriado? Se eu fosse trabalhar com adolescentes e encontrasse um rapaz, por exemplo, de 13 anos que já está interessado nas meninas? Gente, uma coisa é eu molestar um adolescente, outra coisa é este adolescente me molestar, uma terceira é este adolescente (já preparado biologicamente para o sexo, vamos nos lembrar) se interessar em fuder comigo e eu gostar da ideia. E na última hipótese, os amigos concordam que o corpo e a cabeça do garoto podem estar em boas mãos? Xi, perdi a minha vaga de professora! Mas neste caso, devo dizer, o porrete vem dos dois lados: dos esquerdistas que defendem toda forma de amor (a heterossexualidade é uma imposição da sociedade machista gay homofóbica) e dos direitistas puritanos.

O combate à pedofilia será tão irracional e calunioso quanto o combate à violência contra a mulher (que, embora plausível, é outra ficção: o que existe são crimes comuns de autores homens contra vítimas mulheres). Os antifeministas (homens e cada vez mais mulheres) nos trazem com frequência casos de prisão, agressão e até linchamentos de homens inocentes acusados de estupro ou assédio sexual contra mulheres, e isso citando só casos em que essa inocência foi reconhecida depois e cuja fonte é u'a matéria curta de um grande jornal. Já sabemos que a maioria das queixas de assédio sexual e agressões contra mulheres é inventada, que agredir mulheres nunca foi permitido ou atenuado por lei no Ocidente cristão e mesmo para o homicídio menos de 10% dos assassinos brasileiros são condenados e presos. Então, defender mudanças nas leis quase sempre é sensacionalismo, é só consequência se a solução for implantada e não trouxer melhora. Mas entre os mesmos antifeministas, na maioria conservadores, é comum encontrar defensores de penas mais duras, não raro de morte, para a pedofilia, que, espero que o leitor tenha entendido, é em si mesma uma invencionice patética. Pior: o discurso deles contra os pedófilos e os acusados de estupro de crianças é o mesmo, trocadas as palavras específicas, dos homens e mulheres feministas que condenam o estupro de mulheres ou defendem o feminicídio (tese em que um homem assassinar uma mulher deve ser pior do que matar um ser humano). Mais: as mentiras usadas por conservadores e por esquerdistas contra a pornografia adulta, em especial a relação dela com a pedofilia, são exatamente as mesmas.

E quando eu digo "mesmo discurso" (ou pior), não me refiro só a erro de forma ou de argumento, eu me refiro a um discurso de formato socialista, de pedir leis piores para um Estado já tomado pelo Socialismo e pelo Feminismo. E essa estrutura legal vai se voltar contra quem? Basicamente, contra os criminosos políticos e vítimas de picuinhas, como sempre aconteceu na pena de morte. Vincular a pornografia adulta à pornografia infantil (indigna de nota até prova em contrário) para censurá-la pode satisfazer puritanos gimnofóbicos, mas vai ajudar o Socialismo lésbico. Chegamos ao cúmulo de o Jornal do Brasil confessar uma falsa comunicação de crime de pornografia com menores contra o XVideos ao Ministério Público Federal brasileiro em fevereiro de 2011[1]. Coisa que só quem desconhece o portal pode imaginar que seja verdade. E este foi o mês anterior ao da última postagem do maior blogue antifeminista brasileiro, O Perdedor Mais Foda do Mundo (http://silviokoerich.blogspot.com), antes de ser clonado com a ajuda direta do governo Dilma Rousseff. E os clones silviokoerich.com e silviokoerich.org defendiam a pedofilia.

Acusar esquerdistas de promover a pedofilia será uma calúnia que só fortalecerá a esquerda. Combater a ficção grosseira da pedofilia também só fortalecerá a esquerda. Este é o verdadeiro perigo.

NOTA:

[1] "MP investiga site de pornografia adolescente", 22/02/2011, http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/02/22/mp-investiga-site-de-pornografia-adolescente


terça-feira, 2 de junho de 2015

É um prazer admirar os atributos morais de Raquel

Abigail Pereira Aranha

CAPÍTULO 1 - 31 DE MAIO DE 2013

Raquel Pureza de Morais é engenheira civil, inteligente, excelente profissional, excelente colega, excelente filha, excelente amiga e prostituta. Ela também é linda, gostosa e alegre. Ela chegou para o trabalho pela Construtora Crescente Oriental e nos deu um bom dia. A saudação é geral, mas eu também ganho um beijo no rosto.

