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sábado, 17 de outubro de 2026

O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026

Abigail Pereira Aranha

1) O tribalismo do universo verbal-emocional do brasileiro comum

Para uma pessoa analfabeta ou semianalfabeta como o brasileiro típico, o seu próprio universo verbal ou emocional tem vida própria com certa independência da realidade. E o desprezo pela inteligência, o ódio à realidade ou apenas a preguiça intelectual levam ao semianalfabetismo ou mesmo ao analfabetismo. Para o semianalfabeto, que também tem baixa inteligência emocional, a linguagem serve essencialmente para expressar ou induzir emoções, e também para reconhecimento tribal. Para o semianalfabeto, é atípico que a linguagem humana seja sobre a realidade em vez de para ela ou mesmo contra ela.

Também vem do analfabetismo a frase "as palavras têm poder". O único poder que as palavras têm é o poder de descrição entre pessoas que conhecem o idioma, e, com ele, o poder de transmissão de ideias e de dados sobre o mundo real (ou mesmo sobre um mundo abstrato das ciências puras). Determinar os acontecimentos do mundo físico pelo universo verbal, ou tentar isso, é manipulação sociopolítica ou bruxaria, e bruxaria é analfabetismo aplicado.

Mas isso não significa que o semianalfabeto, mesmo confundindo o próprio universo verbal-emocional com o mundo real em si, não tenha uma visão clara, mesmo errada, sobre qualquer aspecto do mundo real externo. Mas também não estou dizendo que esta visão seja dele mesmo. E digo mais: desconhecer a razão de existir da linguagem humana, desprezar a verdade especialmente sobre si mesmo e estar despreparado contra manipulação psicológica abre o caminho da mente deste semianalfabeto e de uma comunidade inteira como ele para as ideias e a forma mental criadas por qualquer pequeno grupo que tenha organização e recursos. Pode ser o grupo que molda a cultura geral, e pode não ser uma organização secreta maligna; mas pode ser o exato contrário. Curiosamente, naquilo que é individual do semianalfabeto, a visão errada ou manipulada não é substancialmente diferente da de outro semianalfabeto da mesma comunidade.

Vou introduzir uma lista de erros que o brasileiro típico, histérico e semianalfabeto, comete sem a referência do mundo externo e sem a integridade da própria linguagem. Aliás, eu já posso induzir a manifestação de pelo menos três erros dizendo "brasileiro típico, histérico e semianalfabeto". O primeiro é a resistência ao crescimento que pode começar com o encontro com a verdade. O segundo é a confusão do universo verbal-emocional subjetivo com o mundo real em si (me refiro ao universo verbal-emocional da própria pessoa, porque essa mesma pessoa recebe a fala de outra pessoa com raciocínio humano como o contrário, como opinião ou sentimento pessoal). O terceiro é a convivência paradoxal da consciência da própria mediocridade e da inversão delirante desta autoconsciência, a colocação de si próprio como centro do universo, como referência, como régua e como assunto de Deus e o mundo (e não digo "Deus" como figura de linguagem). Agora sim vou àquela lista (esta primeira fica como bônus). O primeiro da lista: o semianalfabeto (ou brasileiro típico) se guia pela sonoridade em vez de pelos significados. Por isso pessoas com o conhecimento básico do assunto, qualquer conversa sobre qualquer assunto de gente grande, precisam perder tempo explicando a ele ou a outros interlocutores a diferença enorme entre um termo que foi usado e outro termo foneticamente semelhante; ou, quando se refere a uma obra de manipulação intencional (por uma inteligência externa), a diferença entre o significado de um termo e uma outra coisa a que foi dado o mesmo termo. Dentro deste caso, acontece também o contrário: o semianalfabeto não reconhece a similaridade ou até igualdade entre dois elementos da realidade que ganharam nomes que nem se parecem. Um exemplo pra entender: você nunca viu uma pessoa receber 4 doses de vacina contra sarampo ou tuberculose em um ano e ter ataque de síndrome do pânico porque uma pessoa saudável meramente chegou perto dela, como nós vimos (literalmente, eu já vi) no caso da assim chamada vacina da gripe chinesa; ao mesmo tempo, essa mesma pessoa vai se impressionar quando me vir chamando a CoViD-19 de "gripe chinesa", mesmo que ela própria não saiba a diferença entre esta e a gripe comum. Saindo um pouco deste item, aquela pessoa pode mencionar as 700.000 mortes da pandemia no Brasil que incluem gripe comum, pneumonia comum, dengue, apendicite, AVC e outras causas de morte. Falar "pandemia" já é atestado de analfabetismo, expliquei muito rapidamente por quê. Aquela pessoa que não sabe disso que eu mencionei aqui rapidamente não é apenas desinformada (desinformação é o que hoje é chamado oficialmente de "fake news"), tem um certo grau de analfabetismo, porque tem uma falha da associação da linguagem com a realidade.

Segundo item da lista: o emocionalismo irracional como superioridade ética. Aqui voltamos àquele exemplo que eu citei, que saiu do primeiro item. E este emocionalismo irracional não é de origem individual, mesmo que o universo emocional do semianalfabeto tenha vida própria; é algo induzido, e esta indução dá até uma uniformidade a milhões de semianalfabetos. Por exemplo, no caso específico deste exemplo, as 700.000 mortes da suposta pandemia são atribuídas ao então presidente a que as pessoas que falam já se opunham antes, Jair Bolsonaro, e estas pessoas foram defensoras do #StayHome no Brasil. Mas isso não é coisa nova nem coisa do Brasil: antes da criação da escola pública, os analfabetos da Europa eram notoriamente isolados da realidade e podiam aplicar pena de morte a uma mulher que teve um sexo prazeroso com um homem (às vezes o próprio marido) porque eles associavam isso a um castigo divino (ou algo entendido como tal) ou às imagens aterrorizantes do Inferno. Ainda tentaram induzir a mesma onda no mundo decente do século XXI, aqui juntando os restos da Igreja Romana com o movimento comunista internacional, associando a heterossexualidade masculina a redes de exploração de mulheres, mudanças na estrutura cerebral provocadas pela pornografia, abuso sexual de crianças e até tiroteios em escolas.

