sábado, 8 de agosto de 2009

Os sentimentos do Homem

Seria de alguma utilidade tentar através de conversas ou debates tentar fazer as mulheres entenderem sentimentos masculinos?

Coisas como a necessidade por conseguir subir na vida financeiramente e se tornar independente, a libido intensa e o instinto de proteção faria algum sentido pra elas?

Vejam só, a única coisa que eu consideraria injusto nisso é o fato de mesmo com esses todos esses sentimentos complicados, o homem precisa escondê-los. Talvez esse seja o mais difícil de fazer as mulheres entenderem: porque o homem precisa reprimir as emoções.

Já faz tempo que todos ouvimos que homens deveriam ser mais sensíveis e se abrir mais. Pois bem, em certos momentos de minha vida eu arrisquei pra ver o que acontecia e o resultado foi ser rejeitado e considerado fraco.

Uma das coisas que faz um homem é lidar com a difícil tarefa de sentir todos esses sentimentos que muitas vezes machucam (somos todos humanos), aprender a lidar com eles e escondê-los.

É daí que vem a imagem de segurança pela qual as mulheres tanto anceiam. Como dizer a elas que é impossível ser seguro e aberto ao mesmo tempo?? Teríamos que explica-las que não é porque não é a incapacidade do homem em ser confiante e sensível e sim do fato de elas não suportarem homens sensíveis. Pareceria uma tarefa fácil se elas assumissem isso, mas já que negam até as últimas consequências, tá aí mais uma tarefa que só um homem de verdade consegue fazer: Não poder contar com a pessoa que teoricamente deveria amá-lo e compreender seus sentimentos, sua companheira.

Hoje a nossa sociedade não ensina o homem a lidar com seus sentimentos, não o ensina a lidar com nada.

Tudo o que é passado aos meninos de hoje é no aspecto sexual bunda, bunda e mais bunda e no aspecto sentimental , valores ensinados por novelas e comédias românticas.

Todo homem tem dentro de si o espírito de guerreiro. Não se trata somente de ir pro mato caçar ou domar touros selvagens, mas de querer passar por todos os desafios da vida e fazer de si mesmo um herói. Há como fazer as mulheres entenderem isso?

Tentem dizer isso com essas palavras que disse aqui e elas dirão que se trata de machismo ou orgulho.

Definitivamente os sentimentos do Homem foram feitos para ser sentidos e para se aprender com eles. É através da dor, decepções e observação que o Homem conhece seu verdadeiro eu.

Hoje os homens buscam entender a si próprios perguntando as suas miguxas o que elas acham de seus sentimentos. Isso é um erro. O pensamento de que mulheres são mais puras de sentimentos é uma verdade absoluta e intocável na mente de todos hoje. Ora, como podem as mulheres serem puras de sentimentos se não conseguem compreender os sentimenos do homem? E quando compreendem não são capazes de amá-lo como homem mas no máximo sentir pena do amiguinho.

O pior são homens que tentam enteder os sentimentos das mulheres quando nem elas próprias fazem questão de entender. Pra maioria das mulheres o que importa são as emoções momentâneas que terão se relacionando com os homens e não parar pra pensar, raciocinar, ponderar sobre seu "eu" verdadeiro. Pra que se pra isso já existem homens pra fazê-lo.

Seria lindo ver homens curiosos querendo aprender mais e mais se ao menos buscassem aprender mais sobre si mesmos primeiros e não se entregassem a primeira mulher que acham intrigante.

Poucos homens compreendem isso, os que não compreendem ou abrirão os olhos depois de sofrer ou sofrerão pra sempre sem entender porque.

Cloud Strife, http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=78240289&tid=5355988694159386985&start=1

quarta-feira, 29 de julho de 2009

E se uma irmã ou filha sua estivesse numa revista pornô?

