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domingo, 7 de dezembro de 2014

Cultura brasileira: reflexões que vão ofender quase todo mundo (Lucas Mafaldo)

Reflexões que vão ofender quase todo mundo:

1. Como a maioria dos nordestinos, conheci o resto do mundo antes de conhecer o Brasil. Presumi que o sudeste era diferente. Não é. É quase misterioso como o Brasil é culturalmente uniforme. E com isso quero dizer: uniformemente ruim.

2. Não conhecemos o resto do mundo. Ou melhor: achamos que conhecer o resto do mundo é fazer compras no resto do mundo. Como se comprar um Starbucks em Londres magicamente nos revelasse a essência do parlamentarismo inglês.

3. A raiz do problema é simples: falta inteligência. Inteligência envolve capacidade de abstração. Pensamos que diferenças culturais são pequenas variações na sonoridade do sotaque e ingredientes diferentes na comida. É como se a alma francesa estive na sopa de cebola e não em uma certa revolução. Se não pode ser visto ou tocado presumimos que não existe.

4. Como não conhecemos o resto do mundo, pensamos que somos ricos porque o vizinho é ainda mais pobre. Falta senso de proporção. Exemplo: o PIB per capita do Canadá é quase dez vezes maior que o de Minas gerais. Vou repetir: dez vezes.

5. Mas isso não é nem de longe o pior. Todos confundem dinheiro com cultura. Pensamos que existem lordes brasileiros que, por possuírem "berço", cresceram lendo romancistas russos. Se existem, ainda não os conheci. Na minha experiência, compensamos a nossa prodigiosa desigualdade de renda com uma sensacional igualdade intelectual: todas as classes econômicas são igualmente ignorantes. As raras exceções estão igualmente espalhadas por todas as camadas da sociedade. Nossa inanidade econômica se agiganta perto da nossa inanidade intelectual.

6. Eu pensava que a confusão entre entretenimento e educação se restringia aos cursinhos e vestibulares. Errei: é quase universal. Corolário: pare de estudar e faça um curso de entonação vocal.

7. Questão pouco compreendida: há uma racionalidade no argumento de autoridade em lugares de baixo nível intelectual. Se o sujeito não entende nada da teoria, precisa de indícios externos para saber em quem confiar (quanto ganha? onde estudou? fala com convicção? como se veste?). Corolário: comece toda argumentação dizendo que alguém mais importante do que seu interlocutor pensa diferente dele. Eça de Queiroz acertou pela metade: estamos sempre tentando impressionar o indígena. Só não percebemos que os verdadeiramente impressionáveis somos nós.

8. Em outras palavras: feitas as ressalvas de sempre, praticamente não existe debate intelectual. É tudo pose e ocupação de posições. Passo meses estudando um assunto e posso ver nos olhos do interlocutor: "Por um lado ele tem sotaque nordestino, por outro lado estudou no Canadá... Por um lado tem um diploma em filosofia, por outro lado dá aula em uma faculdade cara... Será que ele está acima de mim ou abaixo de mim na hierarquia social? Como posso concordar ou discordar dele sem ter essa informação essencial?". Preguiça eterna. Não sabemos a diferença entre submissão à autoridade (que não pode existir no meio intelectual) com respeito (que deveria existir em todas relações). Não entendemos nada, temos medo dos mais fortes e tratamos os mais fracos como lixo.

9. E aí começo a entender melhor porque os debates intelectuais deixam as pessoas tão afetadas emocionalmente. As pessoas estão interessadas em proteger seu território e demonstrar autoridade. As opiniões pessoais são parte da persona social e não etapas de um esforço de entender a realidade.

10. Precisamos recomeçar do zero: explicar que ser um estudioso é o contrário de ser uma autoridade; é ser alguém que decidiu continuar aprendendo pelo resto da vida. O catedrático tem sempre as mesmas disciplinas para continuar se aprofundando nelas -- e não porque já esgotou o assunto. Se alguém mostra que estou errado em um ponto (como o Juliano Torres fez nessa semana), admito imediatamente e agradeço por ter me poupado tempo e me ajudado a avançar na pesquisa.

Conclusão: sinto-me muito mais estrangeiro em qualquer estado brasileiro do que me sentia entre canadenses -- e menos ainda entre os sábios quebecois. Ser um alienígena tem muitas vantagens existenciais. Recomendo entusiasticamente. O único problema é o risco constante de ser enviado pelos nativos para a fogueira.

Lucas Mafaldo, 28 de novembro, https://www.facebook.com/lucasmafaldo/posts/10153587669374298

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Como o horror à verdade e à virtude leva à degeneração do raciocínio lógico, à desconexão de ideias e ao socialismo, tudo isso encoberto numa falsificação de sapiência, em três exemplos

Abigail Pereira Aranha

Boa noite, meus amigos e minh@s inimig@s. Neste mês, eu vi três exemplos que ilustram como a mentalidade esquerdista é uma degeneração mental e psiquiátrica, mas antes gostaria de fazer algumas considerações.

Como disse Winston Churchill, "o socialismo é a filosofia da falha, o credo da ignorância e o evangelho da inveja, sua virtude inerente é a divisão igualitária da miséria". Eu não sou tão esclarecida para saber por que Rússia, Cuba ou China chegaram à experiência socialista, mas no caso do Brasil com o governo do Partido dos Trabalhadores, isso deve explicar por que o socialismo deu certo pelo menos no Brasil. Aqui, a pobreza cultural é mais berrante pela nossa própria formação nacional. Na melhor parte, nós tivemos vigaristas com algum sucesso na vida e alguns nobres que perderam a pompa em Portugal. No resto, reis africanos vendidos como escravos por outros negros, solteironas portuguesas fracassadas, índios de tribos decadentes, mestiços não reconhecidos pelos pais brancos; no geral, uma multidão de gente sem brilho fazendo um país sem brilho. Era 1900, o Brasil já com 400 anos de descoberto ainda vivia de exportar café, depois de viver de exportar cana-de-açúcar, pau-brasil e ouro.

Aliás, em 1964 tivemos o começo de um governo militar. Que eu já li de esquerdistas, o "golpe militar" (foi o Congresso que depôs o presidente da época, João Goulart, e depois empossou o general Castello Branco) foi uma artimanha dos Estados Unidos para impedir o socialismo no Brasil, ou dos Estados Unidos para reverter uma situação de que eles tinham uma dívida externa conosco, ou da Igreja Católica para impedir a reforma agrária. E isso com o Brasil sendo a 45ª economia do mundo, imagine se fosse um país rico! Isso ilustra a relação da falta de brilho próprio com megalomania. Ainda volto a este ponto.

E no meio técnico e universitário brasileiro, a grande maioria dos especialistas e dos que vão a feiras e congressos não estão em um círculo que busca fatos e ciência sobre o mundo mortal, estão em um círculo que vigia para que eles não saiam de lá. Isso também vale, como regra, para jornalistas e colunistas de opinião em relação a notícias. Por isso, quando um destes é refutado ou questionado por um leigo, ele reage como o homem possessivo casado com uma bela mulher que surpreendeu o outro na cama com a esposa que ele maltrata. Por isso, estudantes universitários e profissionais formados conseguem ir ao Primeiro Mundo fazer um curso ou apresentar seus trabalhos que quase ninguém vai ler e voltar como se tivessem estado em uma cidade turística brasileira em uma temporada de férias, ou em um carnaval fora de época. Não costumamos ver nenhum destes dizer que sentiu vergonha de estar em uma universidade da Suiça, com cerca de 8 milhões de habitantes, e o país ter seis universidades à frente da USP, em uma São Paulo com 11 milhões e meio de habitantes; ou de estar na Holanda e ver ciclovias de verdade de uma cidade a outra, não as faixas vermelhas estreitas, horrendas e desconexas nas cidades brasileiras, que deixam ainda menos espaço para ônibus e automóveis para terem mais caçambas de entulho e carros estacionados que bicicletas. A única vez que eu vi, no Facebook, alguém dizer que voltou do Primeiro Mundo e não sabia mais como viver no Brasil (Júlia Dantas Maia, voltando da Austrália), houve quem mal conseguiu responder que ela devia voltar para lá.

E pela pobreza moral e mental do Brasil, temos professores universitários, especialistas e cada vez mais pessoas comuns tratando o senso comum, que é a percepção geral de fatos observáveis, como se fosse ele mesmo uma deficiência do pensamento. Porque do "desconstruir" fatos de conhecimento público dependem as reputações e os empregos de milhares de professores universitários, jornalistas, burocratas, mas, ultimamente, até profissionais de ciências mais exatas, como engenheiros de tráfego (pensei nisso um dia destes, quando estava de carro com uns amigos e passamos por uma rua onde transformaram duas faixas em três horrivelmente apertadas, e passou um carro grande do nosso lado). Ah, e como a ninfeta que levou uma ajudinha no estágio e na faculdade vai pagar de inteligente sem demonizar o senso comum? Ou a ogra intelectualmente medíocre, como vai pagar de inteligente sem demonizar o senso comum? E o que tem a ver pobreza de espírito com baixeza intelectual? É que quem tem falta de brilho próprio não pode se relacionar bem com o mundo real. Nem com as pessoas do mundo real. O leitor pode observar as pessoas frustradas de baixa escolaridade, pobres de espírito e, no caso das mulheres, sem atrativos físicos no seu próprio cotidiano. Elas respondem mal a pessoas gentis porque a agradabilidade lhes fere mostrando o que elas não têm. Essas pessoas também são difíceis para conversas corriqueiras em um nível de intelecto e de polidez aceitável, porque não podem suportar o melhor que elas próprias. Essas pessoas também não riem, a não ser de outras pessoas, porque tanto a alegria as incomoda como elas próprias são ridículas. Por isso, mulheres fisicamente repulsivas e desfemininizadas conseguem, quando muito, ser especialistas aceitáveis em engenharias ou razoáveis em Ciências Humanas. E a pobreza moral e de virtudes, volto àquela lembrança sobre o "golpe de 64", chama a própria produção cultural e científica para alimentar a egolatria, tanto no indivíduo quanto na nação; mas, por antipatizar com a busca da verdade em si, destrói o raciocínio lógico, a humildade, o equilíbrio psicológico, o pensamento científico e, o pior de tudo, a própria percepção dessas decadências.

