segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Em nome da proteção às crianças e aos adolescentes, vamos dar apoio a um Estado fascista-muçulmanóide?

Montagem sobre a figura gerada pelo filtro de acessos de uma lan house - página bloqueada: oposição política, lutalibertaria
Montagem sobre a figura gerada pelo filtro de acessos de uma lan house - página bloqueada: sexo, Educação Sexual
Montagem sobre a figura gerada pelo filtro de acessos de uma lan house - página bloqueada: contra a religião, Portal Ateu
(Montagens sobre a figura gerada pelo filtro de acessos de uma lan house)
Abigail Pereira Aranha
Fala-se muito em pedofilia e conteúdo seguro para menores de idade hoje em dia. Mas o combate à pedofilia pode ter pouco a ver com uma patologia e muito a ver com liberdade. E liberdade de todos.
Alguns pais gostariam de ser os próprios avós, beatos, analfabetos, rudes, intolerantes e reacionários. Quem quer saber com quem os filhos conversam, e o que eles lêem ou vêem na internet podem ser pais amigos do filho e dignos do nome de pais, mas geralmente são só mal resolvidos autoritários. A vigilância deles pode afastar dos filhos alguns amigos, pessoas de certos grupos religiosos (ou não-religiosos), materiais de conteúdo que diverge da sua visão de mundo e, quem sabe, algum pedófilo.
Alguns pais querem transferir para os filhos a sua própria amargura, seus preconceitos e a sua imaturidade (que nem sempre melhora com a velhice). Alguns pais não dedicam aos filhos o tempo e o carinho de que eles precisam. Nesses casos, os filhos serão conquistados por qualquer pessoa que lhes dê certo tanto de atenção, carinho e aceitação, inclusive, embora não exclusivamente, pedófilos e, no caso das meninas adolescentes, os "gaviões" que só querem transar com elas e descartá-las depois.
E a religião não está de fora da "proteção aos menores". As classificações indicativas e os filtros contra os conteúdos "ofensivos" não atendem a quem entende de Pedagogia, mas a carolas sexualmente e intelectualmente reprimidos - e que querem os filhos como eles. Não foram psicólogos ou educadores que promoveram um protesto contra a mostra "Erotica – Os Sentidos na Arte", de Márcia X, com direito a corrente via correio eletrônico e ameaças de encerrar contas no Banco do Brasil, que patrocinava a mostra. Quando um texto cristão fala da internet, é bem provável que a mostre como só tendo pornografia, encontros entre homens cafajestes e mulheres românticas, adultério e ateísmo. Isso embora eles mesmos publiquem suas próprias idéias na internet. Os religiosos que condenam a internet hoje seriam (ou foram) os que em décadas passadas condenavam a televisão, o cinema e até mesmo a escola.
E os mesmos recursos usados contra os pedófilos e contra a exposição dos menores a conteúdos "impróprios" podem ter usos menos nobres. Censuras na internet contra páginas em desacordo com a religião dominante ou de oposição ao governo já são feitas em alguns países. Mesmo hoje, um usuário de uma sala de informática pode não conseguir acessar um jornal, como o Observatório da Imprensa (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br), o Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com) ou o Portugal Diário (http://www.portugaldiario.iol.pt), como eu já vi acontecer, conforme a idiotice do administrador. Se o Irã invadisse o Brasil, obrigasse os brasileiros a seguir o Islamismo e bloqueasse o acesso a todas as páginas não-islâmicas, os puritanos que louvam os filtros de acessos não iriam gostar. Mas enquanto a censura convém à inquisição puritana deles ou eles estão acovardados demais para pensar em algo além de "segurança", tudo bem.
Ah, e eu sou testemunha de que essa censura de sexo para adolescentes é uma bobagem. Ainda faltam dois meses para eu fazer 18 anos, eu estou vendo umas cenas de mulheres transando com dois homens, para compartilhar com os meus amigos leitores, enquanto eu estou preparando este texto. E que mal isso me faz? Eu gostar de vez e querer fazer igual com os amiguinhos? Eu já faço. Hehehehe!
Filtros para internet e programas espiões em nome da proteção dos filhos menores coroam o modelo mais tradicional (e imbecil) de educação: pouca informação e muita proibição. Com isso, os pais pensam que os filhos saberão o que eles querem, terão os princípios que eles querem (os da religião deles), se casarão virgens com quem eles querem, terão os amigos que eles querem e terão a vida que eles querem (como a deles mesmos ou pior). E os inimigos da liberdade podem oferecer agrados para estes "reis do lar" sem autoridade moral. Dentro dos interesses deles próprios (os inimigos da liberdade).
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P. S.
Eu disse que eu estava acessando pornografia e teve gente que não acreditou? Está aqui a prova:










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Apêndice 1
O mal que vem da rede
De acordo com pesquisa, 53% das crianças e adolescentes que navegam na internet tiveram contato com conteúdos agressivos ou pornográficos. Cartilha orienta os pais.
Luciane Evans e Glória Tupinambás
As mãos pequenas e curiosas sobre o mouse. Os olhos vidrados nas imagens e desenhos que apareciam na tela do computador. A cada clique, uma descoberta. G. M., aos 6 anos, conheceu, ao lado da mãe, as facilidades e encantos do mundo virtual. Um deles permitiu a conversa com pessoas que nunca tinha visto. Um chat para crianças da mesma faixa etária. Mas o fascínio da menina acabou quando um convite indecente foi enviado por alguém que dizia ter a mesma idade: "Vamos transar?"
Inocência ultrajada é realidade para 53% das crianças e adolescentes que, segundo pesquisa inédita, tiveram contato com conteúdos agressivos na internet. Os dados, divulgados ontem pelo Ministério Público Federal (MPF), fazem parte de um levantamento da organização não-governamental (ONG) SaferNet Brasil. Para identificar as vítimas de agressões de pedófilos e de páginas de pornografia infantil, Minas fechou, na semana passada, convênio inédito no país com a Interpol (agência de polícia internacional).
