sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A divisão do Brasil já existe, que tens tu com a paz? - parte 1: a divisão do Brasil e um pouco sobre o caso do cachorro Orelha

Abigail Pereira Aranha

A introdução e suas notas de fim são repetidas em toda a série. A numeração dos subtítulos e das notas é sequência desde a parte 1. Os atalhos diretos dos subtítulos estão nos números.

01) Introdução 1: a verdade sobre o separatismo

Olá, meus amigos e minhxs inimigxs! Nós vimos em setembro um trecho que deu muito o que falar da entrevista do deputado Paulo Bilynskyj ao Júnior Masters, em que ele foi acusado de defender a divisão do Brasil em dois. "A declaração foi dada no podcast Redcast, transmitido na última quinta-feira (18/9), durante uma discussão sobre a falta de proporcionalidade do número de senadores e a população dos estados brasileiros", como nos conta a matéria do Metrópoles[01]. Esta matéria foi quase copiada por muitos portais de notícias. Outras matérias que também foram copiadas em parte aqui e ali foram aquelas que vão pra vida do deputado fora da política, dizendo que ele tem processo na Polícia Civil de São Paulo (de onde ele é licenciado), que ele elogiou o avô que era nazista e que ele fez declarações racistas e de apologia ao estupro. Como dizia o deputado Jair Bolsonaro, me chama de corrupto. Mas na fala do deputado, eu deixo a nota de que o Senado é pra ter mesmo 3 por unidade da federação, porque é pra representar a UF; o que é pra representar a população mais ou menos proporcionalmente é a Câmara de Deputados. "O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados" (artigo 45 parágrafo 1º da Constituição). Numa conta rápida, se o estado de São Paulo corresponder aos 70 deputados com seus 44.411.238 habitantes no Censo 2022, todas as unidades da federação com menos de 5.075.570 habitantes vão ter seus 8 deputados cada uma. E estas unidades são 5 dos 9 estados do Nordeste (Alagoas, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), 6 dos 7 estados do Norte (todos menos o Pará, e só o Amazonas e o Pará na região Norte têm população maior que a de Belo Horizonte, 2.315.560 habitantes no Censo 2022[02]), e, vamos registrar aqui, o Distrito Federal, o Mato Grosso, o Mato Grosso do Sul (o Centro-Oeste menos Goiás) e, na região Sudeste, o Espírito Santo[03]. Apesar de o deputado não ter defendido o separatismo (a fala dele foi distorcida), houve muita gente comum alinhada à direita que gostou da ideia como foi noticiada, em comentários aqui e ali nas redes sociais e no YouTube.

A matéria do Click Petróleo e Gás foi a única diferente entre os grandes jornais (fora aqueles mais alinhados à direita conservadora), a única que não foi cópia de alguma fonte esquerdista[04], mas tem um trecho que eu destaco aqui: "O deputado, conhecido por seu alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou sua argumentação lembrando das divisões eleitorais do país. Ele destacou que Norte e Nordeste tendem a apoiar candidatos do campo da esquerda, como Lula, enquanto Sul e Sudeste votam majoritariamente em candidatos da direita." Grifo no original. Até o Brasil 247 deu um título comedido para a sua matéria: "Paulo Bilynskyj defende dividir o país em 'Brasil do Norte' e 'Brasil do Sul'"[05]. Mas vários outros portais de notícias, incluindo alguns daqueles que essencialmente copiaram a matéria do Metrópoles, chamaram o deputado daquilo que termina com "ista". Diário do Centro do Mundo: "Deputado bolsonarista defende separar país em 'Brasil do Norte' e 'do Sul'"[06] (o autor ainda lembrou que ele é deputado); Revista Fórum: "A proposta bizarra do bolsonarista Paulo Bilynskyj para dividir o Brasil"[07]; Jornal A Tarde: "Bolsonarista defende criação do 'Brasil do Norte' e 'Brasil do Sul'"[08].

Só pelo xingamento "bolsonarista" já podemos ver uma divisão do Brasil que já existe. Vou explicar melhor mais adiante, e não é uma divisão política e geográfica (e nem exatamente uma divisão eleitoral).