Terceiro item da lista: a interação com uma realidade virtual. Uma tribo ter uma fala essencialmente para dentro de si mesma não significa que esta não tenha uma visão sobre as pessoas de fora. Ah, e onde eu usei ou vou usar o termo "tribo" nesta exposição, eu não me refiro a um grupo isolado geograficamente, eu me refiro ao fechamento mental de pessoas da nossa comunidade (sim, eu sei que você não mora em favela). Às vezes, um membro ou um líder da tribo produz uma peça de reafirmação do pensamento tribal para consumo interno como se fosse uma peça voltada ao público externo, às vezes até para a tribo inimiga. Quais as diferenças entre uma peça de histeria sectária e uma peça realmente feita pra alguém de fora do grupo que pensa diferente? Uma delas: uma peça de histeria tribal se baseia no pensamento tribal, uma peça de um membro da tribo para fora da tribo se baseia em ideias ou dados conhecidos pelo público-alvo. Explicando melhor: uma obra de um membro de uma tribo feita para fora da tribo tem base no conhecimento real do exterior da tribo. Outra: uma obra de dentro para fora da tribo se torna ou tenta se tornar conhecida fora da tribo por um trabalho externo que possibilita isso, combinando meios efetivos e a ação. Quem se delicia com a pregação pra convertido é o semianalfabeto.

2) O exemplo da cartilha do PT

Mal aconteceu o primeiro turno da eleição presidencial de 2026, o PT já tinha uma cartilha, em formato PDF, pros militantes convencerem outros eleitores a votarem no Lula no segundo turno. O primeiro turno foi no dia 04 de outubro, no dia 07 já havia uma cópia desta cartilha com atalho em uma notícia do Poder360[1]. Vou deixar o texto da cartilha no apêndice.

A produção e a divulgação da peça foram muito rápidas pra quem tinha pesquisas eleitorais dizendo que estaria em primeiro lugar no primeiro turno. Mas nem entro nesta questão aqui. E os argumentos contra o adversário, como você já viu lá ou vai ver comigo aqui, são falácias, calúnias e difamações já refutadas nos canais da "extrema direita". É também por isso que eu não vou abordar nenhuma delas. O ponto a que eu chamo a sua atenção é o que chamou a minha mais do que as mentiras: a estrutura mental que eu descrevi há pouco e que está por trás da estrutura do documento.

A obra não é um "vira-voto", é claramente, para uma pessoa do povo de verdade, uma repetição interna do pensamento tribal da tribo petralha, não a tribo petista. O petralha é o que defende os vícios do eixo do PT. O petista pode votar no Lula por pensar que ele foi um bom presidente (sim, ainda existe gente honesta que cai nisso), o petralha quer quantos mandatos de Lula e seus sucessores forem possíveis pra não perder o Bolsa Família, ou pra poder denunciar um homem sem provas só por ser mulher, ou pra ter aumento no salário de funcionário público (talvez com algumas vantagens lícitas e ilícitas a mais). Até a pessoa intelectualmente medíocre do povo brasileiro de verdade já percebeu que é diferente da militância petralha, mesmo que também vote no PT; até o vocabulário tem umas palavras esquisitas. A faxineira parda, mesmo que receba algum benefício social e vote no PT, não fala "genocídio da juventude negra", "transfobia" ou "sororidade" (sério, já vi uma mulher do povo de verdade enrolar a língua tentando falar esta palavra); talvez fale "feminicídio" porque o termo foi enxertado na imprensa e no meio jurídico.

E aí eu entro num outro problema que é uma peculiaridade da tribo da esquerda: como resultado da natureza da ideologia e do sucesso do movimento, a tribo fez ocupações no que seria a vida normal geral. Imprensa velha, escolas, universidades, empresas privadas e até algumas igrejas foram ocupadas pela militância comunista. Assim, a pessoa da tribo da esquerda não percebe o próprio tribalismo (que hoje chamamos de "bolha"), e pode dizer "não é conversa de esquerdista, passou na Globo", ou "não é coisa da minha cabeça, é o que os estudos dizem". Foi assim que quando essa tribo pensou que ia eleger a Manuela d'Ávila presidente do Brasil, elegeu o Jair Bolsonaro; e agora está lutando para que o filho, o Flávio, não seja eleito também para a presidência. Como disse o então vice-presidente General Hamilton Mourão, comentando um escândalo petralha em 2019 contra o então senador e filho do então titular Flávio Bolsonaro, se o sobrenome dele fosse Silva, ninguém falaria dele[2]. A tribo petralha está atordoada desde 2018. "Como pode uma mulher negra pobre votar no Bolsonaro?".

3) Pra encerrar

Ei, lésbica feia da atitude mais feia ainda, vamos ver se você consegue converter mais votos nulos pro Lula do que eu pro Flávio? Eu já estou na rua mostrando o que eu tenho de poder de convencimento.

Piadinha: Abigail Pereira Aranha na campanha de apoio a Flávio Bolsonaro 2026 com adesivo nos peitos, pelo bem do Brasil

Eu estou aqui fazendo uma piadinha, com uma estratégia eleitoral que a lei de Deus e as leis dos homens não permitem, mas sem sair do assunto principal que é a "bolha" de pensamento. Sim, os esquerdistas podem apontar "bolhas ideológicas" na direita e no meio cristão conservador. No caso da piadinha, uma coisa eu sei do público geral: os homens gostam dos meus peitos e da minha bunda, os que não conhecem vão gostar se conhecerem, e existe uma certa reciprocidade da minha parte. Outra coisa que eu sei: os homens sabem que as mulheres do outro lado político-ideológico não têm o que eu tenho de bom pra oferecer. Bom, não é só isso que você está pensando, e isso elas até têm (a maioria), mas elas acreditam que oferecer isso é opressão do patriarcado. Ah, uma coisa que você pode não estar pensando que elas também pensam que é opressão do patriarcado: ser uma pessoa agradável que pode oferecer uma boa convivência e até uma presença boa para um homem bom do povo de verdade.

