quinta-feira, 9 de julho de 2015

A Revolução Normal

Abigail Pereira Aranha

Eu escrevi há 7 dias, já com este texto em mente, que

o bom discurso e as boas ações PRÁTICAS caracterizam, JUNTOS, as pessoas honradas. Mas nós estamos tão acostumados com o mal, a estupidez, a mediocridade e a acomodação que consideramos que uma pessoa é de bom caráter só porque nunca fez nada ERRADO.[1]

Alguns amigos meus no Facebook fazem uma dúzia de compartilhamentos seguidos no mesmo dia de textos da grande mídia que, alguns textos em si ou os fatos reais que motivaram outros, seriam peças de humorismo ou de terror em um país normal. Mas, digo sem medo de errar, estes amigos inteligentes não têm os perfis muito visitados por pessoas da família e dificilmente acham, no mundo real, alguém para conversar sobre assuntos muito melhores que futebol, álcool e vadias. Algumas coisas apavorantes do cotidiano do Brasil: 1) mais da metade dos universitários brasileiros não consegue interpretar ou escrever um texto decentemente; 2) muitos pós-graduados realmente acham que fazer ataque pessoal a um debatedor ou fingir que ele merece o desprezo pelo silêncio é melhor que refutar o que ele diz; 3) você nem sabe quando a maioria das 50 melhores universidades do Brasil está em greve há três meses; 4) Pelo menos quatro grandes veículos (R7, Veja, G1 e Folha de São Paulo) trouxeram no começo de junho matérias com títulos como "População de cachorros supera o número de crianças no Brasil". Há piadas mais jornalísticas que muitas reportagens, uma piada em forma de notícia pode ser levada a sério. Ah, publiquei há quatro dias atrás um caso ilustrativo em "Mulheres Contra o Feminismo… e homens a favor" (http://avezdasmulheres.blog.com/2015/07/05/mulheres-contra-o-feminismo-e-homens-a-favor)

Isso tudo mostra que a louvação à geração da década de 1960, de que as pessoas eram mais honestas, mais religiosas, mais respeitosas à família etc, é só romantismo provinciano. O zelo moral em si é exatamente não permitir a relaxação de condutas e princípios, assim como a inteligência em si é não engolir a incoerência e a sanidade mental em si é rejeitar a insanidade. Se bastaram duas gerações para trabalhadores rurais católicos discriminando evangélicos passarem para um Papa que ouviu do socialista Raul Castro que, pelo andar da Igreja Católica, pensava em voltar a ser católico; ou para uma moça que foi vigiada no noivado pelo pai semianalfabeto armado para nem ser tocada antes do casamento ter uma neta na Marcha das Vadias; então, toda aquela moral mal passou de exaltação do semianalfabetismo e da falta de sexo.

Ah, e o comum em desajuste moral-mental projetado na área sexual não é o vício em sexo, que é muito raro. É o pânico a qualquer "gostosa" de biquíni ou sugestão de sexo heterossexual. Muitas mulheres defensoras da castidade não parecem ter mais que três ou quatro qualidades morais ou mentais de verdade e nem sempre são receptivas a argumentação lúcida. Mais: as feministas "radicais" (ou seja, que seguem a raiz) têm muito em comum com as mulheres anorgásmicas da década de 30 na demonização da prostituição e da pornografia.

É penoso mostrar decência moral e mental no cotidiano, mas nós precisamos manifestá-la o quanto podemos e buscar autonomia para manifestá-la ainda mais e ainda ter mais qualidade de vida. Zelar pela integridade mental e assumir o poder sobre a própria vida é o começo para qualquer ação. Você deve conhecer, como eu conheço, pessoas que saíram de empresas ou cidades atoladas na pobreza de espírito e, desde então, só progrediram. Mesmo manifestações modestas de integridade moral-mental podem mostrar que ela existe e que a verdade que ela busca não pode ser reprimida.

A única forma de as pessoas mentalmente e moralmente íntegras vencerem a iniquidade e a insanidade é, para começar, lutando. Uma guerra onde só um lado atira não é guerra, é massacre. Atiradores de insanidade requerem tiros de normalidade. A vitória contra o Socialismo ou o LGBT-Feminismo não é só tirar militantes notórios do poder formal, é trazer a sanidade moral e mental aos padrões da vida social. Quando isso acontecer, legiões de incompetentes, parasitas e criminosos terão à espera uma saída inapelável do serviço público, dos jornais, dos corpos docentes das universidades. Não só eles, a própria ideologia que eles defenderam vai ter as portas fechadas porque a normalidade moral e mental vai se negar a abri-las.

NOTA:

[1] "Boas maneiras em queixas de estupro", http://avezdasmulheres.blog.com/2015/07/02/boas-maneiras-em-queixas-de-estupro

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