Abigail Pereira Aranha
Eu gosto de pornografia (a normal, claro), eu defendo e pratico o sexo sem relacionamento estável (não o casual) e defendo o casamento aberto. Mas e se em uma revista, uma foto ou um vídeo pornográfico estivesse uma filha ou irmã minha? Ou se eu descobrisse que o trabalho dela, que ela dizia ser outro, fosse como prostituta ou stripper? Ou se ela mesma me dissesse que faria um material pornográfico ou um trabalho sexual? Antes de dar a minha resposta, vou fazer algumas considerações. E vou fazer de conta que eu sou uma senhora de uns 40 anos (eu só tenho 18) e nunca vivi na putaria.
Alguns homens gostam de "pegação" e de materiais "impróprios para menores", mas acreditam que as moças da família deles são diferentes. Muitas pessoas se acham com mais direitos que o resto da humanidade. É o caso do homem "caçador", que acha que merece transar com todas as mulheres atraentes que puder encontrar, ou ver os corpos delas sempre que conseguir. E esse mesmo "caçador" das filhas e irmãs de outros homens é "protetor" das dele. Então, quando a filha ou irmã transa com o namorado... o caso é diferente, a moça é da família dele, é pra casar. Qualquer conversa dela com um homem, o "caçador" tem medo de que a fêmea da casa dele seja a caça de alguém. Mas nós também temos uma visão diferente dos nossos pais, dos nossos irmãos e dos nossos filhos, nem sempre os vemos como indivíduos com uma individualidade, como o resto da humanidade.
Alguns homens gostam de pornografia, mas dividem as mulheres em mulheres que têm valor e mulheres que não têm valor, valor esse na contramão de sua vida sexual. E esperam que as mulheres da família deles estejam no primeiro grupo. Isso é contraditório. Se todas as mulheres fossem liberais, esses homens protestariam contra a falta da moral e dos bons costumes. Se todas as mulheres fossem puritanas, e seus maridos "machistas", eles dificilmente veriam ou conversariam com uma mulher que não fosse da família ou sua esposa. E esse "machão" é "protetor" das suas filhas e irmãs.
E há os homens que ligam a relação entre homem e mulher a um relacionamento estável e não gostam de pornografia. Isso se chama puritanismo. Isso não é exatamente respeito à mulher e disciplina do desejo sexual, o que é bom e eu também tenho (sério). Isso é repressão sexual, mesmo quando não chega a neurose. Esses homens têm um conceito do sexo altamente negativo. Não disse o apóstolo Paulo que "bom seria que o homem não tocasse em mulher" (1Co 7: 1)? Se o sexo é admitido dentro do casamento, é porque só a pureza da instituição do casamento supera, ou chega perto de superar, a imundice da prática e do desejo sexuais.
Vamos supor que demonstrar gosto pelo sexo ou uma desinibição em relação ao corpo seja a maior mácula moral para uma mulher. As mulheres que aparecem na pornografia são a maioria mulheres "comuns" do dia-a-dia. Veja bem: não são ninfomaníacas que se passam por mulheres "decentes", mas mulheres como a vizinha ou a balconista. Muitas fazem esses materiais uma vez só e pelo dinheiro que é pago. Para citar um exemplo, Rita Cadillac fez alguns vídeos pornôs pelo dinheiro, mas parece não ter gostado muito da experiência.1
Agora, vamos voltar àquelas perguntas. E se uma filha ou irmã minha estivesse num material pornográfico e eu descobrisse por acaso? Não deixaria de ser uma surpresa, mas nada de indignação. E se ela dissesse antes que estaria nesse material? Talvez eu faria algumas perguntas e veria o material depois. Em ambos os casos, eu poderia gostar ou não conforme o material em particular. Por exemplo, se for uma cena lésbica, argh, mas se for uma cena dela com 3 rapazes de uma vez bem torneados e de pau grande, vou querer ser a próxima. E nós não mostraríamos isso a todos os meus parentes, amigos e conhecidos porque nem todos teriam a mesma evolução mental que nós. E se ela fosse prostituta ou stripper e eu descobrisse por acaso, ou se ela mesma me dissesse que entraria em um desses trabalhos? Eu teria preocupação com ela estar, eventualmente, com homens que não respeitam uma mulher nessa posição, que podem incluir o vizinho carola que proíbe a filha de usar batom. É isso. Ver a filha ou a irmã numa revista pornográfica ou trabalhando como prostituta não seria o fim do mundo pra mim. E pra você?
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1 "Rita comentou sobre os filmes pornográficos que protagonizou. 'Fiz por necessidade, precisava de dinheiro. Mas valeu para ver que aquilo não era o que queria para mim'." ("O gingado de uma ex-chacrete poderosa", Super Notícia, 15 de janeiro de 2009. Disponível em <http://www.otempo.com.br/supernoticia/noticias/?IdNoticia=22238>. Seção Variedades.)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Mostrando a pornografia como ela (não) é

