quarta-feira, 30 de abril de 2014

Valorização da Educação? Vamos começar pelo povo!

Primeiro, quem fala em valorização da Educação no Brasil costuma ser professor medíocre, sindicalista e graduando maconheiro de curso de Ciências Humanas, e sempre para conseguir dinheiro público, geralmente aumento de salário para os professores. Os professores bons, quando reclamam do salário, falam uma vez ou outra, porque o que mais incomoda pode ser os próprios colegas medíocres, ou funcionários incompetentes, ou a turma que não estuda. Os alunos que levam o curso a sério estão mais preocupados com os colegas que atrapalham a aula, os funcionários incompetentes e sem educação, a sala de computadores onde o administrador se preocupa mais com bloquear websites do que com as máquinas estragadas. Mas isso não significa que o discurso da turma da valorização da Educação esteja (quase todo) errado.

Primeiro, não é porque um povo é de baixa escolaridade, ou até a maioria de analfabetos, que ele vai desprezar a Ciência. Outros países da própria América Latina já tiveram um povo de baixa escolaridade que tratava quem tinha instrução com respeito. Hoje está mais claro que o desprezo pelo conhecimento, pela inteligência ou até deboche de quem fala corretamente é coisa da cultura do Brasil, porque até os graduandos em geral (e em níveis mais avançados) têm horror ao conhecimento e ao bom argumento.

Até quando um brasileiro parece valorizar os estudos não é pelo saber em si, é por status e dinheiro. É o diploma, não o que ele devia significar, que é o tesouro, o provedor do carro de luxo, o atrator de vadias, a fonte de dinheiro para o sustento e o hospital da mãe de corpo decadente. E para conseguir o diploma, não ter a formação que ele devia significar, vale pagar trabalho, copiar trabalho pronto da internet, trepar com o professor, tirar o professor que não dá nota fácil, até pagar pelo próprio diploma ou comprar a tese de pós-graduação ou o trabalho de conclusão de curso. Os próprios universitários falando de cursos geralmente falam de renda e possibilidades de trabalho depois de formados. Nós não costumamos ver rodas de conversa em corredores, restaurantes ou barzinhos do campus de estudantes de Medicina falando de Medicina ou estudantes de Filosofia discutindo filósofos. Se você já pegou um ônibus que passou por uma faculdade em fim de aula, já deve ter visto: ninfetinhas ou lésbicas burguesas e moleques burgueses afeminados falando de colegas, ridicularizando ou reclamando de professores, falando da família, comentando filmes, comentando festinhas, contando casos imbecis, tudo entre risadas de macaco. No máximo (quase sempre), reclamando de que a matéria tal é difícil ou dizendo como passar com tal professor é fácil.

Os universitários, principalmente as mocinhas, falam da universidade, de curso, de pós-graduação no exterior como quem fala de uma boate ou de um local turístico. O típico universitário brasileiro não é o de um jovem dedicado a estudar, quase antissocial, para saber pelo menos o básico de uma Ciência da Computação ou de uma Agronomia. É um moleque bancado pelo pai classe média mais preocupado em pegar vadias e encher a cara de drogas e álcool do que em terminar o semestre sabendo mais do que quando começou. Ou uma vadia também bancada pelo pai classe média e frequentadora de calouradas, embora menos pior que o rapaz acima. E a universidade brasileira nem é vista pelo público de fora como uma espécie de Maçonaria da Ciência, a referência é festa com bebedeira, maconha, "agitprop" (agitação mais propaganda socialista), velhos sexualmente doentes que publicam artigos que ninguém vai ler e jovens mal acostumados.

Mas, gente, saindo um pouco do assunto, por favor não pensem, quem for de fora, que a faculdade é um antro de putaria. Os playboys dão festas onde algumas mocinhas que se fazem de santas ou seletivas no dia-a-dia se soltam, é verdade, mas nas faculdades são mais moças puritanas do que lésbicas assumidas e vadias juntas (lembrando que vadia não é a mulher que fode muito, é a que valoriza os piores homens). Uma vez eu estava saindo da aula de manhã, eu ainda estava com 16 anos e no Ensino Médio, no campus de uma universidade federal, em uma lanchonete, com alguns amigos. Aí a gente estava conversando alguma coisa relacionada a Feminismo, uma mocinha feminista entrou na conversa e eu fiquei no meio do povo que estava em umas mesas ao ar livre pra fazer uma brincadeira: "gente, vou dar uma festinha de aniversário sem álcool mas com refrigerante, comida e putaria liberados, quem quer?". Uns três rapazes conhecidos disseram "eu quero". Aí eu disse: "cadê as meninas?". Aí a mocinha feminista me tacou uma lata de refrigerante (não acertou, mas até senti o gelado na minha orelha) e as mulheres todas aplaudiram.