A esquerda atual não está apenas afastada do povo que diz representar, e envolvida em uma trama internacional que é até mesmo antipovo; a esquerda atual está notoriamente divorciada do cotidiano do cidadão honesto, notoriamente para este cidadão honesto e até para pessoas mais atentas da própria esquerda. Ao mesmo tempo, a linguagem usada por quase toda a população, inclusive a parte mais culta, quase não tem capacidade para ir além do cotidiano conhecido de trabalhadores com poucas expectativas da vida ou das ideias e das emoções de uma pequena comunidade um tanto pré-definida. Então, nós temos a maioria da população dividida entre os que elegem a esquerda por benefícios famélicos pagos com dinheiro público e esta esquerda eleita e seus camaradas que se não vivem de dinheiro público (às vezes ganho com atividades produtivas honestas), vivem de outro benefício da máquina esquerdista. Um dia, o bem e o normal começaram a fazer falta, mas o caminho da normalização do normal é imperativo e possível. Falando nisso, você não viu como anormal ou como algo que não é do seu estilo uma mulher gostar de trazer alegrias pros homens, certo?

NOTAS E REFERÊNCIAS

[1] https://static.poder360.com.br/uploads/2026/10/como-vencer-2turno-lula-7out26.pdf, em "Como vencer Lula ou Flávio? Material não oficial circula nas redes". Poder360, 07 de outubro de 2026. https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/como-vencer-lula-ou-flavio-material-nao-oficial-circula-nas-redes

[2] "'O problema é o sobrenome', diz Mourão sobre caso Flávio Bolsonaro". Poder360, 22 de janeiro de 2019. https://www.poder360.com.br/governo/o-problema-e-o-sobrenome-diz-mourao-sobre-caso-flavio-bolsonaro

Apêndice

"Como vencer o 2º turno: Versão estendida". Disponível em https://static.poder360.com.br/uploads/2026/10/como-vencer-2turno-lula-7out26.pdf

Como vencer o 2º turno

Versão estendida

Se você quer que o Flávio Bolsonaro não ganhe, faça as 2 coisas a seguir

Um guia prático para ganharmos as eleições com base em muita pesquisa

Agora a disputa é por cada voto e, para isso, cada conversa importa.

Precisamos entender este novo momento, acompanhar como o eleitorado está se reorganizando e recalibrar nossa estratégia para esta etapa da eleição.

1. Entender o contexto do 2º turno

2. Ganhar votos para o Lula

3. Desmobilizar votos para o Flávio

1 Contexto

O resultado do 1o turno não pode nos imobilizar. Temos 3 semanas para virar esse jogo.

Foram 2.224.965 votos de diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula.

No 1o turno, 33,4 milhões de brasileiros ficaram em casa. E 9,4 milhões de brasileiros escolheram outros candidatos e podem não apoiar Flávio Bolsonaro no 2o turno.

Temos que ganhar votos para o Lula dessas pessoas e desmobilizar votos do Flávio

Cada um desses grupos exige uma abordagem diferente:

Quem pode se abster

O que precisamos fazer: MOBILIZAR

Entre eleitores que já demonstram preferência por Lula, o desafio é mobilizar: reforçar motivação, reduzir barreiras e transformar intenção de voto em comparecimento às urnas.

Aqui, dois públicos merecem atenção especial:

• Pessoas com 70 anos ou mais

• Beneficiários de programas sociais

Quem votou na terceira via

O que precisamos fazer: DESMOBILIZAR

Para o eleitor que não gosta do Lula, mas não votou no Flávio, o desafio é apresentar argumentos sobre o Flávio que os levem a votar branco, nulo ou simplesmente não comparecer.

Para chegar nessas pessoas, pense especialmente em:

• Pessoas que você sabe que votaram em Caiado, Cury, Renan ou Zema

• Eleitores antipetistas ou descrentes com a política que não parecem estar no campo bolsonarista

Se você quer que um Bolsonaro não volte ao poder, faça as 2 coisas a seguir

2 Ganhe votos para o Lula

Um dos desafios desta eleição é a abstenção.

Há pessoas que gostam do Lula e poderiam participar do segundo turno, mas estão desanimadas, não acreditam que seu voto faça diferença ou enfrentam dificuldades práticas para chegar às urnas.

Dois públicos merecem atenção especial:

PESSOAS COM 70 ANOS OU MAIS

O Brasil tem mais de 17 milhões de eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo. Em 2022, mais da metade desse eleitorado não compareceu às urnas.

Comece pela sua rede: pais, avós, tios, vizinhos ou conhecidos. Pergunte se pretendem votar, escute os motivos caso estejam pensando em não ir e ajude a resolver eventuais dificuldades práticas para chegar às urnas.

Assuntos que podem aparecer nessa conversa:

Diga para elas que o voto 70+ pode decidir essas eleições. São mais de 8 milhões de 70+ que não votaram em 2022, numa eleição decidida por 2 milhões de votos. Se elas se mobilizarem, podem garantir que o Lula ganhe.

Diga que o Bolsonaro desmontou o Farmácia Popular, que foi resgatado pelo Lula. Além disso, o Lula voltou a reajustar o salário mínimo acima da inflação, impactando positivamente nas aposentadorias.

Relembre como foi o governo Bolsonaro, especialmente a fase da pandemia. Lembre do atraso das vacinas e incentivo a tratamentos ineficazes. E relembre que os idosos foram as principais vítimas do descaso do Bolsonaro com a Covid.

Se essa pessoa quiser votar no Lula, ajude no que for prático:

Consultar o local de votação, separar o documento, planejar o deslocamento, acompanhá-la ou encontrar companhia para ela ir votar.

Beneficiários de programas sociais

Para quem enfrenta dificuldades econômicas no dia a dia, a eleição pode competir com uma série de outras preocupações e necessidades.