Enquanto, a cada dia, novos conteúdos são postos na rede, maiores são a disponibilidade e a falta de segurança que o meio virtual causa a internautas menores de idade. De acordo com o estudo da SaferNet Brasil, que ouviu 1,4 mil usuários, 64% dos jovens navegam pela web no própriom quarto, contrariando uma das dicas de prevenção que orienta a família a manter o computador em uma área comum da casa. A pesquisa ainda mostra que 87% dos adolescentes afirmam não ter restrições para o uso. Mas o dado mais preocupante nesse diagnóstico é que 53% dos menores de 18 anos tiveram contato com informações agressivas e sites impróprios para a idade.
"A minha sorte é que estava ao lado da minha filha. Nós duas estávamos conhecendo o site infantil e, quando entramos no chat, que dizia ter internautas da mesma idade que ela, ocorreu o inesperado. Como ela tinha apenas 6 anos na época, não entendeu muito bem o que aquela pergunta indecente queria dizer. E me perguntou o que era transar. Imediatamente, mandei um e-mail para o responsável pela página e ele no comunicou que iria rastrear o usuário", conta a mãe de G. M., a empresária J. M.
Depois do ocorrido, ela confessa que não teve mais sossego. "Procurei um técnico em informática e pedi que instalasse em meu computador um programa que me permitisse acompanhar a navegação dela na internet", diz. Hoje, a menina tem 11 anos e é monitorada pela mãe, diariamente. "Há muita gente ruim neste mundo cibernético e, como ela está na pré-adolescência, meu maior medo são os namoros e conversas por mensagens instantâneas."
O relato de J. M. condiz com uma constatação do estudo da SaferNet: 84% dos pais temem que os filhos sejam vítimas de um adulto mal-intencionado. O técnico em informática Felipe Caldeira está entre os que têm medo de que os filhos tenham contato com conteúdos impróprios que, segundo a pesquisa, representam 74%. Felipe é pai de F., 9 anos, e de C., de 6, e, recentemente, descobriu, ao acessar o histórico do computador, que o menino estava entrando em páginas pornográficas. "Nossa preocupação é que o garoto é ainda muito novo. Conversamos muito com ele e resolvemos pôr senha para entrar no micro. Além disso, mudamos a posição da máquina na casa, permitindo que possamos ver o site que está sendo acessado", revela.
Frederico não nega: "É muito fácil entrar e achar os sites impróprios". Segundo ele, basta acessar o Google e pôr a palavra-chave. E Felipe reconhece que bloquear páginas é cada vez mais difícil. Técnico de informática do Colégio Sagrado Coração de Jesus, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, ele confessa que mesmo impedindo palavras como sex e pedofilia, todos os dias são criados novos conteúdos e não é possível bloqueá-los. "A melhor forma é o diálogo com os pequenos, dizendo o que é bom ou ruim no mundo virtual", aconselha.
Mas as artimanhas das crianças para caçar os sites proibidos funcionam como uma rasteira nos pais, pois 80% delas disseram ser mais habilidosas na internet que o pai ou a mãe, mostra a pesquisa da SaferNet. Por outro lado, o estudo revela que 63% dos pais afirmam não impor regras para os filhos no mundo cibernético.
Para o temor de pais de adolescentes, o levantamento mostra que 90% das denúncias de crimes de internet, registradas pelo MPF, são do site de relacionamento Orkut, da empresa Google Brasil. "O ministério tem um grupo de combate a crime cibernéticos, criado em 2004, que identificou aumento da criminalidade, ano a ano, de quase 100%. Entre as medidas preventivas e repressivas, a mais importante é o acordo firmado com o Google, em julho, para que o provedor dê mais segurança ao usuário", diz Adriana Scordamaglia, procuradora da República e integrante do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos do MPF. Está marcada para hoje, às 10 h, uma reunião entre o ministério e os representantes da empresa para fazer um balanço da parceria.
CARTILHA Com base no estudo, a SaferNet Brasil lançou, ontem, uma cartilha de orientação para uso seguro da internet. "A pesquisa é o primeiro passo na longa caminhada de conscientização do usuário. Mapeamos como a família brasileira usa o computador, quais as vulnerabilidades e os riscos aos quais estão expostos e o impacto disso na rotina de pais e filhos", diz o presidente da ONG, Thiago Tavares. Ele acrescenta que vai firmar parceria com o Ministério da Educação e com as secretarias estaduais para que o material informativo chegue às escolas de todo o país. "Também vamos traçar estratégias e iniciativas voltadas para as vítimas, para evitar que o crime ocorra".
Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 de outubro de 2008, pág. 23, caderno Gerais
Apêndice 2
Lula culpa mídia por parte dos crimes contra jovens
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou ontem parcialmente os meios de comunicação de massa pela ocorrência de crimes sexuais contra crianças e adolescentes durante o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio. Segundo ele, a mídia contribui com sua programação para a degradação da família com a divulgação sem limite de cenas de sexo e violência.
Lula criticou a falta de programação cultural de qualidade dirigida aos públicos infantil e jovem na TV.
De acordo com o presidente, o crescimento do número de menores submetidos a ataques sexuais não é causado apenas pela pobreza que, admitiu, muitas vezes leva a criança a "vender seus corpos por um prato de comida". "Um outro ingrediente, além do econômico, é o processo de degradação a que está submetida a humanidade, a partir da família, pela qualidade das informações que recebemos pelos meios de comunicações 24 horas por dia", afirmou o presidente.
