sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Como o horror à verdade e à virtude leva à degeneração do raciocínio lógico, à desconexão de ideias e ao socialismo, tudo isso encoberto numa falsificação de sapiência, em três exemplos

Abigail Pereira Aranha

Boa noite, meus amigos e minh@s inimig@s. Neste mês, eu vi três exemplos que ilustram como a mentalidade esquerdista é uma degeneração mental e psiquiátrica, mas antes gostaria de fazer algumas considerações.

Como disse Winston Churchill, "o socialismo é a filosofia da falha, o credo da ignorância e o evangelho da inveja, sua virtude inerente é a divisão igualitária da miséria". Eu não sou tão esclarecida para saber por que Rússia, Cuba ou China chegaram à experiência socialista, mas no caso do Brasil com o governo do Partido dos Trabalhadores, isso deve explicar por que o socialismo deu certo pelo menos no Brasil. Aqui, a pobreza cultural é mais berrante pela nossa própria formação nacional. Na melhor parte, nós tivemos vigaristas com algum sucesso na vida e alguns nobres que perderam a pompa em Portugal. No resto, reis africanos vendidos como escravos por outros negros, solteironas portuguesas fracassadas, índios de tribos decadentes, mestiços não reconhecidos pelos pais brancos; no geral, uma multidão de gente sem brilho fazendo um país sem brilho. Era 1900, o Brasil já com 400 anos de descoberto ainda vivia de exportar café, depois de viver de exportar cana-de-açúcar, pau-brasil e ouro.

Aliás, em 1964 tivemos o começo de um governo militar. Que eu já li de esquerdistas, o "golpe militar" (foi o Congresso que depôs o presidente da época, João Goulart, e depois empossou o general Castello Branco) foi uma artimanha dos Estados Unidos para impedir o socialismo no Brasil, ou dos Estados Unidos para reverter uma situação de que eles tinham uma dívida externa conosco, ou da Igreja Católica para impedir a reforma agrária. E isso com o Brasil sendo a 45ª economia do mundo, imagine se fosse um país rico! Isso ilustra a relação da falta de brilho próprio com megalomania. Ainda volto a este ponto.

E no meio técnico e universitário brasileiro, a grande maioria dos especialistas e dos que vão a feiras e congressos não estão em um círculo que busca fatos e ciência sobre o mundo mortal, estão em um círculo que vigia para que eles não saiam de lá. Isso também vale, como regra, para jornalistas e colunistas de opinião em relação a notícias. Por isso, quando um destes é refutado ou questionado por um leigo, ele reage como o homem possessivo casado com uma bela mulher que surpreendeu o outro na cama com a esposa que ele maltrata. Por isso, estudantes universitários e profissionais formados conseguem ir ao Primeiro Mundo fazer um curso ou apresentar seus trabalhos que quase ninguém vai ler e voltar como se tivessem estado em uma cidade turística brasileira em uma temporada de férias, ou em um carnaval fora de época. Não costumamos ver nenhum destes dizer que sentiu vergonha de estar em uma universidade da Suiça, com cerca de 8 milhões de habitantes, e o país ter seis universidades à frente da USP, em uma São Paulo com 11 milhões e meio de habitantes; ou de estar na Holanda e ver ciclovias de verdade de uma cidade a outra, não as faixas vermelhas estreitas, horrendas e desconexas nas cidades brasileiras, que deixam ainda menos espaço para ônibus e automóveis para terem mais caçambas de entulho e carros estacionados que bicicletas. A única vez que eu vi, no Facebook, alguém dizer que voltou do Primeiro Mundo e não sabia mais como viver no Brasil (Júlia Dantas Maia, voltando da Austrália), houve quem mal conseguiu responder que ela devia voltar para lá.