Abigail Pereira Aranha
Vamos começar citando um texto cristão conhecido, "Qual o problema em gostar um pouco de pornografia?", do rev. Augustus Nicodemus (que eu achei em http://www.ipb.org.br/estudos_biblicos/index.php3?id=6), com alguns comentários.
Consumir deliberadamente material pornográfico é contribuir para uma das indústrias mais florescentes do mundo e que, não poucas vezes, é controlada pelo crime organizado. Segundo um relatório oficial em 1986, a indústria pornográfica nos Estados Unidos é a terceira maior fonte de renda para o crime organizado, depois do jogo e das drogas, movimentando de 8 a 10 bilhões de dólares por ano.
Só páginas cristãs com referência a este texto trazem o dado de que "a indústria pornográfica nos Estados Unidos é a terceira maior fonte de renda para o crime organizado". Uma outra fonte traz que as três maiores fontes de renda ilegal no mundo são o tráfico de drogas, o tráfico de armas e o tráfico de pessoas1.
Não são poucos os relatórios feitos por comissões de pesquisadores que denunciam a estreita relação entre a pornografia e a crescente onda de estupros, assédio sexual e exploração infantil nos países "civilizados". Vários dos temas mais comuns em pornografia do tipo hardcore incluem cenas de seqüestro e estupro de mulheres, geralmente com espancamento e tortura, além de outras formas obscenas de degradação. A mensagem que a pornografia passa aos consumidores é que quando a mulher diz "não" na verdade está dizendo "sim", e que se o estuprador insistir, ela não somente aceitará como também passará a gostar. Assim, a violência contra a mulher é exposta como algo válido e normal. A mulher é vista como objeto sexual a ser usado ao bel-prazer dos homens.
(...) Associado com a pornografia hardcore está o surto de violência sexual contra as mulheres e crianças nas sociedades modernas onde esse material pode ser obtido facilmente. Estudos por especialistas americanos mostram que existe uma estreita relação entre pornografia e a prática de crimes sexuais. Eles afirmam que 82% dos encarcerados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes admitiram que eram consumidores regulares de material pornográfico. O relatório oficial do chefe de polícia americano em 1991 diz: "Claramente a pornografia, quer com adultos ou crianças, é uma ferramenta insidiosa nas mãos dos pedofílicos [viciados em sexo com crianças]". A pornografia está estreitamente associada ao crescente número de estupros nos países civilizados. Só nos Estados Unidos, o número conhecido pela polícia cresceu 500% em menos de 30 anos, que corresponde ao aumento da popularidade e facilidade em se encontrar material pornográfico. Cerca de 86% dos condenados por estupro admitiram imitação direta das cenas pornográficas que assistiam regularmente.
Não conheço esses "não poucos" relatórios. Deve ser porque eu vejo pornografia, hehehehe. Só conheço dois estudos sobre o assunto, que dizem o contrário:
Wilson estabeleceu uma correlação entre a maior disponobilidade de material pornográfico (1960 – 1969) e delitos sexuais cometidos por adolescentes. Contrariamente ao que se esperava, o total de prisões de jovens por delitos sexuais diminui de 4% enquanto as prisões por outros crimes dobraram.
(...) Gebhard analisou as atitudes de 1500 delinquentes sexuais presos por delitos sexuais, comparando-os a delinquentes não-sexuais e a não delinquentes. Os delinquentes sexuais apresentaram o mais baixo nível de excitação perante os estímulos, exceção feita a homossexuais. Também notou-se que o delinquente sexual tinha uma experiência menos freqüente e menos intensa de pornografia, particularmente os que tinham se aproveitado de meninas pequenas.
EDITORA EDUCACIONAL BRASILEIRA. Enciclopédia pedagógica da educação sexual: a sexologia sem preconceitos. Curitiba: Editora Educacional Brasileira, pág. 142. Grifo no original. Do título "A pornografia e seus efeitos".
Mas se dermos crédito ao dado de que "82% dos encarcerados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes admitiram que eram consumidores regulares de material pornográfico", é plausível que o comportamento criminoso os tenha levado a também consumir pornografia, não que a pornografia os tenha levado a esses crimes.
Uma pesquisa feita por Josh McDowell em 22 mil igrejas americanas revelou que 10% dos adolescentes havia aprendido o que sabiam sobre sexo em revistas pornográficas. 42% deles disse que nunca aprendeu qualquer coisa sobre o assunto da parte de seus pais. E outros 10% confessaram ter assistido a um filme de sexo explícito nos últimos 6 meses.
Para a falta de educação sexual no meio cristão, o autor propõe "desenvolver uma abordagem que trate da sexualidade de forma bíblica, positiva e criativa; tratar desses temas desde cedo com os adolescentes da Igreja expondo o ensino bíblico de forma positiva". Disse bem, mas isto soa como "já que não conseguimos proibir a educação sexual nas escolas, temos de administrar a derrota".
O autor cita no texto que pornografia pode ser encontrada no Brasil em "canais abertos de televisão". Que haja banalização do sexo na televisão, nós concordamos. Mas será que "pornografia" significa a mesma coisa para nós dois?
Agora, vamos a um texto ilustrativo de Cristiane Cardoso. Foi publicado no blogue Melhor do que Comprar Sapatos em 12 de março, disponível em http://melhordoquecomprarsapatos.blogspot.com/2009/03/pornografia.html. Vamos fazer comentários a esse texto que também se aplicam ao anterior:
Pornografia
Fiquei horrorizada outro dia quando visitei um fórum de discussões numa página do facebook sobre o filme Prova de fogo. As pessoas estavam condenando o filme pela sua mensagem contra a pornografia. De acordo com elas, isto é bom para o relacionamento sexual no casamento, pois apimenta mais as coisas. Eu queria gritar: "HOLA da terra! Que tipo de argumento é esse? Em que ano nós estamos?
Eis aqui o que eu penso sobre a pornografia. Ela é uma forma de denegrir a imagem das mulheres, do sexo e dos relacionamentos. Ela faz os homens parecerem animais e as mulheres um lixo. E por quê? Em quem você acha que o seu marido está pensando quando está na cama com você depois desse tipo de filme? Quem excita o seu marido, você ou o filme? E você ainda pensa que está tudo bem? Eu sinto muito por você – você de fato não enxerga o seu valor.
E para completar, este mal escancarado tem criado pervertidos dentro de boas famílias, os quais depois de um tempo, quando tudo se torna repetitivo, passam para a pornografia infantil. E já que a compulsão por coisas novas continua a lhes pedir por mais, eles se tornam estupradores. E o ciclo continua, bem diante dos nossos narizes, com a aprovação da maioria dos cidadãos deste mundo, pornografia não tem problema – dizem eles.
As mulheres não são objetos sexuais. As mulheres devem ser respeitadas, admiradas e cuidadas. Se você olha para a mulher da forma como eles retratam nestes filmes, vídeos, sites, revistas, rádio e canais de TV (note como esta peste se espalha!), você não a merece de forma alguma, seja ela uma amiga, uma esposa, uma namorada ou uma filha.
Na fé,
Cristiane Cardoso
A pornografia comum não leva à pedofilia. Você já imaginou um homem se acostumar a ver mulheres com seios desenvolvidos e querer penetrar crianças com a metade do tamanho?
A pornografia comum não leva ao estupro. O estupro não vem mais da vontade de fazer sexo do que do desprezo às mulheres em geral ou da vontade de se vingar da vítima em particular. Sem dúvida as cenas são inspiradoras, mas todas são com agressão? Mesmo quando realizá-las não é possível, o alívio pode vir de outras formas. Mas mesmo que ver sexo fizesse um homem a tentar fazer sexo a qualquer custo, por que esse homem não acha uma mulher que também esteja interessada? Qual a solução, então? Ainda mais puritanismo e soberba feminina? Duvidamos que alguém se reconheça num desses textos que mostra a pornografia comum levando a crimes ou perversões sexuais.
A pornografia comum não leva ao desrespeito à mulher. Quem não tinha antes uma visão pejorativa da mulher não vai gostar de uma cena ou palavras onde ela é desrespeitada, nem de imediato nem com a repetição. Então sexo hétero é desrespeito à mulher e ponto final? Aliás, desrespeitar a mulher e não reconhecer que uma mulher é mais do que um corpo é acreditar que a qualificação moral dela anda na direção contrária a quanto ela gosta de sexo ou quanto e com quantos ela já usou seu órgão sexual. Eu e algumas pessoas que gostam de pornografia (normal, bem entendido) achamos uma violência contra a mulher que Deus tenha achado digna de morte a mulher que perdeu a virgindade antes do casamento (Dt 22. 13 – 22), ao passo que os cristãos mais devotos crêem que alguma coisa, pelo menos na época, poderia justificar tal mandamento.
O combate à pornografia causa males reais sob a alegação de combater males alguns reais e outros imaginários. Uma professora foi suspensa na Itália, em novembro de 2007, por ter gravado vídeos eróticos2. Na China, o governo fechou 91 páginas por oferecer "conteúdos obscenos"3 e determinou que os computadores fossem vendidos com um programa para bloquear tais conteúdos4. Não é de surpreender que este seja o mesmo país onde um número estimado de trinta mil fiscais vigiam fóruns de debates e apagam comentários sobre temas proibidos5, sendo que quase todas as conexões do país passam por dezessete cabos6. A pornografia infantil é problemática e deve ser combatida, mas a educação sexual, o ensino de valores sólidos e a conquista da confiança dos filhos pelos pais são uma medida mais eficaz que bloquear o acesso das crianças a isso ou aquilo. Os filtros anti-sexo para proteger os menores são os protótipos de filtros contra qualquer conteúdo que convenha a um governo ou uma religião proibir.
E pornografia para pessoas normais existe. O que um cristão escreve sobre pornografia não é dirigido a quem a conhece e a procura, mas a quem não a conhece nem quer conhecer, que são exatamente os cristãos tradicionalistas. O cristão mediano conhece mal outros ramos do próprio Cristianismo, e pior ainda quem não leva seu Deus tão a sério quanto ele. Viciados em pornografia até existem, e devem ser tratados. Mas viciado em pornografia não é quem gosta mais de sexo que a bisavó do pastor. E o que se diz no meio cristão sobre pornografia não é para que um cristão possa ajudar um compulsivo e evitar o perigo de ele mesmo se tornar um, é para convencer homens e mulheres sexualmente insatisfeitos e jovens que cresceram levados à igreja pelos pais a continuarem a demonizar o sexo.
NOTAS:
1 NEGRÃO, Patrícia. Contra o tráfico de mulheres e crianças. Cláudia, ed. Abril, [s. d.]. Disponível em http://claudia.abril.com.br/materias/3551/?sh=31&cnl=35. Acesso em 02 de julho de 2009.
2 EFE. Professora italiana divulga vídeos eróticos e é suspensa. G1, 22 de novembro de 2007. Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL189048-5602,00-PROFESSORA+ITALIANA+DIVULGA+VIDEOS+EROTICOS+E+E+SUSPENSA.html. Acesso em 02 de julho de 2009.
3 EFE. Governo chinês fecha 91 sites com pornografia. G1, 11 de janeiro de 2009. Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL951068-6174,00-GOVERNO+CHINES+FECHA+SITES+COM+PORNOGRAFIA.html. Acesso em 02 de julho de 2009.
4 AP. PCs vendidos na China terão software para bloquear pornografia. G1, 08 de junho de 2009. Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1186714-6174,00-PCS+VENDIDOS+NA+CHINA+TERAO+SOFTWARE+PARA+BLOQUEAR+PORNOGRAFIA.html. Acesso em 02 de julho de 2009.
5 LORES, Raul Juste. Internet na China é monitorada por 30 mil pessoas, que até apagam posts. Folha Online, 10 de agosto de 2008. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u431438.shtml. Acesso em 10 de julho de 2009.
6 GARATTONI, Bruno. A outra Muralha da China. Superinteressante, ed. Abril, nº 255, agosto de 2008. Disponível em http://super.abril.com.br/revista/255/materia_revista_290808.shtml?pagina=1. Acesso em 22 de dezembro de 2008
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E umas dicas de páginas:

