segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quem trata o certo como obrigação trata o justo como lixo: um caso de uma postagem sobre Jair Bolsonaro no Facebook

Randerson Santos

20 de maio de 2017 às 16:15


Quando ele devolveu 250 mil doado pela JBS para sua campanha ninguém elogiou, quando ele foi elogiado pelo ministro Joaquim Barbosa como o único que não se vendeu no Mensalão ninguém elogiou, quando o Alberto yussef disse que o Jair Bolsonaro era o único que não pegava dinheiro no petrolão ninguém elogiou, quando o Beiramar disse que ele era um dos únicos que ele respeitava por saber de sua conduta, ninguém elogiou. Mas não deveria elogiar mesmo. Sabe porque? Ser honesto não é favor e obrigação. Vamos dar um novo rumo para essa bagunça.

(https://www.facebook.com/randerson.ghost/posts/1512770655400239)


Neiva Nakty Quero não meu bem.Pra mim quem não respeita homossexuais e mulheres não tem q ter respeito!

Randerson Santos Não foi ele que chamou as feministas de grelo duro

Kallena Miranda Um politico não ser corrupto é mais do que obrigação

Kallena Miranda A gente ver que o mundo ta perdido quando as pessoas querem premiar alguém por não roubar

Randerson Santos Ou criar fã clube pra ladrão de nove dedos


Abigail Pereira Aranha Quem trata o certo como obrigação é adorador do mal. TODOS QUE DIZEM "NÃO É MAIS QUE A OBRIGAÇÃO" TRATAM O JUSTO COMO LIXO.

Abigail Pereira Aranha Neiva Nakty (https://www.facebook.com/neiva.nakty), por que eu não estou surpresa? Você amou ler que Bolsonaro não faz mais que a obrigação sendo honesto, mas, digamos, nunca disse que Lula falta muito em fazer até isso. Sabe por quê? Por que para gente como você, o inferior não é o ímpio, é o justo.

Kallena Miranda Ah pelo amor de deus

Parem de comparar o lula com o bolsonaro, ninguém aguenta mais

Abigail Pereira Aranha Eu já sabia que você era petralha antes de ver o seu perfil.


Abigail Pereira Aranha /\ Lésbica mau caráter que acha que Lula é santo.

Kallena Miranda Se o Lula é ladrão todo mundo sabe

Mas se a gente tá falando do Bolsonaro começa a argumentar sobre ele, ok?

Abigail Pereira Aranha Nós NÃO estamos falando de Jair Bolsonaro. VOCÊS estão tratando a honestidade como lixo porque não podem defender o PT e os movimentos de vocês.

Kallena Miranda Lésbica mau caráter? Acho que Lula é santo?

Nossa conversa acaba aqui

Abigail Pereira Aranha Kallena Miranda (https://www.facebook.com/kallena.miranda), depois de dizer vá estudar, já corrigidos os erros de ortografia dela:

Olha só, tenta, pelo menos, ser uma pessoa melhor, porque eu tenho pena de quem convive com você.

Será que os 274 gatinhos que já me comeram concordam que eu sou tão horrível? Ou será que lésbica esquerdopata mudou de nome para "pessoa melhor"?

Kallena Miranda Nossa, cara, obrigada

Abigail Pereira Aranha

domingo, 21 de maio de 2017

Diário filosófico da Abigail P. Aranha: delação de Joesley Batista e notas sobre a corrupção e a burrice no Brasil

Abigail Pereira Aranha

Nota 01

"A inveja, a crise e as trevas", Alexandre Borges, 09 de abril de 2017, https://medium.com/@alexborges/a-inveja-a-crise-e-as-trevas-e002f1456c4b.

Comentei no original:

Alexandre, o texto foi muito bom, mas você errou em uma parte da conclusão. Em uma democracia formal como o Brasil, quem determina o Poder Executivo e o Poder Legislativo é o povo, então, a cultura de inveja e mediocridade vem do povo para o Estado mais do que vice-versa. Primeiro, tivemos a eleição do Lula como sinal disso. Não só a figura do candidato, também a de quem votou nele. Depois, tivemos a reeleição do mesmo Lula pouco depois da divulgação do Mensalão, com ainda mais votos que na eleição anterior. Depois, a eleição da Dilma Rousseff a reboque da figura desse Lula com ainda mais votos.

E temos um outro problema: uma sociedade onde um cidadão honesto perde a confiança nela própria é uma sociedade onde só os canalhas podem ter algum sucesso, mas, em geral, ninguém sai dessa sociedade. Para essa sociedade não cair sob o peso da própria canalhice, a sociedade inteira precisa de uma revolução cultural, onde os bons princípios são elevados a regra geral da vida social, o que leva os mais capacitados e (ao mesmo tempo) os mais éticos a todos os cargos decisivos.

Nota 02

Amigos, devemos combater a direita xucra como combatemos o PT ou mais ainda. A direita burra faz a extrema-esquerda ser compreensível e a esquerda moderada ser sábia.

(21 de abril de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/hyGkTuAz2jB)

Nota 03

"Os perigos da Lava Jato", Jean Wyllys, Brasil 247, 17 de abril de 2017, http://www.brasil247.com/pt/colunistas/jeanwyllys/290657/Os-perigos-da-Lava-Jato.htm.

Eu já ia dizer o que eu disse na postagem anterior, "a direita burra faz a extrema-esquerda ser compreensível e a esquerda moderada ser sábia", e li isto. Artigo do Jean Wyllys para o Brasil 171.

(21 de abril de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/B8XLecPqNZ6)

Nota 04

Cafezinho tem mais audiência do que o Globo tem de assinantes online!

(Miguel do Rosário, 23 de abril de 2017, https://twitter.com/ocafezinho/status/855992101120724994)

Seção Tamos F$%&%os

(23 de abril de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/eNpiDoYyVE4)

Nota 05

"Pedro Benedito Maciel Neto: Moro e a vitória de Pirro", Pedro Benedito Maciel Neto, Partido dos Trabalhadores, 19 de abril de 2017, http://www.pt.org.br/moro-e-a-vitoria-de-pirro.

Seção Tamos F$%£%os: o PT escrevendo coisas inteligentes.

(25 de abril de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/6Cx8WhTNBFp)

Nota 06

"Temer diz que país continua a trabalhar com ou sem protestos", G1 São Paulo, 30 de abril de 2017, http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/temer-diz-que-pais-continua-a-trabalhar-com-ou-sem-protestos.ghtml.

A paralisação do dia 28 não foi um fracasso. Se as manifestações aconteceram em 200 cidades, podemos contar, por baixo, um milhão de pessoas só nas ruas. Parece que só nós sabemos que essa paralisação era do grupo PT-PCdoB-PSOL. O objetivo não era protestar contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência, era atrapalhar o governo do sucessor da Rainha Louca. Os dois projetos são infelizes, mas pior que eles foi o sucesso destas manifestações. E a culpa desse sucesso é da direita xucra. Quase qualquer trabalhador do Brasil já precisou da Justiça do Trabalho ou de dinheiro do FGTS. Se os direitos trabalhistas atrapalhassem um país, Getúlio Vargas teria enterrado o Brasil. Outra coisa que entrou na discussão foi a corrupção. A direita xucra também é culpada, porque aplaudiu aquilo em que foi transformada a Operação Lava Jato. A Operação Lava Jato fugiu de investigar o Petrolão para se transformar em assassinato de reputações dos políticos que não são aliados do PT.

Os netos de exploradores de trabalho escravo metidos a "spin doctors" fizeram neste dia 28 o que sempre fizeram: dar publicidade e eleitores para a extrema-esquerda. E Michel Temer, que já foi defendido por direitistas, o que faz quando vê as manifestações? Dá um f$%£-se pro povo como nem Dilma Rousseff deu nos seus piores momentos. A direita devia conquistar mais corações de motoristas de ônibus e menos de indiciados do Ministério Público do Trabalho.

(30 de abril de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/EDfBQSgYwCG)

Nota 07

Leandro Ruschel

30 de abril de 2017 às 18:56

Se a pesquisa Datafolha estiver correta, e isso é um grande "se", aproximadamente 40% dos brasileiros são tão bandidos, vagabundos e canalhas quanto o chefe da quadrilha petista.

Merecem viver numa ditadura venezuelana, passando fome e levando tiro da milícia do PT.

Comentei por mensagem para o Leandro Ruschel no Facebook:

Oi. Faço minhas quase todas as palavras que você disse aqui: https://www.facebook.com/lruschel/posts/10207564750751451. O seu erro foi duvidar dos números. Você viu que os números de votos para o candidato do PT à Presidência da República sempre cresceram, e isso depois de revelado o Mensalão? Você se esqueceu dos 60, 70, até 80 de aprovação para Lula ou Dilma quando o Mensalão já tinha sido denunciado? Você já ligou a queda de aprovação da Dilma aos desligamentos do Bolsa Família e do FIES e, conforme a cidade, à ameaça de demissão de funcionários públicos estáveis?