Ah, e as pessoas pobres de espírito, inclusive esquerdistas, têm horror a mulheres liberais sexualmente satisfeitas e que não têm problemas com piadas de putaria. Não é que sejam apenas frustradas sexualmente, elas também se embebem da própria frustração e têm horror a quem tem mais esse bem-estar.

Nossa! Agora, sim. Dos três exemplos, dois estão nesta figura.

Olavo de Carvalho: "Os cientistas explicam satisfatoriamente todos os fenômenos que eles mesmos inventaram". Portugal Aila (https://www.facebook.com/nessapocoyo), como Isaac Newton: "Sim Olavo, antes d’eu inventar a gravidade, as pessoas viviam voando por aí". Diego Guimarães (https://www.facebook.com/diego.rafaelguimaraessantos/posts/1000332523317564): "Há quem considere este demente um grande filósofo hahahahahahaha". Figura original de Portugal Aila: (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=707362962678884&set=a.224520684296450.54867.100002155596411&type=1)

A frase que foi respondida na caricatura foi algo como "Os cientistas inventaram todos os fenômenos que eles explicam satisfatoriamente". Tenho até vergonha de explicar para os amigos o que vou explicar agora. Olavo fala de fenômenos que foram inventados por cientistas ("que eles mesmos inventaram" é o complemento que especifica os fenômenos). Portugal Aila fala de fenômenos que cientistas explicam satisfatoriamente ("que eles explicam satisfatoriamente" é o complemento que especifica os fenômenos). São duas classes diferentes. Olavo diz que os fenômenos que foram inventados por cientistas são bem explicados por eles porque eles mesmos inventaram. Portugal Aila diz que os fenômenos que cientistas explicam satisfatoriamente são inventados por eles mesmos porque eles explicam satisfatoriamente. Como afirmação categórica de forma típica, e agora eu passo para a Lógica, a frase do professor Olavo é algo como "todo fenômeno que os cientistas inventaram é um fenômeno que os cientistas explicam satisfatoriamente". Como condicional, é "se um fenômeno foi inventado pelos cientistas, então é um fenômeno que os cientistas explicam satisfatoriamente". O que vem entre o "se" e o "então" é o antecedente, o que vem depois do "então" é o consequente. A Portugal Aila (é mulher) cometeu aqui a Falácia de Afirmar o Antecedente. Quando temos "se p, então q", não podemos concluir que "se q, então p". Afirmar isso é a Falácia de Afirmar o Antecedente. Ela entendeu que foi afirmado que "se um fenômeno é explicado satisfatoriamente pelos cientistas, então é um fenômeno que os cientistas inventaram".

Aliás, que cientistas são estes e que fenômenos inventados são estes? Devem ser da área de Ciências Humanas. Não deu para descobrir muito pelo Facebook, mas com certeza a moça é universitária. E como ela tem cara de moça que acha que participar de farras universitárias é servir ao patriarcado, está garantindo a tese da pós-graduação para ser professora universitária mesmo. Ah, e perceberam que o retrato não tem identificação? O pessoal mais informado conhece os retratos de Isaac Newton, Nietzche, Pascal, Lutero. A menção à gravidade também é uma pista, mas só para quem sabe um bocado de Física. Conclusão: o que devia ser demonstração de cultura de uma pessoa graduada, ou da universidade brasileira em geral, é só uma lésbica cometendo um erro grosseiro de interpretação de texto e outro de Lógica tentando demonstrar cultura para responder o que não pode quando lê o que não quer.

E por que eu também copiei a postagem do Diego Guimarães se ele só compartilhou? Aí está o segundo exemplo: ele não compartilhou apenas, ele comentou também. Em primeiro lugar, quem é considerado um grande filósofo com postagens do tamanho de um tweet (esta tem 86 caracteres) e fragmentos de parágrafos e de vídeos "desconstruídos" por inimigos? Se eu tivesse feito uma sugestão irônica de que ele lesse um livro ou um artigo do filósofo, digo sem medo de errar, ele responderia que nunca leria (já fiz isso com dois, pelo que lembro). Aliás, vejamos a risada do Diego: não é a de quem acha graça em uma piada normal. Se o caso é de o cidadão (isso vale para este exemplo e o anterior) ter lido um simples artigo ou visto um simples vídeo de alguém que pensa diferente e, vendo o que não lhe agrada e não pode refutar, se agarrar aos fragmentos que pode para tentar desqualificar o autor, já é pelo menos uma inferioridade moral que leva à difamação de uma superioridade pelo menos de argumentos sobre um assunto específico. Mas se não é, o caso é pior ainda: sabendo mal que alguém com alguma popularidade tem uma fala discordante sobre certo assunto, e conhecendo vergonhosamente pouco do que ele diz e pensa, a pessoa se recusa até mesmo a conhecer mais, mas não a substituir o outro por um espantalho em que possa bater. Isso é uma patologia intelectual e psicológica em que a pessoa, tendo pelo menos inabilidade intelectual, se afunda em um mundo paralelo filosófico, se dissocia mentalmente do mundo real e nem mesmo acha preocupante se é notório para as pessoas do mundo real que ela bate no espantalho que inventou, e não em quem este espantalho substitui. Não faz muito tempo, isso era condenado dentro da própria militância esquerdista, o que significa que a mentalidade esquerdista destrói mentalmente inclusive a própria esquerda.

O terceiro exemplo é de uma certa Fátima Oliveira, uma velhota médica de Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís, com uma coluna desinteressante e subintelectual no jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Até a cara dela é de dondoca de vida fácil (não parece que ela tenha feito um programa na vida, hehehehe). No dia 21, ela escreveu "À beira do Rubicão plantei lavandas para Dilma Rousseff". O título é um lixo, o texto é pior, segue no apêndice. Ela conta a história de um rio Rubicão, escreve sobre lavanda e mal consegue dizer algo sobre a campanha presidencial deste ano, supostamente seu assunto principal. Ela cita "meritocracia" como uma coisa demoníaca. Se a Maria de Fátima Oliveira listada como agente comunitária de saúde em Paço do Lumiar for ela, está explicado: funcionários públicos em geral têm pavor desta palavra. Ela ainda consegue citar as capitanias hereditárias como sistema meritocrático, e "hereditário" vem de herança. Ela também diz que o machismo é produto da misoginia. Explicação, muito boa, da militante lesbossocialista Lola Aronovich: "muita gente se confunde e não sabe ao certo o que é misoginia e o que é machismo. Vou tentar explicar, se é que eu sei. Acho que toda misoginia é machista, mas nem todo machismo é misógino. Por exemplo, querer que a mulher se case virgem é machismo. Dizer que lugar da mulher é na cozinha é machismo. Achar que mulher gosta de ouvir baixaria na rua é machismo. A misoginia vai além – é o ódio à mulher." ("Misoginia, machismo, e Rihanna espancada por Chris Brown", 12/02/2009, http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/02/misoginia-machismo-e-rihanna-espancada.html). E pode ser erro da autora ou gafe do revisor: a frase "É vero!" (é verdadeiro) está errada, a terceira pessoa do singular do verbo "essere" é "è", com acento grave (pelo pouco que eu sei de italiano).

Tanta cultura que ela mostra na coluna dela só mostra como o lésbico-socialismo (ela se diz no Twitter "médica, escritora e feminista") pode transformar cursos universitários e a cultura conseguida por livros e viagens pelo país e pelo mundo em imagens de confusão mental. Aliás, confusão mental associada com duplicidade moral. Ela diz algo sobre "um mundo no qual a violência de gênero não terá vez nem lugar", provavelmente porque viu Aécio Neves fazer Dilma Rousseff sair do debate com uma "queda de pressão", e não zombando de fazer o adversário chorar, como fez com Marina Silva. No texto dela publicado pelo Viomundo em 01/07, "Meu sonho era ver os Sarneys saindo pelo voto e não à francesa" (http://www.viomundo.com.br/politica/fatima-oliveira-16.html), ela não comenta que Roseana Sarney chegou ao governo do Maranhão em 2010 apoiada pelo PT, o que motivou uma greve de fome de um fundador do PT no estado. Ela diz que Roseana Sarney mentiu quando disse que sempre teve "uma forte atuação na luta das mulheres", mas não nega a declaração dela de que ela foi a primeira mulher governadora do país. Parece que se ela não falhasse com o Feminazismo, ela deixaria de ser a herdeira de José Sarney. A própria Fátima Oliveira pode dizer, como Talyta Carvalho ("Não devemos nada ao feminismo", Folha de São Paulo, 08/03/2012, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/29978-nao-devemos-nada-ao-feminismo.shtml), que nunca precisou lutar contra seus colegas homens para ser ouvida. Com certeza, ela foi sustentada pelo pai quando estudou para ser médica, mas, pela doença moral e mental do feminismo, vê uma guerra civil de homens contra mulheres.