E pela pobreza moral e mental do Brasil, temos professores universitários, especialistas e cada vez mais pessoas comuns tratando o senso comum, que é a percepção geral de fatos observáveis, como se fosse ele mesmo uma deficiência do pensamento. Porque do "desconstruir" fatos de conhecimento público dependem as reputações e os empregos de milhares de professores universitários, jornalistas, burocratas, mas, ultimamente, até profissionais de ciências mais exatas, como engenheiros de tráfego (pensei nisso um dia destes, quando estava de carro com uns amigos e passamos por uma rua onde transformaram duas faixas em três horrivelmente apertadas, e passou um carro grande do nosso lado). Ah, e como a ninfeta que levou uma ajudinha no estágio e na faculdade vai pagar de inteligente sem demonizar o senso comum? Ou a ogra intelectualmente medíocre, como vai pagar de inteligente sem demonizar o senso comum? E o que tem a ver pobreza de espírito com baixeza intelectual? É que quem tem falta de brilho próprio não pode se relacionar bem com o mundo real. Nem com as pessoas do mundo real. O leitor pode observar as pessoas frustradas de baixa escolaridade, pobres de espírito e, no caso das mulheres, sem atrativos físicos no seu próprio cotidiano. Elas respondem mal a pessoas gentis porque a agradabilidade lhes fere mostrando o que elas não têm. Essas pessoas também são difíceis para conversas corriqueiras em um nível de intelecto e de polidez aceitável, porque não podem suportar o melhor que elas próprias. Essas pessoas também não riem, a não ser de outras pessoas, porque tanto a alegria as incomoda como elas próprias são ridículas. Por isso, mulheres fisicamente repulsivas e desfemininizadas conseguem, quando muito, ser especialistas aceitáveis em engenharias ou razoáveis em Ciências Humanas. E a pobreza moral e de virtudes, volto àquela lembrança sobre o "golpe de 64", chama a própria produção cultural e científica para alimentar a egolatria, tanto no indivíduo quanto na nação; mas, por antipatizar com a busca da verdade em si, destrói o raciocínio lógico, a humildade, o equilíbrio psicológico, o pensamento científico e, o pior de tudo, a própria percepção dessas decadências.

Ah, e as pessoas pobres de espírito, inclusive esquerdistas, têm horror a mulheres liberais sexualmente satisfeitas e que não têm problemas com piadas de putaria. Não é que sejam apenas frustradas sexualmente, elas também se embebem da própria frustração e têm horror a quem tem mais esse bem-estar.

Nossa! Agora, sim. Dos três exemplos, dois estão nesta figura.

Olavo de Carvalho: "Os cientistas explicam satisfatoriamente todos os fenômenos que eles mesmos inventaram". Portugal Aila (https://www.facebook.com/nessapocoyo), como Isaac Newton: "Sim Olavo, antes d’eu inventar a gravidade, as pessoas viviam voando por aí". Diego Guimarães (https://www.facebook.com/diego.rafaelguimaraessantos/posts/1000332523317564): "Há quem considere este demente um grande filósofo hahahahahahaha". Figura original de Portugal Aila: (https://www.facebook.com/photo.php?fbid=707362962678884&set=a.224520684296450.54867.100002155596411&type=1)

A frase que foi respondida na caricatura foi algo como "Os cientistas inventaram todos os fenômenos que eles explicam satisfatoriamente". Tenho até vergonha de explicar para os amigos o que vou explicar agora. Olavo fala de fenômenos que foram inventados por cientistas ("que eles mesmos inventaram" é o complemento que especifica os fenômenos). Portugal Aila fala de fenômenos que cientistas explicam satisfatoriamente ("que eles explicam satisfatoriamente" é o complemento que especifica os fenômenos). São duas classes diferentes. Olavo diz que os fenômenos que foram inventados por cientistas são bem explicados por eles porque eles mesmos inventaram. Portugal Aila diz que os fenômenos que cientistas explicam satisfatoriamente são inventados por eles mesmos porque eles explicam satisfatoriamente. Como afirmação categórica de forma típica, e agora eu passo para a Lógica, a frase do professor Olavo é algo como "todo fenômeno que os cientistas inventaram é um fenômeno que os cientistas explicam satisfatoriamente". Como condicional, é "se um fenômeno foi inventado pelos cientistas, então é um fenômeno que os cientistas explicam satisfatoriamente". O que vem entre o "se" e o "então" é o antecedente, o que vem depois do "então" é o consequente. A Portugal Aila (é mulher) cometeu aqui a Falácia de Afirmar o Antecedente. Quando temos "se p, então q", não podemos concluir que "se q, então p". Afirmar isso é a Falácia de Afirmar o Antecedente. Ela entendeu que foi afirmado que "se um fenômeno é explicado satisfatoriamente pelos cientistas, então é um fenômeno que os cientistas inventaram".

