quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Violência contra o homem 5

Mulher agride marido com ácido sulfúrico em MG

Uma mulher despertou seu marido com ácido sulfúrico, que por pouco não atingiu em cheio seu rosto. O líquido corrosivo corroeu parte do ombro e das costas. Temendo um novo ataque, ele procurou a Delegacia de Mulheres para registrar queixa contra a agressora.

Encaminhado ao distrito policial da área onde mora, ele resolveu desistir da ação e abandonar a casa. Histórias como a de Joaquim (nome fictício) se repetem com freqüência na cidade. Mas a vergonha da exposição faz com elas caiam no esquecimento.

Segundo a chefe da Divisão de Polícia Especializada da Mulher, Idoso e Deficiente, Olívia de Fátima Braga Melo, já se tornou rotina naquela delegacia a busca por registro de ocorrências onde a mulher figura como agressora e o parceiro como vítima. Além disso, três entre dez mulheres que denunciam o marido ou namorado por agressão física terminam respondendo pelo mesmo delito. A Delegacia de Mulheres da capital atende, em média, 30 mulheres por dia.

"Em 30% dos casos constatamos que a mulher também é agressora, isso quando não fica claro que é o companheiro quem sofre nas mãos dela", diz a delegada. Neste caso são registrados dois termos circunstanciados de ocorrência e ambos são encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.

A juíza coordenadora do Juizado Criminal, Maria Dolores Cordovil, revela que naquela instância são também corriqueiros julgamento de agressões recíprocas. São cerca de 5 mil processos de lesão corporal avaliados mensalmente, 5% dessa natureza. "Na maior parte dos casos, explicamos que é preciso haver uma representação criminal (manifestar a intenção de que o outro seja processado) mas, na grande maioria das vezes há entendimento entre as partes", diz.

"O processo fica, então, disponível por seis meses aguardando manifestação das partes e é arquivado se nenhuma delas se pronunciar. No caso de prosseguimento do processo, tentamos fazer uma transação penal, um acordo com o Ministério Público". Em geral, observa a juíza, os processos culminam em penas brandas, como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços à comunidade.

A pena prevista para lesões leves no Código Penal varia de três meses a um ano de detenção. Ainda de acordo com a delegada Olívia Melo, quando a mulher decide partir para a agressão contra os companheiros, eles é que terminam levando a pior. "Quando elas partem pra cima deles é pra valer, e as lesões, em geral, são bem graves.

Certamente por estarem em desvantagem física, elas se valem do que vêem pela frente, preferindo instrumentos cortantes e perfurantes, como facas e tesouras, e, em situações premeditadas, até ácido e água fervente", conta.

"Em geral, os homens não conseguem manter o diálogo em situação de conflito e afirmam que agridem para se defender. Hoje, verifica-se que o revide é cada vez mais comum, embora ainda exista mulheres passivas, que não reagem", completa a delegada titular, Silvana Fiorillo, frisando que, embora as agressões mútuas entre casais estejam aumentando, as mulheres continuam sendo as maiores vítimas na grande maioria dos casos.

Hoje em Dia

Terra, 12 de junho de 2005 , http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI549579-EI306,00.html

sábado, 6 de fevereiro de 2010

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