Mas este espantalho do separatismo do Brasil não é coisa deste mandato de Lula. Confesso que até eu já fiz e publiquei um mapinha de um Brasil dividido em 2014, depois da eleição em que Dilma Rousseff foi reeleita (ou assim disseram), e ainda dividi Minas Gerais (quem conhece o estado sabe que o Triângulo Mineiro e as regiões mais ao sul têm uma boa ligação com Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto o norte e o nordeste do estado têm até sotaque de baiano)[09]. Pouco depois da eleição de 2022, Vittorio Medioli publicou no seu jornal O Tempo o artigo "Briga ou 'divórcio'", em que ele observa que "a vitória de Lula se deu em todos os Estados que são altamente subsidiados, não repetindo o resultado em quase todos aqueles que subsidiam"[10]. Vou deixar o artigo no apêndice da parte 1 pra vocês apreciarem na íntegra. Nada de pregação separatista, mas, como dizia o deputado Jair Bolsonaro, a verdade tortura; e o jornal O Tempo sempre evitou uma oposição ao PT desde o tempo das manifestações pelo impeachment da Dilma Rousseff. Aí, na publicação seguinte, no dia seguinte, Vittorio Medioli pede desculpas. "Confesso que, ao escrever, não me atentei ao que poderia gerar e trazer de impacto para sociedade. Aqui, deixo minha explicação". O artigo é intitulado "Não fui claro; por isso, a minha explicação"[11].

02) Introdução 2: a divisão do Brasil existe mesmo, mas não é tão simples

É verdade que o Norte-Nordeste vota mais no PT ou em seus aliados mais afastados (como Ciro Gomes no Ceará ou Marina Silva no Acre), enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste votam mais contra o PT e seus aliados declarados (nem que seja no Geraldo Alkmin, também conhecido como Picolé de Chuchu, como fizemos em 2006); mas a separação não é tão simples, inclusive porque os dois lados tiveram divisão quase meio a meio em alguns municípios, nas eleições de 2010, 2014 e 2018. É como separar em Belo Horizonte os torcedores do Atlético Mineiro e os do Cruzeiro, ou em São Paulo os torcedores do Corinthians e os do Palmeiras. Mas o separador do Brasil em dois é a substância moral.

Até a divisão do Brasil entre Lula e Bolsonaro é imprecisa, mas é menos imprecisa que entre Brasil do Norte e Brasil do Sul. Eu sempre tive consciência de que existiram muitos canalhas e oportunistas que apoiaram Jair Bolsonaro presidente, assim como um grande número, que acredito ser bem menor depois de 2006, de pessoas honestas que apoiaram Lula e Dilma Rousseff. Mas nem diante de uma destas pessoas, dos dois lados, eu retiro o que eu disse sobre a eleição de Jair Bolsonaro como uma questão de luta do bem contra o mal[12]. Não só isso, eu reforçaria o que eu disse, naquele esforço um tanto mecânico para que o apoiador de índole duvidosa do Bolsonaro deixe de ser apequenado ou o apoiador de bom caráter do Lula deixe de ser incauto.

03) Sim, existe um Brasil que vive do trabalho e do bom caráter do outro Brasil

Uma "red flag" (literalmente "bandeira vermelha", um sinal que deve chamar a atenção) é que um Brasil chama o outro de "patriotário", o que sinaliza que eles mesmos se veem como não-otários por não serem uma pátria, mas uma quadrilha de ladrões de carteira que mora em um terreno invadido. Isto é uma metonímia que inclui os que realmente vivem de roubos e assaltos literais ou tomaram posse de um lote alheio ou de uma área "non aedificandi". Explico isso porque alguma mulherzinha semianalfabeta pode interpretar a referência como preconceito racial e socioeconômico. Não é, mas sim, lésbica psicótica, a referência é pra você também. Ah, metonímia é "uso de uma palavra por outra, explorando-se a relação existente entre elas"[13].