Comece também pelas pessoas que você conhece.

Assuntos que podem aparecer nessa conversa:

A vida dessas pessoas é muito difícil, então reconheça isso e não tente falar para elas que está tudo bem.

Converse com elas sobre os benefícios a que elas têm acesso, e como eles são importantes para a vida dela.

Muitas pessoas dizem que as beneficiárias “votam errado”. Reconheça que ela entende da vida dela e sabe o que é melhor pra ela.

Pergunte se elas acreditam que o Flávio Bolsonaro entende a situação de vida delas e de fato vai defender esses programas.

Lembre quanto o Lula defende e expande esses programas, e como essas pessoas e suas famílias já se beneficiaram disso.

Além da conversa, ajude a eliminar barreiras práticas: local de votação, documentos, horário e planejamento para chegar às urnas.

Pautas que deveriam estar constantemente em nossos conteúdos & falas

Para contrastar com o bolsonarismo, devemos focar a artilharia em pautas de alto consenso popular e mostrar as diferenças de visão entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre esses temas.

Não estamos falando apenas de medo do retrocesso.

O PONTO CENTRAL SÃO AS AMEAÇAS AOS NOSSOS PROJETOS DE FUTURO.

FIM DA ESCALA 6X1

Essa pauta tem 71% de aprovação popular, escancarando a omissão de Flávio e da direita sobre o tema.

Ela foi abraçada pelo presidente Lula, que segue dependendo do Senado para que seja finalmente aprovada. Porém, Flávio articula nos bastidores para adiar a votação.

PROTEÇÃO ÀS FAMÍLIAS

Do ECA Digital ao Pacote Antifeminicídio, o governo Lula tem atuado com força nesses temas.

Enquanto isso, o grupo político dos Bolsonaro atua para dificultar medidas importantes, como a própria Lei do Feminicídio e regulação das redes.

BETS

Lula acabou com as bets no Brasil por meio de uma medida provisória.

Flávio é a favor das bets e até mesmo de cassinos. Ele pode autorizar a volta das bets ao Brasil e permitir a instalação de cassinos.

3 Desmobilize votos para o Flávio

Quem votou na terceira via não gosta do Lula nem do Flávio, e dificilmente vai passar a gostar do Lula. Não gaste energia tentando convertê-lo.

O objetivo é que o Flávio deixe de parecer uma alternativa aceitável. Quanto mais essa pessoa olha para o Flávio, pior ele fica – então fale do Flávio, não do Lula.

Essa pessoa não gosta de política e foge de militante: de quem lacra, aterroriza, ou idolatra político. Reconheça que a terceira via é legítima e que a polarização faz mal ao país. Depois, apresente fatos sobre o Flávio e faça perguntas. Deixe que ela chegue sozinha à conclusão.

Segundo pesquisas, os 3 ataques que melhor funcionam contra o Flávio são:

Ele nunca entregou nada. Puxe conversa falando o seguinte: Flávio tem quase 30 anos de atuação como deputado e senador. Você sabe dizer uma coisa relevante que ele fez pelo país? Ele chegou até aqui por mérito próprio ou por ser filho do pai? Se não fez nada até hoje, vai fazer agora?

Para aprofundar a conversa com exemplos concretos:

Aos 20 anos, Flávio teve seu primeiro cargo público com um emprego em tempo integral em Brasília – mas na época ele morava no Rio de Janeiro, onde estudava direito e fazia estágio num escritório de advocacia. Como ele podia estar em dois lugares ao mesmo tempo?

Em 8 anos como senador, Flávio não teve nenhuma proposta própria que virou lei. Tantos debates aconteceram nos últimos anos, você se lembra de alguma ideia que ele apresentou que virou uma lei?

Flávio não tem mérito próprio, só se tornou candidato porque o pai é ex-presidente. Ele tem capacidade para ser algo além de filho do pai dele?

Flávio ocupa cargos eletivos há mais de duas décadas, vive de dinheiro público e ninguém consegue dizer algo de relevante que entregou para o Brasil – o que ele fez, durante todo esse tempo, que teve impacto na sua vida?

Ele vai entregar o Brasil para o Trump. Puxe conversa falando o seguinte: O Trump taxou produtos brasileiros, ameaçou o Pix e disse que quer nossos recursos naturais. Você já viu o Flávio defender o Brasil do Trump? Dá pra contar com ele para defender os nossos interesses?

Para aprofundar a conversa com exemplos concretos:

Trump criticou o Pix, Eduardo Bolsonaro defendeu a ideia de trocá-lo por um sistema de pagamentos americano e Flávio não falou nada. Com Flávio, será que o Pix está seguro?

Ano passado, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, e Flávio disse que o Brasil deveria aceitar a tarifa em vez de reagir e defender os brasileiros com a Lei da Reciprocidade. Com Flávio teremos mais impostos se Trump quiser?

Ao encontrar Trump nos Estados Unidos, Flávio colocou uma grande riqueza nossa na conversa: ofereceu nossos minerais estratégicos e terras raras, desejados por empresas americanas. Ele vai dar nossas riquezas para os Estados Unidos?

Flávio Bolsonaro coloca as relações com Donald Trump e os Estados Unidos acima dos interesses do Brasil e dos brasileiros. Ele é capaz de fazer frente ao Trump para defender o Brasil?

Ele não é confiável. Puxe conversa falando o seguinte: Flávio disse que não conhecia o Vorcaro, mas depois vazou um áudio em que chama o banqueiro de "irmãozão" e pede dinheiro. Dá pra acreditar no que ele fala? Você já reparou com quem mais ele anda?

Para aprofundar a conversa com exemplos concretos:

Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme de seu pai. Como pode um filme custar tanto, mais caro do que filmes brasileiros premiados no Oscar? E para onde foi esse dinheiro?

Flávio Bolsonaro homenageou, com uma medalha de honra, Adriano da Nóbrega, líder do maior grupo de matadores de aluguel do Rio de Janeiro. Qual a relação de Flávio com esses matadores? Por que ele quis homenagear um matador famoso?