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O machismo não é uma ditadura masculina

Abigail Pereira Aranha

Quando se diz que uma sociedade é machista, sugere-se que é uma sociedade dominada pelos homens, onde as mulheres são submetidas aos interesses masculinos. Mas será que é o que aconteceu nas sociedades que chamamos de machistas? O modo de ser dessas sociedades não foi o poder de homens conquistadores sobre as mulheres.

Em algumas sociedades machistas, as mulheres não tinham vida fora de casa. Não trabalhavam ou estudavam. Quando saíam, estavam com o marido ou alguém da família. Isso não parece coisa de marido que quer esconder da mulher que o próximo homem que ela vir pela frente tem o pau maior que o dele?

Que ditaduras masculinas foram estas em que o homem era o provedor da casa? Será este o único reino onde era a nobreza que "pegava no pesado"?

Que ditaduras masculinas foram estas que puniam o estupro, às vezes com pena de morte? Nem todos os homens são estupradores, mas todos os estupradores são homens. Se os traficantes de drogas assumissem o poder, as drogas seriam ilegais?

Que ditaduras masculinas foram estas que proibiram a prostituição? São os homens que combatem um ramo de que eles mesmos são clientes? Quem detesta mais a prostituta que a mulher casada?

Que ditaduras masculinas foram estas em que quanto mais mulheres o homem pega mais homem ele é? Que grande coisa é esta de se exibir com uma vadia diferente toda semana? Que grande coisa é esta de ter amante, às vezes tendo filhos com ela? Foi ele que "traçou" uma mulher fora do casamento ou ela que pegou um homem casado? Já reparou que homem comprometido consegue mulher mais fácil? Um homem pode te dizer que compra um carro, compra uma roupa, faz uma faculdade ou se comporta de tal maneira para "pegar mulher".

