terça-feira, 5 de abril de 2016

Deu a louca (literalmente) no movimento lesbicossocialista quando matéria de capa da IstoÉ conta que Dilma Rousseff toma rivotril, e outras duas notas

Abigail Pereira Aranha

Reflexões sobre a matéria de capa da #IstoÉMachismo

Percebemos que alguns fatores sociais, privados ou públicos, são meros estopins para ataques machistas e misóginos, não motivos para a produção e a reprodução dessa praga histórica. Praga essa cujas práticas muitas vezes não são denunciadas pelas vítimas que (com razão) pressupõem que na maioria das vezes serão ignoradas ou tratadas com indiferença. Praga essa cujas práticas são na maioria das vezes reproduzidas por machistas e misóginos (mesmo aqueles que não se assumem como tal) com a tranquilidade só possível a quem tem a convicção da impunidade. Praga essa que tem um perfil predominante, mas não exclusivo, nem tem classe social, nível de escolaridade, raça, nacionalidade ou ideologia específica, mas que se vale de ataques com alvos não-aleatórios, mas sim premeditados.

De forma geral os homens (indivíduos do sexo masculino) foram e ainda são criados para não levarem desaforo pra casa, não terem medo de falar o que pensam, serem provedores e decidirem os rumos, não demonstrar sentimentos a não ser raiva ou similares. Os homens foram e são, assim e também em linhas gerais, os indivíduos para os quais há a liberação para assistir TV depois da festa (enquanto as meninas "precisam" limpar a sujeira), para participar da ação política, do espaço público, das organizações sociais (enquanto para as mulheres há, quando muito, uma simbólica reserva ou obrigatoriedade de reserva de vagas), nas mãos dos quais se concentraram, em um processo historico milenar, a riqueza, os meios de produção e as propriedades diversas - inclusive outras vidas (enquanto à mulher cabia - para não dizer "ainda cabe" - o direito à submissão e à subserviência), para os quais foram concedidos a prerrogativa e o poder de se pressupor superior, até mesmo juridicamente, para os quais foi dado o incentivo para participar de atividades coletivas e/ou de decisão (enquanto as mulheres eram proibidas por lei de estudar, votar, administrar os próprios bens, se divorciar, trabalhar fora, praticar artes marciais, jogar futebol, handeball etc), para os quais o termo "homem público" (=importante, influente, honrado, honesto) se diferencia muito do termo "mulher pública" (=prostituta, vagabunda etc).

Nós, mulheres, não nos queremos vítimas, estamos cada vez mais aprendendo a nos defender em consonância, apesar de nossas múltiplas vozes. Temos cada vez mais em quem nos espelhar e a quem nos somar para reagir, reorientar costumes e contribuir para suas transformações, transformações essas só possíveis se não nos calarmos e não aceitarmos nossa desqualificação moral e biológica frente às outras categorias de seres humanos. As agressões simbólicas, verbais, patrimoniais, culturais, os ataques à autoestima feminina, a espetacularização dos maltratos e promoção de sua reprodução nas mais diversas formas de relacionamento, as tentativas de "comprovar" a inferioridade feminina são mecanismos de dominação contra os quais temos que empreender um constante exercício, a fim de arrancar suas torpes raízes. Não iremos seguir reafirmando e aprofundando estereótipos, nem objetificando nossas vidas, dos pequenos círculos sociais às instâncias máximas de poder. Nossas lutas não são estéticas, metafísicas ou abstratas, elas surgem de condições concretas e infelizmente retrógradas das relações humanas, como a impossibilidade de alfabetização e letramento imposta a gerações de mulheres da nossa história! E, para as mulheres atuais, em se tratando de retroceder, devemos fazê-lo apenas se for pra tomar impulso para caprichar na voadora O/ #FicaADica #IstoÉMachismo

Por Tatiana nervosinha histérica louca instável do chilique etc etc etc Braz

Tatiana Braz, 03 de abril de 2016 às 10:14, https://www.facebook.com/tatiana.braz.73/posts/989299594495790

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam

Primeiro, algumas notas rápidas sobre o texto acima, para quem não teve saco pra ler.

1) "De forma geral os homens (indivíduos do sexo masculino) foram e ainda são criados para (...) serem provedores". Olha só, eu escrevi sobre isso em agosto de 2012: "O machismo foi criado pelas mulheres - parte 8: o homem rico, poderoso, com status ou apenas o homem provedor comum"[01].