Meu nome é Clark Kent dos Santos, tenho 22 anos, sou pedreiro. Sim, eu já "fiquei" com ela algumas vezes. De mim, ela não cobra, só pediu para eu não comentar com os colegas, que também já sabem. Ah, ela atendeu dois dos meus colegas, mas eles ficam com medo de mostrar "intimidade", porque eles são casados.

Dessa vez, a obra é de um shopping center. Estavam um pedreiro, dois estagiários, o engenheiro hidráulico e uma outra engenheira civil no escritório da obra. A Raquel tem contato frequente com os donos do empreendimento (quatro homens) e alguém comentou que ontem ela estava em um carro com os quatro. Eu escutei do lado de fora:

- Pois é, a gente conversou sobre coisas desta obra, fomos a um restaurante e eles me levaram pra casa. Gente, a minha relação com eles é profissional.

- Você é engenheira e é prostituta. A qual profissão você se refere?

- Xi! É mesmo!

Fora aquela outra engenheira, todos riram. Eu também. Como ela tinha me visto do escritório, depois ela me contou que o mais bonito deles (palavras dela) também já foi atendido no outro trabalho dela.

Eram quase 18:00, o meu pai foi me procurar. A Raquel tinha saído e estava voltando, ela chegou logo depois do meu pai.

- Nestor! Se lembra de mim? Você está com medo de estar me confundindo. Calma, nem toda mulher se ofende sendo chamada de safada.

- Raquel?

- Sim, a Raquel da zona de 94, 95. Quando eu conheci o seu filho e me lembrei das fotos dele com 3 anos que você me mostrou, eu pensei que poderia estar imaginando muito.

Raquel nos levou à própria casa e nos apresentou à filha única. Depois de um tempo com a filha, ela nos levou no carro dela até a casa do meu pai, a mais de 30 quilômetros, em uma cidade vizinha. Ela conheceu a minha mãe, de longe, ela estava esperando um ônibus em um ponto no caminho. Quando a minha mãe nos viu, a Raquel acenou para ela, mas ela continuou com a cara feia. Mas nós três sorrimos.

- Eu já amei muito essa mulher, mas depois que eu me separei dela, a minha vida só foi pra frente. Ela tomou ferro até no divórcio.

Chegamos à casa do meu pai, ele convidou a moça para entrar. Ela já ia mesmo pedir um copo d'água. Dentro da casa, ela conheceu o meu irmão, quatro anos mais novo que eu, que mora com o meu pai. Eles conversaram rapidamente e gostaram um do outro. Enquanto isso, o meu pai preparava um lanche para nós. Então, ele disse:

- Dona Raquel, pode ficar à vontade.

- Muito obrigada!

Ela tirou a camiseta, estava sem soutien. O meu irmão deu um olhar mistura de "como assim?" com "que tetas gostosas!". Ela disse:

- Não se assuste, gatinho, o seu pai e o seu irmão sabem como eu gosto de brincar. Vamos ao lanche enquanto essas picas viram pedra.

Depois do lanche, nós fizemos um "três em uma". Mas na viagem, o meu pai e a Raquel contaram como se conheceram.

CAPÍTULO 2 - ALGUM DIA DE SETEMBRO DE 1994

A Raquel tinha chegado naquela casa noturna havia quatro meses. O meu pai já sabia sobre o lugar, mas nunca tinha ido a um puteiro antes. Ele passou pela Raquel, ela percebeu que ele estava acanhado, ela chegou até ele como uma vendedora de loja atenciosa.

Eles tinham meia hora, mas eles puderam conversar um bocado, ela é brincalhona e conseguiu fazer ele relaxar e se abrir. Ele conheceu, logo no começo, duas coisas que ele só sabia de ouvir falar: camisinha e sexo oral. Anos depois, ele vai ver filmes pornográficos e se lembrar daquela menina em todas as boas cenas de boquete. Mas uma coisa que ele nunca esqueceu, e que foi muito importante para ele se separar da minha mãe e deixá-la se afundar na negatividade sozinha, foi o que a Raquel disse no meio da conversa da despedida do primeiro encontro.