Aliás, que cientistas são estes e que fenômenos inventados são estes? Devem ser da área de Ciências Humanas. Não deu para descobrir muito pelo Facebook, mas com certeza a moça é universitária. E como ela tem cara de moça que acha que participar de farras universitárias é servir ao patriarcado, está garantindo a tese da pós-graduação para ser professora universitária mesmo. Ah, e perceberam que o retrato não tem identificação? O pessoal mais informado conhece os retratos de Isaac Newton, Nietzche, Pascal, Lutero. A menção à gravidade também é uma pista, mas só para quem sabe um bocado de Física. Conclusão: o que devia ser demonstração de cultura de uma pessoa graduada, ou da universidade brasileira em geral, é só uma lésbica cometendo um erro grosseiro de interpretação de texto e outro de Lógica tentando demonstrar cultura para responder o que não pode quando lê o que não quer.

E por que eu também copiei a postagem do Diego Guimarães se ele só compartilhou? Aí está o segundo exemplo: ele não compartilhou apenas, ele comentou também. Em primeiro lugar, quem é considerado um grande filósofo com postagens do tamanho de um tweet (esta tem 86 caracteres) e fragmentos de parágrafos e de vídeos "desconstruídos" por inimigos? Se eu tivesse feito uma sugestão irônica de que ele lesse um livro ou um artigo do filósofo, digo sem medo de errar, ele responderia que nunca leria (já fiz isso com dois, pelo que lembro). Aliás, vejamos a risada do Diego: não é a de quem acha graça em uma piada normal. Se o caso é de o cidadão (isso vale para este exemplo e o anterior) ter lido um simples artigo ou visto um simples vídeo de alguém que pensa diferente e, vendo o que não lhe agrada e não pode refutar, se agarrar aos fragmentos que pode para tentar desqualificar o autor, já é pelo menos uma inferioridade moral que leva à difamação de uma superioridade pelo menos de argumentos sobre um assunto específico. Mas se não é, o caso é pior ainda: sabendo mal que alguém com alguma popularidade tem uma fala discordante sobre certo assunto, e conhecendo vergonhosamente pouco do que ele diz e pensa, a pessoa se recusa até mesmo a conhecer mais, mas não a substituir o outro por um espantalho em que possa bater. Isso é uma patologia intelectual e psicológica em que a pessoa, tendo pelo menos inabilidade intelectual, se afunda em um mundo paralelo filosófico, se dissocia mentalmente do mundo real e nem mesmo acha preocupante se é notório para as pessoas do mundo real que ela bate no espantalho que inventou, e não em quem este espantalho substitui. Não faz muito tempo, isso era condenado dentro da própria militância esquerdista, o que significa que a mentalidade esquerdista destrói mentalmente inclusive a própria esquerda.

O terceiro exemplo é de uma certa Fátima Oliveira, uma velhota médica de Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís, com uma coluna desinteressante e subintelectual no jornal O Tempo, de Belo Horizonte. Até a cara dela é de dondoca de vida fácil (não parece que ela tenha feito um programa na vida, hehehehe). No dia 21, ela escreveu "À beira do Rubicão plantei lavandas para Dilma Rousseff". O título é um lixo, o texto é pior, segue no apêndice. Ela conta a história de um rio Rubicão, escreve sobre lavanda e mal consegue dizer algo sobre a campanha presidencial deste ano, supostamente seu assunto principal. Ela cita "meritocracia" como uma coisa demoníaca. Se a Maria de Fátima Oliveira listada como agente comunitária de saúde em Paço do Lumiar for ela, está explicado: funcionários públicos em geral têm pavor desta palavra. Ela ainda consegue citar as capitanias hereditárias como sistema meritocrático, e "hereditário" vem de herança. Ela também diz que o machismo é produto da misoginia. Explicação, muito boa, da militante lesbossocialista Lola Aronovich: "muita gente se confunde e não sabe ao certo o que é misoginia e o que é machismo. Vou tentar explicar, se é que eu sei. Acho que toda misoginia é machista, mas nem todo machismo é misógino. Por exemplo, querer que a mulher se case virgem é machismo. Dizer que lugar da mulher é na cozinha é machismo. Achar que mulher gosta de ouvir baixaria na rua é machismo. A misoginia vai além – é o ódio à mulher." ("Misoginia, machismo, e Rihanna espancada por Chris Brown", 12/02/2009, http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/02/misoginia-machismo-e-rihanna-espancada.html). E pode ser erro da autora ou gafe do revisor: a frase "É vero!" (é verdadeiro) está errada, a terceira pessoa do singular do verbo "essere" é "è", com acento grave (pelo pouco que eu sei de italiano).

