sábado, 9 de agosto de 2014

Revista Época publica matéria CRIMINOSA sobre o masculinismo

Abigail Pereira Aranha

Em defesa do macho oprimido

Um movimento internacional promete lutar pelos direitos dos homens contra a opressão do feminismo

Felipe Germano e Júlia Korte

A cidade americana de Detroit recebeu, no fim de junho, uma conferência apropriada para a vocação viril da cidade, considerada por décadas o centro da indústria automobilística mundial. Um grupo de 200 pessoas, em sua maioria homens, reuniu-se na periferia, num centro para veteranos de guerra, com o objetivo de discutir as ameaças encontradas por eles na sociedade moderna. Na pauta da Primeira Conferência Internacional sobre as Questões dos Homens não estavam temas como crises econômicas ou violência nas ruas, assuntos que costumam preocupar adultos em idade produtiva. O debate era de outro gênero: como as conquistas femininas das últimas décadas tornaram o mundo um lugar mais hostil para os homens - e o que eles podem fazer para se proteger do crescente poder feminino.

"Temos o direito de não sofrer violência doméstica nem de ser acusados injustamente de violentar mulheres", diz o americano Dean Esmay, um dos responsáveis por A Voice for Men (Uma Voz para os Homens, em português), organização que planejou o evento. Por mais que as estatísticas desmintam, esses homens sentem que vivem num mundo dominado por mulheres.

A convenção, marcada para acontecer num grande hotel no centro de Detroit, foi transferida para a periferia depois que a organização, conhecida pela sigla AVfM, afirmou ter sofrido ameaças de atentados de grupos feministas. Mesmo sem exibir provas, a AVfM conseguiu arrecadar pela internet, em 24 horas, US$ 25 mil para reforçar a segurança do evento. A eficácia da mobilização virtual é um indício da popularização desse tipo de grupo, mesmo no Brasil. "Temos crescido num ritmo rápido", diz o paulistano Aldir Gracindo, de 42 anos, editor da página brasileira da AVfM.

Não é difícil encontrar outros núcleos parecidos no país. Eles não têm a organização formal da AVfM e limitam-se a grupos de discussão na internet, em que os usuários resistem em revelar a identidade. Numa busca rápida pelo Facebook, é possível encontrar pelo menos dez páginas brasileiras dedicadas ao que é chamado de masculinismo: a defesa dos interesses dos homens num mundo que, segundo eles, favorece crescentemente as mulheres. Esses grupos de debate contam com cerca de 80 mil participantes. Fora do Facebook, o Fórum do Búfalo tem 1.000 integrantes.

Os participantes desses grupos querem ser chamados de defensores dos direitos dos homens. Os estudiosos das ciências sociais consideram "masculinistas" um termo mais adequado. A palavra marca a oposição às feministas, mulheres que lutam desde o começo do século passado pela ampliação dos direitos femininos. "Esses homens acham que precisam proteger seus privilégios porque as mulheres, finalmente, conquistaram a igualdade", diz a socióloga americana Lisa Wade, especialista em questões de gênero. "Elas têm um nível igual ou maior de educação formal e ocupam os mesmos cargos que eles nas empresas. Eles querem impedir esse progresso".

Entre as bandeiras masculinistas há causas que contam com a simpatia das feministas, como o aumento da licença-paternidade ou o fim da cultura que atribui à mãe a tutela dos filhos após o divórcio. A gênese do movimento masculinista, em meados da década de 1970, explica parte dos ideais em comum. "No princípio, grupos de homens se reuniram para ajudar as mulheres na luta contra o sexismo e a desigualdade entre os gêneros", afirma o sociólogo canadense Francois Dupuis-Déri, responsável pela pesquisa de antifeminismo da Universidade de Quebec, no Canadá. Com o tempo, eles começaram a discutir mais sobre os problemas dos homens que das mulheres, e houve uma divisão. Alguns continuaram a lutar contra a cultura patriarcal, outros passaram a defender os direitos dos homossexuais, e um terceiro grupo se convenceu de que a fonte dos problemas eram, na verdade, as conquistas das mulheres. "Eles passaram de aliados a opositores das feministas", diz Dupuis-Déri.

Uma das causas mais caras aos masculinistas é garantir que os homens sejam tratados "com justiça" nos casos de violência sexual. Eles alegam que, na prática, os homens são considerados automaticamente culpados, sem usufruir o benefício da dúvida. Talvez seja assim na Suécia ou nos Estados Unidos. No Brasil, muitos estupradores escapam impunes.

Tanto aqui como lá, masculinistas gostam de dizer que certas mulheres "merecem ser estupradas" pela forma como se vestem. Ou afirmam que elas "exageram" sobre ter sofrido violência, com o objetivo de prejudicar os homens. O objetivo geral dessas afirmações é transferir a responsabilidade da violência para as mulheres. Uma campanha promovida por um grupo masculinista no Canadá trazia os seguintes dizeres: "Só porque você se arrependeu de seu caso de uma noite, não significa que não tenha sido consensual". O americano Paul Elam, criador do AVfM, fez a seguinte declaração: "Eu deveria ser chamado para julgar um caso de estupro. Comprometo-me publicamente a votar que o réu é inocente, mesmo que as evidências apontem que ele é culpado". Em 2011, Elam criou o Register-her, uma espécie de lista negra virtual de mulheres que, segundo ele, "ferem os direitos dos homens". A lista continha fotos, nome completo e até endereço, acompanhado de legendas como "falsa acusadora (de estupro)". O site permanece no ar, agora com informações sobre quatro feministas que se opõem aos masculinistas.

Ao fazer esse tipo de incitação, muitos masculinistas transitam numa linha tênue entre a legalidade e a ilegalidade. No Brasil, qualquer mensagem ofensiva, se dirigida especificamente ao perfil ou identidade de alguém, pode ser denunciada à Justiça. Quando as ofensas ou ameaças são dirigidas a grupos, como as mulheres, a condenação depende de cada juiz. "Muitos pensam que o direito à liberdade de expressão permite que se fale ou escreva qualquer coisa", diz a advogada Isabela Guimarães, sócia do escritório Patrícia Peck Pinheiro Advogados. "Não é assim. O direito das outras pessoas precisa ser respeitado".

Existe entre as feministas o temor de que a disseminação do preconceito, promovida por simpatizantes do movimento masculinista, passe da esfera virtual para a vida real e se transforme num número ainda maior de casos de violência contra a mulher. No Brasil, o governo estima que 2 mil mulheres sejam mortas todos os anos por parceiros ou ex-parceiros. As feministas temem que o discurso agressivo dos masculinistas possa influenciar pessoas mentalmente instáveis e acabar em tragédia. É o que parece ter acontecido no caso do americano Elliot Rodger, de 22 anos. Em maio passado, ele matou duas universitárias e quatro rapazes na Califórnia. O teor do vídeo que gravou antes do crime ecoa a conversa de fóruns masculinistas. Rodger disse que foi forçado "a enfrentar uma existência de solidão, rejeição e desejos negados", porque as meninas não se sentiram atraídas por ele. Por isso, afirmou, mataria "cada vagabunda loira mimada". Disse e fez. "Na prática, os masculinistas não lutam pelos direitos dos homens. O discurso deles é de ódio às mulheres", afirma a feminista Lola Aronovich, professora da Universidade Federal do Ceará. Nem todos os masculinistas cabem nessa definição. Que alguns caibam, é um problema.

O dicionário do preconceito

Algumas das expressões cunhadas ou popularizadas por grupos masculinistas

Confrades. Como os membros de grupos chamam uns aos outros. O termo é usado originalmente em organizações religiosas.

Matrix. Numa referência ao filme de 1999, a matrix é a sociedade que privilegia as mulheres, sem que os homens notem.

M$ol. Apelido de mães solteiras. O cifrão insinua que as mulheres querem só tirar dinheiro dos homens pela pensão.