Flávio Bolsonaro garantiu que escolheria uma mulher para ser sua candidata a vice. No fim, ele escolheu o deputado Alfredo Gaspar, que tem uma acusação de estupro de vulnerável contra si. Por que ele não conseguiu achar uma mulher para ser sua vice? Por que escolher alguém com um currículo tão problemático?

Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emendas parlamentares para um miliciano condenado pela morte da vereadora Marielle Franco. Qual é a relação dele com as milícias?

Lembre-se, em vez de fazer acusações agressivas ou tentar impor seu ponto de vista, levante perguntas:

Em vez de falar...

"Ele é mentiroso"

Pergunte...

"Dá pra confiar no que ele fala?"

Em vez de falar...

"Ele é miliciano"

Pergunte...

"Você já viu com quem ele anda?"

Em vez de falar...

"Ele é incompetente"

Pergunte...

"Você lembra de alguma coisa que ele fez?"

Em vez de falar...

"Ele é capacho do Trump"

Pergunte...

"Você já viu ele defender o Brasil dos ataques do Trump?"

Para achar essas pessoas, poste nos stories ou no status:

Ainda não decidiu seu voto no 2o turno?

Responde aqui, quero conversar com você.

O que propomos aqui está ao seu alcance:

Comece pela sua própria rede: parentes, amigos, colegas, vizinhos, gente com quem você não fala há algum tempo.

Priorize conversas de verdade: ao vivo ou por telefone. Mensagem encaminhada não convence ninguém.

Vá de coração aberto: escute e acolha o que a pessoa tem a dizer e não tente ganhar a discussão.

Use sua influência: se você é uma pessoa pública, comece a se posicionar desde já.

Faltam poucos dias para o segundo turno.

Agora é eu, você, e Nossa Senhora.

Texto original em português sem vídeos de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026", https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/10/o-brasil-e-as-palavras-que-tentam.html
Texto original em português com vídeos de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "O Brasil e as palavras que tentam chegar ao poder: o que está por trás da cartilha do PT pra virar voto na eleição de 2026", https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/10/o-brasil-e-as-palavras-que-tentam.html
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Como o horror à verdade e à virtude leva à degeneração do raciocínio lógico, à desconexão de ideias e ao socialismo, tudo isso encoberto numa falsificação de sapiência, em três exemplos

Abigail Pereira Aranha

Boa noite, meus amigos e minh@s inimig@s. Neste mês, eu vi três exemplos que ilustram como a mentalidade esquerdista é uma degeneração mental e psiquiátrica, mas antes gostaria de fazer algumas considerações.

Como disse Winston Churchill, "o socialismo é a filosofia da falha, o credo da ignorância e o evangelho da inveja, sua virtude inerente é a divisão igualitária da miséria". Eu não sou tão esclarecida para saber por que Rússia, Cuba ou China chegaram à experiência socialista, mas no caso do Brasil com o governo do Partido dos Trabalhadores, isso deve explicar por que o socialismo deu certo pelo menos no Brasil. Aqui, a pobreza cultural é mais berrante pela nossa própria formação nacional. Na melhor parte, nós tivemos vigaristas com algum sucesso na vida e alguns nobres que perderam a pompa em Portugal. No resto, reis africanos vendidos como escravos por outros negros, solteironas portuguesas fracassadas, índios de tribos decadentes, mestiços não reconhecidos pelos pais brancos; no geral, uma multidão de gente sem brilho fazendo um país sem brilho. Era 1900, o Brasil já com 400 anos de descoberto ainda vivia de exportar café, depois de viver de exportar cana-de-açúcar, pau-brasil e ouro.

Aliás, em 1964 tivemos o começo de um governo militar. Que eu já li de esquerdistas, o "golpe militar" (foi o Congresso que depôs o presidente da época, João Goulart, e depois empossou o general Castello Branco) foi uma artimanha dos Estados Unidos para impedir o socialismo no Brasil, ou dos Estados Unidos para reverter uma situação de que eles tinham uma dívida externa conosco, ou da Igreja Católica para impedir a reforma agrária. E isso com o Brasil sendo a 45ª economia do mundo, imagine se fosse um país rico! Isso ilustra a relação da falta de brilho próprio com megalomania. Ainda volto a este ponto.

E no meio técnico e universitário brasileiro, a grande maioria dos especialistas e dos que vão a feiras e congressos não estão em um círculo que busca fatos e ciência sobre o mundo mortal, estão em um círculo que vigia para que eles não saiam de lá. Isso também vale, como regra, para jornalistas e colunistas de opinião em relação a notícias. Por isso, quando um destes é refutado ou questionado por um leigo, ele reage como o homem possessivo casado com uma bela mulher que surpreendeu o outro na cama com a esposa que ele maltrata. Por isso, estudantes universitários e profissionais formados conseguem ir ao Primeiro Mundo fazer um curso ou apresentar seus trabalhos que quase ninguém vai ler e voltar como se tivessem estado em uma cidade turística brasileira em uma temporada de férias, ou em um carnaval fora de época. Não costumamos ver nenhum destes dizer que sentiu vergonha de estar em uma universidade da Suiça, com cerca de 8 milhões de habitantes, e o país ter seis universidades à frente da USP, em uma São Paulo com 11 milhões e meio de habitantes; ou de estar na Holanda e ver ciclovias de verdade de uma cidade a outra, não as faixas vermelhas estreitas, horrendas e desconexas nas cidades brasileiras, que deixam ainda menos espaço para ônibus e automóveis para terem mais caçambas de entulho e carros estacionados que bicicletas. A única vez que eu vi, no Facebook, alguém dizer que voltou do Primeiro Mundo e não sabia mais como viver no Brasil (Júlia Dantas Maia, voltando da Austrália), houve quem mal conseguiu responder que ela devia voltar para lá.