Tanta cultura que ela mostra na coluna dela só mostra como o lésbico-socialismo (ela se diz no Twitter "médica, escritora e feminista") pode transformar cursos universitários e a cultura conseguida por livros e viagens pelo país e pelo mundo em imagens de confusão mental. Aliás, confusão mental associada com duplicidade moral. Ela diz algo sobre "um mundo no qual a violência de gênero não terá vez nem lugar", provavelmente porque viu Aécio Neves fazer Dilma Rousseff sair do debate com uma "queda de pressão", e não zombando de fazer o adversário chorar, como fez com Marina Silva. No texto dela publicado pelo Viomundo em 01/07, "Meu sonho era ver os Sarneys saindo pelo voto e não à francesa" (http://www.viomundo.com.br/politica/fatima-oliveira-16.html), ela não comenta que Roseana Sarney chegou ao governo do Maranhão em 2010 apoiada pelo PT, o que motivou uma greve de fome de um fundador do PT no estado. Ela diz que Roseana Sarney mentiu quando disse que sempre teve "uma forte atuação na luta das mulheres", mas não nega a declaração dela de que ela foi a primeira mulher governadora do país. Parece que se ela não falhasse com o Feminazismo, ela deixaria de ser a herdeira de José Sarney. A própria Fátima Oliveira pode dizer, como Talyta Carvalho ("Não devemos nada ao feminismo", Folha de São Paulo, 08/03/2012, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/29978-nao-devemos-nada-ao-feminismo.shtml), que nunca precisou lutar contra seus colegas homens para ser ouvida. Com certeza, ela foi sustentada pelo pai quando estudou para ser médica, mas, pela doença moral e mental do feminismo, vê uma guerra civil de homens contra mulheres.

Ah, antes de concluir, o leitor percebeu que eu usei o termo "mentalidade esquerdista" no primeiro parágrafo? Os três exemplos que eu citei aqui não são, até onde vejo, de militantes esquerdistas formais. Mas estas pessoas têm uma estrutura de interpretação do mundo que é produzida pela militância e pelos pensadores esquerdistas, pelo menos em boa parte. E aí, essas pessoas dizerem que não são socialistas não significa, na prática, que eles são muito diferentes dos militantes e dos pensadores. E é até um pouco pior, porque se o socialismo é uma transformação da sociedade, os pensadores militantes e os ativistas formais são apenas as pessoas envolvidas diretamente com um plano para fazer isso ou aquilo, e não precisam ser muitos. Podem dizer que não seguem a ideologia socialista apenas os que conheceram e rejeitaram esta ideologia, e fazem algo que no mínimo escape dela. Mesmo assim, estes ainda podem colaborar com o socialismo por falta de esclarecimento ou de reflexão, mas vão parar de colaborar quanto mais se esclarecem e podem se isolar. Mas quem não é este não-socialista, não é militante e não é da nomenklatura, é apenas parte do povo socialista. E como o socialismo é uma ideologia para a sociedade como um todo, é estar dentro dela, estar saindo dela ou estar fora dela. O neutro é só um paspalho ou um mal informado, ambos do lado de dentro.

Não faz quatro anos que esquerdistas inventaram silviokoerich.com para "provar" que ser contra o Feminismo é ser defensor da agressão de mulheres, racista, pedófilo e até torturador de animais. Uma artimanha razoável que ganhou suporte de uma Polícia Federal sem a mínima curiosidade e da Presidência da República gestão Dilma Rousseff (quem anuncia um atentado contra um presidente da República apenas por brincadeirinha?) que até poderia convencer algum desinformado. Parece que hoje nem isso eles conseguem fazer, no máximo conseguem criar perfis falsos em redes sociais para vomitar a sua caricatura dos divergentes como se fosse o que estes pensam e serem apagados depois de pouquíssimas postagens. Lembrando outra citação de Winston Churchill, "quem aos 20 não foi socialista não tinha coração; e quem aos 40 não for conservador não possui cérebro". Humilhou o meu coração e o meu cérebro, mas tudo bem, hehehehe. Com a garotada contra o Socialismo e o Feminismo de hoje, talvez ele não diria isso. Hoje, se não sempre, ser socialista aos 20 ou aos 40 anos é falta de cérebro destruindo o coração e falta de coração destruindo o cérebro.