Que ditaduras masculinas foram estas em que as mulheres se casavam cedo com um marido escolhido pelos pais? São os broxas que vão tirar onda com esposas com idade pra ser filhas ou netas deles ou as mocinhas que vão sair da adolescência com a vida ganha? (Bom, as duas coisas.) Se as mocinhas pudessem escolher, iam escolher o cafajeste mais rico que pudessem mesmo.

Que ditaduras masculinas foram estas em que o sexo só era aceito dentro do casamento? E em que o homem só conseguia casamento depois de bancar o príncipe encantado pra moça e provar pros irmãos que não queria só transar e cair fora e pros pais que pode dar um futuro pra princesinha. Já no primeiro livro da Bíblia, num episódio que teria acontecido perto de 2000 a. C., Jacó trabalha quatorze anos para seu tio Labão apenas para se casar com a filha dele, Raquel, sendo sete destes quatorze anos só depois de ter sido trapaceado pelo pai da moça (Gênesis 29:15 a 28). E se a esposa do João só podia transar com o João e a esposa do Pedro só podia transar com o Pedro, o João não teria a sua própria esposa transando com o Pedro, mas o João não podia transar com a esposa do Pedro, que era mais bonita e simpática que a dele. Os homens criaram um problema para eles mesmos?

Que ditaduras masculinas foram estas onde havia poligamia? O homem tinha duas mulheres pra transar ou duas mulheres pra sustentar, fora os filhos? E se numa população com meio a meio de homens e mulheres, como os homens opressores conseguiriam conviver onde metade dos homens tinham duas mulheres cada um e a outra metade não tinha mulher nenhuma?

Que ditaduras masculinas foram estas em que o casamento era, a princípio, para a vida toda? Quem ganhava com isso? A mulher que ia garantir sustento e a família dela que ia pegar carona no sucesso do homem, ou o homem que ia "traçar" uma mocréia que perdeu a beleza e a disponibilidade sexual com vinte anos de casamento?

Que ditaduras masculinas foram estas em que se faziam versos exaltando mulheres, não raro motivados por pouco mais que a beleza física delas? Na Idade Média foram feitas muitas cantigas, onde a mulher era tão maravilhosa que o homem não era digno dela. E se os homens eram uns beatos ignorantes e supersticiosos, imagine as madames.

Que ditaduras masculinas foram estas onde o homem tinha de ser pelo menos trabalhador, se não pudesse ser rico, e a mulher tendo beleza já tinha muito valor de mercado?

Que ditaduras masculinas foram estas onde o homem tinha que ser cavalheiro, romântico, solícito, e a mulher que desse um sorriso para um homem era uma declassificada? As mulheres não deviam aprender a serem simpáticas aos homens, e não que quanto mais frias com eles, mais respeitáveis elas são?

Soa estranho mostrar uma mulher com pouca formação escolar e profissional e dependente economicamente do marido como alguém que domina o mundo. Mas o machista opressor seria um homem que, embora não o diga abertamente, se reconhece feio, desinteressante, de mau desempenho sexual, grosseiro e inferior à mulher que pretende dominar. Isso parece o retrato de um imperador? Esse é um escravo da buceta inseguro. Escravos não governam e pessoas inseguras não conseguem governar.

O machista opressor é um escravo da buceta mal assumido. E tentando ser senhor de uma buceta, acaba sendo seu servo. Além de não ser um culto ao masculino, o suposto machismo opressor é um reconhecimento mal disfarçado de uma suposta superioridade da mulher, com uma reação hostil e temerosa a ela. O machismo, que tem nome de exaltação do macho, é, na verdade, o feminazismo praticado pelos homens.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sexo e amizade

Abigail Pereira Aranha
A falta de um compromisso de exclusividade sexual entre um homem e uma mulher não exclui outros compromissos, como de respeito mútuo e companheirismo. Aqui eu não vou tratar do sexo casual, que pode mesmo ter a atitude "use e jogue fora". Só a relação de amizade homem-mulher com sexo.
O casamento é um vínculo social e jurídico antes de ser uma relação de respeito. Prova disso é a violência doméstica. Até não muito tempo atrás, os casamentos eram impostos pelos pais (isso ainda acontece em alguns lugares mais atrasados do mundo). Nesse contexto, ou quando os cônjuges se escolhem pelo sentimento de obrigação de se casarem, os cônjuges geralmente não têm uma relação de amizade ou intimidade, têm uma relação de censura mútua e possessividade.
Para muitos, parecem incompatíveis a amizade e o sexo. Na verdade, aprendemos a vincular o sexo ao casamento, daí o sexo fora do casamento é difícil para alguns enxergar como normal. Mas a ligação entre sexo e casamento não é obrigatória. São só regras de controle social e religioso que nos dizem que é. Então, é possível um homem e uma mulher terem um envolvimento sexual sem perspectiva de casamento e ainda assim terem estima um pelo outro. Eu já tive alguns amigos homens que tinham vergonha de me olhar como mulher, até que eu encostei os rapazes na parede. Encostei, beijei à força e peguei na ferramenta. E depois disso, a amizade ficou melhor, hehehehe.
Há quem diga que fazer sexo sem compromisso de casamento ou sem casamento é tratar o outro como objeto de prazer. Não necessariamente. São freqüentes a violência e o egoísmo nas vidas conjugais. Então, casamento não é sinônimo de respeito. Nem a falta do casamento exclui o respeito. Ah, e nas minhas peripécias com os amigos, eu já fiz uma coisa que um deles contou pra uma prostituta e ela disse que não teria coragem: ficar de quatro no sofá para sexo anal com quatro amigos um... depois do outro. No dia seguinte, um deles, que era meu colega da escola, insistiu pra pagar a minha merenda no recreio e eu aceitei.
Os puritanos podem falar do sexo fora do casamento como fonte de doenças. Por esse raciocínio, doenças venéreas não tem a ver com microorganismos, mas com um julgamento divino de um deus com problemas com o sexo, assim como catástrofes naturais são frutos da ira divina. Vida sexual mais intensa traz mais risco de doença como andar mais de carro aumenta o risco de acidente.
Há quem diga que o sexo dentro do casamento é o de maior qualidade que existe. Isso nunca vem de uma pessoa que sabe alguma coisa de vida sexual além da vida conjugal. Pelo menos não uma pessoa que fale disso honestamente.
Quem é contra o sexo fora do casamento é só por uma educação dada pela religião. O fogo do Inferno não deixa quem crê nele pensar com lógica e clareza.
Agora, vamos para as vantagens de uma relação sexo e amizade. Para começar, o sexo tende a ser de qualidade. Imagine transar com uma pessoa que tem em mente que você tem a obrigação de transar só com ela. É o que muitos casados pensam, por isso tantos casamentos com sexo horrível uma vez por semana ou menos. Além disso, vai ser pela boa qualidade que ambos vão continuar o envolvimento sexual, enquanto muitos casados investem na vida sexual de casamentos infelizes e nos casamentos infelizes como um todo apenas para continuarem casados. Além disso, os dois não prendem um ao outro, assim eles podem gostar mais um do outro.
Ah, se existe a amizade como sentimento, pode ser por alguma coisa de qualidade que um vê no outro. Se acontece o sexo, a relação é o sexo mais a amizade. Eu não estou considerando aqueles casos, até comuns, de homem que se finge de amigo para transar com a mulher, porque aí é sexo sem amizade.
Para muitos, o sexo é uma coisa cheia de culpa e impureza, só sendo aceitável pouco mais que o papai-mamãe dentro do casamento. Por isso a dificuldade para alguns de pensar em um homem e uma mulher que gostam um do outro fazendo sexo.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