Vocês devem ter notado que eu me refiro à esquerda atual e a grande parte dos seus eleitores, mas a divisão do Brasil que eu abordo aqui não é entre esquerda e direita, é entre esquerda sociopata e povo honesto com cérebro normal. A esquerda atual vocifera que existe um conflito de classes de homens contra mulheres, de brancos contra não-brancos, de heterossexuais contra LGBTQIA+, de ricos e classe média contra pobres, do Brasil do Sul contra o Brasil do Norte; e este discurso é feito para induzir a mesma luta no sentido contrário. O truque não funcionou, mesmo antes da internet, porque os meios pelos quais o público-alvo seria educado, como a escola pública ou a imprensa, não tiveram a eficácia que esta esquerda queria ou não estavam sob o controle de que esta precisava. Então, a esquerda recente e o movimento socialista atual se separam do povo de verdade às vezes até em conflito com este povo de verdade no que os alienados ainda têm de normalidade mental, e se passam como "o povo". E estes se entregam quando dizem representar as minorias: minoria é um grupo relativamente pequeno de pessoas privilegiadas, não faz muito tempo que até a militância da esquerda sabia disso. Mas isso não significa que estes são uma minoria irrisória contra a quase totalidade restante da população, porque um número bem maior de pobres-diabos se arrisca a tentar entrar nesta minoria (sim, eu usei "pobre-diabo"[14] num trocadilho). Aliás, que um presidente cujo partido subornou a parte do Congresso que deveria ser a oposição (Mensalão), mesmo sob pretexto de fazer isso para governar pelos pobres, ainda esteja politicamente vivo junto com este partido, isso denuncia também o que é a substância moral de uma boa parte deste país.

04) O cachorro Orelha usado por um Brasil para morder o outro

Tenhamos cuidado com aqueles assuntos em que ninguém discorda que são levantados como causas de ativismo. Eu vi youtubers liberais e conservadores que não estavam atentos a isso no caso do cachorro Orelha, e fizeram coro para a sinalização de virtude da defesa dos gatos e dos cachorros. Melhor, eu não vi qualquer um deles, mesmo os mais inteligentes, sequer mencionar os pontos que eu vou abordar. Mas eu preciso ser de esquerda pra ser contra maltratar cães e gatos? Não, você só precisa ser de extrema direita pra ser a favor. Eu já vou chegar lá. Primeiro, vamos recapitular o caso[15]:

Orelha, um cachorro comunitário de cerca de 10 anos de idade que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina, foi atacado por quatro adolescentes. Muito ferido, ele foi levado para uma clínica veterinária, que o submeteu à eutanásia.

As notícias que eu vou trazer aqui foram da primeira página da pesquisa por "cão orelha" no Google no dia 28 de janeiro, exceto a mais recente, que eu descobri em 02 de fevereiro pelo Duck Duck Go; e eu fiz essa pesquisa justamente pra ver a medida do rumo que este rebuliço está tomando, e que a direita, tanto na classe política quanto no Youtube e nas redes sociais, não observou.

Folha de Pernambuco, 27 de janeiro: "Cão Orelha: influenciadores e famosos pedem justiça pela morte de animal em Florianópolis"[16]. "A influencer ativista Luisa Mell também se pronunciou a respeito do caso e indagou: 'Vocês têm dúvidas que se não fossem pegos, logo estariam agredindo da mesma maneira uma mulher? Um morador de rua?'". Eu tenho, porque nós nunca vimos um "serial killer" que maltratava ou matava animais. Luisa Mell foi acusada de nunca ter ajudado financeiramente a ONG de defesa de animais que levava o seu nome, que por isso mudou o nome de "Instituto Luisa Mell" para "Instituto Caramelo"[17]. Parece um ataque pessoal, mas é importante no assunto principal aqui. Ah, e vocês sabem quem nem comia carne e fez cinzas de milhões de pessoas? É, ele mesmo, Adolf Hitler.

Rádio Senado, 28 de janeiro: "Senadores cobram punição por morte do cão Orelha em Santa Catarina"[18]. Sem surpresa pra mim, já vi holofote pra esquerda.

O senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, afirmou que é necessário endurecer a legislação para crimes de maus-tratos, especialmente contra cães e gatos, e defendeu que o país não pode naturalizar esse tipo de violência.