Alfa. Os masculinistas dizem que o homem alfa é o objeto do desejo das mulheres por ser rico e poderoso.

Mangina. Vem da junção man (homem) e vagina. Descreve os homens que defendem o feminismo ou idolatram a mulher.

Feminazi. A aglutinação de feminismo e nazismo sugere que o movimento das mulheres seja uma doutrina totalitária.

Revista Época, nº 844, 01 de agosto de 2014, pág. 92-4.

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam

Eu não falei em crime no título só pra chocar. Mas antes vamos rir um pouquinho.

1) "A AVfM conseguiu arrecadar pela internet, em 24 horas, US$ 25 mil para reforçar a segurança do evento. A eficácia da mobilização virtual é um indício da popularização desse tipo de grupo, mesmo no Brasil". Se juntando leitores diretos do blogue e amigos que compartilharam no Facebook foram 500 pessoas no Brasil e nos Estados Unidos, cada uma doou em média 50 dólares. Cento e poucos reais, ou quase 40 euros pra cada um. E isso é preocupante.

2) No mesmo parágrafo (o 4º), uma lesbonazista diz que os homens precisam proteger seus privilégios e que as mulheres têm nível maior de educação formal e os mesmos cargos que eles nas empresas. E por que os MRA se incomodam com a igualdade? Todo homem tinha escravas sexuais antes?

3) "'No princípio, grupos de homens se reuniram para ajudar as mulheres na luta contra o sexismo e a desigualdade entre os gêneros' (...). Com o tempo, eles começaram a discutir mais sobre os problemas dos homens que das mulheres, e houve uma divisão". Quando eu estava com as mulheres feministas, diziam que eu lutava por direitos iguais. Quando eu comecei a discutir problemas dos homens, me chamaram de mascu. Ah, e o sociólogo canadense também disse que "força da polícia não se compara à dos black blocs" numa entrevista ao Último Segundo.

4) "Eles alegam que, na prática, os homens são considerados automaticamente culpados". "Muitos estupradores escapam impunes". Nós falamos de inocentes presos, eles falam de culpados soltos. Ou um acusado inocentado é estuprador impune, jornalistas?

5) "Masculinistas gostam de dizer que certas mulheres 'merecem ser estupradas' pela forma como se vestem". A gafe do IPEA já foi reconhecida, meus bens.

6) "Quando as ofensas ou ameaças são dirigidas a grupos, como as mulheres, a condenação depende de cada juiz. 'Muitos pensam que o direito à liberdade de expressão permite que se fale ou escreva qualquer coisa', diz a advogada Isabela Guimarães, sócia do escritório Patrícia Peck Pinheiro Advogados. 'Não é assim. O direito das outras pessoas precisa ser respeitado'". OK, doutora, e contra homem é legal?

7) "Existe entre as feministas o temor de (...) [um] número ainda maior de casos de violência contra a mulher. No Brasil, o governo estima que 2 mil mulheres sejam mortas todos os anos por parceiros ou ex-parceiros." O total geral no ano passado foi mais de 56 mil homicídios, cerca de 5 mil mulheres. Como as mulheres são 52% da população, ainda faltam uns 50 mil feminicídios para chegarmos à igualdade. Hua, hua, hua, hua, hua!

8) A leitoa lesbonazista foi chamada para dar a opinião dela. Agora podemos exigir espaço para nós machistas homofóbicos racistas falarmos sobre a Marcha das Vadias, o Parada LGBT e o Movimento Negro.

Agora vamos aos crimes (falar dos crimes, porque o único crime que eu aceito é a prostituição, hehehehe):

1) Calúnia (art. 138 do Código Penal): acusação de incitar a violência e provavelmente de defender estupradores.

2) Injúria (art. 140): o masculinismo não é um dos "assuntos que costumam preocupar adultos em idade produtiva".

3) Denunciação caluniosa (art. 339 - "dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente"): a matéria tenta ligar o A Voice For Men ao caso Elliot Rodger, mesmo a página tendo escrito sobre o caso um artigo de 29 de maio ("You want to blame the MHRM for Elliot Rodger? Blame gynocentrism instead" - Você quer culpar o MHRM para Elliot Rodger? Culpe o ginocentrismo em vez disso) e outro de 25 de maio ("Murderer kills six: 4 men and 2 women. Cause: Misogyny!" - Assassino mata seis: 4 homens e 2 mulheres. Causa: misoginia!).

4) Favorecimento real (art. 349): a Lola Aronovich tem duas denúncias ao Ministério Público justamente por tentar criminalizar o masculinismo.

E prova de que isso não é matéria sobre masculinismo, mas um bullying lésbico-mangina, o Aldir Gracindo deu entrevista e mal foi citado de passagem. A matéria diz que é sobre a polícia e quem mais fala é o narcotráfico.

Mas uma coisa boa dessa matéria é que eles não puderam distorcer tudo. Se alguém bem alfabetizado ainda não nos conhecia, vai ficar conhecendo. Podemos crescer como movimento ou pelo menos ajudar mais gente. Mas pelo menos, essa revista e a imprensa brasileira afundam ainda mais na esquerdopatia panfletária e na insignificância de público. Daqui a pouco, o Brasil de Fato ou o Causa Operária passa à frente de uma revista dessas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Mídia machista tenta desqualificar mulheres terroristas usando a vida amorosa e o ser mulher

Abigail Pereira Aranha

Bom dia / boa tarde, meus amigos e minh@s inimig@s. Estava eu navegando em uma página feminista (Unidade Feminista PT) e vi um compartilhamento de um texto da revista Fórum. Antes da pérola, uma breve explicação para não-brasileiros.

O desembargador Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, do Tribunal de Justiça do Rio, negou os respectivos pedidos de habeas corpus de 23 pessoas acusadas de envolvimento em atos violentos em protestos. Dezoito se encontram foragidos. Entre os presos, estão Eliza Quadros, a tal Sininho; Camila Jourdan, professora de filosofia da Uerj (!!!), e seu namorado, Igor D'Icarahy — cujo pai é advogado, papa-fina. Além de negar o pedido, Horta Fernandes repudiou os termos ofensivos empregados pela defesa dos acusados, que classificou o magistrado Flávio Itabaiana, que acolheu a denúncia do Ministério Público e determinou a prisão preventiva dos 23 acusados, de "juiz prepotente" e "espírito de carcereiro".

(...) Não se esqueçam a quem apelou Sininho quando um dos assassinos do cinegrafista Santiago Andrade foi preso: o deputado estadual Marcelo Freixo.

(...) O Fantástico teve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público. Informa a reportagem:

De acordo com a denúncia, o Movimento Frente Independente Popular estabeleceu, em reuniões fechadas, que o protesto pacífico não seria meio hábil para alcançar os objetivos dos grupos. E decidiu que deveria ser incentivada a prática de ações violentas no momento das manifestações, tais como a depredação de bancos, de estabelecimentos comerciais e o ataque a ônibus e viaturas policiais. Segundo o promotor de justiça Luis Otávio Figueira Lopes, a denunciada Eliza de Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho pode ser identificada como uma das principais lideranças da frente.

A ocupação da Câmara Municipal por manifestantes, em agosto do ano passado, poderia ter tido consequências mais graves. Segundo a denúncia, havia um plano para incendiar a sede do poder legislativo do Rio. A denúncia afirma que Eliza foi vista comandando manifestantes, no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal, passando a incitar os demais manifestantes a incendiar o prédio. O objetivo, segundo a denúncia, não foi alcançado em razão da intervenção de outros participantes dos atos, fatos apontados no depoimento de uma testemunha, que teve a identidade preservada pelo Ministério Público.

Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça revelaram que Camila Jourdan, professora de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participava da elaboração dos artefatos e da distribuição deles para os black blocs. A denúncia afirma também que menores de idade dos participaram de atos violentos. Nos autos do processo, um adolescente teria afirmado ter a intenção de matar um policial nos protestos contra a Copa do Mundo.