"Na hora em que a família entra num processo de degradação que passa pelo econômico, passa pelo social mas passa pelo que ela vê na televisão 24 horas por dia. Quem tem televisão a cabo, sabe do que falo. É sexo e violência de manhã, de tarde e de noite. Quantos programas culturais temos nas televisões para que as crianças possam ver às 7h, às 10h, ao meio-dia, 14h, 18h?" Projeto de lei que torna mais clara a legislação contra material pornográfico contra crianças e adolescentes foi sancionado por Lula. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Último Segundo (por Agência Estado), 26 de novembro de 2008. Disponível em <http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/11/26/lula_culpa_midia_por_parte_dos_crimes_contra_jovens_2611638.html>. Acesso em 27 de novembro de 2008
Apêndice 3
Como evitar os perigos da internet
Num distante povoado da Índia, um agricultor verifica o preço da soja em Chicago, EUA, para saber qual a melhor época para vender a safra. No mesmo instante, uma senhora aposentada sorri ao ler um e-mail enviado pelo neto, um viajante verifica a previsão do tempo no lugar para onde se dirige, e uma mãe encontra matéria útil para o dever de casa do filho - tudo pela internet. Com cerca de 600 milhões de pessoas conectadas no mundo todo, a revolução da internet mudou a maneira de o mundo se comunicar e cuidar de negócios.
Quem adotou a internet em especial foi a geração jovem, às vezes chamada de geração cibernética. Cada vez mais os estudantes deixam de usar as bibliotecas para usar a internet como fonte principal de notícias e pesquisas. "Em resumo, esses estudantes estão... quase 100% conectados", disse Deanna L. Tillisch, diretora de um estudo envolvendo alunos do último ano da faculdade, nos Estados Unidos. Sem dúvida, a internet é uma ferramenta valiosa na sociedade atual.
De modo geral, quanto mais poderosa a ferramenta, mais perigosa ela pode ser. Uma motosserra movida a gasolina pode realizar muito mais que uma serra manual; no entanto, deve ser usada com cuidado. Da mesma forma, a internet é muito útil e poderosa, mas é preciso usá-la com cuidado, visto que também apresenta sérios perigos. A preocupação com esses perigos fez com que mais de 40 nações membros do Conselho da Europa redigissem um tratado internacional, com o objetivo de proteger a sociedade contra cibercrimes.
Por que tanta preocupação? Quais são alguns perigos aos quais os cristãos devem dar especial atenção? Devem eles fazer com que você evite usar a internet? Que orientação a Bíblia fornece?
É preciso cautela
Há séculos, a Bíblia avisou dos perigos apresentados por homens maus, descritos como "mestre[s] de idéias más" e que "maquina[m] fazer o mal" (Provérbios 24: 8) O profeta Jeremias descreveu-os como "homens iníquos", cujas "casas estão cheias de engano". Como passarinheiros, eles 'armam uma armadilha ruinosa' para capturar homens e 'se enriquecer' (Jeremias 5: 26, 27) Hoje em dia, a tecnologia permite que "homens iníquos" usem armadilhas enganosas de novas proporções. Consideremos alguns esquemas que podem ser muito perigosos para os cristãos.
A pornografia na internet é uma indústria que rende 2,5 bilhões de dólares por ano. O número de páginas na internet sobre pornografia aumentou num índice alarmante de quase 1.800% nos últimos cinco anos. Calcula-se que existem atualmente mais de 260 milhões dessas páginas, e o número continua crescendo numa proporção jamais vista. "A pornografia na internet está se tornando tão comum que agora é difícil evitar a exposição indesejada a ela, e isso aumenta a possibilidade de ocorrer o vício do cibersexo", disse a Dra. Kimberly S. Young, diretora-executiva do Centro para Vícios on-line.
A Bíblia nos diz que "cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo". (Tiago 1: 14) Para os traficantes da pornografia, qualquer pessoa que tenha um computador é uma vítima em potencial, e eles usam uma variedade de táticas que apelam para o "desejo" da pessoa, ou seja, "o desejo da carne, e o desejo dos olhos". (1 João 2: 16) A intenção deles é engodar ou, como explica o Vine's Expository Dictionary of Biblical Words (Dicionário Expositivo de Palavras Bíblicas, de Vine), "atrair com uma isca" usuários ingênuos da internet, a quem eles 'tentam seduzir'. - Provérbios 1: 10.
Assim como os homens iníquos nos tempos bíblicos, os que promovem a pornografia com freqüência fazem uso de engano. Calcula-se que cerca de 2 bilhões de e-mails pornográficos sejam enviados diariamente, como parte de um esforço agressivo para atrair novos clientes. Muitas vezes, o assunto dos e-mails não solicitados faz com que pareçam inofensivos. No entanto, abrir apenas um deles pode fazer com que apareça uma avalanche de imagens imorais difícil de parar. Os pedidos que você faz para ser removido do catálogo de endereços podem resultar em mais mensagens pornográficas não solicitadas.
O caçador espalha sementes com bastante cuidado. Um passarinho distraído mordisca uma semente saborosa após outra até que vapt!, a armadilha é acionada. De modo similar, a curiosidade leva alguns a beliscar, por assim dizer, imagens sexualmente estimulantes. E os que vêem esperam que ninguém os esteja observando. Alguns voltam a ver essas imagens fortes e excitantes vez após vez, por achá-las estimulantes. Talvez sejam atormentados por sentimentos de vergonha e de culpa, mas, com o tempo, o que antes era chocante se torna corriqueiro. Para os que têm a tendência de ver pornografia, a internet é como um fertilizante que faz com que os desejos se transformem rapidamente em atos pecaminosos. (Tiago 1: 15) Por fim, essas pessoas talvez desenvolvam "um 'lado sombrio', cuja essência é a lascívia anti-social, isenta da maioria dos valores", relata o Dr. Victor Cline, psicólogo clínico que já tratou centenas de pacientes vítimas deste laço.
As salas de bate-papo são perigosas
As salas de bate-papo da internet podem ser ladrões de tempo e cada vez mais estão associadas às crises nos relacionamentos. Decepcionado com a quantidade de tempo que sua esposa gasta com a internet, um homem escreveu: "Ela liga o computador assim que chega do trabalho e só desliga-o cinco ou seis horas depois. Isso está afetando nosso casamento." Sim, gastar tempo com a internet é gastar tempo longe do cônjuge e da família.