2) "Os homens foram e são, assim e também em linhas gerais, os indivíduos (...) nas mãos dos quais se concentraram, em um processo historico milenar, a riqueza, os meios de produção e as propriedades diversas - inclusive outras vidas (enquanto à mulher cabia - para não dizer 'ainda cabe' - o direito à submissão e à subserviência)". Mais um milênio de PT no governo do Brasil e metade do dinheiro do país vai ser de mulheres divorciadas, e elas vão poder proibir os ex-maridos de chegarem a menos de 100 metros delas e dos filhos. Hua, hua, hua, hua, hua!

3) "Os homens foram e são, assim e também em linhas gerais, os indivíduos (...) para os quais foram concedidos a prerrogativa e o poder de se pressupor superior, até mesmo juridicamente". Aí eu converso com a autora: "Homens podem ser condenados sem provas por casos inexistentes de estupro, enquanto mulheres podem ser inocentadas até de assassinato". "Em que mundo você vive, minha filha?" "Num mundo que tem lei Maria da Penha e delegacias para mulheres".

4) "O termo 'homem público' (=importante, influente, honrado, honesto) se diferencia muito do termo 'mulher pública' (=prostituta, vagabunda etc)". Pois é, isso me lembrou um outro texto da minha série "O machismo foi criado pelas mulheres", a parte 9[02]. Mais exatamente o que aconteceu quando Felipe Neto disse que "acredito que o primeiro passo pra libertação sexual das mulheres é que as próprias mulheres parem de se ver como vagabundas", coisa que eu também acredito mas as suas amiguinhas não, fofa.

5) "Tatiana nervosinha histérica louca instável do chilique etc etc etc Braz". Dá pra vocês lesbofeministas pararem de entregar mais que disque-pizza em fim de semana?

Mas qual foi a treta? Qual capa da revista IstoÉ? A do nº 2417, de 01/04/2016, matéria "Uma presidente fora de si"[03].


E o que aquele textão tem a ver com a matéria? Coisa nenhuma! Ele tem a ver com a publicação da matéria. Ah, eu fui fazer uma pesquisa rápida no Google e achei logo no começo estas pérolas: "O ataque da Istoé a Dilma fica ainda pior quando se sabe que a autora reclamou do machismo. Por Cidinha da Silva", do Diário do Centro do Mundo[04]; "Quando a misoginia pauta as críticas ao governo Dilma", da Carta Capital[05]; "AGU vai processar IstoÉ por reportagens que dizem que Dilma 'está fora de si'", da Revista Consultor Jurídico[06]. Isso me lembra um texto meu de fevereiro do ano passado: "Quem rotula um argumento sólido como preconceito transformará um preconceito em argumento sólido"[07]. Aliás, aquela matéria do Consultor Jurídico mostra bem como é o esquema deles: eu tenho um jornal, eu publico uma reportagem dizendo que a Dilma é adúltera, mostro quatro fotos dela na cama do casal cada uma com um homem diferente e ela me processa por crime contra a honra.

E eu chamei a dona Dilma de Rainha Louca pela primeira vez em julho de 2014[08] sem saber dessa pérola. Quiá, quiá, quiá, quiá, quiá! Ah, e quando eu perguntava "Precisamos de mais mulheres na política?", ainda era outubro de 2009[09]. Nas minhas notas rápidas, mostrei que da lista de piores governadores da época, os dois primeiros lugares eram de mulheres, a Ana Júlia Carepa do Pará e a Yeda Crusius do Rio Grande do Sul.

Vamos rir um pouquinho com a matéria da Carta Capital:

Em caso de impeachment, o tradicional machismo brasileiro não correrá o risco de ficar sem alvo, e já circula nas redes sociais imagens que se referem de modo pouco elogioso a Marcela Temer, mulher do vice-presidente.

"Só a nova primeira dama já justifica o impeachment". Ah, já entendi: é que como o Juízo Final está próximo, aí a dona Clarice Cardoso, autora da matéria, leu a frase muito elogiosa à sra. Marcela Temer com o impeachment do Michel Temer que eles já estão preparando na cabeça. Os meus homens devem concordar com a frase no quesito estético (e vamos lembrar que a dona Dilma já fez plástica pra ficar daquele jeito para a eleição de 2010). Mas a dona Clarice Cardoso deve estar com inveja da segunda dama. Outra: odiar mulher é machismo e gostar de mulher... simpática também é?