(senador Humberto Costa) “É inaceitável que no Brasil ainda se pratiquem maus tratos contra os animais. Principalmente porque hoje em dia nós sabemos que os animais são seres sencientes, que eles sofrem, que eles sentem, e como tal nós temos que abolir definitivamente essa prática. Foi por isso que eu apresentei um projeto de lei ampliando as penas para aquelas pessoas que praticam maus tratos contra animais, especialmente para gatos e cães, que são aqueles mais comuns na lista dos animais de estimação das pessoas.”

Endurecer qual legislação? Lei nº 9605/1998[19]:

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: (Vide ADPF 640)

§ 1º-A Quando se tratar de cão ou gato, a pena para as condutas descritas no caput deste artigo será de reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, multa e proibição da guarda. (Incluído pela Lei nº 14.064, de 2020)

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal. (Vide ADPF 640)

O projeto de lei do senador Humberto Costa é o PLS 4363/2025[20], que aumenta o tempo de prisão para de 3 a 6 anos e o aumento da pena para dois terços (5 a 10 anos) se ocorre a morte do cão ou do gato. E eu vi com maus olhos o projeto de lei só porque é de alguém do PT? Vi. Porque isso se encaixa no contexto que eu estou montando aqui.

Estadão, 28 de janeiro de 2026: "Grupos de ódio na internet incitam adolescentes a torturar animais: 'Cão Orelha é ponta do iceberg'"[21]. A mídia velha ligando o caso à internet e esta a grupos de ódio. Oh, que surpresa!

A Polícia Civil de Santa Catarina diz que ainda não há evidências de influência de comunidades virtuais de ódio, mas especialistas apontam indícios de abordagem parecida com a de adolescentes que integram essas redes.

Você leitor deve ter notado o corpo do texto que nega o título, o que coloca o prezado leitor entre os 10% mais ricos do Brasil em conhecimento da língua pátria.

[O procurador e coordenador do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve), do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Fábio Costa] Pereira explica que a radicalização pode ocorrer principalmente por causa do excesso de exposição a conteúdos nocivos em redes sociais e games, que levam a uma dessensibilização para violência nos adolescentes.

(...) Para o procurador, além da regulamentação de redes e conscientização da sociedade sobre o que ocorre com essa geração, as famílias precisam estar mais presentes e controlar o excesso de telas.

"Regulamentação de redes"! Estava demorando! E eles também convidam pra isso "as famílias", a única forma de poder acessível aos fracassados.

[A delegada Lisandrea Salvariego Colabuono, do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad) da Polícia Civil de São Paulo] acredita que os adolescentes supostamente envolvidos aplicaram na prática o que podem ter visto ou realizado no meio virtual. "É muito difícil não ter essa influência, pois tudo o que acessam online, esses vídeos curtos de brain rot, todos buscam a dessensibilização (redução da sensibilidade emocional)."

Itálico no original. Esta matéria foi escrita pros velhos "cringes"[22] que pararam de aprender antes dos 35 anos e ainda acreditam que as ideias da esquerda universitária são coisas de gente culta, e que, por isso, leem Estadão e Folha de São Paulo. Assim, eu vejo aqui, o que algum leitor mais velho pode ter notado, versões daqueles sensacionalismos de 30 ou 40 anos atrás de que videogames levam à violência e a pornografia leva ao aumento do estupro. Mas a trama da imprensa velha não faz efeito. O Estadão nunca teve de leitores o que alguns canais de direita conservadora no YouTube têm de audiência.

UOL, 01 de fevereiro de 2026: "Cão Orelha: críticas no caso ocorrem porque SC é de direita, diz delegado". O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, publicou no Twitter que "nos atacam por ser um Estado de direita, o mais seguro, o que mais cresce, o com o menor índice de desemprego do mundo, o que menos tem beneficiados do bolsa família"[23]. Se essa declaração parece absurda e fora de lugar, o artigo do José Barbosa Júnior para a Revista Fórum, que o delegado provavelmente nem leu, vai levá-la a fazer sentido: "Caso Orelha: Santa Catarina é laboratório do fascismo brasileiro"[24].