"Black blocs e seus amiguinhos - Juiz e desembargador do TJ-RJ estão de parabéns por não se deixar intimidar por patrulha baguncista de deputados, setores da imprensa e advogados do caos. Cana na turma!", Reinaldo Azevedo, 21/07/2014, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/black-blocs-e-seus-amiguinhos-juiz-e-desembargador-do-tj-rj-estao-de-parabens-por-nao-se-deixar-intimidar-por-patrulha-baguncista-de-deputados-setores-da-imprensa-e-advogados-do-caos-cana

Agora, vamos à pérola: a imprensa machista patriarcal misógina homofóbica direitista fuçou, fuçou e só descobriu que a mocinha praticou vandalismo, tentou favorecimento pessoal para um assassino (artigo 348 do Código Penal) e ia participar de um incêndio criminoso e um homicídio. Então, resolveu inventar algo pesado:

Desde a prisão dos ativistas no Rio de Janeiro, vários fatos chamaram a atenção e geraram pautas nos meios de comunicação, entre eles, a citação do filósofo Mikhail Bakunin, morto em 1876, como suspeito, e a utilização dos termos "anarquista" e "esquerdista" para classificar as pessoas investigadas pelo inquérito. Sem contar a acusação de que o grupo iria "explodira a Câmara Municipal" da cidade do Rio de Janeiro. Porém, outro fator que começa a ser utilizado por parte da imprensa como maneira de desqualificar a atuação política de Elisa Quadros são "conflitos" de sua vida pessoal amorosa.

De acordo com matérias veiculadas em alguns veículos, a denúncia teria partido de uma integrante da FIP (Frente Independente Popular), que teria tido uma desavença com Elisa Quadros (Sininho), pois, esta teria "roubado" o namorado da denunciante. A primeira questão é a seguinte: utiliza-se tal acusação sem nenhum critério, apenas para atingir Quadros (...)

A socióloga e pesquisadora em estudos feministas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Carla Cristina Garcia, atenta para o fato de que o discurso utilizado pela imprensa clássica, além do teor machista, possui também caráter eleitoral. "Quando a então candidata à presidência da República Dilma Rousseff era atacada, qual foi o discurso utilizado contra ela? Mulher, terrorista e ex-gruerrilheira. Aí devemos fazer a leitura: estamos em ano de eleição. De que maneira estão tratando essa ativista na imprensa? Mulher e terrorista", analisa.

"Elisa Quadros e a desqualificação política a partir do discurso machista", Marcelo Hailer, 31/07/2014, http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/elisa-quadros-e-desqualificacao-politica-partir-discurso-machista. Grifos meus.

Entenderam? O machismo de antigamente tentava desqualificar uma mulher dizendo que ela é terrorista, o de hoje tenta desqualificar uma terrorista dizendo que ela é mulher.

Apêndice

Elisa Quadros e a desqualificação política a partir do discurso machista

http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/elisa-quadros-e-desqualificacao-politica-partir-discurso-machista

julho 31, 2014 12:50

Elisa Quadros e a desqualificação política a partir do discurso machista

Socióloga atenta para o fato de que a vida pessoal e amorosa de ativistas homens nunca é utilizada para provocar descrédito político

Por Marcelo Hailer

Desde a prisão dos ativistas no Rio de Janeiro, vários fatos chamaram a atenção e geraram pautas nos meios de comunicação, entre eles, a citação do filósofo Mikhail Bakunin, morto em 1876, como suspeito, e a utilização dos termos “anarquista” e “esquerdista” para classificar as pessoas investigadas pelo inquérito. Sem contar a acusação de que o grupo iria “explodira a Câmara Municipal” da cidade do Rio de Janeiro. Porém, outro fator que começa a ser utilizado por parte da imprensa como maneira de desqualificar a atuação política de Elisa Quadros são “conflitos” de sua vida pessoal amorosa.

De acordo com matérias veiculadas em alguns veículos, a denúncia teria partido de uma integrante da FIP (Frente Independente Popular), que teria tido uma desavença com Elisa Quadros (Sininho), pois, esta teria “roubado” o namorado da denunciante. A primeira questão é a seguinte: utiliza-se tal acusação sem nenhum critério, apenas para atingir Quadros; segundo e mais importante é a desqualificação política baseada no discurso de gênero e marcadamente machista e a retomada do velho discurso de “lugar de mulher não é na política”.

A socióloga e pesquisadora em estudos feministas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Carla Cristina Garcia, atenta para o fato de que o discurso utilizado pela imprensa clássica, além do teor machista, possui também caráter eleitoral. “Quando a então candidata à presidência da República Dilma Rousseff era atacada, qual foi o discurso utilizado contra ela? Mulher, terrorista e ex-gruerrilheira. Aí devemos fazer a leitura: estamos em ano de eleição. De que maneira estão tratando essa ativista na imprensa? Mulher e terrorista”, analisa.

Garcia também analisa o fato de que apenas as mulheres são mostradas nas reportagens, por meio de fotos e conversas gravadas. “Eu não tenho dúvida de que, além da aproximação com a história da Dilma Rousseff há aí, também, um discurso fortemente machista. Só se fala da Elisa Quadros e de outras meninas, os homens não aparecem. Isso não é por acaso”, critica a socióloga.

A pesquisadora também questiona o fato de que a vida privada e amorosa só é utilizada para desqualificar as ativistas mulheres. “E pra piorar utilizam essa história de que a denúncia foi feita por que a Elisa teria roubado o namorado de uma outra ativista. É óbvio que isso é machismo. Quantas vezes se usou esse tipo de discurso com homens – o fulano denunciou o beltrano por que ele roubou a sua namorada? Eu nunca vi. E olha o termo utilizado: roubou. Ou seja, o velho discurso machista de que mulheres, mesmo na política, disputam um macho. Esse tipo de argumento é utilizado historicamente para desqualificar a luta das mulheres”, finaliza Carla Cristina Garcia.

Foto: Fotos Públicas

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O Puritano-Feminismo episódio 18: para o Facebook, chamar homem de cachorro tem graça, mulher pelada não

Denúncia em 26/01/14, como irritante e não engraçado. Resposta do Facebook: não foi apagada.

Postagem aqui às 20:10 de 04/08/14, no Facebook pouco depois, denunciada por nudez. Resposta do Facebook às 21:40: nenhuma, porque eu apaguei antes da análise da denúncia.

O Puritano-Feminismo episódio 17: mulheres tradicionais contra mulheres feministas e todas contra as mulheres licenciosas (ou: Leis de De Morgan aplicadas ao "machismo" e Feminismo)

Abigail Pereira Aranha

Boa noite, meus amigos e minh@s inimig@s. Estava eu no grupo Contrafeminismo, fiz uma brincadeira que pode até ter sido infeliz (nem sempre acerto) e uma senhora me xinga de feminista:

Adriana Munis Totus Tuus Mariae Abigail Pereira Aranha, Primeiro trepar é um termo de mulher vulgar e prostituta como você. Segundo, aqui não houve nenhuma piada o problema é que vocês feministas pagas e financiadas por partidos imorais de esquerda e de tipos de pessoas desocupadas sem ter o que fazer vem com essa heresia, apostasia e a desgraça desse feminismo imundo e diabólico a perseguir o cristianismo, a família, as jovens a direita etc... mais saiba que quanto mais vocês nos perseguem e nos atacam e nos afligem mais o conservadorismo é consolidado e mais o feminismo é desmascarado como você acabou de ser agora, dorme com essa querida, E VIVA A MARIA SANTÍSSIMA A RAINHA DA VIDA AQUELA QUE PISARÁ NA CABEÇA DA SERPENTE DIABÓLICA DO SEU FEMINISMO. E um conselho, vá lava louça.