Quando nós fomos pedir o impeachment da Rainha Louca, nós livramos os eleitores dela de pagar pela porcaria que fizeram só pra não pagarmos por ela junto. Aliás, permita-me mostrar uma coisa que eu escrevi em novembro de 2010: "Dilma Rousseff eleita presidente: em 2010, quem ganhou foi a gentalha", https://avezdoshomens.blogspot.com/2010/11/dilma-rousseff-eleita-presidente-em.html. Beijos.

(30 de abril de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/CPqqbfkdKAx)

Nota 08

"Para entender o movimento para a direita", José Maurício de Carvalho, Jornal Cultural Conhece-te a Ti Mesmo, nº 195, maio de 2017, imagem em https://www.facebook.com/677596575645692/photos/a.677645435640806.1073741829.677596575645692/1481325218606153.

Comentei no original:

José Maurício de Carvalho (https://www.facebook.com/josemauricio.decarvalho) errou feio como sempre. Mauro Iasi, que defendeu o extermínio dos conservadores em um auditório de universidade, ou Marcos Bagno, que desejou a morte dos eleitores do João Dória no perfil dele no Facebook, representam o que você chama de sociedade plural? As feministas que dizem que homens mortos não estupram são de direita? A vereadora que agrediu o vereador negro e homossexual Fernando Holliday em plena Câmara Municipal de São Paulo era de direita ou era do PT? Pare de andar com os maconheiros do movimento estudantil, cacete! Opa! Você não anda com a militância estudantil. Você é homem, branco e rico, eles não vão te receber muito bem.

(12 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/PrPcWdwrc5q)

Nota 09

Eu disse no Twitter em 23 de abril:

Nenhum conservador pode dar a vida pelo Conservadorismo, com sorte, o Conservadorismo pode morrer com ele.

Vocês têm visto o perfil do Olavo de Carvalho no Facebook? Eu sempre vi o perfil com o limite de 5000 amigos. Ele estava com 4935 acho que há três dias atrás. Está hoje com 4934. Não tenho mais amigos comuns com ele, eu já tive 9. Se ele não tivesse me bloqueado na página dele, eu já teria dito lá, como eu disse em outros lugares, que ele estava transformando todo o trabalho cultural dele em CTI do fundamentalismo sertanejo, e esse trabalho morreria com o último filho de analfabeta criada do interior que nunca teve um orgasmo na vida.

(14 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/5Hkju2VdNZt)

Nota 10

"Sensacionalista: Reinaldo e Mainardi terão pernoite em motel para resolver diferenças", Brasil 247, 13 de maio de 2017, http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/295337/Sensacionalista-Reinaldo-e-Mainardi-ter%C3%A3o-pernoite-em-motel-para-resolver-diferen%C3%A7as.htm.

Reinaldo Azevedo no dia anterior ["Diogo, Rainha de Copas, revele: quando Lula vai ser preso amanhã?", http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/diogo-rainha-de-copas-revele-quando-lula-vai-ser-preso-amanha]: "Talvez eu nunca mais volte ao assunto. Sou muito ocupado."

(14 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/6ovfrsKT8Gw)

Nota 11

Vocês se lembram daquela piada de uns dois anos atrás, depois que o Petrolão foi divulgado, que ainda bem que o prejuízo da Petrobrás foi apenas 88 bilhões, porque se fosse 20 centavos, o Brasil teria quebra-quebra? Agora, depois do escândalo da delação do Joesley Batista contra Michel Temer e Aécio Neves, tivemos isso. Vocês podem olhar à volta, no trabalho de vocês, na casa de vocês (quem mora com a família), na faculdade de vocês (quem é herói pra fazer), vocês podem pegar qualquer pessoa que diz que Temer e Aécio são bandidos, são corruptos, que diz que os políticos não prestam, que o país acabou, etc. O que essa pessoa disse em 2005 quando soube que o PT comprou o Congresso para, na prática, não ter oposição (Mensalão)? O que essa pessoa disse em 2012 quando o Mensalão não tinha sido julgado, mas o senador Demóstenes Torres foi cassado e devia ficar inelegível por 15 anos só por fazer oposição ao PT, a pretexto de um caso de corrupção do qual foi inocentado? O que essa pessoa disse em 2014 quando soube, se soube, que Dilma Rousseff só tomou posse porque a apuração da eleição foi fraudada? O que essa pessoa disse em 2014 ou 2015 quando soube que o PT usou dinheiro da Petrobrás para subornar a imprensa e o Facebook e ainda financiar páginas insignificantes que só servem para difamar a oposição? Agora essa mesma pessoa vem falar de propina de 2 milhões de reais para alguém que não é do PT?

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/9yLkZpaBEsM)

Nota 12

"Mulher de Aécio Neves, Letícia Weber, não xingou brasileiros", Me Engana Que eu Posto, Veja, 19 de maio de 2017, http://veja.abril.com.br/blog/me-engana-que-eu-posto/esposa-de-aecio-neves-leticia-weber-nao-xingou-brasileiros.

O vídeo em que uma mulher loira esbraveja palavras de ódio contra brasileiros que votaram em Dilma Rousseff e diz estar "pronta para viajar para Orlando" voltou à tona nas redes sociais nesta sexta-feira. O boato é de que seria Letícia Weber, mulher do senador Aécio Neves (PSDB), que foi citado na delação premiada de executivos da JBS.

As imagens publicadas no Facebook ontem à noite, que chegaram a 11 milhões de visualizações, na verdade, são de 26 de outubro 2014 e nada têm a ver com a esposa do político. A protagonista é a jornalista Deborah Albuquerque Chlaem, que o postou em seu perfil após a reeleição de Dilma para um segundo mandato.

O vídeo foi republicado por um usuário do Facebook com a legenda "Urgente! Esposa de Aécio Neves manda mensagem a todos nós brasileiros" e ficou 19 horas no ar. Segundo o próprio internauta, a postagem foi derrubada pela rede social, após denúncias de que tinha informações falsas, mas ainda está disponível no YouTube.

A boataria gerada no tempo em que ficou disponível mobilizou internautas, que xingaram a esposa do senador. Comentários que se referiam a mulher como Letícia tiveram 13.000 curtidas e o assunto era o mais buscado no Google na tarde de hoje, com mais de 50.000 pesquisas.

Eu ainda estava comentando sobre a tal delação do Joesley Batista da JBS quando vi isso. Como esse "hoax" fez tanto sucesso? A carapuça serviu em milhões de brasileiros. Quantos xingaram Marisa Lula por ter respondido ao panelaço dizendo para o povo honesto enfiar as panelas no c...? Como disse o Reinaldo Azevedo, o PT criou o "rouba mas dá Bolsa Família". A moça deve estar pensando como ela estava certa quando gravou este vídeo.

Este caso prova que pior que corromper o Brasil é ser uma oposição, mesmo que só de nome, ao grupo que corrompeu o Brasil.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/Ywp9QWcmzmp)

Nota 13

"Executivos da Odebrecht dizem que políticos pediam propina em troca de aprovação de MPs", G1, 13 de abril de 2017, http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/executivos-da-odebrecht-dizem-que-politicos-pediam-propina-em-troca-de-aprovacao-de-mps.ghtml.

Jornal Nacional, 13 de abril:

"De acordo com o empresário, R$ 50 milhões foram pagos em 2010, como contrapartida pela aprovação, em 2009, do programa de refinanciamento de dívidas tributárias, chamado Refis, que beneficiou a empreiteira. O programa ficou conhecido como 'Refis da crise' e concedeu descontos em multas e possibilidade de parcelamento de dívidas das empresas com a União."

Caso não tenham se dado conta, a economia produtiva agora é caso de polícia.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/Th75oyZdMTF)

Nota 14

Olavo de Carvalho

19 de maio às 11:49

Só há uma coisa a fazer com a "grande mídia": parar COMPLETAMENTE de lhe dar atenção. Desligar a TV, girar o botão do rádio, cancelar assinaturas de jornais, e nunca, nunca mais comprar um exemplar deles na banca.

Isso é MUITO MAIS IMPORTANTE do que eleger ou derrubar um presidente da República.

Fiquei espantado com o número de seguidores desta página que, diante do zunzum sobre impeachment do Donald Trump, vieram me perguntar: "É verdade?"

Essa pergunta demonstra incerteza e insegurança, o que indica que essas pessoas AINDA acreditam um pouquinho no Grobo, na Fôia e em organizações similares.

De uma vez por todas: Não é para duvidar de uma notícia ou outra, é para entender de uma vez para sempre que essas organizações não têm NADA a ver com notícias e jornalismo, são apenas escritórios de engenharia social, desinformação e agitprop.

Consumir QUALQUER material proveniente delas é intoxicar-se, é ludibriar-se, é envenenar-se de propósito. Não diga que eu não avisei. Seja homem. Largue desse vício, para de comer merda de uma vez para sempre.