O mito do poder masculino

Warren Farrel

Você nunca leu nada como isto:

Como o feminismo distorceu e diminuiu o que há de melhor nos homens. Como a guerra dos sexos tornou-se um combate de mão única contra nós. Como as feministas se fazem de "vítimas" para conseguir o que querem. Como você pode morrer apenas por ser homem, Há muitas ocasiões em que uma mulher se sente mais indefesa que um homem. Por exemplo: ela teme a gravidez, o envelhecimento, o estupro, o desrespeito, a cantada grossa. Costuma sentir uma urgência maior de casar e, com isso, às vezes é obrigada a interromper sua carreira por causa dos filhos. E tem menos liberdade de entrar sozinha num bar sem ser incomodada.

Felizmente, os países civilizados perceberam esses problemas femininos. Mas, infelizmente, perceberam apenas os problemas femininos - e concluíram que, enquanto as mulheres tem esses problemas, os homens são a causa deles.

O homem, é claro, tem uma experiência diferente. Se seu casamento transforma-se em divorcio, ele descobre que os encargos financeiros que compartilhava com sua mulher tornaram-se agora uma pensão de alimentos que ele tem que pagar; e seus filhos, que ele precisa continuar sustentando, foram ensinados a voltarem-se contra ele. Um homem nessa situação sente-se como se tivesse passado a tem medo de que um novo casamento acabe deixando-o com uma dívida enorme, novos filhos que vida trabalhando para pessoas que agora o detestam. Quer desesperadamente amar outra mulher, mas também poderão voltar-se contra ele e um desespero ainda mais profundo.

Aos olhos das mulheres disponíveis, no entanto, esse homem "tem medo de se envolver" ou de "assumir um compromisso". Quem não teria?

A contribuição do feminismo para a liberação da mulher deve ser aplaudida. Mas, quando as feministas dizem que as mulheres são umas eternas oprimidas - e escondem o fato de que elas também são opressoras - não dá para apoiá-las. As feministas oficializaram o lado sombrio do homem e o lado iluminado da mulher, mas esqueceram-se do lado sombrio da mulher e do lado iluminado do homem.

O feminismo deu à mulher o "poder de vítima", convencendo o mundo de que vivemos num planeta machista. Mas o papel do homem - de prover e proteger - levou a um cruel desperdício de homens na guerra e no trabalho (em "profissões da morte", como a de peão de obra, mineiro de carvão, bombeiro, etc.). Enquanto reconhecemos as barreiras que impediram a mulher de ascender ao topo, esquecemos as correntes que prenderam o homem ao chão. Uma pesquisa feita nos EUA revela que, entre os 25 piores empregos de mundo, quase todos são, "por acaso", destinados aos homens.

Durante o julgamento de Mike Tyson por estupro, por exemplo, o hotel onde o júri estava hospedado pegou fogo. Dois bombeiros morreram tentando salvar os ocupantes do prédio. O julgamento de Tyson nos tornou conscientes a respeito do homem estuprador, mas a morte dos dois bombeiros não nos tornou mais conscientes do homem como um salvador de vidas. Prestamos mais atenção num homem que praticou o mal do que em dois que praticaram o bem; no homem que ameaçou uma mulher (a qual não morreu) do que nas dezenas de homens que salvaram centenas de homens e mulheres (para não falar nos dois que morreram).

E por que? Porque reconhecer a verdade inteira sobre os papéis sexuais - a de que tanto homens quanto mulheres sofrem e se beneficiam com eles - passou a ser considerado reacionário ou "machista". Pior ainda: não vende. São as mulheres que compram livros e revistas, e os editores dirigem-se demagogicamente a elas, assim como os políticos fazem com o eleitorado. As mulheres se tornaram "as mulheres que amam" e os homens viraram "aqueles que as odeiam". Nos últimos 25 anos, o feminismo tem sido para a imprensa diária o que as bactérias são para a água. Nós o consumimos sem perceber, a ponto de muitos de nós aceitarmos como verdade indiscutível "as provas" da discriminação contra a mulher - as mulheres são a principal vítima da violência; sua saúde é mais negligenciada que a dos homens; elas sempre ganham menos pelo mesmo tipo de trabalho; mais maridos espancam mulheres do que vice-versa; os homens tem mais poder; o mundo é dominado pelos homens etc. etc.. Donde a maioria dos governos tem uma extensa série de programas, comissões e ":estudos" para "proteger" a mulher.