27 de julho às 12:50

https://www.facebook.com/groups/229182317154927/permalink/694804037259417

Poxa, colega, pode me chamar de prostituta (eu não sou), de vulgar, de perseguidora de cristãos, pode até dizer que não lavo louça, mas não me chame de feminista. Eu já estava pensando em escrever esse texto depois de receber este comentário e 7 dias depois (ontem) me chega este comentário ao meu texto "O que eu aprendi com amigos homens e como eles me fizeram mulher":

(...) Pelo visto, para uma mulher ser perfeita, deve ser capacho de homem, como vc

Se vc e tao legal, porque todos os seus amigos lhe comem, mas não a apresentam a seus pais?

(...) Continue sendo capacho deles...continue dando mais oral que recebendo...continue indo para a casa deles tarde da noite e voltando de buzu, sem uma misera carona. Continue nao se gostando nem um pouco. Continue achando que mulher vale menos que qualquer homem machista

(...) Por que eles nao lhe namoram? Vc presta para ser serva e capacho deles, mas nao presta para namorar?

Tchau, Capacho

http://avezdoshomens.blogspot.com/2014/08/o-que-eu-aprendi-com-amigos-homens-e.html?showComment=1407083790434#c7171851275114460379

Eu já tinha passado por isso antes: ser chamada de machista por mulheres feministas e de feminista por mulheres e homens antifeministas. E por quê? Por eu defender e praticar a impureza sexual / o sexo heterossexual.

Vocês conhecem as Leis de De Morgan? São de Conjuntos. Lembrando alguns conceitos: o complementar de um conjunto A, também chamado de não-A, é o que está no conjunto universo (do qual o A está dentro) e não está no A; a união de dois ou mais conjuntos é o conjunto de todos os elementos que estão em pelo menos um deles; a interseção de dois ou mais conjuntos é o conjunto de todos os elementos que estão em todos eles ao mesmo tempo. As Leis de De Morgan são: o complementar da união de A e B é a interseção dos complementares e o complementar da interseção de A e B é a união dos complementares.

No caso das moças liberais, elas estão na interseção de não-tradicionalismo (ou não-machismo) e não-Feminismo. E não vamos dizer que as feministas defendem a liberdade da mulher sobre o próprio corpo. Como diz a turma da Real, não acredite no que elas dizem, acredite no que elas fazem.

Se lembram daquele caso da Rawan, a menina do Iêmen de 8 anos que foi casada com um homem de 40 e morreu na lua-de-mel? O caso foi condenado por católicos tradicionais (Perigo Islâmico) e por esquerdistas (Pragmatismo Político). O Liberdade Econômica fez uma postagem intitulada "Menina islâmica de 8 anos morre após lua de mel com marido de 40. Esquerdistas querem isso para o Brasil", mas o portal lésbico e africanista Geledés reproduz o Opera Mundi, também esquerdista, dizendo que uma lei que tentou colocar a idade mínima de 17 anos para o casamento "foi rejeitada por parlamentares conservadores". E por que eu estou falando disso? Porque o ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS (pedofilia é ATRAÇÃO), como vocês podem ver, pode ser usado por um lado para demonizar o outro. Faço minhas as palavras da lesbonazista Lola Aronovich: "Eu não conheço ninguém sério que queira legalizar a pedofilia, e vocês?". Mas enquanto ela acusa os antifeministas de promover a pedofilia, Camila Hochmüller Abadie, no Mídia Sem Máscara, acusa o governo do PT de usar a vacina contra o HPV como "preparação para a legalização da pedofilia (isso na melhor das hipóteses)". Quanto mais sujo um lado ficar, melhor pro outro. Aí, a gente não sabe se a mulher que só quer meter gostoso está colaborando para o aborto feminista ou o estupro machista, mas para a pedofilia com certeza. Ainda bem que eu não cuido mais de crianças, hehehehe.

Voltando à putaria (o assunto, porque eu estou terminando esse texto, vou compartilhar no Facebook e vou dormir, hehehehe). Naquela postagem da feminazista que pede para apagar um print screen de um trecho do Manifesto SCUM citado num grupo feminista que vazou, podemos ver esta pérola: "A mulher já é criada [pelo machismo] pra ser cordata, educada, meiga". Quer dizer que a mulher que é simpática está sendo oprimida? Mas o que eu chamo a atenção aqui é que a mulher que é muito simpática era acusada na sociedade tradicional (os brasileiros da década de 40 vão se lembrar) de ser "desfrutável" e na militância feminista... da mesma coisa.

A prostituição e a pornografia também são acusadas de rebaixar a mulher pelas mulheres feministas e pelas mulheres tradicionais. E quando falam mal, os dois grupos são muito parecidos. E tipicamente, está na cara que é inveja e horror a orgasmo (as tradicionalistas são menos feias e menos desequilibradas). Enquanto eu preparava esse texto, eu vejo a entrevista da Lola Benvenutti na revista Fórum. A revista é esquerdista e ela se diz feminista porque, disse ela, "ser feminista é ser dona do seu corpo". Poxa, colega, você estava indo tão bem. Mas ela mesma diz na entrevista que a legalização da prostituição "é uma briga muito foda com as feministas". E voltando ao que eu disse antes sobre feministas defendendo a liberdade da mulher sobre o próprio corpo, nós não vimos passeata de mulheres feministas defendendo a legalização ou a regulamentação da prostituição. As prostitutas têm movimentos separados das feministas. Para pornografia tem movimento feminista... contra. Mas voltando à entrevista, eu mesma fiquei sabendo depois de ver uma imagem na página Dilma Rousseff Não: "O PT querendo transformar nossas filhas em putas". Puta que o pariu! O Manifesto Comunista já respondeu essa em meados do século XIX! Vamos aos comentários por lá mesmo:

Anderson Roberto Governo proíbe propaganda infantil mas faz lobby de putas e gays, ainda existe dúvida sobre o objetivo de transformar a população em idiotas manipuláveis?

1 de agosto às 19:02

Fatima Moreira isso ai ñ é ser feminista nunca !!!!!!!

1 de agosto às 08:32

https://www.facebook.com/DilmaRousseffNao/photos/a.416058285165121.1073741825.295760327194918/547378438699771/?type=1&relevant_count=1

E a mocinha comentarista é uma feminista católica.

Mas nos comentários da entrevista, eu gostaria de destacar dois, dos dois lados, que parece que nem leram o que estão comentando. Primeiro, trechos da própria entrevista:

E as feministas falam que isso incentiva... Isso existe de qualquer jeito, legalizando ou não. O tanto de meninas que me escrevem e dizem: "Ah, Lola, eu queria tanto entrar nessa vida, que dicas você me dá?", e eu fico: "Gente do céu, está tudo errado!", eu não posso fazer isso. Você quer entrar nessa, então ok, vamos te dar um curso sobre realidade no trabalho e você vai decidir se quer mesmo.

É engraçado, porque muita gente fala mal, que eu fiz isso pra aparecer, e eu digo: primeiro, nunca achei que tudo isso ia acontecer, mesmo. (...) Minha mãe ficou um ano sem falar comigo, sem atender um telefone, foi difícil. Meu pai, aconteceu de eu encontrar com ele e ele nem me abraçar – meu pai, que sempre me deu um beijo de boa noite, me carregou no colo pra cama -, e isso foi muito difícil, essa desilusão nos olhos deles.

O que é problemático é o cara que vem falar comigo e acha que porque ele está pagando pode fazer o que quiser. Esse é o cara que eu não atendo. Falta um respeito dos donos de boate, falta um respeito dos clientes. Eu acho que o homem que objetifica a mulher no sentido de achar que "é vagabunda, vai fazer o que eu quiser"

http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/07/lola-benvenutti-ser-feminista-e-ser-dona-seu-corpo

Agora, vamos aos comentários.