Ah, antes de concluir, o leitor percebeu que eu usei o termo "mentalidade esquerdista" no primeiro parágrafo? Os três exemplos que eu citei aqui não são, até onde vejo, de militantes esquerdistas formais. Mas estas pessoas têm uma estrutura de interpretação do mundo que é produzida pela militância e pelos pensadores esquerdistas, pelo menos em boa parte. E aí, essas pessoas dizerem que não são socialistas não significa, na prática, que eles são muito diferentes dos militantes e dos pensadores. E é até um pouco pior, porque se o socialismo é uma transformação da sociedade, os pensadores militantes e os ativistas formais são apenas as pessoas envolvidas diretamente com um plano para fazer isso ou aquilo, e não precisam ser muitos. Podem dizer que não seguem a ideologia socialista apenas os que conheceram e rejeitaram esta ideologia, e fazem algo que no mínimo escape dela. Mesmo assim, estes ainda podem colaborar com o socialismo por falta de esclarecimento ou de reflexão, mas vão parar de colaborar quanto mais se esclarecem e podem se isolar. Mas quem não é este não-socialista, não é militante e não é da nomenklatura, é apenas parte do povo socialista. E como o socialismo é uma ideologia para a sociedade como um todo, é estar dentro dela, estar saindo dela ou estar fora dela. O neutro é só um paspalho ou um mal informado, ambos do lado de dentro.

Não faz quatro anos que esquerdistas inventaram silviokoerich.com para "provar" que ser contra o Feminismo é ser defensor da agressão de mulheres, racista, pedófilo e até torturador de animais. Uma artimanha razoável que ganhou suporte de uma Polícia Federal sem a mínima curiosidade e da Presidência da República gestão Dilma Rousseff (quem anuncia um atentado contra um presidente da República apenas por brincadeirinha?) que até poderia convencer algum desinformado. Parece que hoje nem isso eles conseguem fazer, no máximo conseguem criar perfis falsos em redes sociais para vomitar a sua caricatura dos divergentes como se fosse o que estes pensam e serem apagados depois de pouquíssimas postagens. Lembrando outra citação de Winston Churchill, "quem aos 20 não foi socialista não tinha coração; e quem aos 40 não for conservador não possui cérebro". Humilhou o meu coração e o meu cérebro, mas tudo bem, hehehehe. Com a garotada contra o Socialismo e o Feminismo de hoje, talvez ele não diria isso. Hoje, se não sempre, ser socialista aos 20 ou aos 40 anos é falta de cérebro destruindo o coração e falta de coração destruindo o cérebro.

Ah, e pra fechar e brincar um pouco: de acordo com um estudo da Universidade de Nova Iorque, sexo casual pode aumentar a autoestima; de acordo com outros dois, sexo casual pode melhorar o cérebro. Portanto, descobrimos que feminismo é coisa de mulher subintelectual com falta de rola. Quiá, quiá, quiá, quiá, quiá!

Apêndice

À beira do Rubicão plantei lavandas para Dilma Rousseff

Para protegê-la da misoginia e do seu produto, o machismo

Fátima Oliveira

Médica

fatimaoliveira@ig.com.br

Após três debates eleitorais televisionados, a corrida à Presidência da República 2014 chegou à beira do rio Rubicão. Em 26 de outubro, as urnas dirão quem o atravessou e falará "anerrifthô kubos", que em latim popular é "alea jacta est" ("A sorte está lançada" ou "Os dados estão lançados").

Em disputa, o Brasil de amanhã. Diferentemente de Caio Júlio César (100 a. C. - 44 a. C.), autor da frase "Até tu, Brutus?", que decidiu sozinho atravessar o Rubicão, aqui, o povo dirá por meio do voto quem o atravessará.

Para quem não lembra, o lendário rio Rubicão é uma fronteira natural que separa a Gália Cisalpina e a Itália, e que o "Senado romano proibia todo general em armas de transpor essa fronteira sem expressa autorização. Ao transgredir a ordem, Júlio César violou a lei de Roma e declarou guerra ao Senado". Era 11 de janeiro de 49 a. C.

Aqui os lances da travessia do Rubicão esgarçaram limites civilizatórios. Caberá ao povo dizer o que deseja das duas propostas em debate: se uma pátria mátria, acolhedora e inclusiva, ou uma pátria meritocrática, à moda das capitanias hereditárias.

Apesar da transparência das propostas, escolher não será fácil, posto que a pátria meritocrática está envolta pelas neblinas de Siruiz, que é o discurso "o nosso povo merece mais", logo, "eu vou fazer mais e melhor", estribado na fé do Estado mínimo e cada vez menor!

É do DNA da democracia permitir espaços para propostas sinceras e outras nem tanto. Assim sendo, é pendurar a alma no varal até 26 de outubro, confiando que o povo na cabine eleitoral terá a sabedoria ao decidir seus destinos. Cá com meus botões, estou de consciência tranquila, porque, do pouco que posso fazer, fiz: contribuir para fomentar o debate. Agora é plantar lavanda, o que também já fiz.

Semeio e cultivo alguma planta em momentos que exigem muito de mim. Talvez seja uma forma de compartilhar com o cio da terra o que está no mais recôndito do meu ser. Um pouco do popular "cada doido com suas manias"... É vero! Nas eleições de 2014 para governador do Maranhão, plantei girassóis, que já estão florindo, para o governador eleito Flávio Dino. Agora, plantei lavandas (ou alfazema) para Dilma Rousseff aqui, no Paranã profundo, a minha janela para o mundo.

E por que lavanda para Dilma Rousseff? Além de ser uma planta inseticida, o nome deriva do latim "lavare" ("lavar"), e é usada em produtos de higiene pessoal e de limpeza, pois limpa, refresca, relaxa e perfuma. Não é à toa que a lavanda é um curinga na atual indústria de cosméticos. É também o perfume de Iemanjá, e há a crença de que seu uso na nuca protege contra ataques de obsessores...

Há lavandas nativas nas ilhas Canárias, norte e oeste da África, sul da Europa e no Mediterrâneo, Arábia e Índia. É em Provence (sudeste da França, da margem esquerda do Ródano à margem direita do rio Var) onde elas explodem em vigor e beleza única! Tanto assim que a lavanda sempre evoca as colinas e os vales de Provence, impregnados do cheiro inesquecível dos campos de lavanda, inspiradores da pintura de Van Gogh (pintor holandês, 1853-1890), Henri Matisse (pintor francês, 1869-1954), Paul Gauguin (pintor francês, 1848-1903) e Paul Cezanne (pintor francês, 1839-1906).

Plantei lavandas para Dilma Rousseff na beira do Rubicão para significar que protegê-la da misoginia e do seu produto mais naturalizado e banalizado, o machismo, é uma forma de dizer que todas as mulheres merecem viver num mundo no qual a violência de gênero não terá vez nem lugar.

(O Tempo, Belo Horizonte, 21 de outubro de 2014, pág. 22. Também em http://talubrinandoescritoschapadadoarapari.blogspot.com/2014/10/a-beira-do-rubicao-plantei-lavandas.html)

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Professora vai a uma conferência na Universidade de Columbia apresentar um artigo sobre machismo no funk, e o pior é que ela realmente nos representa

Abigail Pereira Aranha

Valesca Popozuda vai bancar viagem de pesquisadora aos EUA

30/07/2014 17h15

do BOL, em São Paulo

Marcos Madi/Futura Press/Folhapress, Arquivo Pessoal

Valesca Popozuda vai bancar a viagem da pesquisadora Jaqueline Conceição, 28, aos Estados Unidos, onde a professora vai apresentar uma pesquisa sobre letras de funk brasileiro cantadas por mulheres, entre elas a própria Valesca. Na sexta-feira (25), o blog "Mural", da Folha, publicou a história da pesquisadora, que promoveu uma "vaquinha " online  para mostrar sua tese em um congresso na Universidade Columbia, uma das mais importantes instituições de ensino dos EUA. Até segunda (28), Jaqueline só havia conseguido metade dos R$ 3.700 de que precisava. Valesca ficou sabendo e decidiu ajudar. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

"Admiro pessoas guerreiras como ela. Achei a história legal. A vontade dela de mostrar seu trabalho foi o que mais motivou em ajudá-la", disse Valesca.

Jaqueline dá aulas de literatura em uma escola de Paraisópolis (zona sul), segunda maior favela de São Paulo. Neste ano, ela finalizou um mestrado em educação pela PUC-SP.

"Confesso que estou meio fora do ar. E muito feliz", afirma Jaqueline, que viaja em setembro.

Valesca no meio acadêmico

Em abril deste ano, um professor de ensino médio do Distrito Federal deu o título de "grande pensadora contemporânea" a Valesca,  em uma questão que citava "Beijinho no Ombro", hit da cantora. A prova causou polêmica nas redes sociais.

Além disso, também neste ano, calouros da USP foram recebidos ao som da mesma música, cantada pelo coral da universidade no largo São Francisco.

Veja Álbum de fotos

Veja Álbum de fotos (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

(BOL Notícias, São Paulo, 30/07/2014, http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2014/07/30/valesca-popozuda-vai-bancar-viagem-de-pesquisadora-aos-eua.htm)

Professora leva à Conferência em Columbia pesquisa sobre gênero e cultura afirmativa na formação de jovens

Por: Ana Maria Lopes

Professora na zona sul da capital paulista, Jaqueline Conceição da Silva vai apresentar um trabalho baseado em sua dissertação de mestrado em uma Conferência na Universidade de Columbia, que ocorre em setembro nos Estados Unidos.