E pela pobreza moral e mental do Brasil, temos professores universitários, especialistas e cada vez mais pessoas comuns tratando o senso comum, que é a percepção geral de fatos observáveis, como se fosse ele mesmo uma deficiência do pensamento. Porque do "desconstruir" fatos de conhecimento público dependem as reputações e os empregos de milhares de professores universitários, jornalistas, burocratas, mas, ultimamente, até profissionais de ciências mais exatas, como engenheiros de tráfego (pensei nisso um dia destes, quando estava de carro com uns amigos e passamos por uma rua onde transformaram duas faixas em três horrivelmente apertadas, e passou um carro grande do nosso lado). Ah, e como a ninfeta que levou uma ajudinha no estágio e na faculdade vai pagar de inteligente sem demonizar o senso comum? Ou a ogra intelectualmente medíocre, como vai pagar de inteligente sem demonizar o senso comum? E o que tem a ver pobreza de espírito com baixeza intelectual? É que quem tem falta de brilho próprio não pode se relacionar bem com o mundo real. Nem com as pessoas do mundo real. O leitor pode observar as pessoas frustradas de baixa escolaridade, pobres de espírito e, no caso das mulheres, sem atrativos físicos no seu próprio cotidiano. Elas respondem mal a pessoas gentis porque a agradabilidade lhes fere mostrando o que elas não têm. Essas pessoas também são difíceis para conversas corriqueiras em um nível de intelecto e de polidez aceitável, porque não podem suportar o melhor que elas próprias. Essas pessoas também não riem, a não ser de outras pessoas, porque tanto a alegria as incomoda como elas próprias são ridículas. Por isso, mulheres fisicamente repulsivas e desfemininizadas conseguem, quando muito, ser especialistas aceitáveis em engenharias ou razoáveis em Ciências Humanas. E a pobreza moral e de virtudes, volto àquela lembrança sobre o "golpe de 64", chama a própria produção cultural e científica para alimentar a egolatria, tanto no indivíduo quanto na nação; mas, por antipatizar com a busca da verdade em si, destrói o raciocínio lógico, a humildade, o equilíbrio psicológico, o pensamento científico e, o pior de tudo, a própria percepção dessas decadências.

Ah, e as pessoas pobres de espírito, inclusive esquerdistas, têm horror a mulheres liberais sexualmente satisfeitas e que não têm problemas com piadas de putaria. Não é que sejam apenas frustradas sexualmente, elas também se embebem da própria frustração e têm horror a quem tem mais esse bem-estar.

Nossa! Agora, sim. Dos três exemplos, dois estão nesta figura.

Olavo de Carvalho: "Os cientistas explicam satisfatoriamente todos os fenômenos que eles mesmos inventaram". Portugal Aila (https://www.facebook.com/nessapocoyo), como Isaac Newton: "Sim Olavo, antes d’eu inventar a gravidade, as pessoas viviam voando por aí". Diego Guimarães (https://www.facebook.com/diego.rafaelguimaraessantos/posts/1000332523317564): "Há quem considere este demente um grande filósofo hahahahahahaha". Figura original de Portugal Aila: (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=707362962678884&set=a.224520684296450.54867.100002155596411&type=1)

A frase que foi respondida na caricatura foi algo como "Os cientistas inventaram todos os fenômenos que eles explicam satisfatoriamente". Tenho até vergonha de explicar para os amigos o que vou explicar agora. Olavo fala de fenômenos que foram inventados por cientistas ("que eles mesmos inventaram" é o complemento que especifica os fenômenos). Portugal Aila fala de fenômenos que cientistas explicam satisfatoriamente ("que eles explicam satisfatoriamente" é o complemento que especifica os fenômenos). São duas classes diferentes. Olavo diz que os fenômenos que foram inventados por cientistas são bem explicados por eles porque eles mesmos inventaram. Portugal Aila diz que os fenômenos que cientistas explicam satisfatoriamente são inventados por eles mesmos porque eles explicam satisfatoriamente. Como afirmação categórica de forma típica, e agora eu passo para a Lógica, a frase do professor Olavo é algo como "todo fenômeno que os cientistas inventaram é um fenômeno que os cientistas explicam satisfatoriamente". Como condicional, é "se um fenômeno foi inventado pelos cientistas, então é um fenômeno que os cientistas explicam satisfatoriamente". O que vem entre o "se" e o "então" é o antecedente, o que vem depois do "então" é o consequente. A Portugal Aila (é mulher) cometeu aqui a Falácia de Afirmar o Antecedente. Quando temos "se p, então q", não podemos concluir que "se q, então p". Afirmar isso é a Falácia de Afirmar o Antecedente. Ela entendeu que foi afirmado que "se um fenômeno é explicado satisfatoriamente pelos cientistas, então é um fenômeno que os cientistas inventaram".

Aliás, que cientistas são estes e que fenômenos inventados são estes? Devem ser da área de Ciências Humanas. Não deu para descobrir muito pelo Facebook, mas com certeza a moça é universitária. E como ela tem cara de moça que acha que participar de farras universitárias é servir ao patriarcado, está garantindo a tese da pós-graduação para ser professora universitária mesmo. Ah, e perceberam que o retrato não tem identificação? O pessoal mais informado conhece os retratos de Isaac Newton, Nietzche, Pascal, Lutero. A menção à gravidade também é uma pista, mas só para quem sabe um bocado de Física. Conclusão: o que devia ser demonstração de cultura de uma pessoa graduada, ou da universidade brasileira em geral, é só uma lésbica cometendo um erro grosseiro de interpretação de texto e outro de Lógica tentando demonstrar cultura para responder o que não pode quando lê o que não quer.