Mais uma pérola:

Há alguns meses, a mesma presidenta recebeu o conselho de "fazer mais sexo" de um jornalista publicado no site da revista Época, para quem a solução da crise seria se Dilma se apresentasse de forma "mais erotizada".

Caralho! Eu já ia fazer um meme com o Ricardo Boechat recomendando a Dilma a procurar uma rola. Poxa! Perdi a zoeira.

E hoje faz quatro semanas que a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) publicou no Twitter "somos todas jararacas"[10], em homenagem ao Lula[11]. Eu mesma quase publiquei essa piadinha com as jararacas no Facebook quando soube do pronunciamento do Lula. Será que daqui a pouco vamos ter uma campanha hashtag SomosTodasLoucas? Vamos tomar cuidado, de poucos anos pra cá, o pior da esquerda faz piadinhas virarem profecias.

Outra nota 1

Quase sempre quando eu vejo uma mulher criticando feministas, me parece um gerente de empresa numa reunião com subordinados gritando "olhem só as m$%*@s que vocês fizeram, vocês fu*$%@& com a empresa". Vocês tiveram essa impressão também? Pra quem não se deu conta: quantas vezes vocês viram uma mulher antifeminista mencionar que homens são presos sem provas e sem um processo legítimo só porque uma vaca deu queixa de assédio sexual ou estupro? Quantas mulheres antifeministas mencionam homens destruídos financeiramente por causa de um divórcio sem serem elas mesmas esposas ou parentes próximas de homens divorciados? Quantas páginas femininas antifeministas no Facebook publicam memes com a mensagem de que o Feminismo promoveu disponibilidade sexual das mulheres para os homens e POR ISSO ele é mau?

Não é que as mulheres conservadoras estejam sendo hostilizadas ou evitadas por causa das lésbicas imbecis com fobia de homem. Também não é que a Real e os MGTOW sejam tantos que cada mulher conservadora conheça um pessoalmente e sinta a diferença deles para os emasculados com que estão acostumadas a tratar. Mas o ANTIFEMINISMO masculino está cada vez mais visível e mostrando o Feminismo de esquerda como a insanidade que é. E por causa do ANTIFEMINISMO MASCULINO, as mulheres conservadoras estão tentando salvar o FEMINISMO CONSERVADOR tanto mostrando a parte mais louca do feminismo esquerdista quanto difamando a heterossexualidade e culpando o Feminismo esquerdistas por uma disponibilidade sexual feminina que não existe. Tudo para que os homens coloquem as mulheres conservadoras em um pedestal sem que elas ofereçam nada a mais.

Quem conhece o meu blogue A Vez dos Homens que Prestam já viu que tem textos que são meus ou traduções que eu fiz sobre Direitos Humanos dos Homens, sobre política, sobre relacionamentos e outros assuntos, tudo isso no meio de alguma pornografia, geralmente compartilhada do Pornhub, do XVideos, etc, mas uma pequena parte de produção própria. Isso foi muito bem pensado. Eu, sendo mulher, posso oferecer um conteúdo que amigos masculinistas e antiesquerdistas já discutem e que é novo para alguns leitores e ao mesmo tempo oferecer para todos os leitores homens umas coisas que eles gostam, entre elas algumas piadinhas, cenas de sexo explícito e alguns relatos do expediente da minha periquita. No Facebook, eu só não compartilho os vídeos de putaria. Então, um outro sinal de o que é o antifeminismo feminino conservador é a antipatia dessas mulheres conservadoras antifeministas ao meu trabalho. As páginas Sara Winter e Garota Conservadora me baniram, Ana Caroline Campagnolo me bloqueou, isso que eu me lembro agora. As outras moças conservadoras me ignoram ou dizem o que eu digo com pelo menos três anos de defasagem. Por quê? Ginocentrismo conservador, não antifeminismo.

Página A Vez das Mulheres de Verdade - A Vez dos Homens que Prestam, 04 de abril de 2016 às 22:25, https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1333112416702674&id=383612614985997. Também em https://plus.google.com/u/0/+AbigailPereiraAranha/posts/4D8HRCLHVBC.