O artigo “Só Mina Cruel - Algumas Reflexões Sobre Gênero e Cultura Afirmativa no Universo Juvenil do Funk”, que aborda a relação entre funk, gênero e juventude negra, foi elaborado a partir do Mestrado em Educação: História, Política, Sociedade apresentado à PUC de São Paulo no primeiro semestre de 2014.

O Mestrado que deu origem ao artigo, "Formação de jovens em situação de altíssima vulnerabilidade social: análise das propostas de trabalho desenvolvidas pelas ONGs na cidade de São Paulo", pesquisa a juventude à luz da Teoria Critica da Sociedade, a partir das reflexões de T. W. Adorno e H. Marcuse.

A autora trabalha desde 2000 com jovens e famílias em situação de vulnerabilidade social e inseridos na criminalidade. Atualmente, Jaqueline leciona literatura em uma escola de ensino médio em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo.

A metodologia empregada pela autora foi a análise de 21 letras de funk veiculadas nos meios de comunicação (rádio e televisão) através de programas voltados para o público juvenil da classe popular. "Estudei as músicas a partir das contribuições da Escola de Frankfurt sobre formação, cultura e racionalidade tecnológica", explica Jaqueline Conceição.

A pesquisa da educadora indica que os jovens, produtores e consumidores do funk, reproduzem em seu discurso as mesmas relações de opressão e submissão em relação à mulher.

"Mesmo revestidas de uma pseudoliberdade aparente na exacerbação da sexualidade feminina e do 'direito' das jovens em usufruir do prazer que seu corpo pode lhes proporcionar, as letras de funk submetem as mulheres à exploração e opressão que elas enfrentam ao longo do processo civilizatório", analisa a autora.

Em sua pesquisa, Jaqueline aponta a perversão do discurso supostamente emancipatório das músicas populares em prol da figura masculina, "o que não difere dos demais espaços sociais, onde apesar do avanço crescente da mulher no mercado de trabalho, seu corpo (seja através da maternidade, da sexualidade ou da estética) ainda está sujeito aos desejos do patrão, do marido, do namorado, do cafetão e do conjunto de toda a sociedade burguesa imersa na ideologia do patriarcado.".

A pesquisa de Jaqueline Conceição da Silva foi destaque na XI Semana da Mulher, realizada pela Unesp de Marília. Para garantir a participação na Conferência americana, a professora buscou o financiamento coletivo e lançou uma vaquinha on-line.

A Conferência “Herbert Marcuse and the Legacy of One-Dimensional Man” ocorre em 29 de setembro, em comemoração aos 50 anos do livro “One Dimensional Man”, traduzido no Brasil como "Ideologia da Sociedade Industrial - O Homem Unidimensional”, do sociólogo Herbert Marcuse, considerado uma obra referencial para os pesquisadores da Teoria Crítica da Sociedade.

SERVIÇO: A dissertação de mestrado de Jaqueline Conceição da Silva está publicada na íntegra na Biblioteca Digital da PUC de São Paulo: http://biblio.pucsp.br/ Contatos com a autora através do e-mail: jaquec@hotmail.com

(APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, 14/08/2014, http://www.apeoesp.org.br/teses-e-dissertacoes/professora-leva-a-conferencia-em-columbia-pesquisa-sobre-genero-e-cultura-afirmativa-na-formacao-de-jovens)

Comentários de Universidade Plebeia Revolucionária

Olá, meus amigos e minh@s inimig@s, que a força, a alegria, a sabedoria, a hombridade e a safadeza estejam com os amigos. O artigo da srta. Jaqueline está em http://www.inscricoes.fmb.unesp.br/upload/trabalhos/2013319135123.doc. Se o leitor já viu essa notícia antes (eu vi em agosto, mas agarrei em outras postagens) e for um liberal-fascista puritano pró-estupro gay enrustido homofóbico, deve ter pensado em uma lista de nomes que deviam estar representando o Brasil nos Estados Unidos. Mas, pensando bem, quem nós gostaríamos de ver é quem representa o que resta de decência intelectual, moral e mental por aqui, quem representa o Brasil é uma peça dessas. Vamos ver:

01) A imprensa chama a mestranda de pesquisadora, não apenas esse portal BOL Notícias, vários jornais.

02) A matéria da APEOESP mostra a autora como professora e educadora (nada errado), mas na única menção da página a Cláudio de Moura Castro, que é formado em Economia pela UFMG, tem um curso de Filosofia e um de Desenvolvimento Político pela Universidade Harvard e tem um currículo de 43 páginas (o artigo de Jaqueline tem 11), ele é chamado de "sr.". Afinal, ele escreve há mais de dez anos coisas que essas professorinhas não gostam de ler, não foi só uma piadinha sexista (que defende o sexo hétero) que el@s responderam com nota de repúdio.

03) O artigo é de 2013, ano em que a melhor universidade brasileira no QS World University Rankings era a Universidade de São Paulo (USP) na posição 127. De países com população menor que a cidade de São Paulo (cerca de 11,5 milhões de habitantes), estavam na frente da USP: 01 - Instituto Royal de Tecnologia (Suécia, 9,6 milhões, posição 118); 02 - Universidade de Lausanne (Suíça, 8,1 milhões, posição 111); 03 - Universidade de Basileia (Suíça, posição 110); 04 - Universidade de Auckland (Nova Zelândia, 4,5 milhões, posição 94); 05 - Universidade de Aarhus (Dinamarca, 5,6 milhões, posição 91); 06 - Universidade de Oslo (Noruega, 5,1 milhões, posição 89); 07 - Universidade de Uppsala (Suécia, posição 79); 08 - Universidade de Zurique (Suíça, posição 78); 09 - KU Leuven (Bélgica, 10,4 milhões, posição 77); 10 - Universidade de Genebra (Suíça, posição 71); 11 - Universidade de Helsinki (Finlândia, 5,3 milhões, posição 69); 12 - Universidade Lund (Suécia, posição 67); 13 - Trinity College Dublin (Irlanda, 4,6 milhões, posição 61); 14 - Universidade de Copenhagen (Dinamarca, posição 45); 15 - Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU) (Cingapura, 5,4 milhões, posição 41); 16 - Universidade Tecnológica Nacional de Cingapura (NUS) (Cingapura, posição 24); 17 - Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça, posição 19); 18 - ETH Zurique (Instituto Federal Suíço de Tecnologia) (Suíça, posição 12). E quem comenta como a educação brasileira é uma vergonha diante do mundo? Caras como o citado Cláudio de Moura Castro. E olha lá atrás como os sindicatos de professores e os especialistas em Educação do Brasil recebem o que ele diz.

04) E o que o Brasil vai apresentar lá fora? "Só Mina Cruel - Algumas Reflexões Sobre Gênero e Cultura Afirmativa no Universo Juvenil do Funk". Ou seja, paranoia lesbofeminista-racialista em música lixo.

05) O artigo tem 11 páginas, sendo uma pro resumo e outra pra bibliografia. A bibliografia é um livro de Adorno, um de Adorno e Horkheimer, quatro de Marcuse.

06) No mesmo ano em que o artigo foi escrito, 2013, foi aprovada lei para o sistema de cotas raciais nas universidades públicas. O Brasil passando outra vergonha no PISA, que mede o aprendizado de vários países no fim da educação básica, e a grande preocupação do Brasil (ou melhor, dos educadores esquerdistas e dos políticos esquerdistas) era quantos semianalfabetos da escola pública (e quem fez o PISA era da rede privada, que é menos ruim) estavam faltando na universidade.

07) A mestranda Jaqueline Conceição da Silva é ela própria negra e pobre vinda de escola pública. Ela poderia deixar a marca da honra, mas preferiu passar como uma militante esquerdista de quinta categoria e ainda uma lésbica de baixo nível cultural. Não é pelo funk carioca (acho que nos Estados Unidos, funk ainda se compara com James Brown), afinal até eu coloquei a letra de um funk carioca dos cabeludos em um texto que eu escrevi. Também não é porque ela é negra e pobre, porque eu conheço e o leitor deve conhecer vários negros com curso universitário que estudaram como todo mundo antes e dentro do curso, e mostraram valor como profissionais e como pessoas.

08) Primeiras palavras do último parágrafo: "Fica claro para mim como feminista". Trabalho acadêmico não deve ser redigido em terceira pessoa? E se eu escrever uma tese de mestrado usando a primeira pessoa dizendo que eu sou masculinista, capitalista, cristã ou libertina, a tese passa?

09) Na página 6, a autora diz que o funk (carioca) foi "criado na década de 1990 (Século XX) na periferia do Estado do Rio de Janeiro". Na página 10, ela diz que "o discurso intrínseco nas letras de FUNK" é "de reprodução da opressão e dominação da mulher na sociedade", mas que "o FUNK se mostra como um espaço onde a relação do individuo com o seu próprio corpo não está completamente cindida e alienada". Afinal, o funk carioca é rebelde ou reacionário?

10) Na página 10, a autora cita Valeska PoPozuda, aquela que ajudou a pagar a viagem (os colchetes são meus, os erros são dela): "onde mais, um grupo de jovens poderão gritar a pelo pulmões: [abre aspas] é minha, é minha a porra da buceta é minha [fecha aspas] e faço o que eu quiser, dizendo não aos homens que controlam suas vidas?". Mas no parágrafo anterior, ela chama a mesma música da Valeska PoPozuda de "discurso sexista" (no sentido de machista).

11) A tese foi apresentada no Programa de Estudos Pós Graduados em Educação: História, Política, Sociedade, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Imagine se não fosse católica.