Angela Sibson, executiva-chefe da Relate, serviço de aconselhamento matrimonial, diz que a internet "é uma porta de acesso para novos relacionamentos que podem ser muito fortes e destruir relacionamentos já existentes". O que talvez comece com uma conversa amigável on-line numa sala de bate-papo pode rapidamente se transformar em algo mais sério. Com a intenção de envolver-se em relações imorais, os 'ardilosos de coração' usam a "maciez da língua" para dizer as vítimas em potencial o que elas desejam ouvir. (Provérbios 6: 24; 7: 10) Nicola, uma vítima de 26 anos que mora no Reino Unido, explica: "Ele me fazia muitas declarações de amor. Dizia o tempo todo como eu era maravilhosa, e eu me deixei levar." O Dr. Al Cooper, editor do manual Sex and the Internet: A Guidebook for Clinicians (O Sexo e a Internet: Manual para os Clínicos), diz que precisamos "alertar as pessoas a respeito desse terreno escorregadio, que começa com o flerte on-line e muitas vezes acaba em divórcio".
As crianças são ainda mais vulneráveis à exploração e ao prejuízo causados por "maníacos sexuais do computador". Por usar de "perversão da fala" e de "sinuosidade dos lábios", os pedófilos visam as crianças, que são inexperientes. (Provérbios 4: 24; 7: 7) Usando uma prática conhecida como grooming (preparação), eles cobrem a criança de atenção, afeição e bondade, fazendo-a se sentir especial. Parecem estar a par de tudo que a criança gosta, incluindo seus passatempos e músicas favoritos. Fazem com que pequenos problemas em casa pareçam maiores, com o objetivo de criar uma barreira entre a criança e a família. A fim de realizar seus desejos maldosos, os predadores talvez até mesmo enviem para a vítima uma passagem para ela viajar de uma ponta a outra do país. Os resultados são assustadores.
Os princípios bíblicos servem de proteção
Depois de analisar os perigos, alguns concluíram que é melhor evitar por completo o uso da internet. No entanto, é preciso reconhecer que somente uma pequena porcentagem dos sites na internet apresenta perigos, e que a maioria dos usuários não têm problemas graves nesse respeito.
Felizmente, as Escrituras fornecem orientação para nos "resguardar" do perigo. Somos incentivados a adquirir conhecimento, sabedoria e raciocínio. Essas qualidades nos 'guardarão, para livrar-nos do mau caminho'. (Provérbios 2: 10 - 12) "Mas a própria sabedoria - donde vem?", perguntou Jó, antigo servo de Deus. Qual foi a resposta? "O temor de Jeová - isso é sabedoria." - Jó 28: 20, 28.
"O temor de Jeová", que "significa odiar o mal", é a base para se desenvolver qualidades divinas (Provérbios 1: 7; 8: 13; 9: 10) O amor e a reverência a Deus, junto com o respeito salutar por seu poder e autoridade, nos motivam a odiar o mal e evitar as coisas que ele odeia. O raciocínio claro, além do conhecimento dos princípios de Deus, ajuda-nos a reconhecer os perigos que podem corromper a mente, o coração e a espiritualidade. Passamos a abominar atitudes gananciosas e egoístas que podem prejudicar nossa família e destruir o relacionamento com Deus.
Portanto, se você é usuário da internet, fique atento aos riscos. Esteja decidido a guardar os mandamentos de Deus e evite brincar com o perigo. (1 Crônicas 28: 7) Assim, ao se confrontar com os perigos relacionados ao uso da internet, você sabiamente fugirá deles. - 1 Coríntios 6: 18.
Fique longe da pornografia
"A fornicação e a impureza de toda sorte, ou a ganância, não sejam nem mesmo mencionadas entre vós, assim como é próprio dum povo santo." - Efésios 5: 3.
"Amortecei, portanto, os membros do vosso corpo que estão na terra, com respeito a fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo e cobiça." - Colossenses 3: 5.
"Isto é o que Deus quer, a vossa santificação, que vos abstenhais de fornicação; que cada um de vós saiba obter posse do seu próprio vaso em santificação e honra, não em cobiçoso apetite sexual, tal como também têm as nações que não conhecem a Deus." - 1 Tessalonicenses 4: 3 - 5.
Cuidado com as salas de bate-papo da internet!
Uma detetive, especialista em crimes pela internet convidou um redator da Despertai! para ver como as salas de bate-papo são perigosas. Fingindo ser uma jovem de 14 anos, ela entrou numa sala de bate-papo e, em questão de segundos, várias pessoas entraram em contato com ela. Pessoas desconhecidas fizeram perguntas como: "Onde você mora?" "Você é menino ou menina?" "Será que podemos conversar?" Muitos dos que responderam eram supostos predadores sexuais que estavam sendo investigados pela polícia. Isso mostra como é fácil para um pedófilo entrar na sala de bate-papo à qual seu filho está conectado.
Alguns pais acham que é seguro deixar os filhos entrar nas salas de bate-papo porque, enquanto a conversa se desenvolve, todos os conectados estão a par do assunto em consideração. No entanto, uma vez que a pessoa entra numa sala de bate-papo, pode ser convidada para uma conversa a dois. Referindo-se a essa prática, às vezes chamada de cochicho, a Força-Tarefa da Internet para Proteção Infantil, do Reino Unido, acautela: "Isso é como sair de uma festa onde há muitas pessoas e ir para uma sala particular, a fim de ter uma conversa à parte com um desconhecido".
