quinta-feira, 26 de março de 2015

Sobre o preço da desonra, o respeito aos mais velhos e a salvação do país

Abigail Pereira Aranha

Olá, meus amigos e minh@s inimig@s! Vou começar com dois exemplos recentes, aqui do Brasil, de que quando alguém tem de escolher entre a desonra e a guerra e prefere a desonra, acaba fazendo guerra à honra e "morrendo" na guerra. O primeiro: o governo Dilma Rousseff quis abafar as notícias sobre corrupção e o desempenho horrível do governo em geral e, com a ajuda dos jornais comprados pelas verbas estatais, usou uma picuinha que uma deputada do partido do governo, Maria do Rosário, criou com um deputado de oposição, Jair Bolsonaro, para distorcer uma fala dele. Ele disse que SE FOSSE estuprador, não a estupraria porque ela não merece. O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, mandou um certo Gustavo Foster para entrevistar o deputado, com perguntas como "esse discurso [dizer que uma mulher NÃO merecia ser estuprada, vejam só] não trata a mulher como objeto e acaba perpetuando uma cultura de estupro?" (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/12/bolsonaro-diz-que-nao-teme-processos-e-faz-nova-ofensa-nao-merece-ser-estuprada-porque-e-muito-feia-4660531.html). A entrevista inteira parecia um bullying para um blogue feminazista. Isso foi dia 10 de dezembro. Em 2006, primeiro mandato de Lula, Olavo de Carvalho comentou sobre a censura a um artigo dele que devia ter sido publicado no mesmo Zero Hora: "Infelizmente, acabarão entendendo isso demasiado tarde, quando perceberem o que Lula quer dizer com 'democratização dos meios de comunicação'" (http://www.olavodecarvalho.org/semana/061029zh_censurado.html). No dia 27 de janeiro, cerca de um mês e meio depois daquela entrevista, a RBS - Zero Hora Editora Jornalística S. A. se tornou alvo de um processo do Ministério Público Federal do Trabalho. E a procuradora é Paula Rousseff Araújo, filha da presidente da República já no segundo mandato. O caso está em http://radiovox.org/2015/01/29/filha-de-dilma-rousseff-coloca-em-acao-censura-da-midia. O segundo: "Aprovação de Dilma cai a 16% no Nordeste, região onde teve maior vantagem nas eleições" (http://www.brasilpost.com.br/2015/03/18/dilma-aprovacao-nordeste_n_6893364.html). Esclarecendo para quem não é do Brasil, a região Nordeste e a região Norte são as mais pobres do Brasil e as mais "beneficiadas" por programas de assistência social do governo federal. Nos dois casos: sabe o que eu acho? Eu acho é pouco. A honra não se vende, a desonra é que empresta a juros.

Tivemos manifestações populares em dezenas de cidades do Brasil pedindo o impeachment da dona Dilma Rousseff, mas não compartilho o otimismo de muita gente contrária ao governo do PT porque, com todas as críticas, cada vez mais até de gente que votou no PT, o PT ganhou a quarta eleição seguida. Bom, na verdade, não ganhou, a eleição foi fraudada, com algumas urnas com defeito no teclado, outras que não aceitavam o voto no candidato dito da oposição e até urnas trocadas depois da votação. Mas se não foram 54 milhões e meio de votos, foram quantos? 20 milhões? Ainda é gente pra caramba. E foi preciso haver uma série de problemas econômicos, morais e políticos noticiados até nos grandes veículos comprados pelo dinheiro de publicidade estatal para o PT começar a ter medo de perder uma eleição, aquela para o quarto mandato seguido.

E mais uma coisa que eu gostaria de chamar à atenção: o sinal da salvação de um país que se afundou na estupidez e na desonra é a geração anterior sentir vergonha diante da atual.

Bom, eu já disse por aqui que eu sou contra a família, mas eu não tive o costume de atacar muito. A educação que ganhamos na família tradicional quer que a gente veja velhos como sábios com autoridade. Sabedoria e autoridade são grandezas morais firmadas na sanidade mental, no amor à virtude, no amor à verdade, na autenticidade. Uma feiosa semiletrada que nunca teve um orgasmo na vida e mal é tolerada pelo marido prova que desconhece o que é autoridade quando confunde isso com aterrorizar crianças pequenas que ela devia preparar para o mundo, ou quando reconhece autoridade em uma pessoa mais velha não muito menos estúpida e derrotada do que ela mesma. Na melhor das hipóteses, quem valoriza a família como fonte de valores morais generaliza a própria experiência de pais que mostraram com um estilo de vida que moral é mais que fobia do sexo oposto e medo de regras que não parecem valer para mais ninguém. A valorização da família é a idolatria à estupidez e à mediocridade. Ah, e eu tive uns casos quando eu tinha 15, 16 anos de gente da família querendo que eu seguisse aquele costume arcaico de pedir a benção de tias e primas mais velhas. E como algumas já não tinham muita simpatia por mim pelas verdades que eu dizia e pela minha vida de fornicação, aí eu zoava: "tomar uma benção sua eu não quero, prefiro dividir as minhas". Aliás, dos antissocialistas brasileiros, talvez o grupo mais eficiente seja a famosa Real, concentrada em antifeminismo, desenvolvimento pessoal e, a maioria, no "marriage strike" (greve de casamento). Este grupo é ridicularizado por feministas e capachos porque defende a família tradicional mas menciona procurar as prostitutas em vez de tentar ter uma namorada. Aí está o ponto: se os guerreiros da Real não questionassem a viabilidade do namoro moderno e do casamento tradicional, pelo menos nas condições de hoje, seriam mais um grupo inexpressivo de moralistas isolado até nas igrejas tradicionais no mundo físico e perdido na blogosfera e nas redes sociais no mundo virtual.