No terceiro dia do rebuliço do cachorro Orelha, eu pensei nos dois blogues falsos que fizeram para incriminar o Silvio Koerich porque não tinham como refutá-lo. Pra relembrar o caso pros leitores mais velhos ou pra dar um resumo pros mais novos, ele era um blogueiro antifeminista de 2007 a 2011 que era um dos expoentes da comunidade da Real, semelhante aos atuais MGTOW e "red pill". Em 2010, se me lembro bem, ele publicou o texto "15 perguntas que as feministas não conseguirão te responder", disponível no blogue Machismo Esclarecido. A resposta dos feministas foi criar dois blogues falsos de conteúdo idêntico (mas ambos pagos) que defendiam crimes, justamente para criminalizar o autor do blogue verdadeiro (gratuito e no Blogger, como este aqui)[25]. Entre os crimes nos blogues falsos... maus-tratos contra animais[26]. E aí nós vimos paspalhos como a Luisa Mell dizendo que quem faz mal a um cachorro é capaz de agredir uma mulher. "Pesquisa: Mulher APROVA VIOLÊNCIA contra homem". Título de uma postagem do verdadeiro Silvio Koerich de 2007[27]. E quem defende ou ri de agressões de mulher contra homem é capaz de maltratar um cachorro? Olha aí a dessensibilização!

Eu aproveitei a onda deste caso porque eu vi que tinha a ver com o assunto que eu comecei a desenvolver aqui. Enquanto o Brasil estava falando sobre o cachorro Orelha, sabem no que eu estava pensando? Os inimigos dirão que era os 3 homens com quem eu ia dormir na noite. Mas era os reféns do 8 de Janeiro, incluindo o presidente eleito Jair Bolsonaro. Inclusive foi este o assunto dos meus dois textos anteriores. Se eu ou você pesquisarmos, vamos descobrir gente que publicou "justiça por Orelha" e defende prisão de idosa doente em regime fechado por golpe armado contra o Estado Democrático de Direito, e também riu do Jair Bolsonaro em cárcere privado precisando de tratamento médico. Poderíamos começar visitando o perfil do citado senador Humberto Costa no Twitter, não faço isso porque eu sei que vou demonstrar o que eu acabei de dizer e a exposição aqui já ficou grande (aliás, já virou série de 3 textos). Aliás, isso é mais um exemplo do Brasil em duas nações: o presidente eleito do país é Jair Bolsonaro, o que tem foragido no domínio matando rival é favela (e não, a favela não venceu, só roubaram na contagem dos votos). O laboratório 8 de Janeiro é um assunto nacional como eu expliquei nos dois textos anteriores[28], mas só uma minoria fala disso, juntando "bolsonaristas" e petralhas; o resto fala da morte do cachorro Orelha como lhe foi mostrado pra falar e pensar. Eu até ia dizer que "eu não sou cachorro, não" e não sou burro de carga, mas se eu dissesse isso, eu estaria afirmando a minha dignidade ou sendo humilde?

NOTAS E REFERÊNCIAS

[01] "Deputado de SP defende separar país em Brasil do Norte e Brasil do Sul". Metrópoles, 23 de setembro de 2025. https://www.metropoles.com/sao-paulo/deputado-de-sp-defende-separar-pais-em-brasil-do-norte-e-brasil-do-sul

[02] "Belo Horizonte". IBGE Cidades, https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/belo-horizonte/panorama

[03]

Alagoas: 3.127.683 habitantes; Paraíba: 3.974.687; Piauí: 3.271.199; Rio Grande do Norte: 3.302.729; Sergipe: 2.210.004.

Acre: 830.018 habitantes; Amapá: 733.759; Amazonas: 3.941.613; Rondônia: 1.581.196; Roraima: 636.707; Tocantins: 1.511.460.

Distrito Federal: 2.817.381 habitantes; Mato Grosso: 3.658.649; Mato Grosso do Sul: 2.757.013.

Espírito Santo: 3.833.712 habitantes.