12) Até erro de ortografia o artigo acadêmico tem. Se fosse só "programas televisos" (pág. 6, seria "programas televisivos"), "8 hs" (pág. 8, seria 20:00 ou, se fossem oito horas de tempo, seria "8 h") ou "violente" (pág. 9, seria "violenta"), eu até ia deixar passar. Mas na página 6, a distinta escreve "Caldeirão do Huck" (programa da Rede Globo apresentado por Luciano Huck) como "Caldeirão do HULK". E a moça além de mestranda, é formada em Pedagogia e dá aula de Literatura em uma escola de Ensino Médio. Como diz um amigo meu do Facebook, vou ali me enforcar e já volto.

Notícia de última hora 1: Matéria deste domingo da Folha de São Paulo: "CA de direito do Mackenzie elege 1ª mulher negra como presidente" (http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2014/09/1515189-ca-de-direito-do-mackenzie-elege-1-mulher-negra-como-presidente.shtml). Palavras da moça, Tamires Gomes Sampaio, que é filha de uma militante do movimento negro: "Por conta do perfil da universidade, quem é conservador tem mais voz. A gente quer que quem for de esquerda, prounista, gay, feminista, também tenha chance de discutir". Já viu algum esquerdista ou feminista ser censurado em grupo de discussão ou blogue de direita e antifeminista? O contrário acontece sempre. Nós defendemos a liberdade de expressão do adversário para garantir uma humilhação justa. Hua, hua, hua, hua, hua! E a Universidade Mackenzie é presbiteriana.

Notícia de última hora 2: Estava eu ontem na página da minha amiga Ana Caroline Campagnolo Bellei e, na foto dela com um livro O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota autografado pelo Olavo de Carvalho, apareceu um babaca chamado Mateus Lynŋiker (http://www.facebook.com/mateus.lynniker) perguntando "e a pepsi com seus fetos abortados?". Digo sem medo de errar que se o cidadão não for já formado, está cursando alguma graduação. O que eu achei legal é que não apenas o jovem repete mexericos de terceiros em vez de ler um único artigo escrito por aquele de quem ele está falando, ele também diz isso para alguém que LEU um livro de mais de 600 páginas de artigos exatamente desse autor. Ele conseguiu dizer "ele assassinou a lógica e a razão em seus livros" depois de dizer "não gastarei 1 centavo pra ler algo do babaca do Olavo". Ele decidiu isso antes ou depois de ler os livros? Não faz muito tempo, um estudante num simples debate de colégio que desse demonstração tão grande de ignorância e desprezo pensando que ataca alguém que entende o assunto ou já leu o autor sairia humilhado de lá mesmo. Hoje, o Brasil já tem metade dos universitários sem capacidade nem para entender o que leem. E muitos pós-graduandos em Educação como a srta. Jaqueline.

sábado, 16 de agosto de 2014

Se informe para não dizer que dois mais dois são quatro - episódio 3: Lola Aronovich se contradiz sobre automóveis

Lola Aronovich, "doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC", pode escrever no blogue dela sobre transporte público (na verdade as postagens são de um leitor, Thiago, vulgo Nefelibata). Claro, a senha é "CARRO, UMA OPRESSÃO SOCIAL". A porca lesbonazista desmentiu a si própria sem ver, publicando um guest post de outro leitor ("GUEST POST: DESEJAR CARRO É FATO SOCIAL NO BRASIL").

Se informe para não dizer que dois mais dois são quatro - episódio 2: professora de Filosofia que devia estar presa dá uma prova contra si mesma na sala de aula e outra no blogue do Reinaldo Azevedo

Abigail Pereira Aranha

Prova da professora "black bloc" Camila Jourdan, da UERJ, faz proselitismo sob o pretexto de ensinar filosofia

Um aluno de filosofia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) me manda um troço que é mesmo do balacobaco! Trata-se de uma espécie do símbolo do desastre intelectual que acomete os cursos da chamada área de “humanidades” das universidades brasileiras, especialmente das públicas. É claro que há pessoas pensando com seriedade nos corpos docente e discente instituições afora. É claro que há ilhas de excelência. Mas é evidente que essa não é a regra.

Lembram-se de Camila Jourdan, a tal professora de filosofia da UERJ que é, digamos, uma espécie de farol dos black blocs do Rio? É uma das que tiveram prisão preventiva decretada e depois revogada. Em sua casa, foram encontrados artefatos explosivos. Pelo visto, a doutora não acredita que a arma de uma intelectual seja uma... caneta, ou um livro, ou um teclado. Estão preparados? Vejam a prova que a “doutora” Camila aplicou a seus alunos. Volto em seguida.

Retomo

Seria apenas folclórico não fosse um procedimento extremamente autoritário. Obviamente, a prova da doutora induz os alunos a desfazer supostas falácias lógicas que, na prática, endossam os preconceitos da professora. Ou seja: ela quer contestar as falácias com as quais não concorda empregando como instrumento aquelas com as quais concorda. Camila não está preparada para ensinar, mas para doutrinar. É ridículo! É patético!

Esse desastre não é de agora. De forma larvar, começou com as Marilenas Chauis lá da década de 80, quando a filosofia era mero pretexto para a pregação política. Nesta terça-feira, por exemplo, milhares de alunos, professores e funcionários da USP são reféns de uma suposta greve decretada por uma minoria de extremistas que só se criam no ambiente universitário. Com dinheiro público.

Eu olho cheio de vergonha para a “prova” que vai acima. O pressuposto do pensamento é ele ser livre. Nada impede a doutora Camila de pensar o que lhe der na telha, mas que renuncie, então, ao emprego público no Estado que ela não respeita, diz ser autoritário e expressão da violência de uma classe.

Hoje, meus caros, quase tudo está ao alcance das mãos. Pesquisem. Não se pratica esse tipo de proselitismo vagabundo em lugar nenhum do mundo. A universidade brasileira não é um dos reinos da ineficiência por acaso.

A propósito: quem não concorda com a pregação da “doutora” deve fazer o quê? Pedir uma prova alternativa? O mais nefasto nessa história não é Camila ser adepta de uma prática doidivanas, mas, na condição de “mestra”, conspurcar a própria teoria.

É um desastre intelectual, sim, mas também é um desastre moral e ético!

(Reinaldo Azevedo, 05/08/2014, 19:33, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/prova-da-professora-black-bloc-camila-jourdan-da-uerj-faz-proselitismo-sob-o-pretexto-de-ensinar-filosofia)

Comentários de Universidade Plebeia Revolucionária

Olá, meus amigos e minh@s inimig@s. A sujeitinha até respondeu. Quem acompanha o Tio Rei já viu. Viu inclusive que a afetação olímpica de desprezo, como diz o mestre Olavo de Carvalho, foi pior do que se ela tivesse ficado calada. Mas eu fiquei animada e vou entrar no pau também (o que vocês estão pensando vai ser mais tarde, hehehehe). Vou fazer essa questão 2, puxando a minha memória. Para o leitor entender a resposta, algumas notações de Lógica:

p Ù q: p e qp Ú q: p ou q~p: não p
p Þ q: se p, então q (ou p implica em q)
Px: x é P("x)(Px Þ Qx): todo x que é P é Q
($x)(Px Ù Qx): algum x é P e Q
Se no seu navegador estiverem uns símbolos esquisitos, Ù é tipo um acento circunflexo (^) maior, tipo um v pequeno de cabeça pra baixo; Ú é um v tipo o minúsculo fonte Tahoma ou DejaVu Sans (a que aparecer na sua tela); Þ é uma seta; " é aquele sinal de "para todo", o A maiúsculo de cabeça pra baixo; $ é aquele sinal de existe (o E ao contrário)

2. Estabeleça formalizações adequadas na linguagem do Cálculo de Predicados de primeira ordem utilizando a interpretação estabelecida (4,0 [pontos])

Domínio = O conjunto dos manifestantes

C: é coxinha

P: é professor em greve

B: é black bloc

P2: é policial infiltrado

P3: é do PSTU

P4: é do PSOL

G: é jornalista da Globo

S: (i) é liderança de (ii)

E: (i) entrega (ii)

L: (i) é contrário ao (ii)

I: (i) interpreta (ii) a partir de (iii)

T: (i) é crítico de (ii) a partir de (iii)

a: Ana

b: Bruno

c: Carlos

d: Daniel

e: Eduarda

f: Fábio

a) Bruno é Black bloc e professor em greve.

Bb Ù Pb

b) Nenhum professor que aderiu à greve é coxinha.

~("x) (Px Ù Cx), ou ("x) (Px Þ ~Cx) (todo professor que aderiu à greve não é coxinha)

c) Todo professor em greve, se não é do PSOL nem do PSTU, não é contrário à tática Black bloc.

~("x) L((Px Ù P4x Ù P3x), Bx)

d) Todo manifestante, do PSOL ou do PSTU, é coxinha, mas nem todo coxinha é do PSOL ou do PSTU.

("x)((P4x Ú P3x) Þ Cx) Ù ($x)(Cx Ù ~P4x Ù ~P3x)

e) Daniel, Eduarda e Fábio são a favor do uso da tática Black Bloc por quem quer que seja, eles, entretanto, não usam a tática.

(~L(d, B) Ù ~Bd) Ù (~L(e, B) Ù ~Be) Ù (~L(f, B) Ù ~Bf) (se eles não usam a tática, eles não são)

f) Carlos é seguidor de um membro do PSTU e contrário a todo usuário da tática Black Bloc.

P3m Ù S(m, c) Ù ("x)L(c, Bx), se "um membro do PSTU" for mesmo ALGUM MEMBRO, que eu chamei de m.

g) Alguns coxinhas criticam todos os Black Blocs a partir de uma jornalista da globo.