Os pais também precisam ter em mente que a maioria dos pedófilos quer mais do que simplesmente conversar com a criança. O Fórum para Crimes na Internet preparou um documento que diz: "É bem provável que os contatos que começam nas salas de bate-papo continuem por outros meios de comunicação, tais como e-mail, telefone ou telefone celular". Um relatório do Departamento Federal de Investigações, dos EUA, declara: "Ao passo que conversar com uma vítima infantil on-line é excitante para um maníaco sexual, pode ser também muito embaraçoso. A maioria prefere conversar com as crianças ao telefone. Muitas vezes se envolvem em sexo por telefone com elas e não raro tentam marcar um encontro para praticarem sexo de verdade".
Para conseguir isso, os maníacos sexuais dão para a criança seu número de telefone. Caso ela ligue, um identificador de chamada revela o número do telefone que ela está usando. Outros predadores sexuais fornecem números para ligação gratuita e alguns até mesmo dizem que elas podem ligar a cobrar. Alguns chegam a enviar um telefone celular para a criança. Pode ser que os maníacos também enviem cartas, fotografias e presentes.
As crianças não são as únicas vítimas dos perigos das salas de bate-papo. Há pouco tempo, certa homem no Reino Unido, usando de conversa suave e dizendo às mulheres o que elas queriam ouvir, fez com que seis delas se apaixonassem por ele ao mesmo tempo. Uma das vítimas, Cheryl, atraente estudante de pós-graduação, de 27 anos de idade, disse: "Simplesmente não sei como explicar. Aquilo foi ficando tão forte que logo me envolvi."
"As mulheres gostam do ciberespaço porque não são julgadas pela aparência", diz Jenny Madden, fundadora de As Mulheres no Ciberespaço. "Mas elas também são muito suscetíveis à manipulação, porque, especialmente nas salas de bate-papo, existe a tendência de ir logo revelando muita coisa a respeito de si próprio."
É só ligar o computador e eu tenho milhares de mulheres para escolher", disse certo homem, interrogado para um estudo da Universidade da Flórida, dirigido por Beatriz Ávila Mileham. Ela declarou: "A internet logo será a forma mais comum de infidelidade, se já não for." "Terapeutas em todo o país relatam que a atividade sexual on-line é a causa principal de problemas no casamento", disse o Dr. Al Cooper, editor do livro Sex and the Internet: A Guidebook for Clinicians (O Sexo e a Internet: Manual para os Clínicos).
Em vista desses fatos que merecem atenção, convém tomar medidas razoáveis quanto ao uso da internet. Converse com seus filhos e ensine-os como se proteger dos perigos. Se você estiver bem inteirado dos fatos, poderá evitar os perigos da internet. - Eclesiastes 7: 12.
Despertai!, Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 08 de dezembro de 2004, pág. 18 - 21.
Apêndice 4
Centro Cultural no Rio expõe órgão sexual feito com Terços!
From: Banco do Brasil promove blasfemia: <respondervialinks@yahoo.com>
Date: 05/04/2006 17:38
Subject: Centro Cultural no Rio expõe órgão sexual feito com Terços!
To: BancoDoBrasilPromoveBlasfemia@mail
Nas vésperas da Semana Santa, Banco do Brasil promove blasfêmia:
Centro Cultural, no Rio, expõe órgão sexual feito com Terços!
Boa tarde, amigos!
1)
O Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro, situado em frente à Igreja da Candelária, no centro histórico, está patrocinando a exposição "Erótica - Os sentidos da Arte", com dinheiro público e de incontáveis cidadãos.
Infelizmente, é uma exposição imoral freqüentada livremente por menores de idade, inclusive por colegiais levados em excursões.
2)
Pior ainda. É uma exposição com conteúdo blasfemo, como a obra "Desenhando com Terços", que usa esse milenar instrumento de oração dos católicos para desenhar um órgão sexual misturado com a cruz.
3)
A referida exposição patrocinada pelo Banco do Brasil é uma ofensa aos milhões de católicos de todo o país. Ainda assim, seus organizadores anunciaram que sua realização irá se prolongar; durante a Semana Santa inclusive.
Sinceramente, fiquei espantado e indignado!
4)
Apesar da gravidade do fato, que me conste, nenhum meio de comunicação fez referência ao conteúdo blasfemo dessa exposição. Por isso, tomei a iniciativa de enviar-lhe este e-mail.
Também estou enviando esta informação às autoridades religiosas do Rio de Janeiro e do Brasil inteiro, às autoridades civis, federais e estaduais, aos meios de comunicação e às autoridades do Banco do Brasil.
5)
Até quando continuará essa ofensa gratuita à fé cristã da grande maioria dos brasileiros?
Infelizmente, este fato não é isolado e, quem sabe, faz parte de uma onda de blasfêmias anticristãs que percorre o mundo, incluindo o livro "O Código da Vinci".
6)
Estão, a seguir, o telefone e o e-mail do curador do Centro Cultural do Banco do Brasil, Sr. Tadeu Chiarelli, os links do site do Banco do Brasil nos quais aqueles que desejarem poderão deixar seu protesto; e o link para o site Blasfêmia Não! Por favor, se você também está indignado e cansado do silêncio diante da ridicularização pública da fé católica, reenvie esta mensagem a seus amigos e familiares, e cobre das autoridades religiosas e civis medidas para fazer cessar esta ofensa gratuita.
7)
Muito obrigado, e que a Providência o recompense pelo seu interesse nesta iniciativa em prol do Brasil.
Atenciosamente,
Sérgio Luiz Ferreira Passos, estudante
Instituto de Psicologia
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Federal do Rio de Janeiro
LINKS DE PARTICIPAÇÃO E OPINIÃO:
a) Para enviar directamente e-mail de reclamação ou sugestão ao Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio, clique em:
b) Para escrever mensagem de reclamação ou sugestão à Ouvidoria do Banco do Brasil, no site do Banco, clique no seguinte link:
c) Telefone gratuito da Ouvidoria do Banco do Brasil: 0800 729-5678
d) Telefone do Curador do Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio, Sr. Tadeu Chiarelli: (21) 3808-2020
Endereço do Centro Cultural do BB: Rua Primeiro de Março 66. Centro
e) Link do Blog Blasfêmia Não!