- Ser prostituta e ser um homem que procura uma prostituta não é demérito para nenhum dos dois. Quase todas as mulheres que estão na prostituição acham que isso é o fundo do poço. A mulher está nova e viciada em bebida, não tem como sustentar o vício, vira prostituta. A mulher está com mais de 30 anos, era sustentada por um homem, perdeu esse homem e não conseguiu outro, vira prostituta. Eu não preciso atender um cliente como se estivesse mantida em cativeiro, ou no lixo. E eu não sou melhor como mulher só porque eu acho que dignidade é sexo com má vontade e não tocar em dois homens na vida. Tem mulher aqui dentro que acredita nisso. Isso me irrita. E outra coisa que me irrita é homem que acredita que homem que procura prostitutas é incompetente. O cara se rebaixa pra família inteira da primeira vaca que dá alguma chance pra ele, finge que não quer o que todo mundo sabe que ele quer, para sustentar uma esposa gorda burra ingrata em troca de amolação e menos de dez fodas no ano depois do quarto ano de casado. E o modelo de homem é ele. Perdedor é você, que não aceitou ficar dependente de má vontade de esposa para ter sexo. Perdedor é você, que é trabalhador, é amável e fode gostoso, mas nunca tinha visto uma mulher ter um orgasmo com você.

Já em outubro, eles se encontraram, o meu pai disse que estava impressionado e grato pelas palavras. Ele contou a ela que tinha mesmo uma esposa gorda, burra, ingrata e nunca viu uma mulher tendo um orgasmo. Ele disse que aquilo foi a coisa mais importante que ele já ouviu na vida. E mostrou aquela minha foto para ela.

CAPÍTULO 3 - 02 DE JUNHO DE 2013

É domingo. A Raquel tinha estado de manhã com os pais e os irmãos a mais de 150 km da casa dela. O pai não a beija no rosto nem deixa ela beijá-lo desde que ele surpreendeu a mocinha, na época com 16 anos, levando uma "facial" no final de uma transa com dois rapazes. Três anos depois, ela contou para os pais e os irmãos: "pessoal, eu não comentei com vocês, tenho dois meses que eu virei puta, dessa vez é por dinheiro mesmo". Mas o carinho continua o mesmo. A casa foi um presente da Raquel ao pai, do projeto à execução (a mãe gostaria muito daquela casa, mas morreu odiando a filha por ser prostituta). Raquel também levou alguns livros para o sobrinho que está cursando Engenharia Civil. O marido e a filha da Raquel também estavam lá.

Eu e alguns amigos fizemos uma festa de aniversário para ela na minha casa. Nós a chamamos para a festa e ela se ofereceu a pagar a comida, os sucos e os refrigerantes (ela tem horror a álcool), mas o marido dela pagou. Eles chegaram, ela, o marido, a filha (que tem 14 anos) e duas colegas dela do segundo emprego. Ela nos apresentou as colegas e amigas, eu conhecia uma delas. E disse para a filha:

- Abigail, aqui não tem nada de trabalho. O que acontecer aqui é por safadeza mesmo.

Ela disse para o marido:

- Tomás, eu quero ver se você tem coragem de comer as minhas amigas na minha frente.

Era uma piada com duplo sentido. Todos rimos.

Nós estávamos conversando, comendo, bebendo (refrigerante, suco,...), a Raquel disse que ia sair, mas voltaria logo. Logo depois, voltamos eu e o marido dela e colocamos um embrulho para presente em cima de uma mesa. Pedimos aos amigos para cantarem parabéns, nós dissemos que ela estava chegando. Enquanto cantávamos, abrimos o embrulho. Era ela, nua. Depois que ela jogou um pedaço do bolo na barriga de um dos rapazes e lambeu, começou o bacanal. O marido dela transou com as amigas. Estávamos nos alternando sempre dois ou três rapazes com cada mulher. A filha da Raquel estava assistindo aquilo. Eu me sentei ao lado dela e ela comentou:

- Ela é minha mãe, uma ótima mãe, eu a amo, mas ela é louca!

Raquel convidou a filha para "se juntar à festa", ela até tirou a roupa, permitiu uma cunilíngua minha e de outro rapaz, gostou, mas não passou disso. Ela ainda era virgem.

Raquel me pediu para tirar uma foto com o celular dela. Ela estava deitada no sofá da minha sala, ainda nua, mas estava com a camisa do uniforme da empresa dobrada cobrindo o corpo. Ela fez uma montagem com aquela foto abaixo de outra, dela nua, tirada e publicada na rede social WhatsApp na sexta-feira. No meio das duas, ela colocou a legenda: "A foto de cima comprometia a imagem da empresa onde eu trabalho. Mas qual empresa mesmo?". Ela publicou logo em seguida no seu perfil do WhatsApp, mas nós só vimos à noite.