Acabei de mandar esta mensagem para a Roxane Carvalho:

Por gentileza, quem administra os perfis do prof. Olavo de Carvalho no Facebook e no Twitter? Quem tem a sanidade que ele já demonstrou e escreveu há menos de 2 anos um artigo mencionando uma pesquisa que diz que só 13% da população confia sempre na imprensa ("Descrédito geral", 15 de outubro de 2015), ou disse que os grandes jornais brasileiros têm a mesma tiragem dos anos 1950 NUNCA escreveria isto: https://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10155263884962192. Ele também não bloquearia alguém no Twitter por dizer que não existe outra imprensa (http://avezdasmulheres.blogspot.com/2017/01/direita-crista-acabou-parte-28-bloqueio.html).

ATUALIZAÇÃO

Já ia me esquecendo: até a BLOSTA (Blogosfera Estatal) já publicou que a grande imprensa recebeu bilhões de reais de verba estatal no governo PT. Quem acredita que um boicote à compra das edições impressas e uma onda de cancelamento de assinaturas vai fazer um jornal acabar na época da internet, e falta de dinheiro para tiragens impressas não acabou nem com a Tribuna da Imprensa, tem que ser no mínimo uma Ana Caroline Campagnolo.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/eMTLNGyrZCm)

Nota 15

Você percebeu quem é o responsável pela corrupção, pela crise política e pela crise econômica do Brasil neste caso em que o Joesley Batista delatou o presidente Michel Temer e o Aécio Neves? A economia produtiva, o presidente que assumiu o lugar da Rainha Louca na forma constitucional depois que ela foi deposta na forma legal, o candidato supostamente derrotado na eleição e o seu partido que saiu da Presidência da República em 2003.

Michel Temer ainda ganhou algo com a apuração secreta na eleição de 2014 e todo o esquema de corrupção do governo PT: se ele for deposto amanhã, ele já esteve na Presidência da República. Os outros, incluindo Marcelo Odebrecht, Eike Batista e outras estrelas, vão só pagar pela covardia, quando não pela colaboração direta, sendo o papel higiênico do PT e do esquerdismo nacional e mundial.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/WZNvyPULMqU)

Nota 16

"Perícia aponta mais de 50 cortes em áudio Joesley-Temer. É o fim!", Reinaldo Azevedo, Veja, 19 de maio de 2017, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/pericia-aponta-mais-de-50-cortes-em-audio-joesley-temer-e-o-fim.

Vamos ver se vai acontecer o escândalo que estamos vendo agora.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/Q2B9ezrp2jj)

Nota 17

"Uma vez confirmada edição da gravação, Janot e Fachin impichados", Reinaldo Azevedo, Veja, 20 de maio de 2017, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/uma-vez-confirmada-edicao-da-gravacao-janot-e-fachin-impichados.

Vamos ver se vai acontecer o escândalo que estamos vendo agora.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/KaW7tQ6Y8b9)

Nota 18

Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, manchete do dia 16: "Lula indiciado de novo". A matéria da manchete é "Lula é indiciado por corrupção passiva em investigação sobre venda de MP" "Ex-presidente é investigado por venda de MP que estendeu incentivos fiscais a montadoras e fabricantes de veículos" (http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/05/15/interna_politica,869132/lula-e-indiciado-por-corrupcao-em-investigacao-sobre-venda-de-mp.shtml). Qual foi o crime? De novo, favorecer a economia produtiva. Até o Lula está sendo acusado de favorecer a iniciativa privada! No dia 18, a manchete do mesmo jornal: "Delator afirma: Aécio pediu R$ 2 milhões".

Nos dias seguintes, quais foram as manchetes? Dia 17, depois da manchete do Lula: "Um roubo a cada 4 minutos" "Balanço de 2016 aponta aumento de crimes violentos em Minas e BH em relação ao ano anterior". Dia 19, depois da manchete do Aécio Neves e do Michel Temer: "Afastado do Senado pelo STF, Aécio deixa presidência do PSDB" "Irmã e primo são presos".

Na semana anterior, o Lula estava dando depoimento ao juiz Sérgio Moro. Vocês também ligaram os pontos?


(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/LQrvyjg6Zeg)

Nota 19

Vocês entenderam as piadinhas dos jornalistas na prisão da Andrea Neves? É que ela interferia na imprensa de Minas Gerais para controlar as notícias sobre o governo do estado, no tempo em que o Aécio Neves era o governador. Se ela proibia notícias que fossem negativas para o Aécio ou até fez jornalistas serem demitidos, como já foi denunciado, é uma coisa. Outra coisa foi a prisão dela que foi mal explicada. O preocupante é que se algum daqueles jornalistas foi prejudicado, pressionado ou hostilizado por ela ou conhece alguém que foi, e o que eu vou dizer vale para outras pessoas que gostaram da situação, essa pessoa entende que uma injustiça é paga com outra injustiça. Isso mostra, de certa forma, que a crise, a corrupção em que o Brasil chegou vai ao ponto em que a própria ideia de virtude (como, no caso, a justiça) é mal entendida mesmo como teoria, e mal existe mesmo da boca pra fora.

(20 de maio de 2017, https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/8Pgyg2GrRHN)

Apêndices

"O diabo no comando. E o que ameaça a democracia brasileira", Reinaldo Azevedo, Veja, 10 de dezembro de 2016. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/o-diabo-no-comando-e-o-que-ameaca-a-democracia-brasileira.

O diabo no comando. E o que ameaça a democracia brasileira

Sim, viveremos dias de grande turbulência, tendo como atores representantes de Poderes constituídos que perderam a noção de seu papel institucional

Por Reinaldo Azevedo

10 dez 2016, 18h33 - Atualizado em 6 fev 2017, 17h58


O diabo estava gostando do jogo há três lances. Agora, ele já está no comando da mesa, cacifado por crises múltiplas, e a maior delas, sem dúvida, é o petrolão. A sangria não tem fim. E está muito longe de terminar. A VEJA desta semana traz detalhes da íntegra dos anexos da delação premiada que Cláudio Mello Filho entregou à Procuradoria- Geral da República. Quem é ele? Ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht na capital federal. Atenção! Há 70 pessoas ligadas à empresa colaborando com as investigações. A terra treme.

Já brinquei aqui que Brasília vivia uma síndrome que apelidei de TPO: Tensão Pré-Odebrecht. Já temos noção do aperitivo de nitroglicerina pura. A delação ainda não foi homologada por Teori Zavascki, relator do petrolão. Mas é claro que será.

O conteúdo mais grave desse vazamento — e não é por acaso que seja esse, não outro, a vir à luz agora — é a acusação de que o então vice-presidente, Michel Temer, teria pedido a Marcelo Odebrecht uma ajuda de R$ 10 milhões para o PMDB. O Planalto não nega a conversa. E a contribuição, diz, está devidamente declarada ao TSE e teria sido operada por transferência bancária.

A versão de Mello filho é mais apimentada. Segundo afirma, a contribuição foi feita em dinheiro vivo — os peemedebistas dizem ser mentira — e distribuída da seguinte maneira: R$ 6 milhões para Paulo Skaf, que concorreu à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, e R$ 4 milhões para três destinos. Uma parcela teria ido para o escritório de advocacia de Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil; uma segunda, para o de José Yunes, amigo pessoal de Temer, e uma terceira, no valor de R$ 1 milhão, para Eduardo Cunha, aquele…

Os vazamentos já colheram José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Lula… E isso significa que foram engolfados PMDB, PSDB, PT e, como se sabe, a quase totalidade dos partidos.

Revolução ou reforma?

A resposta mais óbvia, nesse caso, é também a errada.

Todas as crises do passado, em algum momento, encontraram como limite uma âncora — para avançar ou para recuar institucionalmente. Mas âncora ainda assim. Desta feita, só o que se tem é o mar da incerteza se atirando contra o que resta de confiança no processo político.

Quando até uma decisão certa de um tribunal — como foi a derrubada da liminar ilegal de Marco Aurélio — é vista como uma manobra escusa, estamos diante de um sinal de que o combate à corrupção está virando uma espécie de doença autoimune: os mecanismos de defesa estão atacando o próprio organismo. Já não se distingue o funcionamento normal do sistema de elementos patogênicos.

Acordão?

"Está querendo acordão, Reinaldo?" Isso é uma ignomínia! Que a Lava Jato continue livre para fazer o seu trabalho, como sempre foi, aliás — e as consequências de suas ações provam isso.

Não! O único acordo a se fazer é com a lei. E fim de papo. Parece-me evidente que o país não vai suportar, sem graves sortilégios, esse permanente minar da confiança. O ideal seria que a delação da Odebrecht, por mais escalafobética, fosse conhecida de uma vez só, tornada pública na Internet, para que os marcianos soubessem com quem ainda podem conversar.