Na Macacolândia, metade dos universitários são analfabetos funcionais (sabem juntar as letras mas não sabem interpretar corretamente um texto ou uma tabela) e os alunos que terminam o segundo grau estão entre os últimos colocados do PISA e nenhum político deixa de ser reeleito, nenhum funcionário público da Educação perde o cargo. A educação brasileira é vergonha até na América Latina e ninguém com responsabilidade direta vai preso. Sabe quem perde o emprego? O professor que quer dar aula de verdade.

A ideia geral que o Brasil tem da Ciência pode ser resumida naquela "piada": a faculdade quer dar o diploma, o aluno quer receber e o professor está lá para atrapalhar a negociação.

No entretenimento popular, quase todos os personagens do humorismo são imbecis. O McGyver foi um exemplo raro de sucesso de seriado com protagonista homem inteligente e instruído. Quando o personagem homem é erudito ou apenas inteligente, é um professor que mal consegue dar aula e só ouve a turma falando asneiras como o Professor Girafales ou o Professor Raimundo, ou um desastrado pega-ninguém como o personagem do Eddie Murphy em "O Professor Aloprado". Quando um homem de estudos aparece nos contos de moral, é pra ser humilhado por índio, caipira ou velho asiático. As mulheres espetaculares dos seriados de televisão ou do cinema eu não menciono porque são peças moralistas ou ítens de consumo feminista para lésbicas que ganham pouco.

Aí falam em plano das elites para deixar o povo burro e babaca. No caso do Brasil, a conspiração deve ter passado pelo sistema de cotas para alunos de escolas públicas nas universidades, pelo voto facultativo para analfabetos, pelo acesso dos pobres à televisão e pelo Orkut.

Abigail Pereira Aranha

Apêndices

Diploma vendido no centro de BH

No fim de janeiro, O TEMPO denunciou um esquema de venda de diplomas de ensino médio que funcionava a poucos metros de uma delegacia, em plena avenida Santos Dumont, no centro da capital. Facilmente, o repórter conseguiu comprar o certificado fraudado por R$ 200.

Na tarde do dia 19 de janeiro, a reportagem forjou interesse no documento irregular e fez a encomenda por telefone com um homem que se apresentou como Marcelo. "É um documento que vai resolver seus problemas", garantiu.

Passados seis dias, o estelionatário pediu a outro homem, identificado como Augusto, que entregasse o diploma ao "cliente". Numa pasta preta, o homem de cabelos grisalhos exibia vários envelopes idênticos ao documento fraudado.

Nas imagens registradas pela reportagem, o estelionatário apresentou o certificado que foi verificado pelo repórter. Enquanto isso, o suspeito sorriu, conversou e chegou a dar um gole num copo de cerveja. Ele disse que era aposentado e vendia diplomas falsos há seis anos sem nunca enfrentar problemas. "É garantido. Já vendi até para gente que entrou na PM e na BHTrans", disse.

Em seguida, o repórter entregou a quantia combinada ao estelionatário, que conferiu sem a menor discrição. O comprovante do ensino médio vendido pelos falsificadores possui carimbo da Secretaria de Estado da Educação (SEE) e da Escola Sesi Alvimar Carneiro de Resende, no bairro Cinco, em Contagem, na região metropolitana. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), entidade responsável pela escola, informou que irá implantar diplomas com marca d?água para evitar falsificações.

A reportagem enviou o diploma falso à SEE, que informou, por meio de nota, que "vários elementos apontavam para irregularidades". (RRo)

"Conselho faz varredura em 140 mil registros profissionais" (Rafael Rocha). O Tempo, Belo Horizonte, 06 de fevereiro de 2010, http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=162799,OTE.

Venda de trabalho escolar sai por R$ 1.500 em Minas

Prática ilegal se espalhou no Estado, dizem professores; venda é parcelada em até 18 vezes

Carolina Coutinho, do Jornal Hoje em Dia, com R7

http://i2.r7.com/zemoleza-450x338.jpg

Site Zé Moleza, que permite baixar monografias, trabalhos de faculdade e de colégio

Monografias de faculdade vendidas em até 18 vezes no cartão de crédito. Seja por falta de tempo, interesse, capacidade ou por pura malandragem, cada dia mais estudantes recorrem à compra de trabalhos para concluir o curso universitário. Educadores afirmam que esse tipo de fraude se tornou comum em salas de aula das instituições de ensino superior de Minas Gerais.