E por que eu também copiei a postagem do Diego Guimarães se ele só compartilhou? Aí está o segundo exemplo: ele não compartilhou apenas, ele comentou também. Em primeiro lugar, quem é considerado um grande filósofo com postagens do tamanho de um tweet (esta tem 86 caracteres) e fragmentos de parágrafos e de vídeos "desconstruídos" por inimigos? Se eu tivesse feito uma sugestão irônica de que ele lesse um livro ou um artigo do filósofo, digo sem medo de errar, ele responderia que nunca leria (já fiz isso com dois, pelo que lembro). Aliás, vejamos a risada do Diego: não é a de quem acha graça em uma piada normal. Se o caso é de o cidadão (isso vale para este exemplo e o anterior) ter lido um simples artigo ou visto um simples vídeo de alguém que pensa diferente e, vendo o que não lhe agrada e não pode refutar, se agarrar aos fragmentos que pode para tentar desqualificar o autor, já é pelo menos uma inferioridade moral que leva à difamação de uma superioridade pelo menos de argumentos sobre um assunto específico. Mas se não é, o caso é pior ainda: sabendo mal que alguém com alguma popularidade tem uma fala discordante sobre certo assunto, e conhecendo vergonhosamente pouco do que ele diz e pensa, a pessoa se recusa até mesmo a conhecer mais, mas não a substituir o outro por um espantalho em que possa bater. Isso é uma patologia intelectual e psicológica em que a pessoa, tendo pelo menos inabilidade intelectual, se afunda em um mundo paralelo filosófico, se dissocia mentalmente do mundo real e nem mesmo acha preocupante se é notório para as pessoas do mundo real que ela bate no espantalho que inventou, e não em quem este espantalho substitui. Não faz muito tempo, isso era condenado dentro da própria militância esquerdista, o que significa que a mentalidade esquerdista destrói mentalmente inclusive a própria esquerda.

O terceiro exemplo é de uma certa Fátima Oliveira, uma velhota médica de Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís, com uma coluna desinteressante e subintelectual no jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Até a cara dela é de dondoca de vida fácil (não parece que ela tenha feito um programa na vida, hehehehe). No dia 21, ela escreveu "À beira do Rubicão plantei lavandas para Dilma Rousseff". O título é um lixo, o texto é pior, segue no apêndice. Ela conta a história de um rio Rubicão, escreve sobre lavanda e mal consegue dizer algo sobre a campanha presidencial deste ano, supostamente seu assunto principal. Ela cita "meritocracia" como uma coisa demoníaca. Se a Maria de Fátima Oliveira listada como agente comunitária de saúde em Paço do Lumiar for ela, está explicado: funcionários públicos em geral têm pavor desta palavra. Ela ainda consegue citar as capitanias hereditárias como sistema meritocrático, e "hereditário" vem de herança. Ela também diz que o machismo é produto da misoginia. Explicação, muito boa, da militante lesbossocialista Lola Aronovich: "muita gente se confunde e não sabe ao certo o que é misoginia e o que é machismo. Vou tentar explicar, se é que eu sei. Acho que toda misoginia é machista, mas nem todo machismo é misógino. Por exemplo, querer que a mulher se case virgem é machismo. Dizer que lugar da mulher é na cozinha é machismo. Achar que mulher gosta de ouvir baixaria na rua é machismo. A misoginia vai além – é o ódio à mulher." ("Misoginia, machismo, e Rihanna espancada por Chris Brown", 12/02/2009, http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/02/misoginia-machismo-e-rihanna-espancada.html). E pode ser erro da autora ou gafe do revisor: a frase "É vero!" (é verdadeiro) está errada, a terceira pessoa do singular do verbo "essere" é "è", com acento grave (pelo pouco que eu sei de italiano).

Tanta cultura que ela mostra na coluna dela só mostra como o lésbico-socialismo (ela se diz no Twitter "médica, escritora e feminista") pode transformar cursos universitários e a cultura conseguida por livros e viagens pelo país e pelo mundo em imagens de confusão mental. Aliás, confusão mental associada com duplicidade moral. Ela diz algo sobre "um mundo no qual a violência de gênero não terá vez nem lugar", provavelmente porque viu Aécio Neves fazer Dilma Rousseff sair do debate com uma "queda de pressão", e não zombando de fazer o adversário chorar, como fez com Marina Silva. No texto dela publicado pelo Viomundo em 01/07, "Meu sonho era ver os Sarneys saindo pelo voto e não à francesa" (http://www.viomundo.com.br/politica/fatima-oliveira-16.html), ela não comenta que Roseana Sarney chegou ao governo do Maranhão em 2010 apoiada pelo PT, o que motivou uma greve de fome de um fundador do PT no estado. Ela diz que Roseana Sarney mentiu quando disse que sempre teve "uma forte atuação na luta das mulheres", mas não nega a declaração dela de que ela foi a primeira mulher governadora do país. Parece que se ela não falhasse com o Feminazismo, ela deixaria de ser a herdeira de José Sarney. A própria Fátima Oliveira pode dizer, como Talyta Carvalho ("Não devemos nada ao feminismo", Folha de São Paulo, 08/03/2012, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/29978-nao-devemos-nada-ao-feminismo.shtml), que nunca precisou lutar contra seus colegas homens para ser ouvida. Com certeza, ela foi sustentada pelo pai quando estudou para ser médica, mas, pela doença moral e mental do feminismo, vê uma guerra civil de homens contra mulheres.

Ah, antes de concluir, o leitor percebeu que eu usei o termo "mentalidade esquerdista" no primeiro parágrafo? Os três exemplos que eu citei aqui não são, até onde vejo, de militantes esquerdistas formais. Mas estas pessoas têm uma estrutura de interpretação do mundo que é produzida pela militância e pelos pensadores esquerdistas, pelo menos em boa parte. E aí, essas pessoas dizerem que não são socialistas não significa, na prática, que eles são muito diferentes dos militantes e dos pensadores. E é até um pouco pior, porque se o socialismo é uma transformação da sociedade, os pensadores militantes e os ativistas formais são apenas as pessoas envolvidas diretamente com um plano para fazer isso ou aquilo, e não precisam ser muitos. Podem dizer que não seguem a ideologia socialista apenas os que conheceram e rejeitaram esta ideologia, e fazem algo que no mínimo escape dela. Mesmo assim, estes ainda podem colaborar com o socialismo por falta de esclarecimento ou de reflexão, mas vão parar de colaborar quanto mais se esclarecem e podem se isolar. Mas quem não é este não-socialista, não é militante e não é da nomenklatura, é apenas parte do povo socialista. E como o socialismo é uma ideologia para a sociedade como um todo, é estar dentro dela, estar saindo dela ou estar fora dela. O neutro é só um paspalho ou um mal informado, ambos do lado de dentro.