"Censo Demográfico 2022". IBGE, https://censo2022.ibge.gov.br/apps/pgi/#/mapa/?share=WyJvc20iLDQuMzEwMzg5MDk4NDg0MjM2LFstNjA1MTE3My4yODI4MDAwNjksLTE2MDQyODYuMTM4MjU2ODA2XSxbWyJuYXQiLDQ4Nyx0cnVlLDEsMCwwXV1d%2F

[04] "Brasil partido ao meio? Deputado Paulo Bilynskyj quer criar um 'Brasil do Norte' e um 'Brasil do Sul' em proposta polêmica que acende debate nacional". Click Petróleo e Gás, 24 de setembro de 2025. https://clickpetroleoegas.com.br/paulo-bilynskyj-deputado-defende-dividir-brasil-norte-sul-dsca00

[05] "Paulo Bilynskyj defende dividir o país em 'Brasil do Norte' e 'Brasil do Sul'". Brasil 247, 24 de setembro de 2025. https://www.brasil247.com/brasil/paulo-bilynskyj-defende-dividir-o-pais-em-brasil-do-norte-e-brasil-do-sul

[06] "VÍDEO – Deputado bolsonarista defende separar país em 'Brasil do Norte' e 'do Sul'". O Essencial, Diário do Centro do Mundo, 23 de setembro de 2025. https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/video-deputado-bolsonarista-defende-separar-pais-em-brasil-do-norte-e-do-sul

[07] "VÍDEO: A proposta bizarra do bolsonarista Paulo Bilynskyj para dividir o Brasil". Revista Fórum, 23 de setembro de 2025. https://revistaforum.com.br/politica/video-a-proposta-bizarra-do-bolsonarista-paulo-bilynskyj-para-dividir-o-brasil

[08] "Bolsonarista defende criação do 'Brasil do Norte' e 'Brasil do Sul'". A Tarde, 24 de setembro de 2025. https://atarde.com.br/politica/bolsonarista-defende-criacao-do-brasil-do-norte-e-brasil-do-sul-1352043

[09] "Do perfil da Abigail: não fazer injustiça dividindo o Brasil", 02 de novembro de 2014, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2014/11/do-perfil-da-abigail-nao-fazer.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2014/11/do-perfil-da-abigail-nao-fazer.html

[10] "Briga ou 'divórcio'". Vittorio Medioli, O Tempo, 06 de novembro de 2022. https://www.otempo.com.br/opiniao/vittorio-medioli/briga-ou-divorcio-1.2762193

[11] "Não fui claro; por isso, a minha explicação". Vittorio Medioli, O Tempo, 07 de novembro de 2022. https://www.otempo.com.br/opiniao/vittorio-medioli/nao-fui-claro-por-isso-a-minha-explicacao-1.2762732

[12] "A guerra contra a verdade e contra a eleição de Jair Bolsonaro", 12 de novembro de 2022, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2022/11/guerra-contra-verdade-e-bolsonaro.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2022/11/guerra-contra-verdade-e-bolsonaro.html

[13]

metonímia

Figura de linguagem que tem por fundamento a proximidade de ideias, havendo o uso de um vocábulo fora de seu contexto semântico. Trata-se do uso de uma palavra por outra, explorando-se a relação existente entre elas. Há metonímia quando se toma a causa pelo efeito ou vice-versa, o autor pela obra produzida, o continente pelo conteúdo ou vice-versa, o lugar pelo produto, o símbolo pela coisa simbolizada, o abstrato pelo concreto. A metonímia não estabelece uma relação comparativa, como ocorre com a metáfora.

Dicionário Michaelis, https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/meton%C3%ADmia

[14]

pobre-diabo

1 Pessoa sem valor ou importância.

2 Pessoa fraca, com pouca ou nenhuma personalidade.

3 Pessoa muito pobre, miserável.

Dicionário Michaelis, https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/pobre-diabo

[15] "Caso Orelha: o que se sabe até agora sobre a morte do cão em SC". Agência Brasil, 28 de janeiro de 2026. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-01/caso-orelha-o-que-se-sabe-sobre-ate-agora-sobre-morte-do-cao-em-sc

[16] "Cão Orelha: influenciadores e famosos pedem justiça pela morte de animal em Florianópolis". Folha de Pernambuco, 27 de janeiro de 2026. https://www.folhape.com.br/noticias/cao-orelha-influenciadores-e-famosos-pedem-justica/463998

[17] "Instituto Luisa Mell muda nome para 'Caramelo'; ativista e ONG trocam acusações". CNN Brasil, 01 de maio de 2023. https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/instituto-luisa-mell-muda-nome-para-caramelo-ativista-e-ong-trocam-acusacoes