Augusto César Mazdaki Pois bem, agora a autodeclarada feminista, depois de ganhar notoriedade midiática (foi chamada para ser entrevistada no programa "De frente com Gabi", diga-se de passagem), lançará um livro para narrar suas experiências "com a alta sociedade".

Claro, pois ela é feminista, e ser feminista "é ser dona do seu corpo" – inclusive para servir como objeto de consumo e para criar uma falsa imagem (idealizada, fetichizada) da mulher que se prostitui.

Próxima parada: indústria pornográfica.

Não devo respeito a alguém que vê a si mesmo como um objeto dando desculpas e pretextos idealistas para escapar desta definição. Os politicamente corretos, mariquinhas do pós-modernismo, me crucificarão, com certeza, por dizer que esta porca imoral e desvalida é uma puta. Acontece que ela, mesmo, se define como tal.

Sim, Lola, você é uma puta.

Você é uma vergonha para todas as mulheres honradas, batalhadoras, honestas e trabalhadoras.

Uma puta. Nada mais.

29 de julho às 02:10

O tipo de cristãos que nós mais vemos é o que dá vontade de ir pro Inferno por saber que ele vai pro Céu. Imagine se esse tipo te faz virar anticomunista. Mas vamos pegar um do outro lado.

Bruna

julho 11, 16:16

Engraçado... Por que será que as mulheres em situação de prostituição da Luz, da Sé ou das periferias de São Paulo nunca são ouvidas na revista Fórum? Acho que seria interessantíssimo ouvi-las, assim não corre-se o risco de cair na glamourização da prostituição... #ficaadica

Publiquei esse texto 04/08 de madrugada, à noite (quase 22:00), o amigo do Facebook André Tinoco, em cujo perfil eu vi a imagem do Dilma Rousseff Não, respondeu ao meu comentário: "O problema não é a pessoa ser prostituta, é óbvio que a prostituição sempre existirá. O problema é que a prostituta acima declara, num meio de comunicação de grande circulação, que é puta com orgulho. (Pelo menos ela usou o termo correto e não um eufemismo) O problema é um dos maiores partidos do país defender a prostituição. O problema é a merda da nossa sociedade que cada dia que passa acha isso cada vez mais normal. Se vocês não percebem é porque a cabeça de vocês já foi afetada e não tem mais recuperação. Sugiro que incentivem as filhas de vocês a dar a bunda por aí por dinheiro". Me lembrei na hora da postagem "Transformar sexo em trabalho", do Sexismo e Misoginia:

Os liberais dos nossos dias, cooptando conceitos subversivos como consciência, consentimento e liberdade, defendem que a não legalização da prostituição é um atentado aos direitos humanos, nomeadamente o direito à livre escolha, e rotulam de moralistas todas as pessoas que não concordam com eles neste particular domínio. (...)

O liberalismo clássico, com a teoria do contrato, constitui o suporte filosófico do movimento que defende a legalização da prostituição (...)

Àqueles que são a favor da legalização da prostituição, que consideram as prostitutas ‘trabalhadoras’ do sexo, que não veem nada de mais nesse tipo de trabalho - um como qualquer outro - pergunto porque é que não extraem as consequências lógicas desse ponto de vista e não estimulam as suas filhas, irmãs, mães ou até mesmo esposas, a seguirem a carreira?

http://sexismoemisoginia.blogspot.com.br/2011/04/transformar-sexo-em-trabalho.html

Tive que atualizar esse texto!

Entre a luta contra o machismo para defender lésbicas e vadias e a luta contra o Feminismo para defender mulheres frígidas, quem leva pau dos dois lados (e não é um na frente e outro atrás) são as mulheres de verdade.

P. S.: veja também "O machismo foi criado pelas mulheres - parte 7: porque até as feministas são moralistas? (e porque os homens machistas falam igual a sua avó?)", que eu escrevi em 2012, com filme de safadeza no A Vez dos Homens que Prestam, sem filme de safadeza no A Vez das Mulheres de Verdade.

Questo testo in italiano senza foti e filmati di sesso, in Men of Worth Newspaper / Concrete Paradise: Il Puritano-Femminismo episodio 17: donne tradizionali contro donne femministe e tutte contro le donne licenziose (o: Leggi di De Morgan applicate al "machismo" e al Femminismo), http://avezdoshomens2.blog.com/2014/08/05/il-puritano-femminismo-episodio-17/
Questo testo in italiano con foti e filmati di sesso, in Periódico de Los Hombres de Valía / Paraíso Tangible: Il Puritano-Femminismo episodio 17: donne tradizionali contro donne femministe e tutte contro le donne licenziose (o: Leggi di De Morgan applicate al "machismo" e al Femminismo), http://avezdoshomens2.blogspot.com/2014/08/il-puritano-femminismo-episodio-17.html
Eso texto en español sin fotos e peliculas de putaría, en lo Men of Worth Newspaper / Concrete Paradise: El Puritano-Feminismo episodio 17: mujeres tradicionales contra mujeres feministas y todas contra las mujeres licenciosas (o: Leyes de De Morgan aplicadas al "machismo" y al Feminismo), http://avezdoshomens2.blog.com/2014/08/05/el-puritano-feminismo-episodio-17/
Eso texto en español con fotos e peliculas de putaría, en lo Periódico de Los Hombres de Valía / Paraíso Tangible: El Puritano-Feminismo episodio 17: mujeres tradicionales contra mujeres feministas y todas contra las mujeres licenciosas (o: Leyes de De Morgan aplicadas al "machismo" y al Feminismo), http://avezdoshomens2.blogspot.com/2014/08/el-puritano-feminismo-episodio-17.html
This text in English without sex pics and movies, at Men of Worth Newspaper / Concrete Paradise: The Puritan-Feminism episode 17: traditional women against feminist women and all against the licentious women (or: De Morgan's Laws applied to "machismo" and Feminism), http://avezdoshomens2.blog.com/2014/08/05/the-puritan-feminism-episode-17/
This text in English with sex pics and movies, at Periódico de Los Hombres de Valía / Paraíso Tangible: The Puritan-Feminism episode 17: traditional women against feminist women and all against the licentious women (or: De Morgan's Laws applied to "machismo" and Feminism), http://avezdoshomens2.blogspot.com/2014/08/the-puritan-feminism-episode-17.html
Texto original em português sem fotos e vídeos de putaria, no A Vez das Mulheres de Verdade: O Puritano-Feminismo episódio 17: mulheres tradicionais contra mulheres feministas e todas contra as mulheres licenciosas (ou: Leis de De Morgan aplicadas ao "machismo" e Feminismo), http://avezdasmulheres.blog.com/2014/08/05/o-puritano-feminismo-episodio-17
Texto original em português com fotos e vídeos de putaria, no A Vez dos Homens que Prestam: O Puritano-Feminismo episódio 17: mulheres tradicionais contra mulheres feministas e todas contra as mulheres licenciosas (ou: Leis de De Morgan aplicadas ao "machismo" e Feminismo), http://avezdoshomens.blogspot.com/2014/08/o-puritano-feminismo-episodio-17.html

Seção de sexo, safadeza, putaria, mulher pelada, pornografia

Sex, lust, debauchery, naked woman, pornography section

Sección de sexo, perrez, putaría, mujer desnuda, pornografía

Sezione de sesso, libertinaggio, lussuria, donna nuda, pornografia

blonde-and-redhead-with-a-cute-boy-050814 e rubia-y-pelirroja-cogendo-polla-de-bello-chico-050814 - veja mais / vea más / see more / vedi più

Granny plus three

(Vovó mais três / Nonna più tre / Abuela más tres)

Big granny fuckparty at home

(Grande festa de foda de idosas em casa / Grande nonna festa scopata a casa / Gran fiesta de cogida de abuelas en casa)



Big granny fuckparty at home brought to you by Spankwire

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Anal com bunduda (Skyy Black)

Big Booty Anal

(Anal com bunduda / Anal con mujer de / donne di gran culo)