($x, "y, $z)((Cx Ù By Ù Gz) Þ T(x, y, z)), se "uma jornalista da globo" (minúscula no original) for ALGUMA JORNALISTA. Se "uma jornalista da globo" for a Rede Globo como um todo, fica ($x, "y, "z)((Cx Ù By Ù Gz) Þ T(x, y, z))

h) Se Carlos fosse do PSTU, ele também seria um policial infiltrado, pois todos que entregam alguém são policiais infiltrados.

("x, "y)(E(x, y) Þ P2x) Þ (P3c Þ P2c) (Viram a conexão? Nem eu)

i) Nenhum manifestante, professor ou Black bloc, que interpreta algum outro a partir do PSTU é liderança.

~("x, "y, "z)((Px Ú Bx) Ù (Py Ú By) Ù P3z Ù I(x, y, z) Ù S(x, y)) - vamos assumir que "a partir do PSTU" é "a partir de um membro do PSTU".

Camila Jourdan, a Salomé dos black blocs, fica bravinha comigo e decide posar de grande especialista… Estou tão assustado!!!

Camila Joudan, a Salomé dos black blocs, quer brincar comigo...

Camila Jourdan, a Salomé dos black blocs, quer brincar comigo…

Oba! Hoje tem festa! A professora e doutora Camila Jourdan — a Salomé dos black blocs — resolveu responder a um post que escrevi aqui no blog, em que demonstro que ela usa prova de filosofia para fazer proselitismo político de baixa extração. Doeu. Tanto doeu que ela respondeu. E resolveu, arrogante como é — o que eu já tinha percebido —, brincar de senhora do “discurso competente”, como diria Marilena Chaui, a decana da ideóloga disfarçada de filósofa.

Por que ela está tão bravinha? Porque caiu nas graças da imprensa — que seus amiguinhos chamam “mídia” —, onde se podia ler que, apesar de ela se misturar a extremistas, seria uma intelectual preparada. Sua “prova” denuncia o contrário. Não passa de uma prosélita vulgar. Mas vamos à resposta em que a black bloc decide posar de grande pensadora.

*

“Vou repetir aqui os comentários que fiz na postagem de um amigo, pois isso precisa ser divulgado. Eu normalmente não leio a mídia falando de mim para evitar a fadiga e o estresse, mas depois do comentário deste amigo não pude deixar de ler o link abaixo e responder. Reinaldo Azevedo, desastre intelectual é você não sabe sequer o que é uma falácia (meus alunos do primeiro período poderiam talvez ajudá-lo), a avaliação demanda uma simples formalização, não demanda qualquer avaliação de validade até porque, em sua maioria, as proposições que devem ser formalizadas não são sequer argumentos. Não que você saiba o que é validade ou o que é um argumento, já que não sabe sequer o que é uma falácia. Você tem mesmo, Reinaldo, que olhar cheio de vergonha para a prova, já que não é sequer capaz de entendê-la, muito menos de resolvê-la. Falar bobagens sobre a prova é mole, quero ver me enviar ela resolvida. Mas já que você não sabe o que é formalização, acredita que estou defendendo posições com a questão e, assim, doutrinando alguém. Por outro lado, você sim está doutrinando quando fala de algo que poucos conhecem como se conhecesse e, portanto, leva as pessoas a acreditarem que se trata do que você falou (ah, isso sim é mesmo uma falácia!). Outra coisa: as formalizações excluem o conteúdo (claro que você não sabe a diferença entre forma e conteúdo), por isso o professor ou autor pode usar o conteúdo que quiser. Os conteúdos atuais são atrativos aos estudantes e este é o caso do conteúdo na prova em questão. Se isso passa mensagens independentes da matéria, isto é, independente do que está sendo avaliado (de tal modo que qualquer um pode discordar de mim e tirar 10, desde que saiba formalizar, o que não é o seu caso) é outra questão, e é, de qualquer modo, inevitável qualquer que seja o conteúdo escolhido. Natural que eu passe as mensagens que eu acredito, não que o aluno precise concordar com isso para acertar a formalização. Ninguém nunca reclamou das mensagens reacionárias que um dos manuais mais famosos de lógica, do Copi, utiliza em seus exemplos, defendendo explicitamente o EUA durante a Guerra Fria. Bom lembrar que este foi, e ainda é hoje, o livro de Lógica mais adotado nas escolas e universidades. Mas é claro que Reinaldo Azevedo não sabe disso porque ele jamais estudou lógica. Só mais uma coisa, tenho que agradecer por terem divulgado minha prova, tenho muito orgulho dela. ” (Camila Jourdan. 06.08.14)

*

Respondo

Isso é professora de filosofia sem SEQUER saber empregar a palavra “sequer”, tropeçando de modo vergonhoso na regência verbal. Então tire a máscara, mocinha, e vamos falar como gente grande, sem explosivos na mão. De todo modo, interessante o estilo: imaginem o efeito que ela provoca em jovenzinhos assanhados, com a testosterona à flor da pele e sem nenhum livro na cabeça. Como não sou candidato a seu namorado…

Embora ela apele a um trololó mal digerido sobre a distinção entre forma e conteúdo — acha que me assusta com essas distinções de meados do século passado… — para negar que sua prova seja proselitismo intelectualmente vigarista, admite, sim, que está, como é mesmo?, “passando mensagens”, não é? Como ignorar esta maravilha de terceira categoria intelectual, redigida num português de quinta: “Natural que eu passe as mensagens que eu acredito (…)”. Não! O natural é que a senhora dote seus alunos de instrumentais para pensar por conta própria. A sua militância pessoal não tem de ser levada para a sala de aula. Ou, então, monte uma seita religiosa.

Segundo Camila, qualquer um pode discordar dela e tirar 10 — quanta generosidade! Embora toda a sua prova — submetam a qualquer especialista — induza os alunos a concordar com ela. A brincadeira desta livre-pensadora é a seguinte: “Discorde de mim se for capaz”. Com todo o respeito, não passa de vigarice intelectual — e meio analfabeta, o que é pior.

Um trecho de sua cascata me intrigou: durante a Guerra Fria, o bom era defender o outro lado, doutora? Pelo visto, segundo as suas considerações, sim. Desde que se estivesse do lado de cá da Cortina de Ferro, não é mesmo?, já que os que estavam do lado de lá não tinham a chance de fazer o contrário. Eu não sei se a senhora entendeu. Acho que não.

Que pena! Até eu cheguei a achar que estávamos diante de uma pessoa mais interessante. Camila Jourdan é só mais uma que usa o posto privilegiado de professora — funcionária do estado que ela renega — para se comportar como “a bufona séria que não mais toma a história universal por uma comédia, mas a sua própria comédia pela história universal”.

Camila, tire a máscara de professora e vá definitivamente para a rua ou tire a máscara de black bloc e assuma o seu posto com mais responsabilidade. Os pobres que pagam o seu salário merecem que esse dinheiro tenha uma boa destinação.

(Reinaldo Azevedo, 06/08/2014, 15:47, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/camila-jourdan-a-salome-dos-black-blocs-fica-bravinha-comigo-e-decide-posar-de-grande-especialista-estou-tao-assustado)

Fechando

Olha, a parte do Copi (Irving Copi, "Introdução à Lógica") defender os Estados Unidos eu não me lembro, pode até ser um lapso da minha memória. Mas o que é achar americanismo em livro de Lógica para quem acha que baderneiro assassino é preso político?

"Tio Rei, pra rir um pouquinho…vc já percebeu como as 'militantes' esquerdopatas em sua grande maioria são mequetrefes e nenhuma beldade…a Sininho até que é bonitinha (mas ordinária),mas veja só..Graça Foster, Ideli Salvati,Marilena Chaui, Dilma, Marta Suplicy, Erenice, essa 'filósofa' citada acima, e tantas outras… … eu detesto esquerdopata! essa moça teve o que mereceu..sua resposta foi uma obra prima!". Comentário do Susca, 7/8/2014 às 15:49. Pensei nisso também.

Pra você ver como esquerdopata (royalties para o Tio Rei) ensinando Lógica em curso de Filosofia é como homeopata dando aula em curso de Farmácia: aquela parte dos predicados está melhor no "Iniciação à Lógica Matemática", do Edgar de Alencar Filho (me baseei nele, de memória). Até na dica de livro ela podia ter sido melhor. Normal! Qualquer universitário decente já viu ou tem colega que teve um professor que errou gabarito, que teve que anular questão por erro de digitação, que deu questão de prova com matéria que não ensinou, que só deu metade da ementa a três semanas de acabar o semestre, que já deu gafe na própria matéria em sala. Fora os professores que dão mais da metade dos pontos do semestre em "trabalho prático" que é procurar material na internet para montar apresentação do PowerPoint.