Outra nota 2


Estava eu no Facebook publicando aquela nota criticando o antifeminismo feminino conservador e eu vejo um amigo compartilhar uma foto que a Anikka Albrite compartilhou no Instragam, dela com a Amber Rayne (à direita na foto), que morreu este final de semana[12]. O meu amigo que compartilhou a foto comentou me explicando: "Uma das mais simpáticas e solícitas atrizes da indústria se foi... Ela sempre me respondia no Twitter..."[13]. A moça tinha 31 anos, mas já tinha tido câncer. Parece que morreu dormindo. No dia 31 de março, ela publicou no Twitter uma foto de um cavalo dela que tinha morrido. A matéria do The Mirror está em http://www.mirror.co.uk/3am/celebrity-news/porn-star-amber-rayne-who-7688976.

Quando eu fui ler aquela matéria do The Mirror, pode ser força do hábito, fiquei pensando... bom, primeiro eu vou aos detalhes que eu observei. O primeiro foi a matéria ser de um jornal, o The Mirror. O segundo foi que ela até criava cavalos. O terceiro foi que pelo menos uma colega dela da indústria pornô entrou em contato com a mãe dela. O quarto foi a foto que a colega dela publicou, que está mais para uma foto de duas amigas. Bom, e o que eu observei? Que foi-se o tempo em que a propaganda antipornografia da pior parte do movimento feminista "colava", se é que pareceu plausível algum dia. Sim, as lendas urbanas de que atrizes pornôs são tratadas como escravas em cativeiro e outras do tipo são repetidas até hoje por conservadores, mas estes são aliados ao pior do movimento feminista. Eu já discuti isso nos meus blogues.

O discurso LGBT-feminista e as mulheres militantes LGBT-feministas são cada vez menos levadas a sério na vida real. Ainda temos o problema do feminismo "bonzinho" e o do feminismo conservador, mas cada vez mais mulheres percebem que a presidente Dilma Rousseff e ativistas antipornografia como Andrea Dworkin e Gail Dines representam tanto as mulheres quanto Zé Pequeno representa os negros.

NOTAS

[01] "O machismo foi criado pelas mulheres - parte 8: o homem rico, poderoso, com status ou apenas o homem provedor comum", http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2012/08/o-machismo-foi-criado-pelas-mulheres.html.

[02] "O machismo foi criado pelas mulheres - parte 9: os feministas dizem que a sociedade trata as mulheres que não se reprimem como vadias, e o pior (inclusive para o Feminismo) é que eles estão certos" http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2014/07/o-machismo-foi-criado-pelas-mulheres.html.

[03] "Uma presidente fora de si", IstoÉ, nº 2417, 1º de abril de 2016, http://www.istoe.com.br/reportagens/450027_UMA+PRESIDENTE+FORA+DE+SI.

[04] "O ataque da Istoé a Dilma fica ainda pior quando se sabe que a autora reclamou do machismo. Por Cidinha da Silva", Diário do Centro do Mundo, 03 de abril de 2016, http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-ataque-da-istoe-a-dilma-fica-ainda-pior-quando-se-sabe-que-a-autora-reclamou-do-machismo-por-cidinha-da-silva.

[05] "Quando a misoginia pauta as críticas ao governo Dilma", Carta Capital, 02 de abril de 2016, http://www.cartacapital.com.br/blogs/midiatico/quando-a-misoginia-pauta-as-criticas-ao-governo-dilma.

[06] "AGU vai processar IstoÉ por reportagens que dizem que Dilma 'está fora de si'", Revista Consultor Jurídico, 02 de abril de 2016, http://www.conjur.com.br/2016-abr-02/agu-processar-istoe-reportagens-difamam-dilma.

[07] "Quem rotula um argumento sólido como preconceito transformará um preconceito em argumento sólido", http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2015/02/quem-rotula-um-argumento-solido-como.html.

[08] "A esquerda e o caso do legado da Copa que caiu em Belo Horizonte: já estamos passando vergonha na imprensa internacional, mas a Rainha Louca diz que essa e outras críticas à infraestrutura foram um complexo de vira-latas que foi derrotado e parece que os vagabundos da militância esquerdista já estão se preparando para faturar em cima do caso", 04 de julho de 2014, http://jornaldohomem.blogspot.com.br/2014/07/a-esquerda-e-o-caso-do-legado-da-copa.html. Também em http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2014/07/a-esquerda-e-o-caso-do-legado-da-copa.html.

[09] "Precisamos de mais mulheres na política?", http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2009/10/precisamos-de-mais-mulheres-na-politica.html.

[10] "'Somos todas jararacas', diz senadora petista", Folha Política, 10 de março de 2016, http://www.folhapolitica.org/2016/03/somos-todas-jararacas-diz-senadora.html.