Márcia X, Erotica – Os Sentidos na Arte
Apêndice 5
Do mensalão à censura
"Está óbvio que o Banco do Brasil aceitou decretar a censura sobre um trabalho artístico movido por pressões de religiosos obscurantistas"
André Petry
A cúpula do Banco do Brasil foi investigada na CPI sob a acusação de aliar-se aos corruptos do mensalão. Não é surpresa que tenha agora se aliado aos católicos medievais para censurar obras de arte. É o que acaba de acontecer. A direção do Banco do Brasil cancelou uma exposição de arte que seria aberta em Brasília no dia 15 de maio, sob o patrocínio do centro cultural do BB. A mostra, chamada Erotica – Os Sentidos na Arte, trazia uma obra da artista plástica Marcia X, falecida no ano passado, na qual se entrecruzam dois pênis desenhados com as contas de um rosário. O trabalho é singelo, não tem nada de obsceno ou pornográfico. Mas um grupo de católicos, um tal de Opus Christi, ficou indignado com o desenho e exigiu que fosse excluído do elenco de obras quando a exposição estava em cartaz no Rio de Janeiro. Os adeptos do Opus Christi, diz a direção do Banco do Brasil, mandaram 800 e-mails à instituição financeira protestando contra o trabalho de Marcia X e ameaçando organizar um boicote ao banco, fechando contas-correntes.
A direção do BB cedeu às pressões. Retirou a obra de Marcia X da exposição no Rio e cancelou sua passagem por Brasília. Na nota em que explica sua decisão, a cúpula do BB faz questão de ratificar seu "sólido apoio à difusão da arte e da cultura, sempre com respeito à pluralidade e à diversidade". Como assim? Está óbvio que o Banco do Brasil aceitou decretar a censura a um trabalho artístico movido por pressões de religiosos obscurantistas. Erotica – Os Sentidos na Arte passou por São Paulo (56.000 visitantes) e pelo Rio (90.000) e só deixou de fazer escala em Brasília por pressão do Opus Christi. É isso que o Banco do Brasil chama de "respeito à pluralidade e à diversidade"? Isso se chama censura, e ponto. E a censura costuma se assentar justamente em critérios políticos ou morais. Querendo livrar-se da pecha de censores, os dirigentes do banco deram a entender que a decisão não foi nem política nem moral, mas comercial. Ficaram com receio dos efeitos comerciais do boicote dos católicos. Como assim? Agora 800 carolas botam medo num banco que tem 22 milhões de contas-correntes?
Os católicos do Opus Christi são livres para se sentir insultados pelo uso de um elemento religioso para desenhar o perfil da genitália masculina – tanto quanto muçulmanos podem não gostar de charges dinamarquesas. O inadmissível é que a direção do Banco do Brasil faça uma escandalosa genuflexão diante de uma pressão sob todos os aspectos ilegítima e inconstitucional. É óbvio que os católicos que se sentiram incomodados com a obra de Marcia X poderiam tomar uma providência simples: não comparecer à exposição. Poderiam até mandar e-mails para a direção do Banco do Brasil. Poderiam até fazer um boicote, convocando os fiéis a fechar suas contas-correntes. A direção do BB é que não tem o direito – nem mesmo legal – de ceder a esse tipo de medievalismo e censurar uma obra de arte. Levantar a voz contra essa arbitrariedade é imperioso. Mas, para quem acha que desviar dinheiro público para fazer o mensalão pode ser um projeto de poder, vendar os olhos de uma sociedade não deve ser problema algum.
Veja, 10 de maio de 2006. Disponível em <http://veja.abril.com.br/100506/andre_petry.html>. Acesso em 04 de janeiro de 2009
Apêndice 6
Veto a fotos de amamentação no Facebook causa protestos
Por Belinda Goldsmith
CANBERRA (Reuters) - Fotos de uma mãe amamentando seu bebê podem ser consideradas indecentes?
O site de redes sociais Facebook deflagrou um imenso debate online -e protestos- depois de remover fotos que expunham em demasia o seio de uma mãe.
Barry Schnitt, porta-voz do Facebook, disse que o site em geral não age com relação a fotos de amamentação quando elas respeitam seus termos de uso, mas informou que algumas são removidas para garantir que o site seja mantido seguro para todos os usuários, incluindo crianças.
"Fotos que contenham um seio completamente exposto (ou seja, envolvam exibição de mamilo) constituem violações desses termos (quanto a material obsceno, pornográfico ou sexualmente explícito) e podem ser removidas", informou em comunicado.
"As fotos com relação às quais agimos são trazidas à nossa atenção quase exclusivamente por reclamações de outros usuários", o comunicado acrescentou.
Mas a decisão do Facebook de remover algumas fotos de amamentação enraiveceu alguns usuários, entre os quais a norte-americana Kelli Roman, mãe que teve uma foto que a mostrava alimentando a filha removida pelo Facebook.
Roman é uma das administradoras de uma petição online intitulada "ei, Facebook, amamentação materna não é obscenidade", que ganhou força na semana passada depois que as manifestantes organizaram uma "amamentação de protesto" no Facebook e realizaram uma pequena manifestação diante da sede da empresa, em Palo Alto, Califórnia.
A petição já obteve mais de 80 mil assinaturas e mais de 10 mil comentários, e redespertou um velho debate sobre os prós e contras da amamentação em locais públicos.
Os organizadores da petição informaram que algumas mulheres foram instruídas a não postar de novo as fotos removidas de suas páginas ou correriam o risco de ser excluídas do Facebook.
O Facebook, que tem 120 milhões de assinantes, não pretende recuar quanto às suas normas.
Schnitt disse que a empresa tentou colocar um anúncio em diversas publicações norte-americanas que mostrava uma mulher com o seio completamente exposto amamentando um bebê. Nenhuma delas aceitou.