Eu fiz essa brincadeira com três amigos, mas com uma camisinha feminina na entrada dos fundos. Deu mais ou menos certo, mas rimos pra caramba. Eu comecei dizendo: "hoje vai ser só no cuzinho e na boquinha". Só pra sentir com é, mas depois nem eles aguentaram não lamber e comer a minha buceta nem eu aguentei negar. E foi a noite anterior ao Dia Internacional da Amizade, e eu nem sabia. E falando nisso, já estão estudando uma camisinha pra sexo anal. (Foto da camisinha feminina: obrigada ao Mundo das Tribos)

Ho fatto questo scherzo con tre amici maschi, ma con un preservativo femminile all'ingresso posteriore. Ha funzionato più o meno, ma abbiamo riso un sacco. Ho iniziato dicendo: "oggi sarà solo nel culo e bocca". Solo per sentire con essa, ma poi non loro hanno resistito non leccare e scopare la mia figa e non io ho resistito a negare. Ed era la notte prima di Giornata Internazionale dell'Amicizia, e io non sapeva nemmeno. E tra l'altro, stanno già studiando un preservativo per il sesso anale. (Foto del preservativo femminile: Grazie a Mundo das Tribos)

I made this kidding with three male friends, but with a female condom at the rear entrance. It worked more or less, but we laughed a lot. I started saying: "today it will be only in the ass and mouth". Just to feel with it, but then neither they endured not to lick and fuck my pussy nor I endured to deny. And it was the night before the International Friendship Day, and I did not even know. And by the way, some are already studying a condom for anal sex. (Photo of the female condom: Thanks to Mundo das Tribos)

Hice esta broma con tres amigos varones, pero con un condón femenino en la entrada trasera. Funcionó más o menos, pero nos reímos mucho. Empecé diciendo: "Hoy va a ser sólo en el culo y la boca". Sólo para sentir como era, pero tampoco ellos soportaron no lamer y follar mi coño ni yo soporté negar. Y fue la noche antes del Día Internacional de la Amistad, e yo ni siquiera lo sabía. Y, por cierto, ya están estudiando un condón para el sexo anal. (Foto del condón femenino: Gracias a Mundo das Tribos)

domingo, 3 de agosto de 2014

Síndrome do Pânico de rola, isso é Feminismo: três exemplos

Obrigada a F. M.

Obrigada a F. M.

Obrigada ao amigo Yan Cabral. Comentário dele no original

Quando existe um determinado grupo de pessoas que não estão aptas a conviver em sociedade, e este grupo começa a causar problemas e aterrorizar o resto da população, uma das soluções empregadas - e muito cabível, por sinal - é criar espaços exclusivos para tais grupos, para que o resto da sociedade não tenha que lidar, ou possivelmente acabe vitimado, pela visão deturpada da realidade que o grupo promove.

Se você discorda que o grupo em questão seja o problema, substitua a palavra HOMEM no texto, por NEGRO, ou JUDEU, e pense se você não deveria rever seus próprios conceitos sobre o que constitui agressor, vítima, e discurso de ódio.

sábado, 2 de agosto de 2014

O que eu aprendi com amigos homens e como eles me fizeram mulher

Abigail Pereira Aranha

Essa semana eu pensei em como a minha vida tem sido muito melhor por causa das amizades masculinas que cultivo desde criança. Muito melhor que as vidas de risadas bestas, força fingida e realização falsa das lésbicas que só conseguem conversar com afeminados e homens casados capachos. Em nossa lista de prioridades (ou na delas), ter um amigo homem que presta deveria estar lá no topo. Mas não é ter um amigo que ele é amigo nosso de verdade, é nós sermos amigas de verdade do rapaz.

Ah, e uma vez entrei em um tópico em um grupo do Facebook sobre amizade verdadeira entre homem e mulher em que, como sempre, as moças faziam a separação entre amizade e desejo sexual. Aí eu perguntei para a moça que abriu o tópico o que é amizade verdadeira pra começo de conversa. Porque dizer que um pau duro é desrespeito à mulher é coisa que só uma feminista (e das piores) diz com todas as letras, mas que todas as lesbofeministas declaradas e enrustidas acreditam. Eles também ganham quando convivem com uma mulher que não estão comendo - e que não têm a menor intenção de comer. Mas por que os homens não devem esperar que uma mulher seja perfeita, ou que tenha um mínimo de qualidades ou educação, mas devem ser homens menos machos ou gays mais gays? Ah, e a garota do tópico desconversou, mas eu já sei que debates sérios com definições claras e argumentos de verdade no Brasil são cada vez mais marginais até em redes sociais.

Aqui, o que me falam sobre eles, sobre as mulheres e sobre a vida. E sobre a amiguinha aqui.

- É muito bom estar com uma mulher que sabe rir de si mesma e rir com os outros. A vida fica mais leve. E mulher assim está em falta. Se a mulher que se leva a sério demais, faz drama até por causa do cabelo. Se ela sabe que não é a poderosa, debocha de gente que não merece e não dá pra conversa produtiva.

- Você diz coisas que eu já gostaria de dizer e me ajudou a parar de suportar certas coisas. Paciência nem sempre é virtude. Às vezes, é falta de bolas pra fazer o que deve ser feito. Já vi caras que quiseram ser gente boa e só tomaram coice e prejuízo. Eu saí da Cidade X / Empresa X, foi duro, mas daí pra frente a minha vida só melhorou.

- Homem até é mais calado, mas muitas vezes é falta de com quem falar de certas coisas. O cara está passando raiva no trabalho e vai ser recebido pela mulher com uma cara de cu depois de mais de uma hora em ônibus lotado. Alguns homens já desistiram da vida e conversam basicamente sobre futebol, bebida e vadias. Fora as piadas babacas. E mulher conversando com homem costuma ser futilidades, geralmente o cara é bicha. Você salvou o meu dia puxando conversa comigo.

- Tem mulher que quer privacidade mas não respeita a dos outros.

- Poxa, as suas páginas de sacanagem são piores que as minhas! Três caras de uma vez?! Não dá nem pra ver a mulher! E você ainda coloca isso no seu blogue!

- Sabe por que amigos homens falam mal ou riem de outro amigo numa boa e mulheres nem tanto? Porque homem costuma ser menos falso e menos fútil. E antes disso criaram respeito um pelo outro.

- Transar com a luz apagada é coisa de lésbica reprimida, como diria você. A gente nem sabe o que é celulite, ora! E a gente já sabe que a moça não está nos padrões de beleza da sociedade machista misógina patriarcal, mas a gente fode gostoso assim mesmo.

- Dormiu colado, chamou de meu amor e depois não liga mais? Uma vez eu vi uma ninfetinha numa conversa assim com uma bicha e brinquei: "esquece ele, eu faço melhor e com mais carinho". Eu estava descendo do ônibus, mas ela não (risos nossos).

- As mulheres que não querem ser julgadas foram presas em flagrante. Elas dizem "só Deus pode me julgar", aí eu digo "eu sei, eu sou só testemunha". Essa eu aprendi com você.

- As mulheres que não aceitam críticas são as que mais julgam, que mais criticam e fazem mais caso por picuinhas.

- Toda mulher que diz que os homens não aguentariam ser mulher por um dia tem faculdade bancada pelo pai ou é mãe solteira que o pai do filho dela largou porque ela é insuportável. E todos os problemas que elas contam são de três tipos: inferninhos criados por outras mulheres, inferninhos que elas mesmas criam e tentar ser homem quando pode e mulher quando convém.

- Mulheres que ganham pelo menos 80% do meu salário, a maioria mal me cumprimenta. Sexo então, você foi a única que não estava bêbada, viciada em drogas ou álcool, se vingando de marido ou na miséria.

- Quase sempre, quando mulher acha que tem razão, é insuportável e acha que pode tudo; quando sabe que não tem, foge da conversa e bloqueia no Facebook.