Não faz quatro anos que esquerdistas inventaram silviokoerich.com para "provar" que ser contra o Feminismo é ser defensor da agressão de mulheres, racista, pedófilo e até torturador de animais. Uma artimanha razoável que ganhou suporte de uma Polícia Federal sem a mínima curiosidade e da Presidência da República gestão Dilma Rousseff (quem anuncia um atentado contra um presidente da República apenas por brincadeirinha?) que até poderia convencer algum desinformado. Parece que hoje nem isso eles conseguem fazer, no máximo conseguem criar perfis falsos em redes sociais para vomitar a sua caricatura dos divergentes como se fosse o que estes pensam e serem apagados depois de pouquíssimas postagens. Lembrando outra citação de Winston Churchill, "quem aos 20 não foi socialista não tinha coração; e quem aos 40 não for conservador não possui cérebro". Humilhou o meu coração e o meu cérebro, mas tudo bem, hehehehe. Com a garotada contra o Socialismo e o Feminismo de hoje, talvez ele não diria isso. Hoje, se não sempre, ser socialista aos 20 ou aos 40 anos é falta de cérebro destruindo o coração e falta de coração destruindo o cérebro.

Ah, e pra fechar e brincar um pouco: de acordo com um estudo da Universidade de Nova Iorque, sexo casual pode aumentar a autoestima; de acordo com outros dois, sexo casual pode melhorar o cérebro. Portanto, descobrimos que feminismo é coisa de mulher subintelectual com falta de rola. Quiá, quiá, quiá, quiá, quiá!

Apêndice

À beira do Rubicão plantei lavandas para Dilma Rousseff

Para protegê-la da misoginia e do seu produto, o machismo

Fátima Oliveira

Médica

fatimaoliveira@ig.com.br

Após três debates eleitorais televisionados, a corrida à Presidência da República 2014 chegou à beira do rio Rubicão. Em 26 de outubro, as urnas dirão quem o atravessou e falará "anerrifthô kubos", que em latim popular é "alea jacta est" ("A sorte está lançada" ou "Os dados estão lançados").

Em disputa, o Brasil de amanhã. Diferentemente de Caio Júlio César (100 a. C. - 44 a. C.), autor da frase "Até tu, Brutus?", que decidiu sozinho atravessar o Rubicão, aqui, o povo dirá por meio do voto quem o atravessará.

Para quem não lembra, o lendário rio Rubicão é uma fronteira natural que separa a Gália Cisalpina e a Itália, e que o "Senado romano proibia todo general em armas de transpor essa fronteira sem expressa autorização. Ao transgredir a ordem, Júlio César violou a lei de Roma e declarou guerra ao Senado". Era 11 de janeiro de 49 a. C.

Aqui os lances da travessia do Rubicão esgarçaram limites civilizatórios. Caberá ao povo dizer o que deseja das duas propostas em debate: se uma pátria mátria, acolhedora e inclusiva, ou uma pátria meritocrática, à moda das capitanias hereditárias.

Apesar da transparência das propostas, escolher não será fácil, posto que a pátria meritocrática está envolta pelas neblinas de Siruiz, que é o discurso "o nosso povo merece mais", logo, "eu vou fazer mais e melhor", estribado na fé do Estado mínimo e cada vez menor!

É do DNA da democracia permitir espaços para propostas sinceras e outras nem tanto. Assim sendo, é pendurar a alma no varal até 26 de outubro, confiando que o povo na cabine eleitoral terá a sabedoria ao decidir seus destinos. Cá com meus botões, estou de consciência tranquila, porque, do pouco que posso fazer, fiz: contribuir para fomentar o debate. Agora é plantar lavanda, o que também já fiz.

Semeio e cultivo alguma planta em momentos que exigem muito de mim. Talvez seja uma forma de compartilhar com o cio da terra o que está no mais recôndito do meu ser. Um pouco do popular "cada doido com suas manias"... É vero! Nas eleições de 2014 para governador do Maranhão, plantei girassóis, que já estão florindo, para o governador eleito Flávio Dino. Agora, plantei lavandas (ou alfazema) para Dilma Rousseff aqui, no Paranã profundo, a minha janela para o mundo.

E por que lavanda para Dilma Rousseff? Além de ser uma planta inseticida, o nome deriva do latim "lavare" ("lavar"), e é usada em produtos de higiene pessoal e de limpeza, pois limpa, refresca, relaxa e perfuma. Não é à toa que a lavanda é um curinga na atual indústria de cosméticos. É também o perfume de Iemanjá, e há a crença de que seu uso na nuca protege contra ataques de obsessores...

Há lavandas nativas nas ilhas Canárias, norte e oeste da África, sul da Europa e no Mediterrâneo, Arábia e Índia. É em Provence (sudeste da França, da margem esquerda do Ródano à margem direita do rio Var) onde elas explodem em vigor e beleza única! Tanto assim que a lavanda sempre evoca as colinas e os vales de Provence, impregnados do cheiro inesquecível dos campos de lavanda, inspiradores da pintura de Van Gogh (pintor holandês, 1853-1890), Henri Matisse (pintor francês, 1869-1954), Paul Gauguin (pintor francês, 1848-1903) e Paul Cezanne (pintor francês, 1839-1906).

Plantei lavandas para Dilma Rousseff na beira do Rubicão para significar que protegê-la da misoginia e do seu produto mais naturalizado e banalizado, o machismo, é uma forma de dizer que todas as mulheres merecem viver num mundo no qual a violência de gênero não terá vez nem lugar.

(O Tempo, Belo Horizonte, 21 de outubro de 2014, pág. 22. Também em http://talubrinandoescritoschapadadoarapari.blogspot.com/2014/10/a-beira-do-rubicao-plantei-lavandas.html)

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