Acho que estou sendo claro. Essa tática de conta-gotas — e ainda faltam 68 ou 69 delatores, não? — impede qualquer planejamento; destrói as chances de investimento; eleva o pessimismo; assusta os agentes econômicos, que, então, preferem se proteger.

E notem que não estou propondo acordão, conversa, conciliábulo, nada disso. Estou só reivindicando que se cumpra a lei para que os órgãos de polícia sigam, sem qualquer interferência indevida, fazendo o seu trabalho, mas que se recupere algum espaço de ação para o domínio da política — tanto a política entendida como exercício legítimo de pressões como a política econômica.

Poucos se dão conta — e os dias futuros, nos primeiros meses de 2017, deixarão claro ser assim — que as esquerdas, e o PT em particular, estão prestes a assumir um lugar privilegiado na narrativa. A esta altura, resta bastante arranhada a tese, QUE É A CORRETA, de que a corrupção e a propina eram instrumentos a que recorria o PT para fazer algo mais do que roubar: era um assalto ao estado, inclusive ao estado de direito.

Essa constatação foi perdendo força, sendo substituída pela evidência factual de que, afinal, todos os partidos fazem a mesma coisa. Ocorre que essa obviedade toma os meios como se fosse um fim. Roubar e trapacear como meio será ruim em qualquer tempo, e seus protagonistas devem ser punidos. Mas perder de vista a natureza da tramoia petista é falsear a história e abrir uma vereda para o PT se igualar a outras legendas entre os escombros. Se é assim, o partido é apenas um entre seus pares.

Balbúrdia

A balbúrdia nas redes indica bem o espírito do tempo. Felizmente, inexiste hoje no mundo e entre as elites políticas nativas a ilusão de que se pode resolver tudo com um murro na mesa — que seria dado necessariamente contra a política. Não teremos um golpe, é certo.

Sim, viveremos dias de grande turbulência, tendo como atores representantes de Poderes constituídos que perderam a noção de seu papel institucional

Não se esqueçam: países não são botecos e não entram em falência. Não fecham as portas. Eles podem piorar indefinidamente.

A democracia brasileira não está correndo risco porque pode vir a ser colhida por um golpe. Também não está sendo ameaçada pela Lava Jato. O que nos espreita é a bagunça generalizada.

"República de Banânia já pode adotar um novo nome: Findomundistão", Reinaldo Azevedo, Veja, 12 de abril de 2017. Disponível em http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/republica-de-banania-ja-pode-adotar-um-novo-nome-findomundistao.

República de Banânia já pode adotar um novo nome: Findomundistão

Para quem, como este escriba, antecipou todos os lances desse jogo, o resultado é ainda mais melancólico porque esperado

Por Reinaldo Azevedo

12 abr 2017, 09h09 - Atualizado em 12 abr 2017, 09h21


(Reprodução/Reprodução)

Para quem, como este escriba, antecipou todos os lances desse jogo, o resultado é ainda mais melancólico porque esperado. Pior: aquela que poderia ser o último refúgio da racionalidade — a imprensa — se estreita com os acusadores num abraço insano.

Até ontem à noite — e o Supremo hoje já está de folga —, os acusados ainda não tinham acesso à delação, embora, para todos os efeitos, Edson Fachin tivesse posto fim ao sigilo. Houve alguma notável trapalhada, aí no âmbito do Supremo, e o que veio a público foram os despachos do ministro.

De todo modo, saúde-se o fato de que, daqui a pouco, saberemos o que foi dito na Delação do Findomundistão. E os acusados poderão, ao menos, articular a sua defesa.

Qual é o saldo? Aquele que anunciei tantas vezes aqui:

1: desapareceu a figura do "articulador" da Grande Arte de assaltar o estado e a institucionalidade: o PT;

2: todo o sistema é culpado e corrupto; o PT foi apenas mais um dos autores;

3: caso se sopesem as imputações finais, chega-se à conclusão de que o PSDB, longe do poder por 14 anos, está ainda mais comprometido com a roubalheira do que o PT…;

4: Lula e Dilma estão, sim, enroscados, mas quem não está na elite política brasileira?;

5: as razões essenciais que levaram a população à rua contra o governo do PT se perderam — e ainda volto a esse assunto;

6: como estamos nos negando, como país, a olhar para o arcabouço legal, o próximo governo, qualquer que seja ele, e também a isto voltarei, já está comprometido;

7: nada terá desfecho fácil e rápido; infelizmente, viveremos uma crise, em sentido amplo, de longa duração.

Corolário: dentro ou fora da cadeia, culpado ou inocente, Lula poderá dizer: "Eu não disse que todos eram iguais?".

Sim, ele disse.

"Os perigos da Lava Jato", Jean Wyllys, Brasil 247, 17 de abril de 2017. Disponível em http://www.brasil247.com/pt/colunistas/jeanwyllys/290657/Os-perigos-da-Lava-Jato.htm.

Os perigos da Lava Jato

Jean Wyllys

Deputado federal pelo PSOL-RJ

17 de Abril de 2017

Algumas semanas atrás, causou certo alvoroço uma crítica que eu fiz à minha amiga e companheira Luciana Genro com relação à avaliação que ela tinha feito sobre o andamento da Operação Lava Jato e sobre a atuação do juiz Sergio Moro. Infelizmente, alguns companheiros do PSOL interpretaram essa crítica como um ataque, mas não era.

Concordo com Luciana na avaliação de que a Lava Jato é importante. Investigar, descobrir e denunciar as relações promíscuas de boa parte do sistema político brasileiro com um grupo de empresários que há décadas vêm sugando recursos públicos é algo positivo.

Essa forma de se fazer política, que virou regra no Brasil, tem causado enormes prejuízos ao País e, principalmente, aos mais pobres, porque todos esses milhões que empreiteiras, bancos, laboratórios, empresários do agronegócio, do transporte e de outras atividades econômicas "doam" para as campanhas dos candidatos não são de graça. Sempre há contrapartidas a beneficiar esses empresários, prejudicando o Estado e as pessoas.

Depois de anos enfrentando o poder de Eduardo Cunha (e eu o enfrentava e denunciava desde muito antes do impeachment, quando ele ainda era aliado do PT), celebrei que seus podres tenham sido revelados. A Lava Jato, na medida em que começou a jogar luz sobre esses tenebrosos bastidores da política, fez um serviço ao país.

Contudo, também faço críticas ao juiz Moro e à "força tarefa", não porque não queira que a investigação avance, mas porque quero que ela seja feita sem arbitrariedades, sem messianismo, respeitando a lei, sem viés partidário, sem seletividade, sem sensacionalismo e não misturando alhos com bugalhos. Punindo quem mereça, mas não fazendo caça às bruxas.

A ideia de que qualquer "delação" de um criminoso preso que está negociando uma redução da pena é uma verdade revelada que garante, sem mais, a culpabilidade do "delatado" é algo que não podemos aceitar. Isso acaba com o princípio de presunção de inocência, destrói reputações sem provas e permite um uso político e eleitoral desonesto do que deveria ser uma investigação séria e baseada em evidências e não em manchetes de jornal.

Em uma declaração recente, amplamente divulgada pela imprensa, Marcelo Odebrecht disse que "todos" os parlamentares eleitos receberam dinheiro via caixa dois. Eu sou parlamentar, fui eleito duas vezes, e não recebi. Minha campanha foi financiada por pequenas doações de pessoas físicas (cidadãos e cidadãs comuns) pela internet. Foi uma campanha barata e honesta. E, assim como eu, há muitos.

Em Brasília, todo o mundo sabe quem é quem. E eu garanto a vocês que há deputados honestos não apenas no PSOL, mas também em outros partidos. Conheço deputados e deputadas honestos do PT, do PSDB, da Rede, etc., com os quais tenho diferenças políticas enormes, mas não duvido do seu caráter. Gente séria que pensa diferente de como eu penso, mas não rouba.

Nos últimos dias, duas manchetes de jornais me causaram igual repulsa. Em uma, foi noticiado que Marina Silva tinha sido "delatada" pela Odebrecht. Na outra, a mencionada era a Luciana Genro. No caso da Marina, tratava-se de uma doação legal para a campanha dela, declarada em sua prestação de contas.

O PSOL não aceita esse tipo de doações e eu poderia criticar a Marina por tê-la aceitado, mas seria uma crítica política; ela não fez nada ilegal. Tenho enormes divergências com Marina e fui muito crítico dela na última campanha, mas não tenho dúvidas de sua honestidade.

No caso da Luciana, a informação era de ela teria aceitado anos atrás uma doação da Odebrecht para o Emancipa, um pré-vestibular que fundou quando deixou de ser deputada, responsável por ajudar gratuitamente estudantes pobres a se preparar para o ingresso à universidade.