- Engraçado que homem trai porque é canalha e mulher trai porque tem motivo. Ou até mata o homem por suposta traição porque tem motivo. Mas o pior é que para algumas mulheres e até homens, um homem casado conversar com uma amiga parece que está consumindo drogas.

- Você defende o casamento aberto e tem um argumento interessante: a pessoa que pergunta "se não é pra ser fiel, por que casar?" devia dizer por que além do sexo o casal vai estar junto. E esse é o tipo da pessoa que mais falha com o outro, isso quando não falha no sexo também.

- Todo homem quer te comer, se você for atraente de alguma forma. Mas para quase todas as mulheres parece que é caso de polícia, de desacato a autoridade, de blasfêmia um amigo ver a amiga como mulher. Se a mulher acha que olhar para uma mulher sexualmente é desvalorizar ou desrespeitar, é porque ela mesma além de feia, chata e esnobe, não tem tanta qualidade assim. E pau mole é prova de amizade, de respeito? A amizade em que a mulher acha que heterossexualidade é problema é a mesma em que ela recebe muito do amigo, não dá nada que presta e ainda pede mais (até de pedido pra matar homem eu já soube). Você me mostrou aquela lista de atrizes pornôs que têm até pós-graduação e me falou da Lola Benvenutti, que tem curso de Letras e é prostituta. Por que a turma do "tem uma mulher por trás desse corpo" não fala nem o nome delas?

- Uma frase sua que eu ri muito é que mulher de personalidade é uma lésbica mimada pelo pai e cercada de frouxos que morre de medo de ficar sozinha em ponto de ônibus à noite.

- Se o mundo está cheio de homens machistas, cafajestes e violentos, é porque nenhum deles está sem mulher e os caras legais estão se cansando de serem tratados como lixo.

- Eu já estive muito mal naquela vez em que você me mandou uma mensagem pelo celular / Facebook perguntando como eu estava. Eu posso estar na lama, mas as mulheres que eu conheço só sabem falar delas, da vida dos outros, de banalidades e de quanto são "guerreiras".

- "Sempre grato pelo prestígio, Abigail... bom saber que você gosta e até compartilha algumas de minhas postagens (...) que você, de forma geral, é pornófila também. E reitero, agradeço sempre seu prestígio e amizade." (Filezinho Recife, do Facebook)

- "Sacanagem. Além do anti-feminismo, a Biga vai também tirar o ibope da marcha das vagabas." (Yan Cabral, do Facebook, comentando a imagem abaixo)

P. S.: Antigamente, "fazer mulher" era tirar a virgindade. A mulher precisa saber que ele a respeita como pessoa e gosta dela mais do que só sexualmente para ter confiança antes de entregar o corpo a um homem. Assim eu perdi a minha virgindade com dois amigos e pelas minhas últimas contas, já transei com 207, que não deixaram a desejar nem no respeito. Quiá, quiá, quiá, quiá, quiá!

Abigail P. Aranha, 23, 9 de putaria, quase 5 de blogueira e alguns poucos de piadinhas. Administradora dos blogues A Vez das Mulheres de Verdade, Jornal dos Homens que Prestam, A Vez dos Homens que Prestam e Viver a Vida e Planejamento Estratégico, onde fala bem dos homens de valor e mal das mulheres, da família, dos bons costumes, do Feminismo, da mediocridade intelectual e da vida cotidiana do Brasil e dos homens que não honram as bolas. Ex-professora particular dos primeiros anos do Ensino Fundamental (a má fama correu, os pais dos meninos também). Ex-aspirante ao curso de Pedagogia. Auxiliar administrativa da única oficina mecânica do Brasil que ainda tem foto de mulher pelada na parede (presente dela aos colegas que gostam dela mas são comprometidos).
Texto original em português sem filme de putaria, no A Vez das Mulheres de Verdade: O que eu aprendi com amigos homens e como eles me fizeram mulher, http://avezdasmulheres.blog.com/2014/08/02/o-que-eu-aprendi-com-amigos-homens-e-como-eles-me-fizeram-mulher/
Texto original em português com filme de putaria, no A Vez dos Homens que Prestam: O que eu aprendi com amigos homens e como eles me fizeram mulher, http://avezdoshomens.blogspot.com/2014/08/o-que-eu-aprendi-com-amigos-homens-e.html

Seção de violência racista contra a mulher, ops, sexo, safadeza, putaria, mulher pelada, pornografia

Racist violence against womyn, ops, Sex, lust, debauchery, naked woman, pornography section

Sección de violencia racista contra las mujeres, ops, sexo, perrez, putaría, mujer desnuda, pornografía

Sezione de violenza razzista sulle donne, ops, sesso, libertinaggio, lussuria, donna nuda, pornografia

Mommy Got Boobs: To Prank A Skank

(Mommy Got Boobs: brincar com um cafajeste / Mommy Got Boobs: fare scherzo con un mascalzone / Mommy Got Boobs: bromar con un sinvergüenza)

Filme completo em Brazzers, vi no computador de um amigo homem que subscreveu / assinou o site. Rapazes, vamos colocar dinheiro nisso!

Film completo a Brazzers, ho visto nel computer di un amico che ha sottoscritto il sito. Ragazzi, cerchiamo di mettere i soldi in questo!

Full movie at Brazzers, I saw it in the computer of a male friend who subscribed the site. Boys, let's put money in that!

Vídeo completo en Brazzers, lo vi en la computadora de un amigo que suscribió el sitio. Muchachos, vamos a poner el dinero en eso!

Apêndice

O que aprendemos com amigos homens (Mariliz Pereira Jorge)

DE SÃO PAULO

31/07/2014 10h45

"Se você quiser, eu posso esperá-lo na saída do trabalho e dar um murro na cara, porque é o que ele merece", me disse Kiyo, um dos meus melhores amigos. Enquanto eu fiquei horas tentando entender com a minha melhor amiga por que aquele cara com quem eu dividia a toalha de rosto tinha me presenteado com um chifre, Kiyo resolveu o problema de uma forma em que os homens são mestres: foi prático.

Me pareceu uma vingança justa. Parei de chorar. E pensei em como a minha vida tem sido muito melhor por causa das amizades masculinas que cultivo desde criança.

Eu deveria ter uns 11 anos quando tirava racha de Mobilete com o Junior, irmão da Fabiana. Olhava para ele com admiração e via nele um amigo. Depois teve o Royce, que se borrou comigo brincando de Tabua Ouija. Puta sufoco fazer o espírito ir embora. A gente tinha uns 14 anos, mas dividia a raia dos treinos de natação bem antes disso. Rolou até um namorico, mas logo percebi que ele era muito melhor como fiel escudeiro - e vice-versa - do que qualquer outra coisa.

Então, fiquei mega amiga do Marquinhos, que levava a galera pra cima e pra baixo num Voyage prata rebaixado. Ele era o único com mais de 18 e carta de habilitação. Ídolo. E conselheiro.

Em nossa lista de prioridades, ter um amigo homem deveria estar lá no topo. Antes de passar protetor solar todos os dias, fazer um plano de previdência privada, não comer glúten, fazer aula de balé fitness.

Ele ri da nossa cara, não se comove facilmente e nos chama de ridícula ou louca de cara, sem rodeio, sem discussão. E o melhor: nunca fica de mal. Simplifica a vida.

É um troca-troca sem sacanagem. Eles também ganham quando convivem com uma mulher que não estão comendo - e que não têm a menor intenção de comer. Eles podem até pensar em comer, mas passa. Ficam à vontade para serem homens menos machos. E os gays mais gays. Eu convivo com os dois tipos.

Aprendi um bocado de coisas. Não tudo, mas tenho tentado com a ajuda deles. E é bom saber que eles estão por perto se eu precisar de ajuda para bater em alguém.

Aqui, o que me falam sobre eles, sobre as mulheres e sobre a vida.