[11] Podemos lembrar esta, por exemplo, em "'Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça', diz Lula sobre operação da PF", O Povo, Fortaleza, 04 de março de 2016, http://www.opovo.com.br/app/politica/2016/03/04/noticiaspoliticas,3583764/lula-fala-sobre-operacao-lava-jato-em-coletiva-de-imprensa.shtml.

[12]

Anikka Albrite

04 de abril de 2016 às 17:08 · Instagram

I only knew her for a short time, but in that time I shared many close stories w/ her. We bonded over horses & the ups & downs of life. I am happy to have made a friend in Amber. She was taken from this life too soon. It's hard to believe she's really gone. Her laugh lit up the room, & she was a beautiful soul. My thoughts & prayers go out to her family and friends. She touched all our hearts, & she will be remembered. We love you Amber. May your spirit ride with the horses on the wind. ?? ?#?RIP? ?#?AmberRayne? ?#?GoneTooSoon?

(https://www.facebook.com/photo.php?fbid=853543114792424&set=p.853543114792424)

[13] Filezinho Recife, 04 de abril de 2016 às 22:26, https://www.facebook.com/filezinho.recife/posts/1179412515403162

Apêndice

"Uma presidente fora de si", IstoÉ, nº 2417, 1º de abril de 2016. Disponível em http://www.istoe.com.br/reportagens/450027_UMA+PRESIDENTE+FORA+DE+SI.

Uma presidente fora de si

Bastidores do Planalto nos últimos dias mostram que a iminência do afastamento fez com que Dilma perdesse o equilíbrio e as condições emocionais para conduzir o país

Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco

Os últimos dias no Planalto têm sido marcados por momentos de extrema tensão e absoluta desordem com uma presidente da República dominada por sucessivas explosões nervosas, quando, além de destempero, exibe total desconexão com a realidade do País. Não bastassem as crises moral, política e econômica, Dilma Rousseff perdeu também as condições emocionais para conduzir o governo. Assessores palacianos, mesmo os já acostumados com a descompostura presidencial, andam aturdidos com o seu comportamento às vésperas da votação do impeachment pelo Congresso. Segundo relatos, a mandatária está irascível, fora de si e mais agressiva do que nunca. Lembra o Lula dos grampos em seus impropérios. Na última semana, a presidente mandou eliminar jornais e revistas do seu gabinete. Agora, contenta-se com o clipping resumido por um de seus subordinados. Mesmo assim, dispara palavrões aos borbotões a cada nova e frequente má notícia recebida. Por isso, os mais próximos da presidente têm evitado tecer comentários sobre a evolução do processo de impeachment. Nem com Lula as conversas têm sido amenas. Num de seus acessos recentes, Dilma reclamou dos que classificou de “traidores” e prometeu “vingança”. Numa conversa com um assessor, na semana passada, a presidente investiu pesado contra o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato. “Quem esse menino pensa que é? Um dia ele ainda vai pagar pelo quem vem fazendo”, disse. Há duas semanas, ao receber a informação da chamada “delação definitiva” em negociação por executivos da Odebrecht, Dilma teria, segundo o testemunho de um integrante do primeiro escalão do governo, avariado um móvel de seu gabinete, depois de emitir uma série de xingamentos. Para tentar aplacar as crises, cada vez mais recorrentes, a presidente tem sido medicada com dois remédios ministrados a ela desde a eclosão do seu processo de afastamento: rivotril e olanzapina, este último usado para esquizofrenia, mas com efeito calmante. A medicação nem sempre apresenta eficácia, como é possível notar.

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DESCONTROLE

A presidente se entope de calmantes desde a eclosão da crise. Os medicamentos nem sempre surtem efeito, atestam seus auxiliares