Quando estava se despedindo de nós, ela agradeceu a festa e contou a todos: ela foi demitida por telefone no caminho para a nossa festa. Os diretores da empresa descobriram que ela era prostituta depois que viram aquela foto dela compartilhada apenas entre amigos.

CAPÍTULO 4 - 03 DE JUNHO DE 2013

Raquel chegou à obra para se despedir dos amigos, logo no começo do expediente.

- Meus amigos, eu fui demitida. É a quarta vez que isso me acontece pelas minhas ideias sobre castidade! Eu estou acabada! Esta sociedade machista e tradicional quer me levar à prostituição!

Nós rimos pouco. Alguns de nós já sabíamos o que aconteceu.

- Mas, falando sério, eu também tenho uma empresa individual e trabalho fazendo projetos. Enquanto estava aqui, eu peguei pouco trabalho por fora, agora vou ter que procurar mais. Clark, na sexta-feira o seu pai estava com a caminhonete dele estragada e eu prometi comprar outra caminhonete pra ele. Eu achei uma usada em bom estado de conservação, com um preço bom que eu ainda posso pagar. Eu vou comprar, principalmente porque é para trabalho. Eu sei como é ficar com serviço travado por falta de material.

E ela se despediu de nós, já na frente do escritório:

- Eu estou saindo, mas todos vão ficar felizes. Meus inimigos não vão me ver mais e os meus amigos e os filhos dos inimigos vão continuar me vendo, vestida e pelada. Hua, hua, hua, hua, hua!

Ela me contou depois que disse a mesma coisa quando saía do Departamento de Recursos Humanos, ainda naquela manhã, e algumas mulheres queriam bater nela. E que isso a lembrou de um outro caso.

CAPÍTULO 5 - ALGUM DIA DE ABRIL DE 1997

Raquel estava em outro ponto, aquele primeiro tinha sido fechado para um vereador puritano agradar o eleitorado beato. Então, ela e o meu pai perderam contato. Ela comprou uma câmera fotográfica em 94 e daí em diante ela tirava fotos nua ou seminua com cartazes. Ela estava no penúltimo semestre do curso de Engenharia Civil. Ela pediu para uma colega tirar uma foto, o texto do cartaz era: "Me formando engenheira civil, coeficiente de aproveitamento 78,4. Sou estudiosa e honesta, vou me formar sem nenhum professor me fuder".

- Jezabel, pode tirar uma foto minha pra minha família?

- Vai tomar no cu! Eu estou nessa vida porque fui ao fundo do poço, você fazendo universidade está na "vida" e ainda faz piada? Vai ser sem-vergonha assim no Inferno! Se a minha mãe estivesse viva e me visse numa foto dessas, ela só não ia me espancar até a morte porque ia cair dura antes.

- Sei como é, a minha mãe também!

Raquel, logo depois, atendeu dois clientes e um deles tirou a foto, com o cartaz cobrindo o rosto do outro, ambos nus na cama.

Ela estava fazendo um estágio. Uma foto de 94 foi descoberta. O engenheiro chefe, um senhor grisalho bem apresentável, a chamou à sala dele e colocou na mesa com violência a foto com ela nua na cama do quarto com um cartaz escrito "Eu tenho muitos princípios morais para pensar em castidade. Honestidade, amor, cortesia, trabalho etc.".

- Preciso comentar isso aqui? Você acha isso certo? Isso é contra a ética empresarial, isso é antiprofissional, isso é imoral, isso é tosco, isso é nojento, isso é estúpido, isso é ridículo. Você suja a imagem da nossa empresa desse jeito. Eu vou ter que te mandar embora.

CAPÍTULO 6 - 08 DE MARÇO DE 2014

Raquel ia levando a vida com projetos que ela fazia em casa, e atendendo ricos e pobres neste e no outro trabalho, até que os donos de uma empresa de Agrimensura lhe ofereceram uma parceria. Eles a descobriram no Facebook, viram que ela era prostituta, mas só depois descobriram que ela é engenheira civil.

Raquel está há quatro meses na empresa. Já começou levando a mim e alguns amigos. Se ela não tivesse nos chamado, poderíamos estar desempregados. A Construtora Crescente Oriental substituiu a Raquel por uma vadia mais nova com um quinto da competência, mas que era amante de um dos sócios e ele estava querendo encaixar a garota na empresa. Por falcatruas, por incompetência e por pobreza de espírito, a empresa estava decadente, perdia os bons funcionários de todos os cargos porque eram demitidos ou perdiam a paciência.