A doação também era legal, além de ser para uma causa justa, e não tinha nada a ver com a campanha da Luciana. Ela inclusive revelou os e-mails trocados com um executivo da Odebrecht que pediu a ela que intercedesse para que seu pai, Tarso Genro, ajudasse a empresa num negócio no Rio Grande do Sul. Luciana respondeu que não faria isso de jeito nenhum e que, diante desse pedido, não queria mais um centavo para o Emancipa; e não teve mais doações. Luciana, como eu e muitos outros, é uma pessoa honesta.

A Lava Jato tem que continuar e os corruptos têm que ser denunciados. O que não podemos fazer é deixar de cobrar seriedade, isenção política e provas. As delações são um elemento importante da investigação, mas não provam nada.

No caso de Cunha, por exemplo, além das delações, havia contas bancárias, transações financeiras, empresas radicadas em paraísos fiscais, dinheiro, documentos. Em outros casos, até hoje, só há uma declaração de um preso que diz que ouviu falar.

A Justiça deve investigar e provar, e a imprensa deve noticiar com seriedade, não transformando acusações em condenações quando o acusado é adversário político. Existem leis, processos, direito de defesa. A minha crítica à Lava Jato tem a ver com isso e não com a defesa de nenhum corrupto. Aquele que tiver roubado, eu quero mesmo é que vá preso.

Precisamos defender as investigações, mas sem deixarmos de cobrar respeito pelas garantias legais e, sobretudo, evidências concretas. O sensacionalismo do "todos são iguais" pode acabar sendo uma desculpa para perdoar os ladrões (afinal, eles não teriam feito nada excepcional) e uma maneira muito perigosa de deslegitimar o próprio sistema democrático, cedendo o passo para aventureiros e autoritários com interesses não menos espúrios que os de gente como Cunha e Temer.

"Pedro Benedito Maciel Neto: Moro e a vitória de Pirro", Pedro Benedito Maciel Neto, Partido dos Trabalhadores, 18 de abril de 2017. Disponível em http://www.pt.org.br/moro-e-a-vitoria-de-pirro.

Pedro Benedito Maciel Neto: Moro e a vitória de Pirro

Valores recuperados pela Lava Jato devem ser infinitamente menores que prejuízos da operação à economia do país

18/04/2017 03h09 - atualizado em 19/04/2017 19h06

Fernando Santos Cunha Filho/CC 3.0


É preciso punir os culpados pelos crimes, não a economia brasileira

O juiz Sérgio Moro apresenta-se (ou é apresentado) à sociedade como um magistrado técnico e imparcial, cujos valores e atuação ética estariam seguros da vileza vicejante na sociedade brasileira, especialmente aquela presente no quadrante da política.

Sua atuação imaculada estaria a garantir ao país vitória sobre os corruptos e malvados.

A chamada "força-tarefa" que envolve o Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Justiça Federal estima que a Operação Lava Jato pode recuperar até R$ 12 bilhões.

Mas é essa a vitória que se anuncia? Se for isso mesmo é possível afirmar que "o molho está mais caro que o peixe", pois segundo estudo da consultoria GO Associados, os impactos diretos e indiretos da Operação Lava Jato na economia tiraram mais de R$ 140 bilhões da economia brasileira apenas em 2015, o equivalente a uma retração de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas não é só. A Operação Lava Jato, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), provocou a desorganização da cadeia de óleo e gás e contribuiu para o crescimento do desemprego do país.

Outro aspecto merece atenção: a Operação Lava Jato não está sabendo diferenciar dirigentes corruptores e corruptos de instituições e empresas. Isso é péssimo para o Brasil. Os corruptos, se cometeram crimes, devem ser penalizados, mas jamais as suas empresas, pois elas são um ativo brasileiro.

Moro parece desconsiderar que em algum momento o Brasil voltará a crescer e, se a Lava Jato quebrar as empresas brasileiras, pergunta-se: quais serão as empreiteiras que retomarão o ciclo virtuoso no país? Teremos de recorrer a empresas internacionais?

Olhando por esse prisma parece claro que a "vitória" de Moro será uma vitória pírrica ou vitória de Pirro, ou seja, uma vitória obtida a alto preço, potencialmente causadora de prejuízos irreparáveis.

Sérgio Moro desconsidera que as instituições jurídicas não estão fora do sistema econômico, suas decisões desconsideram os efeitos econômicos catastróficos causados ao país.

Qual será de fato o objetivo de Sérgio "Pirro" Moro? O tempo, primo-irmão da verdade, haverá de revelar.

Por Pedro Benedito Maciel Neto, advogado e autor de "Reflexões sobre o estudo do Direito", Ed. Komedi, 2007, para a Tribuna de Debates do 6º Congresso. Saiba como participar.

domingo, 14 de maio de 2017

Um milésimo das... crônicas da Abigail

Abigail Pereira Aranha

Há uma semana, eu vi a Ana Caroline Campagnolo dando em cima do Paulo Eduardo Martins.[01] Antes disso, vi o escândalo da Luana Basto, a Steh Papaiano no Carnaval[02], a Patrícia Lélis publicando artigo na revista Fórum[03], uma ninfeta que apresentava um programa conservador (Tomi Lahren) defender o aborto[04], uma ex-moderadora da Garota Conservadora confessar que já foi prostituta[05] e outra ex-moderadora dizer que a outra roubou a página. Depois disso, vou publicar uma seleção de um milésimo da minha vida de impureza antes que um conservador me peça em casamento. Tudo começou em 13 de março de 2005. O dia em que eu fiz 14 anos. 12 anos e dois meses dão aproximadamente 4.440 dias, então, vou tentar juntar casos que não são os de 4,44 dias específicos, mas o volume de licenciosidade e piadinhas é mais ou menos o mesmo.

1) Eu estava em casa, eu morava com os meus pais, eles tinham saído e eu fiquei sozinha em casa. Chegaram dois amigos do meu pai e eu os chamei pra entrar. Eu já tinha conversado com eles poucos dias antes sobre licenciosidades (falei com um de cada vez). No começo da conversa, voltamos ao assunto, eles disseram que tinham camisinha e eu chamei os dois pra debaixo do chuveiro. Perdi a virgindade dos dois lados de uma vez. Continuamos na sala. Fomos rápidos, mas os rapazes foram bem. Deu tempo até de eliminar as provas (camisinhas usadas). Os meus pais chegaram uns 20 minutos depois para me levar para a minha festa de aniversário surpresa.

2) Eu tinha 16 anos, eu estava no segundo ano do Ensino Médio e estava estudando Geografia com três amigos, um era colega de sala, os outros dois eram de outra turma de segundo ano. Os três eram muito bons alunos. Eles foram estudar na minha casa. O meu irmão e a minha mãe na sala e eu com os rapazes na varanda nos fundos. Eu estava com um vestido, sem calcinha e já tinha dado camisinhas pros rapazes. Nós demos algumas "rapidinhas" quando a família não estava olhando. E nós estudamos de verdade, eu e os rapazes fomos muito bem nas provas.

3) Eu viajei a trabalho com um colega para Juiz de Fora. Já estava previsto que nós não íamos voltar no mesmo dia. Fizemos pernoite em um motel. Meu pai me ligou, perguntou onde eu estava, eu contei o caso e que ele estava comendo o meu cu. O meu colega ficou meio constrangido, eu passei o celular para os dois conversarem. Eles se conheceram dois meses depois e gostaram muito um do outro num sentido hétero. Depois do meu pai, quem ligou foi o patrão. Eu falei que eu e o meu colega estávamos no motel e ele estava comendo a minha buceta, eu era meio piadista e ele achou que era brincadeira. Depois eu mostrei a notinha do estabelecimento pra ele. Depois do patrão, quem ligou foi a esposa do meu colega. Eu fiquei quietinha e ele disse que estava sozinho em um hotel.

4) Eu estava em um encontro de família, eu tinha 15 anos, e estávamos conversando eu, meu pai, duas irmãs, a tia dona da casa e uma filha dela. O filho rapaz dela estava por perto. Eu contei que eu tinha ido estudar com três rapazes colegas da escola, e essa tia já achou um absurdo eu ter ficado "sozinha no meio de homem". Então, eu respondi: "Qual o problema? Nós estudamos pra caramba, fizemos um lanche juntos, depois eles revezaram os pintos na minha perereca, saía um e entrava o outro. Cada um ficava 15 segundos e eu falava 'próximo'. Depois, gozaram os três na minha boca". A minha tia achava que era uma brincadeira sem graça, o meu pai e as minhas irmãs acharam que era só uma piadinha, o meu primo, 13 anos na época, não estava entendendo bem o que ouviu, mas estava gostando da conversa. Eu sinalizei para o meu primo que nós podíamos conversar só nós dois depois, ele me encontrou no dia seguinte na escola e eu contei melhor o caso para ele e mostrei o meu blogue A Vez dos Homens que Prestam, que eu tinha começado pouco tempo antes (com aquela taxa de pornografia considerável que vocês podem confirmar). Ele gostou.