Ah, e pra fechar e brincar um pouco: de acordo com um estudo da Universidade de Nova Iorque, sexo casual pode aumentar a autoestima; de acordo com outros dois, sexo casual pode melhorar o cérebro. Portanto, descobrimos que feminismo é coisa de mulher subintelectual com falta de rola. Quiá, quiá, quiá, quiá, quiá!

Apêndice

À beira do Rubicão plantei lavandas para Dilma Rousseff

Para protegê-la da misoginia e do seu produto, o machismo

Fátima Oliveira

Médica

fatimaoliveira@ig.com.br

Após três debates eleitorais televisionados, a corrida à Presidência da República 2014 chegou à beira do rio Rubicão. Em 26 de outubro, as urnas dirão quem o atravessou e falará "anerrifthô kubos", que em latim popular é "alea jacta est" ("A sorte está lançada" ou "Os dados estão lançados").

Em disputa, o Brasil de amanhã. Diferentemente de Caio Júlio César (100 a. C. - 44 a. C.), autor da frase "Até tu, Brutus?", que decidiu sozinho atravessar o Rubicão, aqui, o povo dirá por meio do voto quem o atravessará.

Para quem não lembra, o lendário rio Rubicão é uma fronteira natural que separa a Gália Cisalpina e a Itália, e que o "Senado romano proibia todo general em armas de transpor essa fronteira sem expressa autorização. Ao transgredir a ordem, Júlio César violou a lei de Roma e declarou guerra ao Senado". Era 11 de janeiro de 49 a. C.

Aqui os lances da travessia do Rubicão esgarçaram limites civilizatórios. Caberá ao povo dizer o que deseja das duas propostas em debate: se uma pátria mátria, acolhedora e inclusiva, ou uma pátria meritocrática, à moda das capitanias hereditárias.

Apesar da transparência das propostas, escolher não será fácil, posto que a pátria meritocrática está envolta pelas neblinas de Siruiz, que é o discurso "o nosso povo merece mais", logo, "eu vou fazer mais e melhor", estribado na fé do Estado mínimo e cada vez menor!

É do DNA da democracia permitir espaços para propostas sinceras e outras nem tanto. Assim sendo, é pendurar a alma no varal até 26 de outubro, confiando que o povo na cabine eleitoral terá a sabedoria ao decidir seus destinos. Cá com meus botões, estou de consciência tranquila, porque, do pouco que posso fazer, fiz: contribuir para fomentar o debate. Agora é plantar lavanda, o que também já fiz.

Semeio e cultivo alguma planta em momentos que exigem muito de mim. Talvez seja uma forma de compartilhar com o cio da terra o que está no mais recôndito do meu ser. Um pouco do popular "cada doido com suas manias"... É vero! Nas eleições de 2014 para governador do Maranhão, plantei girassóis, que já estão florindo, para o governador eleito Flávio Dino. Agora, plantei lavandas (ou alfazema) para Dilma Rousseff aqui, no Paranã profundo, a minha janela para o mundo.

E por que lavanda para Dilma Rousseff? Além de ser uma planta inseticida, o nome deriva do latim "lavare" ("lavar"), e é usada em produtos de higiene pessoal e de limpeza, pois limpa, refresca, relaxa e perfuma. Não é à toa que a lavanda é um curinga na atual indústria de cosméticos. É também o perfume de Iemanjá, e há a crença de que seu uso na nuca protege contra ataques de obsessores...

Há lavandas nativas nas ilhas Canárias, norte e oeste da África, sul da Europa e no Mediterrâneo, Arábia e Índia. É em Provence (sudeste da França, da margem esquerda do Ródano à margem direita do rio Var) onde elas explodem em vigor e beleza única! Tanto assim que a lavanda sempre evoca as colinas e os vales de Provence, impregnados do cheiro inesquecível dos campos de lavanda, inspiradores da pintura de Van Gogh (pintor holandês, 1853-1890), Henri Matisse (pintor francês, 1869-1954), Paul Gauguin (pintor francês, 1848-1903) e Paul Cezanne (pintor francês, 1839-1906).

Plantei lavandas para Dilma Rousseff na beira do Rubicão para significar que protegê-la da misoginia e do seu produto mais naturalizado e banalizado, o machismo, é uma forma de dizer que todas as mulheres merecem viver num mundo no qual a violência de gênero não terá vez nem lugar.

(O Tempo, Belo Horizonte, 21 de outubro de 2014, pág. 22. Também em http://talubrinandoescritoschapadadoarapari.blogspot.com/2014/10/a-beira-do-rubicao-plantei-lavandas.html)

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