Era sábado e era confraternização no sítio dos dois donos da empresa (eles são irmãos solteiros). Só cerca de 30 funcionários estavam lá. Alguns não foram só porque Raquel estaria lá. Quem nasceu pro Inferno vê lenha no Jardim do Éden. Mas de todos os funcionários da empresa, ela era a única mulher. Ela pediu a palavra:

- Pessoal, eu queria dar as boas-vindas ao nosso colega que entrou esta semana: Tomás de Aquino de Morais, o engenheiro especialista em projetos viários, o meu marido. Somos tão feitos um pro outro que eu nem precisei mudar o meu sobrenome de solteira. Eu queria te agradecer por estarmos juntos depois de quatro vezes que eu fiquei desempregada. Mais do que o dinheiro, o sustento do nosso padrão de vida, você me ajudou muito em me dar força, em criarmos nossa filha.

Ela parou de falar, abraçou o Tomás, e ele pegou a palavra:

- Raquel, eu tenho muito o que agradecer por você estar na minha vida. Você me ajudou a vir para a Europa Engenharia e Agrimensura antes que eu te dissesse como eu estava começando a me sentir mal na Secretaria Estadual dos Transportes. Você me fez mais bem do que imagina nos 17 anos de casamento. Inclusive quando eu fiquei desempregado quatro vezes e quem aguentou tudo financeiramente foi você. Na primeira vez, os meus pais pensaram que você iria me deixar. Estão esperando o divórcio até hoje. Você também me apresentou esses colegas e amigos, você me acrescentou gente que dá pra conversar, que dá pra ser amigo, que é bom de estar juntos.

Ah, e o meu pai estava lá. Ele queria agradecer pessoalmente pelo presente da Raquel: ele economizou dinheiro com a manutenção da caminhonete nova e ainda conseguiu clientes a mais, então já juntou o valor da compra do veículo e queria reembolsar Raquel. Mas ela disse:

- Deixe como está, gatinho. Este dinheiro vai estar melhor com você do que comigo.

Nós fomos para a piscina, a Raquel disse:

- Esqueci meu biquíni! Mas vou entrar na piscina assim mesmo.

E entrou. Nua. Logo depois, Raquel saiu da piscina e convidou a empregada doméstica, uma senhora de uns 50 anos, que estava perto.

- Vamos pra piscina, moça. Se precisar de um biquíni, eu tenho ali.

O biquíni estava por cima da roupa dela, que estava dobrada em uma cadeira. Mas a empregada doméstica era gorda de seios pequenos, Raquel era magra de seios médios arredondados e uma bunda arredondada. A empregada doméstica não disse nada, mas saiu com cara de "queima ela, Jesus". Nós rimos discretamente.

A Abigail, a filha da Raquel, estava conosco na piscina (de biquíni, esclareça-se). A orgia não foi muita, mas o meu pai dividiu a Raquel com o marido dela e eu tirei a virgindade da Abigail. Os donos da casa nos permitiram usar um quarto. Ela achou ótimo, gozou como se tivesse tomado um choque. Nós voltamos eu segurando a cintura da garota e ela se apoiando no meu ombro esquerdo e a mãe brincou:

- Perdeu a virgindade e não tem nem 15 anos, né? Se eu estivesse de olho, isso não teria acontecido. E então, mocinha, quer aproveitar e brincar com mais um?

- Não, minha senhora, eu sou mulher só de um a um mesmo.

CAPÍTULO 7 - 02 DE JUNHO DE 2015

Era terça-feira. Fizemos uma pequena festa de aniversário para Raquel na empresa, no nosso horário de almoço.

Quando ela estava quase chegando na zona, encontrou a nossa surpresa, uma faixa na rua: "Violência é degradante. Desrespeito é degradante. Exploração é degradante. Preconceito contra a prostituição é feio. Raquel Pureza de Morais, parabéns pelo seu dia. Parabéns pelos seus 40 anos".

02 de junho é o Dia Internacional da Prostituta. No dia 02 de junho de 1975, um grupo de mais de 100 prostitutas ocupou a igreja de Saint-Nizier em Lyon, França, para chamar a atenção para a situação de pressão e descaso da polícia e do governo contra elas, que levou a um aumento da violência de cafetões, clientes e policiais contra as prostitutas. Foi o dia em que ela nasceu.

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