5) Contei este caso em dezembro no meu texto "As concubinas de Lúcifer".[06] Eu estava no Ensino Médio, era o Dia Internacional da Mulher, eu tinha 15 para 16 anos e eu estava no pátio do colégio perto de um grupo de garotas e professoras que faziam o discurso lesbofeminista de sempre. Aí, eu disse: "pessoal, não precisamos ser contra o homem para sermos a favor da mulher". Eu levantei a camiseta e já estava sem sutiã. Os rapazes, "eeeeh!". As garotas queriam me bater lá mesmo.

6) Um dia, em 2012, eu estava no metrô de Belo Horizonte e eu vi três rapazes assistindo filme pornográfico no celular. Eu cheguei neles tentando não assustá-los e assisti o filme com eles. Eles gostaram de mim e eu deles, eu disse que não era prostituta mas tinha um blogue que tinha mais coisas que eles iam gostar. Ficamos amigos, nós temos contato até hoje. Um dia, foi coincidência de eu viajar para Belo Horizonte outra vez e encontrar um deles e depois os outros dois. Então eu disse: "Não precisam me dar bebida, eu vou com os três pro motel". E nós fomos. Eles ficaram surpresos antes e depois. E em vez de irmos beber, nós fomos comer duas porções de carne com fritas. Sexo dá fome, ainda mais dar pra três por duas horas.

7) Eu contei em "Castidade é ódio aos homens - parte 5"[07] e no meu perfil no Google Plus[08] que nos lugares onde trabalhei, eu só usava o vestiário dos homens e os rapazes tinham aquelas conversas indecentes de homem na minha presença ou comigo. De vez em quando, eu passava sabonete em um dos rapazes e um deles passava sabonete em mim. Eu também disse que não tinha sexo lá, nem um boquete (bom, não muitas vezes), mas era gostoso. Vou contar uma dessas poucas vezes. Só eu e dois rapazes estávamos lá. Um deles estava me ensaboando e quando chegou na minha bunda, ficou inspirado. Eu falei (baixo, pra não chamar a atenção de quem estava fora, mas para o outro rapaz também ouvir): "Ai, vou fugir, você quer usar o sabonete na minha bunda pra comer o meu cu ali no banco, e quer chamar o seu amigo pra me comer também". Aí eu fingi que fugi dele, ele me deitou de bruços no banco e fiquei com a bunda enorme empinada e os dois um vendo o pau do outro no meu cu. Os dois acharam fantástico. E eu fiquei com tesão o resto da manhã, um amigo foi me ver e eu me ofereci pra ser levada pra casa dele na hora do almoço. Quando nós chegamos à casa dele e começamos a diversão, eu pedi pra ele colocar a mão na minha boca porque eu já sabia que ia gritar quando tivesse o orgasmo, e eu gritei. E, claro, eles me comeram outras vezes.

8) Eu também faço sexo em lugares abertos. Uma vez, eu e dois amigos estávamos voltando pra casa à noite no carro de um deles e nós paramos numa parte sem casas de um loteamento novo, e nós transamos lá, eu apoiada na frente do carro, os dois se alternando na minha buceta. No final, eu fiquei agachada encostada na lateral direita do carro e eles se alternaram socando o pau na minha boca. Voltamos pra casa satisfeitos, eu com o rosto cheio de esperma. Quando passamos pela minha casa, eu preparei um lanche para eles.

Com tudo isso, eu faço mais contra o Feminismo e menos contra o Conservadorismo do que algumas moças que pregam os valores tradicionais.

NOTAS:

[01]


Paulo Eduardo Martins O maior orgulho e prazer que um homem pode ter: bancar a casa.

06 de maio às 00:37

Ana Caroline Campagnolo

Em um relacionamento sério com Artur Figueiredo

Desde 18 de agosto de 2015

Ana Caroline Campagnolo Vamos casar, Paulo Eduardo Martins. 😍

06 de maio às 15:26

https://www.facebook.com/bruna.luiza.165033/posts/806353682855469?comment_id=806513889506115&reply_comment_id=806812002809637

[02] "Direita cristã, acabou! - parte 21: bem-vindo, Michel Temer, e tchau, direita! (e tem pras conservadias também)", 27 de setembro de 2016, https://avezdoshomens.blogspot.com/2016/09/direita-crista-acabou-parte-21-bem.html.

[03] "Patrícia Lelis: O florescer de uma feminista – Eu nasci em um mundo machista e não sabia disso", Fórum, 30 de março de 2017, http://www.revistaforum.com.br/2017/03/30/patricia-lelis-o-florescer-de-uma-feminista-eu-nasci-em-um-mundo-machista-e-nao-sabia-disso.

[04] "WATCH: Tomi Lahren Explains Why She's Pro-Abortion, Proves She's Clueless About Conservatism", The Daily Wire, 17 de março de 2017, http://www.dailywire.com/news/14532/watch-tomi-lahren-explains-why-shes-pro-abortion-amanda-prestigiacomo.

[05] "Moderação da página Garota Conservadora tinha uma ex-profissional do sexo quando baniu uma amadora, e ela confessa isso um ano depois", 10 de abril de 2017, https://avezdoshomens.blogspot.com/2017/04/moderacao-da-pagina-garota-conservadora.html.

[06] "As concubinas de Lúcifer", 25 de dezembro de 2016, https://avezdoshomens.blogspot.com/2016/12/as-concubinas-de-lucifer.html.

[07] "Castidade é ódio aos homens - parte 5", 13 de abril de 2017, http://avezdoshomens.blogspot.com/2017/04/castidade-e-odio-aos-homens-parte-5.html.

[08] https://plus.google.com/+AbigailPereiraAranha/posts/NptdSKFeERj.

domingo, 7 de maio de 2017

Professora universitária feminista atira à direita e à esquerda e mata aliados com tiro pela culatra

O machoesquerdista e o feministo pós-esquerda, Liana Cirne Lins, feminista professora da Faculdade de Direito do Recife da UFPE, Mídia Ninja

O machoesquerdista e o feministo pós-esquerda

por Liana Cirne Lins

Ativista e jurista, é professora da Faculdade de Direito do Recife da UFPE. É feminista e foi advogada e militante do movimento Ocupe Estelita.

02/05/2017 04:07

Frame do programa Amor e Sexo sobre feminismos.

Frame do programa Amor e Sexo sobre feminismos.

Quando nós feministas achávamos que um dos piores tipos com quem teríamos que lidar seriam os machesquerdistas, surge o feministo pós-esquerdista para nos mostrar que o fundo do poço é um conceito relativo.

Machoesquerdista é o homem que não abre mão de seu privilégio de gênero, além de costumeiramente se recusar a admitir seus privilégios. Normalmente, ele se afirma apoiador da luta das mulheres e não se priva da oportunidade de contar causos em que ele agiu heroicamente em defesa de alguma mulher.

Porém, recusa a importância política da ideia de lugar de fala, não faz a necessária reflexão autocrítica quando é acusado de machismo, acha que o lugar de fala implica cerceamento do seu direito de expressão (normalmente ele não é liberal, mas nesse ponto em especial ele faz questão de ser), que ele pode livremente protagonizar a luta ou o pensamento feminista [sic], não enxerga a si mesmo como opressor e, por último mas não menos importante, acusa as feministas de serem esquerda sectária e de promoverem a desagregação da luta de classes. Ele pode até falar sobre feminismo. Mas ele não ouve. E fica incomodado quando alguma feminista quer apontar seu privilégios de homem branco (dentre os quais está o de sempre poder falar e ser ouvido, sem ouvir).

Esse tipo de esquerdista não aprendeu nada sobre a luta feminista e sobre as pautas identitárias em geral.

Ele participa da luta política e discute todos os assuntos, inclusive feminismo, sem dividir equanimemente o trabalho doméstico, explorando o trabalho da companheira, da ex-companheira ou da mãe, vendo o filho a cada 15 dias quando divorciado, dando em cima das mulheres de forma inconveniente sem vislumbrar o assédio, se apropriando de ideias das colegas mulheres como se fossem suas, reforçando estereótipos de gênero machistas toda vez que seus interesses divergem ou confrontam com uma mulher e usando esses estereótipos para desqualificar as críticas que uma mulher lhe dirige. E tudo isso sem achar que essas práticas machistas estejam diretamente ligadas à sua militância política, tornando-a vazia, incoerente e hipócrita.

Na visão rasa do machoesquerdista, luta de classes e feminismo são assuntos distintos e que não se comunicam.

Como se a exploração do trabalho doméstico e de educação dos filhos não criasse um aspecto peculiar na exploração do trabalho remunerado da mulher, colocando-a em brutal condição de desigualdade, desigualdade essa da qual ele se aproveita para alçar melhores postos de trabalho e maior produtividade, pela maior disponibilidade de tempo para estudar e trabalhar, tempo esse roubado das mulheres que ele explora.

E então surge o outro tipo:

O feministo pós-esquerda. Esse cara leu Judith Butler e Angela Davis. Ele entende das pautas identitárias. Respeita lugar de fala. Além disso, é extremamente sensível à questão indígena e ambiental.