"Um jornal e o Facebook são obviamente diferentes, mas o motivo subjacente para as normas de conteúdo é o mesmo", disse à Reuters.
Yahoo! Brasil Notícias, 30 de dezembro de 2008. Disponível em <http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/081230/entretenimento/cultura_comportamento_facebook_amamenta>. Acesso em 30 de dezembro de 2008.
Apêndice 7
A outra Muralha da China
País monta um superprojeto para censurar a internet.
BRUNO GARATTONI
Os chineses gastaram uma fortuna para fazer da Olimpíada de Pequim a mais moderna de todos os tempos. Mas, além de estádios futuristas e infra-estrutura de primeira, os 500 mil atletas, jornalistas e turistas esperados para o evento vão encontrar outra surpresa: uma internet horrível, em que os sites falham ou demoram para abrir e a conexão cai sem motivo aparente. Tudo por causa do Projeto Jin Dun ("escudo de ouro", em chinês), uma verdadeira muralha digital erguida para censurar a internet dentro do país. O sistema, que custou incríveis US$ 29 bilhões, tem 640 mil computadores e um exército de 30 mil funcionários – o dobro da CIA, a superagência de espionagem americana. O Google, o YouTube, a Wikipedia... tudo isso é censurado, e os sites chineses também. Quando um chinês entra no Google e digita "praça Tiananmen", por exemplo, não recebe os mesmos resultados que você – a rede chinesa elimina as menções ao massacre de estudantes que ocorreu lá. Mas como é possível controlar a internet se ela foi, justamente, criada para ser descentralizada e imune a possíveis obstáculos? "Os chineses colocam filtros nos pontos de entrada e saída, que conectam sua rede à de outros países", diz Richard Clayton, pesquisador da Universidade de Cambridge. Apenas 17 cabos são responsáveis por todas as conexões da China, o país onde mais há internautas (220 milhões), com o resto do mundo. Aí, fica fácil censurar. E é por isso que, mesmo com uma rede super-rápida (326 gigabits por segundo, 15 vezes mais que a internet brasileira), o dragão se arrasta. "Nos momentos em que o país passa por turbulências políticas, como protestos no Tibete, a rede fica mais lenta. Com certeza, é por questões de segurança [censura]", diz o jornalista Gilberto Scofield Jr., que mora na China há 4 anos e teve seu blog vetado pela muralha digital.
BANDA ESTREITA
Trinta mil fiscais, armados com 640 mil computadores, controlam tudo o que passa pela rede. Veja as barreiras que é preciso enfrentar para acessar um site ocidental, como o YouTube
LISTA NEGRA
Os provedores de internet têm uma relação com o nome dos sites proibidos pelo governo. Se o internauta digitar o endereço de algum deles (blogger.com, por exemplo), eles bloqueiam. Não aparece nenhuma mensagem específica; fica parecendo que foi um inocente problema técnico. A lista é alterada várias vezes por ano – e não é divulgada ao público.
PALAVRAS-CHAVE
Como a lista negra não consegue acompanhar o crescimento da internet (todo dia surgem milhares de novos sites), os chineses inventaram um sistema mais inteligente. Uma rede de computadores espiões analisa, em tempo real, todos os dados que entram e saem do país. Se detectar um de 500 termos proibidos, como "Tibete", bloqueia a página no ato.
SITES MUTILADOS
Para agradar aos ocidentais que vão visitar a China na Olimpíada, o governo liberou alguns sites que eram proibidos. Mas está manipulando o conteúdo deles. Um software espião intercepta todos os textos ou vídeos considerados "subversivos" – e apaga essas informações antes que elas cheguem à tela do internauta.
CRIME E CASTIGO
O governo dá uma punição às pessoas que insistem em acessar conteúdo proibido: corta totalmente a internet delas (durante um período determinado, que começa com dois minutos e vai subindo conforme a reincidência no delito). Não dá para acessar nenhum site, nem mesmo as páginas "legalizadas". Quem continuar tentando pode receber uma visita da polícia.
JEITINHO CHINÊS
Há uma brecha nisso tudo. As Virtual Private Networks (VPNs), redes particulares usadas por empresas ocidentais – que não sofrem censura nem espionagem. O chinês pode se conectar a amigos de outros países e montar uma VPN pirata. Mas isso não é fácil de fazer. "A maioria das pessoas não usa VPNs. Se usasse, o governo já teria feito algo a respeito", diz Richard Clayton, da Universidade de Cambridge
WEB PROIBIDONA
Outros lugares onde é difícil navegar.
CUBA
Só existe um provedor de acesso – o governo, que bloqueia sites estrangeiros. Até maio, era proibido ter computador em casa.
EGITO
Não censura a rede, mas persegue quem escrever contra o governo – um estudante pegou 4 anos de cadeia por isso.
IRÃ
Já prendeu mais de 20 blogueiros e se orgulha de barrar 10 milhões de sites "imorais" (que têm sexo, política ou religião).
SUÉCIA
A internet é grampeada pelo governo – supostamente, para combater sites de pedofilia, racismo e downloads piratas.
CORÉIA DO NORTE
Até o começo do ano, era proibido ter celular (quem fosse pego com um era condenado à morte). Internet, então...
ARÁBIA SAUDITA
O governo afirma bloquear 400 mil páginas – de sites estrangeiros a blogs escritos por mulheres árabes.
BLOGUEIROS? CADEIA NELES!
Nunca se prendeu tanta gente por causa da internet: segundo um levantamento da Universidade de Washington, no ano passado triplicaram as prisões de blogueiros. Nesse esporte, a China é medalha de ouro: somente lá, 48 pessoas estão presas pelo "crime" de manifestar suas opiniões na rede.