Para os homens, o feminismo tornou-se uma guerra dos sexos - com a diferença de que apenas um sexo, o feminismo, apresentou-se para lutar. Nos EUA, a maioria dos postos de recrutamento militar exibe pôsteres dizendo coisas como "um homem tem de cumprir o seu dever". Imagine a gritaria se esses pôsteres dissessem "um judeu tem de cumprir seu dever", ou, exibindo a foto de uma mulher grávida, dissessem "uma mulher tem de cumprir seu dever".

E que dever! As diversas guerras que formaram (e continuam formando) a maioria dos países são exemplo de que os homens são considerados menos importante do que a propriedade. Os homens morreram pela propriedade, ao passo que as mulheres viveram na propriedade que serviu de túmulo para seus maridos.

Costuma-se dizer que as mulheres são um contraponto civilizatório ao guerreiro inato que existe no homem. Mas pode-se dizer também que, ao se encarregarem de matar no lugar das mulheres, os homens as civilizaram. Quando se tratava de garantir a sobrevivência, os homens mataram para proteger os filhos que suas mulheres geraram. Seja matando na guerra ou num pregão da Bolsa, os homens estão protegendo os frutos das mulheres e elas próprias.

Todos condenamos a violência contra a mulher. Mas nos divertimos com a violência contra o homem. Pense no boxe, na luta livre, no futebol americano, no hóquei sobre o gelo, nos rodeios e na Fórmula l. Através da História, os jogos e esportes prepararam os homens para a batalha - para morrer em combate. E quanto mais efetivamente estivermos preparados, mais protegidas estarão nossas mulheres e crianças.

Morrer em combate não é o único preço que os homens pagam por ser homens. Em l920, as mulheres americanas viviam um ano a mais que os homens. Hoje, vivem sete anos a mais. Quando lemos que os negros nos EUA vivem seis anos a menos que os brancos, interpretamos esse dado como uma prova da falta de poder do negro na sociedade americana. Mas, quando ficamos sabendo que os homens morrem sete anos mais cedo que as mulheres, isso raramente é interpretado como falta de poder dos homens nessa mesma sociedade.

Essa diferença de sete anos não seria biológica? Não, porque, se fosse, ela não seria de apenas um ano em 1920.

Imagine agora se fossem os homens que vivessem sete anos a mais que as mulheres. As feministas fariam comícios dizendo que isso é uma prova de falta de poder das mulheres. E teriam toda a razão - porque o poder é a capacidade de controlar a vida. Veja esta estatística do Serviço Nacional de Saúde dos EUA em relação ä expectativa de vida dos americanos: mulheres brancas - 79 anos; mulheres negras - 74 anos; homens brancos - 72 anos - homens negros - 65 anos. As mulheres brancas sobrevivem aos homens negros por quatorze anos. Pode-se calcular a revolta das feministas se uma mulher de 48 anos estivesse tão perto da morte quanto um homem de 62 anos.

Os homens correm outros riscos relacionados ao seu papel sexual. Veja o caso de um jornalista amigo meu. Todos os dias ele ia almoçar em casa com sua mulher. Um dia, ao abrir a porta de casa, ouviu a mulher gritando. Ela estava sendo atacada. Ele fez o que a maioria dos homens faria: lutou com o assaltante. Sua mulher correu para chamar a polícia. O assaltante o matou. Outro amigo meu perguntou: "Quanto você pagaria a alguém para ficar permanentemente do seu lado, de modo que, se você fosse atacado, ele entraria em ação e daria um jeito de ser morto lentamente para que você tivesse tempo de escapar? Quanto custaria a hora de um guarda-costas que trabalhasse full-time? Pois, como homem, esse é o nosso trabalho quando estamos com uma mulher - qualquer mulher, não apenas nossas esposas". O que tem em comum os homens que funcionam como guarda-costas das mulheres e os voluntários que combatem incêndios, além do fato de serem homens? É que nenhum deles recebe por isso. As feministas fazem grande alarde a respeito das funções não-remuneradas da mulher - cozinheira, dona de casa, motorista, etc. Mas os homens ainda não começaram a prestar atenção nas suas funções não remuneradas.

Outra maneira de saber quem detém as rédeas é investigar o poder de compra dos dois grupos. Nos EUA, descobriu-se que as mulheres que são chefes de família tem um poder de compra 41% maior que o dos homens chefes de família. Como? Pois esse é o número referente ao rendimento líquido, ao qual se chega verificando o que restou depois que as despesas foram subtraídas dos rendimentos de cada um. O rendimento líquido anual da mulher americana é de US$ 13.885,00. O do homem é de US4 9.883,00. E não apenas isso. Entre os l,6% mais ricos da população americana (fatuamente a partir de US$ 500.000 por ano), o rendimento líquido das mulheres também é maior do que o do homem.

Como é possível que as mulheres sejam mais ricas se elas detém poucos dos principais cargos nas empresas? Em parte, casando-se com os homens que detêm esses cargos - e sobrevivendo a eles.

Mas não é só nos EUA. Uma espiada num shopping de qualquer grande cidade em qualquer lugar do mundo mostra essa diferença de poder. Um shopping normal (incluindo lojas masculinas e de artigos esportivos) dedica sete vezes mais espaço a artigos pessoais da mulher que a artigos pessoais do homem. E ambos os sexos compram mais para as mulheres. A chave da riqueza não está em quanto ganhamos, mas em quanto gastamos em nós mesmos.