Ah, e já que o Tio Rei disse que "a universidade brasileira não é um dos reinos da ineficiência por acaso", a Universidade Federal do Rio de Janeiro é a melhor do Rio e posição 284 no ranking 2013, atrás da Universidade de Mahidol, Tailândia (283); da Universidade dos Andes, Colômbia (274); Universidade Nacional Chiao Tung, Taiwan (230); da Universidade do Chile (223); da Universidade de Buenos Aires, Argentina (209 - só a USP está na frente, imagine a Argentina ganhando a Copa aqui); da Universidade da Malásia (167); da Pontifícia Universidade Católica do Chile (166); da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul (145); da Universidade Técnica da Dinamarca (134, menos de 6 milhões de habitantes, uns 700 mil a menos que a cidade do Rio de Janeiro) e de três universidades de Israel (é, se Israel entendesse só de guerra, seria uma Coreia do Norte mal sucedida). A srta. Camila ensina na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que não está nem entre as 500. Só pra lembrar na hora que uma greve de professores com participação de PSOL e black blocs pedir 10% do PIB na educação. Não pague os 10%!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Se informe para não dizer que dois mais dois são quatro - episódio 1: Lula diz que analista que previu crise econômica "não sabe p... nenhuma", e outro analista é acusado de ligação com a oposição por fazer o próprio trabalho

Abigail Pereira Aranha

Boa tarde, meus amigos e minh@s inimig@s. Vocês devem ter visto o caso de uma analista do Santander que foi demitida por ter dito que o país está crescendo pouco e o mercado reage bem quando Dilma Rousseff cresce nas pesquisas para as eleições presidenciais deste ano. Lula respondeu em evento da CUT:

Botín [Emilio Botín, presidente mundial do Santander], é o seguinte, querido: tenho consciência de que não foi você quem falou. Mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil, e nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em cargo de chefia, sinceramente... Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim que eu sei o que falo.

Tomou uma porrada de outro analista de verdade, Felipe Miranda, em entrevista para o Infomoney: "Eu sabia que o Lula sabe tudo sobre o país, sobre o continente, sobre o planeta e sobre a galáxia, mas não sabia que ele entende mais de ações do que uma analista que estudou isso a vida inteira".

O mesmo Felipe Miranda publicou um texto intitulado "O fim do Brasil"

Soubemos na sexta-feira que a coligação da presidenta Dilma Rousseff entrou com representação no TSE contra a coligação de Aécio Neves, a Empiricus e o Google, por nossas campanhas na internet. O argumento seria de que, supostamente, faríamos propaganda eleitoral indevida.

Antes do argumento em si em prol da desqualificação de propaganda eleitoral pela Empiricus, cumpre esclarecimento ético e moral. Ao entrar com representação contra Aécio Neves, Empiricus e Google, suponho que a coligação da presidenta entenda que há alguma relação entre as partes.

Posto isso, convido a coligação – e mais quem quiser – a mostrar/provar a existência de relacionamento, em qualquer instância, entre a Empiricus e Aécio Neves.

http://www.empiricus.com.br/posts/nota-de-esclarecimento

Na "Nota de Esclarecimento sobre o Relatório O Fim do Brasil", Felipe Miranda (de novo ele) dá outra dura no Brasil:

No Brasil é assim: com ajuda do japonês, a gente sofre para ganhar da Croácia. Empata com México e passa um calorzinho no primeiro tempo contra Camarões. Empata com a potência Chile e sofre para passar da Colômbia. Vamos jogar contra a Alemanha e estão todos otimistas.

(...) Foi este otimismo que nos fez tomar de 7×1 da Alemanha. É a mesma incapacidade de enxergar a realidade que nos faz tomar 7% (6,5% para ser preciso) da inflação x 1% de crescimento (0,9% para ser preciso).

http://dinheirama.com/blog/2014/07/28/nota-de-esclarecimento-sobre-o-relatorio-o-fim-do-brasil

Foi isso, mais uma análise de economista virar caso de política, que me levou a escrever este texto. Não é só o PT, nem mesmo só os petistas, é o Brasil que, fora poucas pessoas honradas, odeia a verdade. E com o governo PT, criamos uma cultura do estupro da Lógica. Que Lula tenha sido eleito democraticamente mostra que o país como um todo realmente escolheu isso.

  1. No Brasil, quem quer desconstruir / desmascarar / desmistificar um escritor ou um jornalista não sabe o título de um livro ou artigo que ele escreveu. Certo, prof. Olavo de Carvalho?
  2. No Brasil, quaisquer duas laudas de ataques pessoais e fofocas de macaca lésbica de favela são O desmascaramento de um jornalista sério, de um escritor de vários livros, de um economista de direita, de um professor com reconhecimento no mundo desenvolvido.
  3. No Brasil, qualquer ninfetinha analfabeta funcional que nunca leu um livro tem pelo menos uma graduação em curso, que vai usar assim que tiver de responder algo que não pode contestar ou tiver dito alguma bobagem cavalar.
  4. No Brasil, é o leigo sem conhecimento que diz para o especialista que ele devia se informar mais.
  5. No Brasil, qualquer idiota inútil diz que cinco páginas de informações sérias são manipulação da direita, e além de não dizer onde está a distorção provavelmente nem leu depois do primeiro parágrafo.
  6. No Brasil, o aluno de segundo grau é um dos mais iletrados do mundo, mas ele e os pais estão mais interessados em pagar o trabalho escolar ridículo para ele garantir a aprovação automática ou em reclamar do professor que deu uma nota baixa na diretoria da escola.
  7. No Brasil, quase nunca uma universidade brasileira esteve entre as 200 melhores do mundo, as universidades públicas são mais conhecidas por estudantes maconheiros fechando o trânsito e lésbicas idiotas brincando de especialistas para aparecer em jornal que se borra de medo de perder verba estatal; e ainda tem quem ache que o FMI quer destruir a educação brasileira.
  8. No Brasil, você pode ser um grande técnico ou pensador com qualquer currículo de artigos e livros que ninguém vai ler, sinecuras no serviço público e militância em grupelhos esquerdistas inúteis, desde que tenha uma argumentação deprimente depois de duas pós-graduações no exterior e seja esquerdista.
  9. No Brasil, até o simulacro de sapiência que é a nossa universidade (quase só de analfabetos funcionais, militantes esquerdistas, filhinhos de papai farristas e professores que ensinam mal quando não faltam) é tão pouco levado a sério que os jornais mal comentam quando quase todas as universidades públicas do país estão em greve há três meses, e os meninos vão passar os dois anos seguintes com férias de três semanas e aula em janeiro.

Depois tem mais. Beijos.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Valorização da Educação? Vamos começar pelo povo!

Primeiro, quem fala em valorização da Educação no Brasil costuma ser professor medíocre, sindicalista e graduando maconheiro de curso de Ciências Humanas, e sempre para conseguir dinheiro público, geralmente aumento de salário para os professores. Os professores bons, quando reclamam do salário, falam uma vez ou outra, porque o que mais incomoda pode ser os próprios colegas medíocres, ou funcionários incompetentes, ou a turma que não estuda. Os alunos que levam o curso a sério estão mais preocupados com os colegas que atrapalham a aula, os funcionários incompetentes e sem educação, a sala de computadores onde o administrador se preocupa mais com bloquear websites do que com as máquinas estragadas. Mas isso não significa que o discurso da turma da valorização da Educação esteja (quase todo) errado.

Primeiro, não é porque um povo é de baixa escolaridade, ou até a maioria de analfabetos, que ele vai desprezar a Ciência. Outros países da própria América Latina já tiveram um povo de baixa escolaridade que tratava quem tinha instrução com respeito. Hoje está mais claro que o desprezo pelo conhecimento, pela inteligência ou até deboche de quem fala corretamente é coisa da cultura do Brasil, porque até os graduandos em geral (e em níveis mais avançados) têm horror ao conhecimento e ao bom argumento.

Até quando um brasileiro parece valorizar os estudos não é pelo saber em si, é por status e dinheiro. É o diploma, não o que ele devia significar, que é o tesouro, o provedor do carro de luxo, o atrator de vadias, a fonte de dinheiro para o sustento e o hospital da mãe de corpo decadente. E para conseguir o diploma, não ter a formação que ele devia significar, vale pagar trabalho, copiar trabalho pronto da internet, trepar com o professor, tirar o professor que não dá nota fácil, até pagar pelo próprio diploma ou comprar a tese de pós-graduação ou o trabalho de conclusão de curso. Os próprios universitários falando de cursos geralmente falam de renda e possibilidades de trabalho depois de formados. Nós não costumamos ver rodas de conversa em corredores, restaurantes ou barzinhos do campus de estudantes de Medicina falando de Medicina ou estudantes de Filosofia discutindo filósofos. Se você já pegou um ônibus que passou por uma faculdade em fim de aula, já deve ter visto: ninfetinhas ou lésbicas burguesas e moleques burgueses afeminados falando de colegas, ridicularizando ou reclamando de professores, falando da família, comentando filmes, comentando festinhas, contando casos imbecis, tudo entre risadas de macaco. No máximo (quase sempre), reclamando de que a matéria tal é difícil ou dizendo como passar com tal professor é fácil.

Os universitários, principalmente as mocinhas, falam da universidade, de curso, de pós-graduação no exterior como quem fala de uma boate ou de um local turístico. O típico universitário brasileiro não é o de um jovem dedicado a estudar, quase antissocial, para saber pelo menos o básico de uma Ciência da Computação ou de uma Agronomia. É um moleque bancado pelo pai classe média mais preocupado em pegar vadias e encher a cara de drogas e álcool do que em terminar o semestre sabendo mais do que quando começou. Ou uma vadia também bancada pelo pai classe média e frequentadora de calouradas, embora menos pior que o rapaz acima. E a universidade brasileira nem é vista pelo público de fora como uma espécie de Maçonaria da Ciência, a referência é festa com bebedeira, maconha, "agitprop" (agitação mais propaganda socialista), velhos sexualmente doentes que publicam artigos que ninguém vai ler e jovens mal acostumados.

