domingo, 26 de julho de 2015

Unidos contra os espíritos do mal

Abigail Pereira Aranha

Vamos fazer uma brincadeira? Eu digo uma palavra e você vai pensar em organizações, repartições públicas, publicações da imprensa, etc que tenham esta palavra no nome. A palavra é "mulher". ONU Mulher, PSDB Mulher, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Delegacia da Mulher, M de Mulher (do portal da Editora Abril), Mulher 7 por 7 (do portal da Revista Época). O termo é "igualdade racial". Estatuto da Igualdade Racial, Secretaria de Políticas para a Igualdade Racial. A palavra é "gay", "LGBT" ou "homofobia". Blogay (do portal UOL), iGay (do portal iG), Núcleo de Combate a Crimes Homofóbicos da Defensoria Pública do Estado da Paraíba. A palavra é "capitalismo". Rede Globo, revista Veja, PSDB. Entendeu a piada?

Que discurso dominante, hegemônico, opressor é esta ideologia capitalista-fascista-cristã-machista-gay-homofóbica que não se chama pelo próprio nome? Ah, ela é tão impositiva que não precisa mostrar um nome. Tá, então OS INIMIGOS vão dar um nome pra ela. Foi o que o Manifesto Comunista fez com o capitalismo. E os adeptos de uma ideologia ou membros de uma comunidade poderiam se identificar um nome que foi criado por zombadores ou inimigos? Poderiam. Foi o que os cristãos fizeram (At 11: 26).

E tem outra: quando alguém que chegou ao poder quis ficar escondido? O nome da cidade de Laodiceia vem de Laodice, a primeira esposa do imperador Antíoco II. O Taj Mahal foi uma homenagem do imperador Shah Jahan à sua esposa que morreu de parto, construído por 20 mil escravos de várias partes do Oriente. Só dois exemplos.

Vou explicar com um exemplo que eu achei por acaso ontem. Uma juíza lesbossocialista disse que "afastar a exigência da representação" no caso de violência contra mulheres "e assim tornar incondicionada a iniciativa do Ministério Público no exercício da ação penal" foi "aplaudido por grande parte de ativistas e movimentos feministas", mas é a "manifestação mais contundente de machismo"[1]. Se a intenção era ajudar uma mulher agredida que retirava a queixa de agressão por medo do marido, o machismo está no agressor e em quem quis ajudar a vítima. Assumindo que machismo significa bater em mulher, estuprar mulher, passar a mão na bunda de uma mulher de minissaia no ônibus, se a defesa do machismo não está em lugar nenhum, mas ninguém denuncia que "machismo" é um termo feminista criado para objetivos feministas, as lésbicas podem achar machismo em qualquer lugar, porque o "machismo" é delas (o termo).

E também ontem eu achei por acaso uma postagem da página Capitalistas Sem Capital[2]: "Se o capitalismo é tão bom, por que existem centenas de partidos com 'socialismo' e 'comunismo' na sigla e nenhum 'Partido Capitalista do Brasil'?" Não é que o capitalismo seja pior que o Socialismo. Um momento: por que um grupo além de não usar o seu nome verdadeiro vai se identificar pelo nome do inimigo? Este entregou mais do que "pizza delivery" em fim de semana. Na verdade, os socialistas e os LGBT-feministas não estão lutando contra opressores. Eles são opressores eles mesmos lutando contra os discordantes deles próprios. Por isso, por exemplo, misoginia está nos dicionários, mas misandria (ódio aos homens) não está: eles também querem apagar as denúncias que os seus opositores fazem contra o bem que eles praticam. Por isso os feministas e os socialistas têm espaço farto em jornais, revistas e em grandes portais da internet como Yahoo e UOL, lésbicas denunciando que a sociedade é machista-homofóbica, negros denunciando que a sociedade é racista e até o líder de um movimento de sem-teto, Guilherme Boulos, ataca a direita em uma coluna no jornal Folha de São Paulo; tudo isso enquanto alguns colegas deles se dedicam a "derrubar" as páginas de Direitos Humanos dos Homens e Meninos, de direita ou de Orgulho Branco que encontram no Facebook, ou a denunciar blogues gratuitos com este conteúdo à Polícia Federal por discurso de ódio. E eles fazem tudo isso como quem luta contra estruturas de hostes espirituais malignas que nem dão os seus nomes, mas são onipresentes. É que não é ali que estão os poderosos.

NOTAS

[1] "Os paradoxais desejos punitivos de ativistas e movimentos feministas", Maria Lucia Karam, http://justificando.com/2015/03/13/os-paradoxais-desejos-punitivos-de-ativistas-e-movimentos-feministas

[2] https://www.facebook.com/capitalistasemcapital/photos/a.566584910123895.1073741828.566577393457980/789093627873021

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