[18] "Senadores cobram punição por morte do cão Orelha em Santa Catarina". Rádio Senado, 28 de janeiro de 2026. https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/01/28/senadores-cobram-punicao-por-morte-do-cao-orelha-em-santa-catarina

[19] Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Portal do Governo Brasileiro, https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9605.htm

[20] "Projeto de Lei n° 4363, de 2025". Senado Federal, https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/170244

[21] "Grupos de ódio na internet incitam adolescentes a torturar animais: 'Cão Orelha é ponta do iceberg'". Estadão, 28 de janeiro de 2026. https://www.estadao.com.br/brasil/grupos-de-odio-na-internet-incitam-adolescentes-a-torturar-animais-cao-orelha-e-ponta-do-iceberg

[22]

cringe

Tão embaraçoso, estranho, etc., a ponto de causar constrangimento

Dicionário Merriam-Webster, https://www.merriam-webster.com/dictionary/cringe

[23] "Cão Orelha: críticas no caso ocorrem porque SC é de direita, diz delegado". UOL, 01 de fevereiro de 2026. https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/02/01/criticas-no-caso-cao-orelha-ocorrem-por-sc-ser-de-direita-diz-delegado.htm

[24] "Caso Orelha: Santa Catarina é laboratório do fascismo brasileiro – por pastor Zé Barbosa Jr". Revista Fórum, 29 de janeiro de 2026. https://revistaforum.com.br/opiniao/caso-orelha-santa-catarina-e-laboratorio-do-fascismo-brasileiro-por-pastor-ze-barbosa-jr

[25] "Entenda a polêmica do Silvio Koerich". Legado Realista, 03 de julho de 2018. https://legadorealista.net/forum/showthread.php?tid=3276

[26] "Polícia Federal prende autores de site que incitava a crueldade contra animais". ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais, 22 de março de 2012. https://anda.jor.br/policia-federal-prende-homem-que-incitava-a-crueldade-contra-animais-na-internet

[27] "Pesquisa: Mulher APROVA VIOLÊNCIA contra homem". O Perdedor Mais Foda do Mundo, 24 de novembro de 2007. Reproduzido em A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2013/03/pesquisa-mulher-aprova-violencia-contra.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2013/03/pesquisa-mulher-aprova-violencia-contra.html

[28] "Os 3 anos da variante 8 de Janeiro da CoViD-19 e a vitória de Pirro dos apoiadores", 09 de janeiro de 2026, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/01/os-3-anos-da-variante-8-de-janeiro.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/01/os-3-anos-da-variante-8-de-janeiro.html

"Mais notas sobre 3 anos do 8 de Janeiro", 20 de janeiro de 2026, A Vez das Mulheres de Verdade, https://avezdasmulheres.blogspot.com/2026/01/mais-notas-sobre-3-anos-do-8-de-janeiro.html; e A Vez dos Homens que Prestam, https://avezdoshomens.blogspot.com/2026/01/mais-notas-sobre-3-anos-do-8-de-janeiro.html

Apêndice

"Briga ou 'divórcio'". Vittorio Medioli, O Tempo, 06 de novembro de 2022. Disponível em https://www.otempo.com.br/opiniao/vittorio-medioli/briga-ou-divorcio-1.2762193

Briga ou 'divórcio'

Com o fim das eleições, temos, então, dois Brasis

06 de novembro de 2022 | 13:10

Por Vittorio Medioli

O resultado das eleições presidenciais voltou a lançar sementes poderosas de distanciamento entre várias regiões e setores econômicos, ampliando o inconformismo dos que produzem muito e se consideram submissos à decisão de Estados mais distantes do centro da produção industrial. Há nítidas divergências de pensamentos, costumes e opiniões, agravadas pelas maciças transferências de renda entre Unidades da Federação. Separar, portanto, é avaliado por um ângulo como alternativa para se desfrutar de rendas regionais próprias que, no formato de hoje, dividem-se em nome da “equidade” nacional.