Em recente viagem a bordo do avião presidencial, um Airbus A319, tripulantes e passageiros ficaram estupefatos com outro surto de Dilma. Depois de uma forte turbulência, a presidente invadiu a cabine do piloto aos berros: “Você está maluco? Vai se f...! É a presidente que está aqui. O que está acontecendo?”, vociferou. Não seria a primeira vez que Dilma perdia o equilíbrio durante um vôo oficial. No final de janeiro, o avião da presidente despencou 100 metros, enquanto passava pela região entre a floresta Amazônica e o Acre. O piloto preparava-se para pousar em Quito, no Equador. Devido ao tranco mais brusco, Marco Aurélio Garcia, assessor especial, acabou banhado de vinho e uma ajudante de ordens bateu levemente com a cabeça no teto da aeronave. Copos e pratos foram ao chão, mas ninguém se machucou. A presidente saiu de si. Na sequência do incidente, tratou de cobrar satisfações do piloto. Aos gritos. “Não te falei para não pegar esse trajeto? Quer que eu morra de susto, cace...?”. Os desvarios de Dilma durante os vôos já lhe renderam uma reclamação formal. Em carta, a Aeronáutica pediu para que a presidente não formulasse tantas perguntas sobre trajetos e condições climáticas nem adentrasse repentinamente às cabines para não tirar a concentração dos pilotos. A presidente não demonstra paciência nem mesmo para esperar o avião presidencial seguir o procedimento usual de taxiamento. Um de seus assessores lembra que, certa feita, Dilma chegou a determinar à Aeronáutica que reservasse uma pista exclusiva para a decolagem de sua aeronave. Com isso, outros aviões na dianteira tiveram de esperar na fila por horas.

O modelo consagrado pela renomada psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreve cinco estágios pelo qual as pessoas atravessam ao lidar com a perda ou a proximidade dela. São eles a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Por ora, Dilma oscila entre os dois primeiros estágios. Além dos surtos de raiva, a presidente, segundo relatos de seus auxiliares, apresenta uma espécie de negação da realidade. Na semana passada, um presidente de uma instituição estatal foi chamado por Dilma para despachar assuntos de sua pasta. Chegou ao Palácio do Planalto, subiu ao terceiro andar e falaram longamente acerca da saúde da empresa e especialmente sobre a economia do Brasil e o contexto internacional. Ao final da conversa, observando o visível abatimento do executivo, Dilma quis saber: “Por que você está cabisbaixo?”. Franco, ele revelou sua preocupação com o cenário de impeachment que se desenhava, especialmente com o então iminente rompimento do PMDB. Ao ouvir a angústia do seu subordinado, que não está há muito tempo à frente da empresa, Dilma teve uma reação que tem se repetido sistematicamente: descartou totalmente a hipótese do seu impedimento. Ela exclamou: “Imagine, nada disso vai acontecer. Já temos garantidos 250 votos na Câmara”. O executivo tentou argumentar, mas foi novamente interrompido. A petista avaliou ser “até melhor” o rompimento com o PMDB, assim teriam a chance de “refundar” o governo. O presidente da instituição deixou a conversa completamente atônito. Considerou inacreditável a avaliação da chefe do Executivo.

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Outro interlocutor freqüente diz que a desaprovação recorde junto aos eleitores é vista como mero detalhe pela presidente. “Que falta faz um João Santana”, disse referindo-se ao marqueteiro preso e, principalmente, conselheiro para todas as horas. Aos integrantes do núcleo político, Dilma deixa transparecer que não lhe importa mais a opinião pública. Seu objetivo é seguir no posto a todo e qualquer custo e, se lograr êxito, punir aqueles que considera hoje seus mais ferozes inimigos. Especialmente os do Congresso. Na tática do desespero oferece cargos e verbas para angariar apoios à sua causa, não se importando com o estouro do orçamento e muito menos com o processo sobre suas contas abertos nos órgãos de fiscalização e controle, como o TCU. Na quarta-feira 30, chegou ao cúmulo de sugerir uma audiência com Valdemar Costa Neto, do PR, para oferecer-lhe a indicação do ministério de Minas e Energia. Ocorre que, hoje, Costa Neto apresenta dificuldades e limites de locomoção devido ao uso de uma tornozeleira. Depois da gafe, o jeito foi recorrer a emissários.

É bem verdade que Dilma nunca se caracterizou por ser uma pessoa lhana no trato com os subordinados. Mas não precisa ser psicanalista para perceber que, nas últimas semanas, a presidente desmantelou-se emocionalmente. Um governante, ou mesmo um líder, é colocado à prova exatamente nas crises. E, hoje, ela não é nem uma coisa nem outra. A autoridade se esvai quando seu exercício exige exacerbar no tom, com gritos, berros e ofensas. Helmuth von Moltke, chefe do Estado-Maior do Exército prussiano, depois de aposentado, concedeu uma entrevista que deveria servir de exemplo para governantes que se pretendam grandes líderes. Perguntado como se sentia como um general invicto e o mais bem-sucedido militar da segunda metade do século XIX, Moltke respondeu de pronto: “Não se pode dizer que sou o mais bem-sucedido. Só se pode dizer isso de um grande general, quando ele foi testado na derrota e na retirada. Aí se mostram os grandes generais, os grandes líderes e os grandes estadistas”. Na retirada, Dilma sucumbiu ao teste a que Moltke se refere. Os surtos, os seguidos destemperos e a negação da realidade revelam uma presidente completamente fora do eixo e incapaz de gerir o País.