Essa tática é posta em prática por aqueles alunos que precisam do diploma, mas que não querem ou não podem se esforçar para conquistá-lo. A principal fonte dos trabalhos prontos é a internet, onde há milhares de sites que oferecem o produto, como o conhecido Zé Moleza.

Com o pretexto de comprar uma monografia do curso de psicologia, a reportagem entrou em contato por telefone com vendedores de trabalhos de conclusão de graduação em Belo Horizonte. As ofertas foram facilmente localizadas pelo sistema de buscas do Google - havia telefone, preços e informações disponíveis da "empresa" na internet.

O preço cobrado é R$ 1.500, que pode ser parcelado em até três vezes sem juros, com cheques pré-datados. Caso o cliente queira pagar à vista, a "empresária" dá um desconto. Apesar de ser claro o tipo de atividade, a vendedora afirma que não faz o trabalho sozinha.

A "empresária", ao atender o telefone, informou que faz trabalhos de qualquer tema e que seus clientes nunca tiveram problemas com os professores. Ela disse ser formada em arquitetura e trabalhar há mais de 20 anos na confecção de monografias.

- O estudante tem que antes me repassar todas as orientações de seu professor, para eu ter noção do que ele quer.

A segunda vendedora com que a reportagem entrou em contato tem prática diferente. Ela disse que estabelece preços de acordo com o cliente e com o produto.

- Oriento todos os meus clientes a escolherem temas comuns, para facilitar a obtenção de fontes de consulta e agilizar a pesquisa. O valor é negociável, depende do tema e do tamanho.

Crime

Mesmo configurando crime (falsidade ideológica e violação de direito autoral), as fraudes e plágios em trabalhos acadêmicos quase nunca viram processos judiciais. A maioria das instituições de ensino prefere resolver o problema internamente, com advertência, reprovação e até mesmo a expulsão do aluno infrator.

O advogado e professor de direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Manoel Galdino da Paixão Júnior disse que esses crimes só não vão parar na esfera judicial porque não interessa à faculdade divulgar esse tipo de conduta.

- Ter alunos imorais e criminosos matriculados em sua instituição denigre a imagem da faculdade. É por isso que elas não denunciam os fraudadores.

Para a vice-reitora da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), Patrícia Bernardes, cabe à universidade aplicar as punições.

- Damos zero no trabalho, reprovamos o infrator e até o expulsamos da instituição, dependendo da gravidade da fraude. Nossas sanções são acadêmicas. Infelizmente, as falsificações têm se tornado frequentes. Eles [alunos que fraudam trabalhos] só querem saber do diploma.

A linha de atuação é a mesma na UFMG, segundo o pró-reitor-adjunto de graduação, André Cabral.

- Em caso de fraude, a banca examinadora pode reprovar o estudante. E se for plágio a gente pode abrir sindicância. Se o plágio for confirmado, é aberto um processo administrativo disciplinar. É dado amplo direito de defesa ao aluno, mas ele fica sem poder colar grau durante o processo.

O problema não é específico de Minas e não se restringe às vendas pela web. Em outras cidades, como Brasília (DF), faixas com anúncio do serviço podem ser vistas nas ruas. A reportagem verificou placas com dizeres como "Auxílio monográfico", "Monografia - verificamos plágio" e "Monografia - consultoria". Todas traziam telefones de contato.

Orientação

O MEC (Ministério da Educação) afirma que as universidades devem procurar a polícia para resolver o caso. A autonomia das instituições não permite à pasta intervir nesses casos, diz a pasta em nota oficial.

- As universidades são autônomas e o MEC não pode intervir. Isso é caso de polícia, e as universidades devem decidir qual o melhor procedimento aplicar.

O Ministério Público de Minas Gerais disse, via assessoria de imprensa, que as denúncias contra os sites que vendem as monografias não são da esfera pública, mas sim do direito privado. Desta forma, esses sites continuam online.

Advogado especialista em direito autoral, Hildebrando Pontes ressalta que os casos não viram processos judiciais porque as faculdades tendem a contemporizar a situação.

- Acho que as universidades deveriam caçar o título do fraudador, porque isso é crime. Mas elas não podem ser obrigadas a denunciar seus alunos à Justiça. Só recorre à Justiça, mesmo, aquele autor que foi plagiado. E isso quando ele fica sabendo que sofreu o crime.

R7, 03 de fevereiro de 2011, http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/venda-de-trabalho-escolar-sai-por-r-1-500-em-minas-20110203.html

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