Mas não transversaliza nenhuma dessas pautas com a luta de classes ou com a luta anti-capitalista. Ele acha que a narrativa da luta de classes esgotou há muito seu paradigma. Não se identifica e não acredita na esquerda. Ele é pós-esquerdista. Está à procura de um discurso político que o seduza e contemple as opressões que ele visualiza e às quais é sensível.

É como se fossem necessários alguns ajustes no sistema, mas o sistema em si fosse defensável. Como se o sistema capitalista não fosse o epicentro de todas essas explorações e violências, identitárias e de classe.

O feministo pós-esquerdista é a semente de uma nova direita.

Uma direita politicamente correta, que não aplaude e nem dialoga com o discurso fascista, machista, homofóbico, transfóbico e racista. Mas tampouco aplaude ou dialoga com a luta sindical, a luta pela taxação da riqueza e pelo financiamento de direitos sociais e serviços públicos, a luta por mais direitos trabalhistas. Não enxerga que é nas precárias condições de trabalho marcadas por vulnerabilidades jurídicas e pela opressão econômica e também pela falta de acesso e pela precariedade dos serviços estatais de saúde, de educação e tantos outros que o machismo e o racismo encontram terreno fértil para sua reprodução e perpetuação.

Embora esses dois tipos pareçam antagônicos e inconciliáveis, a verdade é que eles são os dois lados da mesma moeda de manutenção do sistema.

Se dependermos de um, continuaremos nos sindicatos servindo cafezinho aos homens sindicalistas, cis e héteros, titulares de toda a voz. Se dependermos do outro, poderemos sempre discutir o machismo, a desigualdade de gênero, a desigualdade racial e denunciar privilégios de gênero e os privilégios de cor, desde que isso não implique denunciar a exploração do sistema capitalista.

Para os dois, o movimento feminista e as pautas identitárias não se relacionam diretamente com a organização da luta de classes. E é exatamente nisso que estão enganados.

Tão enganados que em todo o Brasil estamos assistindo ao protagonismo dos movimentos feministas e outros movimentos identitários na organização da resistência ao golpe, da resistência às reformas trabalhistas e previdenciária e na defesa dos direitos de liberdade e sociais.

Aliás, o que vimos na sexta-feira, dia 28 de abril, foi uma greve geral extremamente bem sucedida porque soube articular com êxito a organização sindical e partidária, de um lado, com movimentos sociais heterogêneos e a própria sociedade civil desorganizada.

Grupos historicamente silenciados e oprimidos estão ditando as pautas da resistência de esquerda. Uma nova esquerda está sendo construída, sim. Mas não uma pós-esquerda, que rejeita ícones tradicionais do esquerdismo, como a luta sindical e as bandeiras vermelhas.

Essa nova esquerda está entendendo que o movimento feminista, incluídos especialmente o feminismo negro e o transfeminismo, muito ao contrário de promover a segregação da esquerda ou de negar a esquerda, promove a complexidade da luta de classes, articulando-a com a luta contra outras formas de opressão, que foram por tanto tempo toleradas e silenciadas.

"O machoesquerdista e o feministo pós-esquerda", Mídia Ninja, 02 de maio de 2017, http://midianinja.org/lianacirne/o-machoesquerdista-e-o-feministo-pos-esquerda.

Comentários no original


Túlio Rossi · professor na UFF - Universidade Federal Fluminense

Desculpe perguntar: é possivel ser homem, apoiar o feminismo, a transformação do sistema e não ser considerado um inimigo do movimento? Cada dia que passa vejo mais textos feministas (re)criando e refinando mais críticas a eventuais aliados potenciais (mas com penis) do que atacando o sistema, os fascistas declarados derivados de Bolsonaro e afins. Já concordei que um homem não pode se declarar feminista (em respeito aos grupos dentro do movimento que acreditam nisso) e nem devem brigar com a militância feminista pra falar de gênero. Mas começo a ver gente no movimento que já reage negativamente ao homem que se declara apoia-lo. Desculpem mas fico cada vez mais surpreso com como surgem cada vez mais categorias de aliados homens potenciais a serem execrados e combatidos, enquanto parece estar "tudo bem, tudo normal" com todos aqueles que nunca gastaram um milésimo de segundo de sua vida tentando revisar suas posturas e, eventualmente "desconstrui-las"

02 de maio de 2017 às 16:29


Adriane Barroso · bolsista de pós-doutorado na Hope & Healing Center & Institute

Saí do texto com um mal-estar, e o que o Túlio escreveu esclareceu o que eu senti. Depois desse tanto de definição do que o feminismo NÃO PODE SER, sobra algum espaço para quem quer se aproximar? Sempre me declarei feminista, sempre entendi isso de uma forma muito natural, sempre estudei o assunto e nunca me senti tão ignorante como agora. Esse monte de rótulo desconstroi o que eu entendo, não só porque segrega, mas também porque ameaça - será que estou adequada para ser "aceita" como feminista? Será que ser feminista como eu pode? Será que me enquadro em algum dos mil nomes que essa vertente do feminismo não aceita como feminismo? Será que sou bem vinda? Será que isso aqui que eu tenho a dizer vai ser rechaçado como algo impertinente, como "isso não é feminismo, bobinha"? Acho que a questão do Túlio é excelente, e não é exclusiva dos homens. Não esqueçamos da igualdade, da não segregação. Especialmente nos dias de hoje.

02 de maio de 2017 às 18:57


Raphael Tsavkko Garcia · blogueiro no The Huffington Post Brasil

Homem de esquerda = esquerdomacho

homem de pós-esquerda (seja lá o que for isso) = nova direita = machista ("direitomacho", Feministo)?

Apoia feminismo? Tá errado, quer biscoito. Não apoia? Tá errado, tem que apoiar (volta pra opção anterior).

O homem opinou? Tá errado. Tem que calar a boca. Discordou? Machista. Explicou porque discordou? Mansplaining. Mandou à merda diante de tanta besteira? Aí chama o ~coletivo~ pra um linchamento virtual.

Enfim, o problema é ser homem. Tá errado ao nascer. Construção social não vale pra homem que é biologicamente programado pra ser um opressor horroroso. E pra apoiar o ~GOLPE~.

Pega-se uma obviedade: Machismo existe. Outra verdade: Muitos homens são machistas. Esconde-se uma importante: Tem MUITA mulher machista. E no fim o resultado é "todo homem é machista e não presta". Sim, é o ponto central do texto. Lembrando, pior se não for de esquerda, porque o cara hipotético do texto apoia tudo, assina a cartilha, mas... não tá nessa de ~luta de classes~, aí deve ser um opressor que escraviza mulheres.

Não deu nem pra rir do texto, pena.

Mentira, quando apareceu o tal GOLPE eu dei uma gargalhada meio nervosa.

02 de maio de 2017 às 21:30


Liana Cirne Lins · colunista na Mídia Ninja

"Enfim, o problema é ser homem".

Não, Raphael.

Definitivamente ser homem não é o problema.

O problema é ser machista, reforçando uma cultura patriarcal de sistemática violentação das mulheres.

E outro problema é negar o problema.

03 de maio de 2017 às 21:39

Raphael Tsavkko Garcia · blogueiro no The Huffington Post Brasil

Liana Cirne Lins Segundo seus argumentos o problema é ser homem, sinto muito. E note, não nego problema algum, machismo faz parte da sociedade, homens E MULHERES são machistas em uma quantidade absurda de casos - e não estou me excluindo. Agora, segundo sua linha de argumentação não tem o que fazer - e se o terrível homem não for de esquerda (ou seja, não concordar com teses como luta de classes) então ele é machista e ponto e não tem o que fazer (além, de, suponho, "se converter" ao marxismo).

Vocês pós-modernas precisam se decidir se vocês querem o apoio de homens ou não, se querem contribuir com um debate sério ou só ficar apontando dedo. Mais diálogo e compreensão e menos dedo na cara de todo mundo, quem sai de salto alto pra disputas acaba caindo.