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O PLACAR DO AFASTAMENTO

Em frente ao Congresso, integrantes de movimentos pró-impeachment estampam os rostos dos parlamentares contra e a favor da saída de Dilma

A maneira temperamental de lidar com as situações não é nova, embora tenha se agravado nas últimas semanas. Desde o primeiro mandato de Dilma, um importante assessor palaciano dedicou-se a registrar num livro de capa preta as reprimendas aplicadas por Dilma em seus subordinados. Ele deixou o governo recentemente por não aturar mais os insultos da presidente. A maioria injustificável, em sua visão. No caderno, anotou mais de 80 casos ocorridos entre 2010 e 2016. Entre eles, há o de um motorista que largou o automóvel presidencial no meio da Esplanada dos Ministérios depois de ser ofendido compulsivamente pela presidente e ameaçado de demissão por causa de um atraso. “Você não percebeu que não posso atrasar, seu m...Ande logo com isso senão está no olho da rua”, atacou Dilma. Consta também das anotações os três pedidos de demissão de Anderson Dornelles, que deixou o Planalto no último mês sob fortes suspeitas de ser sócio oculto de um bar localizado no estádio Beira-Rio de propriedade da Andrade Gutierrez. Nas vezes em que ameaçou deixar o governo, alegou cansaço dos destratos da presidente. “Menino, você não faz nada direito!”, afirmou ela numa das brigas. O ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, também já experimentou a fúria da presidente. A irritação, neste caso, derivou das revelações feitas pelo empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sobre as doações a sua campanha à reeleição em 2014. Participaram dessa reunião convocada pela presidente, além de Cardozo, os ministros Aloizio Mercadante, Edinho Silva e o assessor especial Giles Azevedo. Na frente de todos, Dilma cobrou Cardozo por não ter evitado que as revelações de Ricardo Pessoa se tornassem públicas dias antes de sua visita oficial aos Estados Unidos, quando buscava notícias positivas para reagir à crise. “Você não poderia ter pedido ao Teori (Zavascki) para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?”, perguntou Dilma referindo-se ao ministro que conduz os processos da Lava Jato no STF. “Cardozo, você fodeu a minha viagem”, bradou a presidente.

O episódio envolvendo Cardozo, no entanto, pode ser considerado até brando se comparado às situações enfrentadas por duas ex-ministras do governo, Maria do Rosário e Ideli Salvatti. Em 2011, ao debater com Rosário o andamento dos trabalhos da Comissão da Verdade, àquela altura prestes a ser criada pelo Congresso para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar, Dilma perdeu as estribeiras: “Cale sua boca. Você não entende disso. Só fala besteira”. Já Ideli conheceu o despautério da presidente logo no dia seguinte à sua nomeação para as Relações Institucionais. Quando ainda devorava jornais, Dilma leu uma reportagem em que a titular da pasta fazia considerações sobre os desafios do novo trabalho. Não gostou e deixou clara sua insatisfação: “Ideli, se na primeira coletiva você já disse bobagens, imagine nas próximas”.

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Publicamente, a presidente tenta disfarçar seu estado de ânimo atual. Mas nem sempre é possível deixar transparecer serenidade quando, por dentro, os nervos estão à flor da pele. Seus últimos discursos refletem a tensão reinante nos corredores do Palácio do Planalto. Na quarta-feira 30, Dilma converteu o evento de entrega de moradias da terceira fase do Minha Casa Minha Vida em um palanque contra o impeachment. Na cerimônia, estiveram presentes integrantes de movimentos sociais, como o MST. Os representantes, —muitos deles chamados de última hora já que nenhum governador se dignou a ir e, dos 300 prefeitos convocados, só oito compareceram —, foram acomodados em lugares destinados a convidados, onde entoaram gritos de guerra pró-governo mesmo antes de o evento começar. Os presentes chamaram o juiz Sérgio Moro, o vice Michel Temer e a OAB de “golpistas” e bradaram o já tradicional “não vai ter golpe”. Detalhe: o coro foi puxado pela militante travestida de presidente da República.