Bolsonaro ganhou as eleições em quatro das regiões geográficas do “continente Brasil”, e Lula, em apenas uma. Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, representando 86% do PIB e 74% da população nacional, escolheram majoritariamente Bolsonaro. O Nordeste escolheu Lula, com uma avalanche de votos que, no cômputo nacional, deu ao petista o título de vencedor. Fossem dois países diferentes, haveria dois presidentes, e cada um com as suas respectivas características. Agora, quatro regiões estão mais contrariadas do que felizes, e uma, apenas, em festa.

Se analisarmos somente a Bahia, com uma diferença a favor de Lula de 3,7 milhões de votos, essa distância fica bem mais clara. Apenas esse Estado conseguiu inverter o resultado das eleições em todo o país. Bolsonaro vencia o pleito com 1,6 milhão de votos de vantagem, mas, quando entraram os votos baianos, Lula passou à frente e terminou a disputa com 2,1 milhões de votos a mais. Ressalte-se que apenas 7% dos eleitores brasileiros votam na Bahia e que, sem ela, Bolsonaro continuaria como presidente em 2023.

Estados eminentemente “bolsonaristas” são economicamente mais pujantes, sendo aqueles que transferem para a União um volume de impostos até 15 vezes superior ao que recebem de volta, como é o caso de São Paulo, que recolheu, em 2021, mais de R$ 720 bilhões e recebeu de volta minguados R$ 47 bilhões. Nos Estados “lulistas” a situação se inverte. A Bahia recolheu R$ 23,4 bilhões e recebeu R$ 34,4 bilhões (R$ 11 bilhões de diferença entre o que entrou e o que saiu).

A vitória de Lula se deu em todos os Estados que são altamente subsidiados, não repetindo o resultado em quase todos aqueles que subsidiam. Inapelavelmente, o confronto eleitoral separou essas duas vertentes: quem mais produz em contraposição aos que menos geram resultados para a economia. Situações de distanciamento econômico como essa já ocorreram em outros países continentais, como foi o caso da União Soviética, que acabou se fragmentando e quebrando o “federalismo”.

Quem viveu esse fenômeno de perto assistiu à repetição da bíblica Torre de Babel, uma obra que desafiava as nuvens, mas que, em determinado momento de sua construção, gerou um desentendimento generalizado, que a inviabilizou por completo.

Santa Catarina, bolsonarista ao extremo, é onde o movimento separatista já não é mais tão silencioso. Muitos naquele Estado não querem mais dividir suas rendas nem ser submetidos às decisões de outras regiões, com as quais, a cada dia, a distância socioeconômica e cultural se amplia e endurece. Evidentemente, quando quem paga a conta tem que se submeter às decisões diametralmente contrárias, as coisas começam a travar.

Outro exemplo é o Centro-Oeste. Trata-se da fronteira onde o agronegócio explodiu. Por lá, caminhoneiros, que, mais do que qualquer categoria, transitam nas diversidades do Brasil e têm assim condições de avaliar costumes, modelos e modos de tocar a vida, continuam reagindo contra o PT, o eleito Lula e suas ideias.

Com exceção do Nordeste, milhões de pessoas se aglomeram em frente aos quartéis do Exército procurando alternativas ao que não querem. Não se conformam, pois esperam viver em um Estado mais liberal do ponto de vista econômico e garantidor do que chamam de “ordem e do progresso”. O lulopetismo, no passado, fez a sua parte para que esse pessoal de verde e amarelo o rejeitasse.

Com o fim das eleições, temos, então, dois Brasis. Um que produz mais e arrecada impostos, e outro, paradoxalmente mais carente, que vive das transferências. Dessa forma, a divisão territorial, por meio de um “divórcio consensual”, está com suas sementes se espalhando. É preciso avaliar se isso será “menos pior” do que a possibilidade de uma situação que possa caminhar para uma guerra civil. Dar a Lula o que é de Lula e a Bolsonaro o que é de Bolsonaro seguiria um antigo pensamento. O separatismo, presente em outros momentos da história brasileira, não seria, à primeira vista, a solução mais adequada, mas, nesse caso, a vontade popular, por meio de plebiscitos, seria talvez a única solução para resgatar a legitimidade ameaçada.

A divisão do Brasil já existe, que tens tu com a paz?
No A Vez das Mulheres de Verdade No A Vez dos Homens que Prestam

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