04 de maio de 2017 às 07:48


Fabio Yukio

Liana, tudo bom? Seu texto é realmente bom, além de ser extremamente contemporâneo, tanto que não imaginei que fosse me encontrar como o foco da crítica. Pois é, fiquei supercurioso pra saber o que seria esse "feministo pós-esquerda", vc começou falando sobre o já famoso machoesquerdista e a absurda incoerência do discurso político e as atitudes do dia-a-dia e sempre tive exatamente o mesmo ponto de vista que vc. Mas quando vc começou a discorrer sobre esse feministo foi como, até certo ponto, vc me descrevesse. E achei importante escrever por isso, pq basicamente existem 2 tipos de leitores homens aqui, ou alguns que são realmente militantes de esquerda e tentam se policiar ao máximo para não causar mal estar em nenhuma feminista, e os que já chegam de maneira ofensiva usando os velhos clichês de sempre. E dificilmente alguém vem assumir que é o "foco" da crítica, afinal o inferno são os outros. Mas achei seu texto tão intrigante que não pude me conter, e ainda estou pensando pq pessoas como eu representam que o fundo do poço ainda não cegou ao fim. Até fiquei triste nessa parte. Vamos aos fatos: Eu sou uma pessoa que teve acesso a todo tipo de informação, então todo meu posicionamento foi fruto de uma profunda reflexão. Nunca fui militante de esquerda, embora pelo menos 60% dos meus maiores amigos ou são militantes, ou tem um grande engajamento, os outro 40% são o que vcs chamam de coxinha. E meu posicionamento sempre foi de centro-esquerda, sou muito do que vc descreveu, tenho cultura, sou sensível a causas sociais e ambientais, respeito absurdamente o local de fala etc... Porém eu não participo da luta de classes ou sou contra o capitalismo, na verdade eu participo de sua manutenção (sinceridade a gente vê por aqui). Claro que acredito na preservação do mesmo, mas de uma forma mais humana (feminista) e evoluída, porém capitalista. Não vou debater sobre isso, pq além de ser muito longo sei que nossas opiniões iriam divergir. Mas me chamou a atenção que vc disse que pessoas como eu representariam a nova direita, nunca pensei por esse lado, mas vamos supor que vc esteja certa. Sempre tento fazer as coisas da forma mais ética possível, respeito e defendo todas as minorias, sempre fui um pró-feminista atuante e principalmente nunca cometi a incoerência do "machoesquerdista", pois meu posicionamento politico sempre foi mais ao centro do que esquerdista. Será que por isso eu sou uma pessoa ruim? E se como vc disse, se precisamos coexistir como poderíamos fazer isso de uma forma agradável e principalmente amigável? Como pessoas como eu podem ajudar a sua causa? Pq de verdade, adoro seu trabalho e acho incrível sua sensibilidade. Será que pessoas como eu e vc não podem mais ter suas diferenças e serem grandes amigas?

03 de maio de 2017 às 01:32

Liana Cirne Lins · colunista na Mídia Ninja

Fabio, deixei meu like aqui para te responder depois.

Gostei do teu comentário supersincero.

03 de maio de 2017 às 21:44

Lara Longo Franco

Fábio. Tbm adorei seu comentário, não só porque sincero, mas também por tenho uma opinião parecida com a sua e, lendo o que vc escreveu pude verificar que meus sentimentos e ideia surgiram em alguém mais e talvez possam fazer sentido :)

04 de maio de 2017 às 09:40

Lara Longo Franco

Liana Cirne Lins, gostaria muito de saber sua resposta para o Fabio. Vc poderia me marcar nela tbm?

04 de maio de 2017 às 09:41


TB Alexandre Zamboni Tebechrani · Escola de Educação Física e Esporte - USP

Bom dia. Acho que o espectro progressista da sociedade deveria buscar união absoluta em torno de pautas universais: direitos humanos, justiça social e igualdade. O que vejo na quase totalidade dos movimentos "ativistas" é o contrário disso. Incluo aí movimentos das causas lgbt, negra, feminista, etc. Vejo um movimento de "se fechar em si mesmo", pregar para convertidos, classificar todos que não se encaixam no "perfil" como inimigos do movimento. Vejo uma constante desqualificação dos "outros". Ao invés da busca por pautas comuns, interesses comuns, por identificar os (verdadeiros) inimigos comuns, vejo guerras fratricidas pela supremacia da "minha" verdade. O resultado é o que está aí: a direita fascista deitando e rolando, destruindo e saqueando o país, esmigalhando os poucos direitos sociais já conquistados, massacrando (inclusive FISICAMENTE) quem querem, como querem e onde querem, enquanto a esquerda se mata para saber se fulana pode ou não usar turbante. Se o texto de sicrana (indubitavelmente uma "pessoa de bem") foi racista e, se foi, se ela deve ser linchada ou não. Se mulheres trans podem ou não ser parte do movimento feminista (??!!), e assim por diante. Estamos bem...

04 de maio de 2017 às 09:19

O meu comentário no original

Abigail Pereira Aranha · Líder da Liga de Promoção do Ateísmo e da Prostituição de Meca

Se o feministo pós-esquerdista é a semente da nova direita, o LGBT-Feminismo é o adubo. Atirou pra frente, pra trás, pra esquerda, pra direita, e atirou na vertical pra cima. Ah, e da próxima vez, aproveite pra contar que as mulheres são recebidas no Movimento de Direitos Humanos dos Homens muito melhor do que você e as suas amigas receberam os seus capachos aqui. Mais delicioso que o texto foi a seção de comentários. O texto mostra que feministo tem que se f$%@£. Os comentários mostram que alguns podem se salvar. Obrigada, lésbica imbecil. Lesbianismo é sociopatia que vira burrice, é questão de Psiquiatria Forense. Um abraço hétero.

06 de maio de 2017 às 16:52

Apêndice

"Neo-Lombrosianos: Como Justiceiros Sociais prejudicam a esquerda e suas próprias pautas", Raphael Tsavkko Garcia, Medium, 04 de maio de 2017. Disponível em https://medium.com/@tsavkko/neo-lombrosianos-como-justiceiros-sociais-prejudicam-a-esquerda-e-suas-pr%C3%B3prias-pautas-52e6eed80deb.

Neo-Lombrosianos: Como Justiceiros Sociais prejudicam a esquerda e suas próprias pautas

Raphael Tsavkko Garcia

Jornalista, doutorando em Direitos Humanos (Universidad de Deusto). Mestre em Comunicação e graduado em Relações Internacionais. www.tsavkko.com.br

04/05/2017


Notável a carga neo-Lombrosiana de certas ativistas SJW’s (Social Justice Warriors, ou justiceiros sociais) pra quem se você não é da cor/raça "certa" você está errado/a.

Reparo que há um racha no petismo muito forte surgindo (Justiceiros sociais, no Brasil, são invariavelmente petistas), é briga com a Elika (com direito a ameaças e intimidação), com a Cynara (ela contra a Stephanie Absoluta e a Djamila)… O fanatismo identitário tem superado o partidário, difícil saber o que sairá disso. Como já escrevi, há uma ligação carnal entre justiceiro(a)s sociais e petismo, mas podemos estar diante de um momento de inflexão

Saiu artigo recente de uma professora da UFPE na Mídia Ninja que vai pelo mesmo caminho, o homem é machista, o homem de esquerda é machista, o de direita é mais ainda, porque não ser de esquerda já é, em si, ser machista. Não tem como ou pra onde escapar. Ser da cor, do gênero "errado" é suficiente pra ser preconceituoso. E não tem como escapar.

Não se trata aqui de não reconhecer o machismo na sociedade e sim de criticar o que parece ser biologicamente determinado. Construção social é só pras "manas".

Ao invés de combater esse fanatismo nos calamos, acovardamos ou nos submetemos. Essa semana teve um rolo nos EUA contra uma professor assistente de filosofia que escreveu um texto provocativo sobre transracialismo e foi atacada até pela revista em que ela publicou? Estamos perdendo a batalha até na academia pro fanatismo identitário.

Pra mim o resumo disso tudo está numa das frases mais sublimes da Dilma:

"Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder."

Vai todo mundo perder — e estamos perdendo. Inclusive estamos involuindo pra quinta série:

"Você é feia".

"Eu tenho contrato com editora".

"Você é burra".

E esse comentário do Erick Felinto resume:

Rafucko elabora uma instalação crítica da exclusão social no Brasil e é acusado de racista. Elika Takimoto, mesmo sendo radicalmente de esquerda, faz um texto, talvez infeliz, mas bem intencionado, e recebe a mesma pecha — inclusive com ameaças físicas. Freixo termina um namoro e é acusado de machista nas redes sociais. Os guardiões supremos da correção e da ética na internet estão conseguindo aquilo que a direita não conseguia: silenciar as vozes liberais e de esquerda. É como escreveu um conhecido: se você apoia uma minoria, sem ser dessa minoria, é porque quer biscoito. Se não apoia é porque reforça as estruturas hierárquicas do poder societário. Em suma, entre se manifestar, arriscando-se à acusação de "roubo de protagonismo" e permanecer calado, parece que hoje a segunda opção é a mais sensata. E assim segue o ativismo de internet, alienando todos aqueles que poderiam contribuir para suas causas e trabalhando por uma sociedade cada vez mais fraturada…

Admito ter achado engraçado do povo comentando que essa era "The Treta to End All Tretas", "The mother of all tretas" e tal, é divertido mas… Esconde um problema fundamental que está corroendo a esquerda e dando mais e mais espaço pra direita crescer.

Eu já alertei recentemente que não existe vácuo na política, tirem suas conclusões.

E como concluiu um amigo: "Concluo que a crise no Brasil não é apenas política, social e econômica, é também intelectual."