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Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff pagou para seus marqueteiros desenvolverem e disseminarem o nocivo “discurso do medo”. Espalhou o pavor entre os brasileiros mais carentes dizendo que, se seus concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (na época no PSB) ganhassem a eleição, os programas sociais estariam em risco. Funcionou. Hoje, cara a cara com o impeachment, ela coloca sua tropa de choque novamente para atemorizar a população. Disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), na última segunda-feira: “Programas sociais como Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Fies e tantos outros que beneficiam os mais pobres correm sério risco de sofrer corte caso a presidente Dilma seja impedida de continuar seu governo”.

Não bastasse a repetição da retórica cretina da campanha eleitoral, a presidente disse nos últimos dias que o que está se vendo o País é um verdadeiro “nazismo”, sem lembrar que o discurso do “nós contra eles” foi gestado e cultivado por sua equipe. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, foi na mesma toada ao tentar reverter a posição do governo de incitador de ódio para pacificador: “Nós vamos baixar o tom ou esperar o primeiro cadáver?”. Sem mencionar, é claro, provocações até do presidente do PT, Rui Falcão, que no twitter escreveu recentemente: “Queremos a paz, mas não tememos a guerra”. Ou as palavras de Guilherme Boulos, coordenador do MTST, que disse que se o impeachment for efetivado ou Lula for preso, o Brasil seria “incendiado por greves, ocupações e mobilizações” e que “Não haverá um dia de paz do Brasil”.

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As diabruras de “Maria, a Louca”

Não é exclusividade de nosso tempo e nem de nossas cercanias que, na iminência de perder o poder, governantes ajam de maneira ensandecida e passem a negar a realidade. No século 18, o renomado psiquiatra britânico Francis Willis se especializou no acompanhamento de imperadores e mandatários que perderam o controle mental em momentos de crise política e chegou a desenvolver um método terapêutico composto por “remédios evacuantes” para tratar desses casos. Sua fórmula, no entanto, pouco resultado obteve com a paciente Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, que a história registra como “Maria I, a Louca”. Foi a primeira mulher a sentar-se no trono de Portugal e, por decorrência geopolítica, a primeira rainha do Brasil. O psiquiatra observou que os sintomas de sandice e de negação da realidade manifestados por Maria I se agravaram na medida em que ela era colocada sob forte pressão. “Maria I, a Louca”, por exemplo, dizia ver o “corpo” de seu “pai ardendo feito carvão”, quando adversários políticos da Casa de Bragança tentavam alijá-la do poder. Nesses momentos, seus atos de governo denotavam desatino, como relatou doutor Willis: “proibir a produção de vinho do Porto na cidade do Porto”. Diante desse quadro, era preciso que ocorresse o seu “impedimento na Coroa”. Quanto mais pressão, mais a sua consciência se obnubilava, até que finalmente foi “impedida de qualquer ato na Corte”. Já com o filho Dom João VI no comando de Portugal, “Maria I, a Louca” veio às pressas para o Rio de Janeiro com a Família Real diante da invasão de Portugal. Aqui, ela tinha por hábito usar longos vestidos pretos e passava horas correndo pelos corredores palacianos gritando palavrões desconexos. Costumava acordar na madrugada e “berrava para seres imaginários descerem do Pão de Açúcar” porque nele “morava o diabo”. A sua derradeira frase em território lusitano pode ser interpretada como faísca de lucidez na loucura: “Não corram tanto, vão pensar que estamos sendo tocados ou que estamos fugindo”.

Antonio Carlos Prado

Fotos: Adriano Machado, Claudio Belli/Valor; Adriano Machado/Ag. Istoé; CELSO JUNIOR/AE; EPITACIO PESSOA/AE, Marcelo Camargo/Agência Brasil, Givaldo Barbosa/Agência O Globo 

Texto sem filmes de putaria no A Vez das Mulheres de Verdade: "Deu a louca (literalmente) no movimento lesbicossocialista quando matéria de capa da IstoÉ conta que Dilma Rousseff toma rivotril, e outras duas notas", http://avezdasmulheres.over-blog.com/2016/04/deu-a-louca-literalmente-no-movimento.html.
Texto com filmes de putaria no A Vez dos Homens que Prestam: "Deu a louca (literalmente) no movimento lesbicossocialista quando matéria de capa da IstoÉ conta que Dilma Rousseff toma rivotril, e outras duas notas", http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2016/04/deu-louca-literalmente-no-movimento.html.
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