O poder de compra traz outras formas de poder. O controle da mulher sobre os gastos permite que ela controle também os programas de TV, já que estes são dependentes dos patrocinadores. Quando se constata que as mulheres assistem muito mais TV que os homens em qualquer horário, conclui-se que nenhum programa pode morder a mão que o alimenta. As mulheres estão para a TV assim como o patrão está para os empregados. O resultado? Quase metade dos 250 filmes feitos para a TV em l992 mostra mulheres como vítimas, sujeitas a alguma forma de maus-tratos físicos ou psicológicos.

Os homens aprendem desde cedo a aceitar empregos que detestam, pelo simples fato de que esses empregos pagam mais. Em todas as salas de aula do fim do segundo grau, tanto nos EUA quanto em todo o mundo, você encontrará garotos reprimindo seu interesse por línguas estrangeiras, literatura, história da arte, antropologia e sociologia, porque sabem que um diploma de história da arte os remunerará menos que um de engenharia. Um pouco porque esse garoto sabe o que o espera ele provavelmente terá que sustentar uma mulher, (mas não pode esperar que uma mulher o sustente), mais de 85% dos formados em engenharia são homens - e mais de 80% dos formandos de história da arte são mulheres. Se um homem é obrigado a escolher uma profissão de que goste menos, apenas porque ela paga melhor, é um sinal de não poder, mas de falta de poder.

Então não são os homens que detêm toda a influencia e o poder? Nos negócios e na política, sim. Mas costumamos ignorar a influencia de uma mãe sobre seus filhos. Poucos homens têm influência comparável. Se, tradicionalmente, o homem era o dono da casa, hoje ele não passa de um visitante no castelo de sua mulher. É ela que domina a estrutura familiar, ao passo que apenas uma minoria de homens domina as estruturas profissionais e políticas. Muitas mães são em certo sentido "preesidentes" de pequenas empreesas - suas famílias. Já a maioria dos homens está condenada ä linha de montagem - física ou psicológica - de seus patrões. Quando um homem pede demissão, perde o direito à indenização. Mas, quando uma mulher pede o divórcio ao marido, leva com ela metade dos bens de sua "empresa".

Influencia, no entanto, não significa necessariamente poder. Muitas mães ririam se lhes disséssemos que, quanto mais filhos tiverem, mais poderosas serão. Ririam porque sabem que isso só lhes acrescentaria pressão, não poder. Mas, quando dizemos a um homem, "quanto mais pessoas você supervisionar, mais poder você terá", ele acredita. O verdadeiro poder consiste em controlar a própria vida, e não a dos outros. E, historicamente, os homens tiveram controle sobre suas vidas? Historicamente, um marido passa o dia sendo vigiado pelo patrão. Já uma mulher de prendas domésticas não passa o dia sendo vigiada pelo marido. E quem pode garantir que a mulher passa mais horas por dia trabalhando em casa do que o marido fora de casa? (sem contar o tempo que ele perde para se deslocar ao trabalho e vice-versa).

Uma frase dita há alguns anos faz sucesso até hoje: "A mulher é o negro do mundo". Compara a situação dos escravos à condição feminina e pinta os homens como opressores, feitores, escravagistas. Mas, se os homens pensarem no seu próprio caso, terão uma resposta à altura a dar para as feministas.

Os homens, como os escravos negros, foram forçados a arriscar suas vidas. Os escravos arriscaram a vida para que os brancos se beneficiassem economicamente. Os homens arriscam a vida para que todos, inclusive as mulheres, se beneficiem economicamente. Os escravos tiveram seus filhos usurpados. Os homens ainda têm seus filhos usurpados, e, se os quiserem de volta, precisam lutar nos tribunais contra a guarda da mãe. Os escravos foram forçados aos piores trabalhos. Os homens ainda são forcados aos piores trabalhos - os mais desprezíveis, insignificantes e mal pagos. Pergunte a qualquer cozinheiro de lanchonete, lavador de carros, motorista de ônibus, lixeiro ou vigia noturno. Sem citar de novo as "profissões da morte".

Nos EUA, menos negros concluem o 2º. grau ou curso universitário do que brancos. Menos homens concluem o 2º. grau (46% contra 54%) ou o curso universitário (45% contra 55%) do que mulheres.

Chefes de família negros têm um rendimento liquido menor que chefes de família mulheres. Jamais um grupo oprimido teve um rendimento líquido maior que o do opressor.

Seria difícil encontrar outro exemplo na História em que um grupo que detém mais de 50% dos votos atreve-se a se chamar de vítima. Ou um exemplo de grupo oprimido que prefere votar nos seus opressores, em vez de ter os seus próprios representantes. As mulheres são a única minoria que é uma maioria; o único grupo que se diz oprimido e, ao mesmo tempo, pode decidir quem é eleito em qualquer cargo de qualquer comunidade. O poder não está no ocupante da cadeira, mas em quem o põe lá.

As mulheres são o único grupo "oprimido" que partilha os mesmos pais com o opressor; o único a nascer na mesma classe social do opressor; o único a deter mais bens culturais de luxo que o opressor. As mulheres são, também, o único grupo oprimido que pode gastar uma fortuna por ano em cosméticos e consumir mais roupas com grife do que o opressor.

A diferença entre os escravos e os homens é a de que os escravos nunca se consideraram ou foram considerados opressores. E o resultado disso é que, enquanto ajudaram a liberar as mulheres, os homens se esqueceram de libertar a si mesmos.

Colaborou Ernesto Olivier Dutra

Extraído de http://www.casadobruxo.com.br/textos/mito.htm

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