Mas, gente, saindo um pouco do assunto, por favor não pensem, quem for de fora, que a faculdade é um antro de putaria. Os playboys dão festas onde algumas mocinhas que se fazem de santas ou seletivas no dia-a-dia se soltam, é verdade, mas nas faculdades são mais moças puritanas do que lésbicas assumidas e vadias juntas (lembrando que vadia não é a mulher que fode muito, é a que valoriza os piores homens). Uma vez eu estava saindo da aula de manhã, eu ainda estava com 16 anos e no Ensino Médio, no campus de uma universidade federal, em uma lanchonete, com alguns amigos. Aí a gente estava conversando alguma coisa relacionada a Feminismo, uma mocinha feminista entrou na conversa e eu fiquei no meio do povo que estava em umas mesas ao ar livre pra fazer uma brincadeira: "gente, vou dar uma festinha de aniversário sem álcool mas com refrigerante, comida e putaria liberados, quem quer?". Uns três rapazes conhecidos disseram "eu quero". Aí eu disse: "cadê as meninas?". Aí a mocinha feminista me tacou uma lata de refrigerante (não acertou, mas até senti o gelado na minha orelha) e as mulheres todas aplaudiram.

Na Macacolândia, metade dos universitários são analfabetos funcionais (sabem juntar as letras mas não sabem interpretar corretamente um texto ou uma tabela) e os alunos que terminam o segundo grau estão entre os últimos colocados do PISA e nenhum político deixa de ser reeleito, nenhum funcionário público da Educação perde o cargo. A educação brasileira é vergonha até na América Latina e ninguém com responsabilidade direta vai preso. Sabe quem perde o emprego? O professor que quer dar aula de verdade.

A ideia geral que o Brasil tem da Ciência pode ser resumida naquela "piada": a faculdade quer dar o diploma, o aluno quer receber e o professor está lá para atrapalhar a negociação.

No entretenimento popular, quase todos os personagens do humorismo são imbecis. O McGyver foi um exemplo raro de sucesso de seriado com protagonista homem inteligente e instruído. Quando o personagem homem é erudito ou apenas inteligente, é um professor que mal consegue dar aula e só ouve a turma falando asneiras como o Professor Girafales ou o Professor Raimundo, ou um desastrado pega-ninguém como o personagem do Eddie Murphy em "O Professor Aloprado". Quando um homem de estudos aparece nos contos de moral, é pra ser humilhado por índio, caipira ou velho asiático. As mulheres espetaculares dos seriados de televisão ou do cinema eu não menciono porque são peças moralistas ou ítens de consumo feminista para lésbicas que ganham pouco.

Aí falam em plano das elites para deixar o povo burro e babaca. No caso do Brasil, a conspiração deve ter passado pelo sistema de cotas para alunos de escolas públicas nas universidades, pelo voto facultativo para analfabetos, pelo acesso dos pobres à televisão e pelo Orkut.

Abigail Pereira Aranha

Apêndices

Diploma vendido no centro de BH

No fim de janeiro, O TEMPO denunciou um esquema de venda de diplomas de ensino médio que funcionava a poucos metros de uma delegacia, em plena avenida Santos Dumont, no centro da capital. Facilmente, o repórter conseguiu comprar o certificado fraudado por R$ 200.

Na tarde do dia 19 de janeiro, a reportagem forjou interesse no documento irregular e fez a encomenda por telefone com um homem que se apresentou como Marcelo. "É um documento que vai resolver seus problemas", garantiu.

Passados seis dias, o estelionatário pediu a outro homem, identificado como Augusto, que entregasse o diploma ao "cliente". Numa pasta preta, o homem de cabelos grisalhos exibia vários envelopes idênticos ao documento fraudado.

Nas imagens registradas pela reportagem, o estelionatário apresentou o certificado que foi verificado pelo repórter. Enquanto isso, o suspeito sorriu, conversou e chegou a dar um gole num copo de cerveja. Ele disse que era aposentado e vendia diplomas falsos há seis anos sem nunca enfrentar problemas. "É garantido. Já vendi até para gente que entrou na PM e na BHTrans", disse.

Em seguida, o repórter entregou a quantia combinada ao estelionatário, que conferiu sem a menor discrição. O comprovante do ensino médio vendido pelos falsificadores possui carimbo da Secretaria de Estado da Educação (SEE) e da Escola Sesi Alvimar Carneiro de Resende, no bairro Cinco, em Contagem, na região metropolitana. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), entidade responsável pela escola, informou que irá implantar diplomas com marca d?água para evitar falsificações.

A reportagem enviou o diploma falso à SEE, que informou, por meio de nota, que "vários elementos apontavam para irregularidades". (RRo)

"Conselho faz varredura em 140 mil registros profissionais" (Rafael Rocha). O Tempo, Belo Horizonte, 06 de fevereiro de 2010, http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=162799,OTE.

Venda de trabalho escolar sai por R$ 1.500 em Minas

Prática ilegal se espalhou no Estado, dizem professores; venda é parcelada em até 18 vezes

Carolina Coutinho, do Jornal Hoje em Dia, com R7

http://i2.r7.com/zemoleza-450x338.jpg

Site Zé Moleza, que permite baixar monografias, trabalhos de faculdade e de colégio

Monografias de faculdade vendidas em até 18 vezes no cartão de crédito. Seja por falta de tempo, interesse, capacidade ou por pura malandragem, cada dia mais estudantes recorrem à compra de trabalhos para concluir o curso universitário. Educadores afirmam que esse tipo de fraude se tornou comum em salas de aula das instituições de ensino superior de Minas Gerais.

Essa tática é posta em prática por aqueles alunos que precisam do diploma, mas que não querem ou não podem se esforçar para conquistá-lo. A principal fonte dos trabalhos prontos é a internet, onde há milhares de sites que oferecem o produto, como o conhecido Zé Moleza.

Com o pretexto de comprar uma monografia do curso de psicologia, a reportagem entrou em contato por telefone com vendedores de trabalhos de conclusão de graduação em Belo Horizonte. As ofertas foram facilmente localizadas pelo sistema de buscas do Google - havia telefone, preços e informações disponíveis da "empresa" na internet.

O preço cobrado é R$ 1.500, que pode ser parcelado em até três vezes sem juros, com cheques pré-datados. Caso o cliente queira pagar à vista, a "empresária" dá um desconto. Apesar de ser claro o tipo de atividade, a vendedora afirma que não faz o trabalho sozinha.

A "empresária", ao atender o telefone, informou que faz trabalhos de qualquer tema e que seus clientes nunca tiveram problemas com os professores. Ela disse ser formada em arquitetura e trabalhar há mais de 20 anos na confecção de monografias.

- O estudante tem que antes me repassar todas as orientações de seu professor, para eu ter noção do que ele quer.

A segunda vendedora com que a reportagem entrou em contato tem prática diferente. Ela disse que estabelece preços de acordo com o cliente e com o produto.

- Oriento todos os meus clientes a escolherem temas comuns, para facilitar a obtenção de fontes de consulta e agilizar a pesquisa. O valor é negociável, depende do tema e do tamanho.

Crime

Mesmo configurando crime (falsidade ideológica e violação de direito autoral), as fraudes e plágios em trabalhos acadêmicos quase nunca viram processos judiciais. A maioria das instituições de ensino prefere resolver o problema internamente, com advertência, reprovação e até mesmo a expulsão do aluno infrator.

O advogado e professor de direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Manoel Galdino da Paixão Júnior disse que esses crimes só não vão parar na esfera judicial porque não interessa à faculdade divulgar esse tipo de conduta.

- Ter alunos imorais e criminosos matriculados em sua instituição denigre a imagem da faculdade. É por isso que elas não denunciam os fraudadores.

Para a vice-reitora da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), Patrícia Bernardes, cabe à universidade aplicar as punições.

- Damos zero no trabalho, reprovamos o infrator e até o expulsamos da instituição, dependendo da gravidade da fraude. Nossas sanções são acadêmicas. Infelizmente, as falsificações têm se tornado frequentes. Eles [alunos que fraudam trabalhos] só querem saber do diploma.

A linha de atuação é a mesma na UFMG, segundo o pró-reitor-adjunto de graduação, André Cabral.

- Em caso de fraude, a banca examinadora pode reprovar o estudante. E se for plágio a gente pode abrir sindicância. Se o plágio for confirmado, é aberto um processo administrativo disciplinar. É dado amplo direito de defesa ao aluno, mas ele fica sem poder colar grau durante o processo.

O problema não é específico de Minas e não se restringe às vendas pela web. Em outras cidades, como Brasília (DF), faixas com anúncio do serviço podem ser vistas nas ruas. A reportagem verificou placas com dizeres como "Auxílio monográfico", "Monografia - verificamos plágio" e "Monografia - consultoria". Todas traziam telefones de contato.

Orientação

O MEC (Ministério da Educação) afirma que as universidades devem procurar a polícia para resolver o caso. A autonomia das instituições não permite à pasta intervir nesses casos, diz a pasta em nota oficial.

- As universidades são autônomas e o MEC não pode intervir. Isso é caso de polícia, e as universidades devem decidir qual o melhor procedimento aplicar.

O Ministério Público de Minas Gerais disse, via assessoria de imprensa, que as denúncias contra os sites que vendem as monografias não são da esfera pública, mas sim do direito privado. Desta forma, esses sites continuam online.

Advogado especialista em direito autoral, Hildebrando Pontes ressalta que os casos não viram processos judiciais porque as faculdades tendem a contemporizar a situação.

- Acho que as universidades deveriam caçar o título do fraudador, porque isso é crime. Mas elas não podem ser obrigadas a denunciar seus alunos à Justiça. Só recorre à Justiça, mesmo, aquele autor que foi plagiado. E isso quando ele fica sabendo que sofreu o crime.

R7, 03 de fevereiro de 2011, http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/venda-de-trabalho-escolar-sai-por-r-1-500-em-minas-20110203.html

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