Ah, e nós podemos ver as pessoas desinteressadas pela política que não suportam um minuto de conversa decente sobre questões de interesse geral, mas conseguem conversar uma hora no ônibus, no celular ou com uma pessoa conhecida ao lado, sobre inferninhos da sua vida limitada e ridícula. OK! Vamos ver quando ESTAS pessoas virem a "vida delas" piorar. Vamos ver a cara da pobretona gorda que comemora a filha fazendo pós-graduação assistindo aula pela internet, depois de entrar na universidade pelo sistema de cotas, quando souber que o Brasil sumiu da lista das 200 melhores universidades do mundo. Vamos ver quando as empresas estrangeiras tiverem caído fora do Brasil ou só tiverem estrangeiros nos cargos decisivos, e a filha do velhote contador de estórias sexuais não conseguir trabalho. Vamos ver quando o cidadão que usa o Facebook pra postar "o que quer", mas tem mais o que fazer além de discutir política, quando não puder dizer o que alguém não quer. Para estes, todo castigo é pouco. Vamos ver quando os alienados de meados de 2014 quiserem fazer as manifestações que os liberais-fascistas-cristãos-fundamentalistas-estupradores-gays-homofóbicos fizeram neste trimestre, e o bando que fazia ou compartilhava piadinhas mal feitas e calúnias contra quem pensa diferente for toda a imprensa e todo o alto escalão dos tribunais. Eu já tenho dito mesmo que nós que estamos malhando ferro frio temos de nos preparar para sumir das ruas. Se pudermos, sumir deste país.

Agora vamos imaginar a nossa geração quando a sanidade do país voltar ao normal. O sobrinho-neto da lésbica doente que fez algum protesto feminista bizarro vai dever tanto respeito à tia-avó quanto o meu sobrinho-neto vai ter por mim? E o policial, como vai contar aos netos que ficou metade da carreira liberando bandidos e prendendo gente de bem, além de fazer papel de pistoleiro a reboque de calúnia de vadia em delegacia de mulheres? E o jornalista, vai encher o peito pra dizer que trabalhou naquele jornal, naquela revista ou naquele canal de televisão como mais um subintelectual difamando as poucas pessoas honradas no intervalo da filosofia da banalidade? O beneficiário de programas assistenciais, a mãe do universitário cotista ou o funcionário público, vai dizer ao filho ou ao neto que votava no partido que destruiu o Brasil para garantir o que pensava que estava ameaçado se outro partido ganhasse? Entendeu agora a parte da valorização da família como idolatria à estupidez e à mediocridade? Ah, onde estão os cubanos que eram pelo menos adolescentes no começo do governo Fidel Castro? Ou os chineses do começo do governo Mao Zedong? Quais deles que estão vivos hoje ou que morreram uns vinte ou quarenta anos depois apoiaram o governo ou eram alienados políticos? Como eles encararam os filhos e netos depois de ver a porcaria para a qual talvez tenham contribuído diretamente? Quantas pessoas de países em ditaduras que destroçaram o seu país e as suas vidas particulares MERECERAM o sofrimento por que passaram?

Foi pela vergonha que a Alemanha ex-nazista foi melhor que a Rússia ainda soviética ou os países árabes ainda islâmicos. Tá bom, a vergonha foi por ter perdido a Segunda Grande Guerra. Mas chegou. O Nazismo alemão ou o Fascismo italiano não foram os piores regimes do mundo, foram aqueles cujas atrocidades reais foram mais divulgadas e comentadas. É bem provável que Hitler e Mussolini tivessem sido mais humanos que Mao Tsé-Tung, ou Stalin, ou os governantes dos países islâmicos da sua época. Mas se o mundo repudia o Nazismo da Alemanha e o Fascismo da Itália sem repudiar os respectivos países, é porque os próprios países rejeitaram a reverência a esta época passada. Quando o Muro de Berlim foi derrubado, foi porque a Alemanha não era mais nazista como a Rússia ainda era União Soviética, a Península da Arábia ainda só tinha Israel de não-muçulmano, a China ainda era socialista, ou Cuba ainda era socialista.

O pior de um país derrubar um governo esquerdista, de expulsar essa turma para o mural da vergonha, é a vergonha de chamar a própria grandeza de espírito de volta para a vida nacional. A vergonha de chamar as pessoas íntegras caluniadas e destruídas de volta à economia produtiva. A vergonha de não ter o que oferecer a essas pessoas além de uma missão hercúlea e o reconhecimento que nunca devia ter sido negado. A vergonha de reconhecer o valor de profissionais que nunca puderam crescer como mereciam ou que foram derrubados de suas carreiras para chefes idiotas e colegas sem talento estarem em seus lugares. A vergonha de perceber que um "vídeo íntimo", portanto fora do local de trabalho, foi mais importante para demitir e negar emprego a uma mulher do que ela ser uma lésbica socialista de qualificação medíocre. A vergonha de pessoas pelo menos lúcidas terem recebido deboche ou perseguição por preverem o mal desnecessário com décadas de antecedência.

Os jovens do governo militar brasileiro são os pais ou avós dos jovens de hoje, e já nos disseram que a geração deles lutou pela liberdade que temos hoje. Os jovens típicos de hoje, quando tiverem netos, devem ouvir dos netos que eles, os netos, estão lutando para reconstruir o país e a liberdade que os avós tiveram e ajudaram a destruir.

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