- Pare de comprar parcelado. Mulher adora um carnê. Esquece na hora que se lembrará da compra pelos próximos 12 meses. Compre à vista. Se não tiver, não compre.

- Aprenda a rir de si mesma. A vida fica mais leve e o ego menos inflado. Homem faz piada com o pinto, com a barriga, com o carro ferrado, com o salário de merda. Mulher se leva a sério demais, faz drama até por causa do cabelo.

- Não queira resolver as coisas ao seu tempo. Aprenda a esperar, decante os sentimentos antes de telefonar ou mandar um e-mail com a cabeça quente para o namorado, para o chefe ou para qualquer outra pessoa. Vai mudar a sua vida.

- E se eu digo: 'vou dormir, amanhã a gente conversa', estou falando muito sério. Não queira continuar a conversa e não venha me acordar. Se você não consegue dormir porque discutimos, tenha sempre um Lexotan na gaveta. Não será a primeira nem a última vez. Casais brigam. E fazem as pazes, mas não exatamente na hora que você quer.

- Aproveite a solidão. Morro de saudade da minha mulher e das filhas quando elas viajam, mas ficar uns dias sozinho em casa faz um bem danado à alma. É importante sair sozinho, viajar sozinho, ter um tempo só meu e não ficar angustiado pela falta de companhia.

- Curta o silêncio. Mulher fica louca quando estamos quietos, mas numa relação saudável, dizer nada traduz um sentimento enorme de paz. Minha namorada já se acostumou e curte nossas viagens com música e nossos silêncios. Não é falta de assunto - é sinal de que está tudo bem.

- Respeite a minha privacidade. Não quero que você mexa no meu celular, nem use o meu notebook. Sim, você vai achar umas páginas de sacanagem e tenho o direito de querer que você não saiba. Também não quero que arrume minhas coisas no banheiro nem no meu guarda-roupa - a não ser que eu concorde.

- Você descobre que duas amigas saíram juntas e falaram mal ou riram de você, seja lá pelo motivo que for. Você fica brava? Bobagem. Os homens fazem isso o tempo todo entre si e não deixam de se gostar por causa disso.

- Acenda a luz. Não importa o quanto você é expert nas carícias, no sexo oral, nas acrobacias. Para o homem, não basta sentir, é preciso ver também.

- Dormiu colado, chamou de meu amor e depois não liga mais? Não faça nada. Em breve, ele vai sofrer com a "gelada" e achar que fez alguma coisa de errado.

- A gente gosta diferente cada vez que ama. Não significa amar mais ou menos, mas o tempo e a tal da maturidade mudam a forma como eu encaro a vida e os outros. E o jeito como eu amo uma pessoa e a importância que ela terá na minha vida.

- Não espero que uma mulher seja perfeita. Já tive mulheres mais bonitas, mais divertidas e mais bem-sucedidas que a minha mulher, mas ela tem alguma coisa que me faz querer tê-la por perto o resto da vida. Ela é perfeita para mim, não para os outros, por isso casei com ela. Não tente entender por que um ex está agora com alguém que parece menos do que você.

- Ganhe seu próprio dinheiro. Não interessa se é muito ou pouco. Ele pode vir a ser só seu ou entrar no racha das contas da casa. Só quero ter a certeza de que você está comigo porque quer e não porque precisa.

- Escolha as batalhas. Aprenda a parar. Saiba quando jogar a toalha. Melhor alimentar o amor do que o ego. É muito chato uma mulher que quer ter razão sempre, mesmo que tenha.

- Não é verdade que todo homem trai, mas muitos traem. Você pode ser prática ou sofrer. Ou termina. Ou perdoa e acredita. Ou fica remoendo e passa a vida inteira insegura e infeliz. Homem em geral manda à merda ou faz de conta que não sabe. Porque a gente não tem muito jeito para lidar com corno.

- Na maioria das vezes não estou sendo grosso ou insensível, apenas prático. Perguntou? Respondi. Sem neuras ou bichisse.

- Não somos iguais, embora haja uma convergência natural de papéis. O segredo é entender as diferenças, não confundi-las com rótulos sociais babacas e respeitar os limites dos dois lados.

- Todo homem quer te comer, se você for atraente de alguma forma (rosto, cérebro, bunda, tanto faz). É atávico. Lute contra o sexismo, não contra o desejo sexual.

- Fui apaixonado pela minha melhor amiga (você) durante muito tempo, mas só tive coragem de contar quando estava casado e com uma filha. Não queria estragar uma amizade de anos. Nossas conversas, tenho certeza, eram melhor do que sexo. Preferi não mexer nisso. E não sou o único homem que já teve que fazer essa escolha.

- A maioria dos homens é composta por tapados na hora de falar sobre sexo com mulheres. Não falamos com a mamãe, não falaremos com aquela que quer nos roubar dela. Nessa falta de abertura o cara fica sem aproveitar um monte de prazeres que poderia ter - de um fio-terra que muita gente diz que é coisa de boiola até como fazer uma mulher gozar com sua boca.

- Sim, eu divido mulheres em "pra trepar" e "pra casar". Mas aí vem o truque. A responsabilidade não é delas. É minha. Na hora de procurar uma pessoa eu projeto meu desejo no momento, e ao longo dos anos ele sempre pendeu mais pro superficial do que pro profundo. É óbvio que tem mulheres que despertam algo mais do que o Neandertal, e outras que nós vemos mais como objeto de diversão. Não vejo problema nenhum nisso, as mulheres também não deveriam ver. Mas a maioria quer alguém pra chamar de seu.

- Tenha personalidade. Não viva a vida do seu namorado ou marido. Quando estou no trabalho, bebendo com os amigos ou comprando uma calça jeans, eu não penso em você. Estou focado no momento, no que estou fazendo. E isso não significa que gosto menos ou não estou comprometido.

- Faça escolhas. O mundo está coalhado de homens machistas e filhos da puta, mas você não é obrigada a ficar com um deles. O problema é que tem muita mulher que prefere isso a ficar sozinha e ter paciência de esperar pelo cara legal.

- Cuide-se. Se eu gostar de você gordinha, vesga, louca, vou continuar gostando ao longo dos anos. Portanto, não se transforme numa pessoa diferente daquela pela qual eu me apaixonei. Certamente, vou desapaixonar - e virar o filha da puta da sua vida.

- Tem coisas pelas quais eu simplesmente não me interesso. Pode ser o novo criado-mudo ou o novo namorado da Maria. Eu até quero saber, mas não precisa me contar com detalhes, a não ser que eu realmente esteja curioso e faça perguntas. Quanto mesmo vai custar esse criado-mudo?

- Não tenho um único amigo que sofreu por causa de amor mais do que três meses. Mas conheço mulheres que levaram cinco anos pra esquecer um cara. Tudo tem limite, inclusive dor de cotovelo. Enquanto você sofre, o fulano já conheceu ginecologicamente metade da cidade.

- Se está com vontade de falar comigo, não espere. Me ligue, mande uma mensagem, qualquer coisa. Acontece raras vezes, mas posso não tomar a iniciativa. Ou estar enrolado com outras histórias. Mas se eu não responder, esqueça. Nunca estarei ocupado demais se estiver interessado. Simples assim.

P.S. Não topei a surra no ex. Mas continuo torcendo para que ele morra de diarreia. Meu amigo me chama de louca. Ele pode.

mariliz pereira jorge Mariliz Pereira Jorge é formada em comunicação social, tem pós-graduação em relações internacionais, curso de marketing estratégico e especialização em nutrição e aromaterapia. Já trabalhou na Folha e escreveu para as revistas 'Veja', 'VIP' e 'Boa Forma', entre outras. Atualmente, é editora do 'Encontro com Fátima Bernardes', da TV Globo. Acompanhe: facebook.com/mpjota

Folha de São Paulo, 31/07/2014, http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2014/07/1493746-o-que-aprendemos-com-amigos-homens.shtml

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