O mais novo detento é Huang Qi, que publicou alguns textos acusando o governo de ter vacilado na ajuda às vítimas dos terremotos que o país sofreu em maio. "Quanto mais você mexe com a imagem da China, maior o risco. Eles [os espiões chineses] têm sofisticação técnica e conseguem identificar os blogueiros", diz Clothilde Le Coz, da ong francesa Repórteres sem Fronteiras – que publica anualmente um relatório mostrando quais são os países que mais reprimem a internet.
Superinteressante, ed. Abril, nº 255, agosto de 2008. Disponível em <http://super.abril.com.br/revista/255/materia_revista_290808.shtml?pagina=1>. Acesso em 22 de dezembro de 2008
Apêndice 8
A obrigação é dos pais
Por Gislene Machado Tamassia Santos
A discussão sobre a influência que a enxurrada de violência e a exploração exagerada do sexo na televisão exercem sobre as nossas crianças tem uma outra faceta, que está sendo convenientemente esquecida pelos pais. Será que não estamos sendo cúmplices dessa situação na medida em que deblateramos contra as emissoras de TV ou pedimos providências do governo em vez de mudarmos o nosso comportamento? Estamos transferindo para a televisão a tarefa de educar nossos filhos. Ela é a babá e a preceptora que elegemos para conduzi-los pela vida afora. É muito fácil criticar a televisão, já que a programação está realmente apelativa e decadente. O apelo fácil ao consumo é a tônica. Os homens que fazem televisão no Brasil estão agindo irresponsavelmente, matando valores éticos como a honestidade, a honradez, a vitória pelo empenho e pelo trabalho e exaltando a esperteza, a vigarice, o ócio, os baixos instintos e o comportamento fútil. A televisão deveria ter cuidado com os valores que exalta diante das crianças. Ela tem a obrigação de educar também. Isso é um fato. Mas quem é que se lembra da responsabilidade que os pais têm de educar? É evidente que a televisão nunca será uma alternativa válida para os pais na hora de educar os filhos. Por melhor que seja a intenção dos homens de televisão (o que de maneira alguma ocorre no Brasil), eles nunca conseguirão fazer desse veículo uma unanimidade em termos educativos e culturais - cada casal tem uma visão diferente de como criar seus filhos.
Os que condenam a televisão querem que as coisas mudem, mas mudem pela ação dos outros, por decisão das emissoras de TV, por uma intervenção do governo federal ou através de uma lei de censura rigorosa. Eu vivi, dentro da universidade, o fantasma da repressão dos anos 70 e lutei pela dignidade do ser humano e pela democracia. É triste assistir, agora, a tanta degradação de um lado e ao pedido da volta da censura de outro. Quem disse que o Estado ou os legisladores saberão o que é melhor para os nossos filhos? Será que queremos que os critérios do que deve chegar até eles em termos de informação e entretenimento seja ditado de cima para baixo?
Enquanto criticamos a programação da televisão, o aparelho permanece ligado e nossos filhos diante dele. Um alívio, já que vivemos numa época em que existe essa criada eletrônica que não reclama de salário, dorme no emprego e se mostra tão eficiente. Chegamos em casa do trabalho e nossos filhos já estão diante da televisão. Só param para fazer a tarefa escolar, quando param. Nos justificamos dizendo que estamos cansados e que não podemos ficar dando muita atenção a eles. Nossa atitude, propondo alternativas aos nossos filhos, pode levá-los a desligar o aparelho. Quando a programação não está apresentando alguma coisa que preste, podemos convidá-los para uma outra forma de lazer. Quantas vezes levamos nossos filhos ao teatro ou ao cinema? Se o tempo é curto, se estamos cansados ou se o dinheiro está escasso, podemos parar para ler um livro junto com eles ou ir visitar um parente ou amigo. Existem dezenas de jogos que propiciam horas de distração e ajudam no conhecimento geral das crianças. Por que não parar um pouco e chamá-los para um simples bate-papo? Quem sabe resgatar o velho hábito de contar histórias.
Sou mãe de quatro filhos, trabalho como professora e ainda sou secretária de uma empresa de produções didáticas e pedagógicas. Não sou exatamente uma pessoa com tempo de sobra. Mas não deixo a televisão hipnotizar minhas crianças. Lá em casa a gente lê muito. Eu passo bastante leitura para eles e depois discutimos junto. Desde livros até artigos publicados em jornais e revistas. Lemos juntos e depois cada um dá a sua opinião a respeito. Mas não é só isso. O tempo que a maioria das crianças passa diante da TV meus filhos brincam de roda, cuidam dos animais - é responsabilidade deles - e praticamos a culinária. E vemos televisão também. Se assistirmos junto com eles e discutirmos abertamente, teremos a possibilidade de auxiliá-los a desenvolver um senso crítico. É verdade que nem sempre estamos dispostos e muitas vezes queremos descansar ou nos divertir sozinhos, sem os filhos. Mas isso não significa abdicar do nosso papel. Há ainda o fato inegável de que a televisão não vai mudar por conta própria enquanto os índices de audiência estiverem bons. E uma mudança de comportamento da nossa parte pode ser muito eficiente enquanto pressão sobre as emissoras, já que mexe no ponto onde elas são mais sensíveis - os índices de audiência.
Se os pais não cumprirem o seu papel, não será a televisão que preencherá esse espaço com a devida competência. E o que resultar como seqüela dessa dose industrial diária de violência, sexo e comportamento leviano que a televisão injeta nos corações e mentes de nossas crianças será a conseqüência direta do nosso conformismo, da nossa omissão e da nossa irresponsabilidade. Mudar esse estado de coisas é nossa obrigação. Qualquer outra alternativa que envolva a ação repressora do Estado ou uma legislação cerceadora da liberdade funcionará como despir um santo para vestir o outro. Nos veremos livres de um mal e poderemos estar nos atirando nos braços de outro ainda maior.
Gislene Machado Tamassia Santos, 34 anos, é professora e dona de casa em São Paulo
Veja, ed. Abril, 05 de setembro de 1990, pág. 126, seção Ponto de Vista.

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