quinta-feira, 30 de março de 2017

Depois da hora de fechar a arca, a hora de reconstruir a bagunça

Abigail Pereira Aranha

Eu escrevi "A hora de fechar a arca", parte 1 e parte 2, em novembro de 2013, já avisando que as mulheres tradicionais que quase nunca se manifestaram antes e até feministas apareceriam falando contra o Feminismo. Naquele 2013, Helen Smith mal havia publicado o livro "Men On Strike" (Homens em greve) e Tomi Lahren era uma anônima. No Brasil, Sara Winter mal havia saído do FEMEN, Carla Zambelli já tinha saído antes, mas mal tinha fundado o Movimento Nas Ruas em 2011 e entre as celebridades femininas conservadoras que eram anônimas ou mal eram conhecidas estão Luana Basto, Bruna Luíza, Steh Papaiano, Thaís Azevedo, Jennifer Castilho, Débora Rodrigues, Joice Hasselmann e Patrícia Lélis. Neste final de março de 2017, eu vi dois textos que mostram exatamente o que eu adverti. Anteontem, eu achei o texto "6 razões por que tantas mulheres questionam o movimento feminista", de Renata Barreto, publicado no Spotniks em 02 de fevereiro. A autora se intitula feminista no próprio texto, mas ela consegue enxergar a verdade. Ontem, Rodrigo Constantino traduziu um artigo do The Blaze, o ex-patrão da Tomi Lahren, na postagem "Aluna resolve mostrar como o movimento feminista é intolerante e logo tem a comprovação que buscava". A garota, Kerby Martin, publicou uma foto no Twitter com uma camisa escrita "#Meninism", de uma página de satíra contra o Feminismo, e, conforme conta o artigo, ela era ativista de esquerda seis meses atrás.

Por que temos cada vez mais mulheres antifeministas e mulheres feministas criticando a militância? Porque o movimento feminista como se fez conhecer está deixando de ser vantajoso para o universo feminino. Primeiro, porque está criando uma sociedade onde o homem honesto típico tem cada vez menos a ganhar com vida honesta enquanto as mulheres têm cada vez mais vantagens só por terem a genitália. Segundo, não só o movimento feminista, o universo feminino em geral prova que o que é bom para a mulher não beneficia em nada ao homem, isso quando não o prejudica (eu escrevi sobre isso em maio o texto "Danem-se as mulheres!"). Terceiro, agora ficou claro que o movimento feminista tem uma vida própria, vida própria independente inclusive dos problemas reais e imaginários das mulheres. Antes que o feminismo esquerdista ganhasse força suficiente para mostrar o que é, quase todas as críticas femininas à militância feminista eram questionamentos de militantes moderadas ou fofocas de analfabetas do interior. Mas ainda é fácil uma mulher questionar o LGBT-Feminismo sem ver os homens como pessoas. Essa mulher pode ser até antifeminista, mas não porque o Feminismo é mau, principalmente contra os homens, é porque o Feminismo não atende os interesses (no duplo sentido) das mulheres. Quando essa mulher é conservadora, ela critica o feminismo de esquerda porque acredita que o Conservadorismo é o verdadeiro feminismo. As razões por que tantas mulheres questionam o movimento feminista se resumem em uma: os homens vão parar de sustentar a palhaçada, ou porque perderam as condições para isso, ou porque chutaram o pau da barraca mesmo.

Eu já dizia em novembro de 2013 que os movimentos de direitos dos homens e o antiesquerdismo seriam procurados por pessoas que mereceriam um f$%@-se em vez de boas vindas, porque enquanto tinham algum dinheiro, alguma visibilidade ou poder de fazer algo, nos ignoraram ou fizeram coisas reais contra nós. Essas pessoas vão para o meio liberal-conservador ou para o antifeminismo porque percebem que a expectativa de carreira no mundo que a esquerda oferece é pior do que aquela no mundo que os adversários tentam produzir ou preservar. No caso das mulheres antifeministas, elas começaram a perceber que o Feminismo não pretende fazer uma divisão social em homens e mulheres, mas em um grupo privilegiado, que junta militância parasita com burocracia estatal, e o resto do povo, elas incluídas. Mas mesmo que aconteça com essas pessoas o que aconteceu com Judith E. Grossman, que era feminista até o filho dela ser acusado de estupro e ser julgado no tribunal paralelo da universidade onde estudava, elas não têm o que acrescentar ao antifeminismo a não ser, talvez, relatos pessoais repetindo tudo que foi escrito por ativistas de Direitos Humanos dos Homens e Meninos 10 ou 20 anos antes, não raro repetindo casos de outras pessoas que nós contamos no começo desta década. Mas mulheres novatas que criticam o Feminismo que deviam se explicar onde estiveram nos 10 anos anteriores já chegam com ar professoral.

Mas o que faz a coisa toda mais preocupante é que o meio liberal-conservador quer aproveitar a má imagem pública da extrema-esquerda e receber esses retardatários, que incluem militantes feministas em fim de carreira, para salvar sua representação na política formal e no meio intelectual. Pior: dá destaque para as mulheres. E por que é mais grave quando os conservadores dão destaque para as mulheres para falar contra o Feminismo? Quando é só uma senhora bem-apessoada com clichês provincianos e algumas piadinhas cretinas, isso é prova de que esses conservadores estão com ganas de ouvir o que já acreditam de uma mulher que eles gostariam de comer, mas isso não é o pior. Mas quando ela é uma ex-feminista ou ex-simpatizante do Feminismo (de esquerda), o meio liberal-conservador não está apenas entregando ao universo feminino a instância máxima para julgar a sociedade, o que é a própria definição de Feminismo, e um movimento que diz defendê-lo; também está transformando a exposição de toda a porcaria que o feminismo radical já fez em debate interno do movimento feminista, não em uma denúncia pública. O Conservadorismo não pode vencer o Feminismo porque ele mesmo é uma forma de feminismo, ou de ginocentrismo.

O que os conservadores não perceberam é que até a militância feminista sabe que precisa dos homens honestos. As mulheres comuns já estão vendo meninas brigando em porta de colégio. As mulheres já preferem chefes homens a chefes mulheres. As mulheres bonitas já sabem que têm mais chance de conseguir um emprego se o selecionador for homem e menos se for mulher. As mulheres profissionais do sexo já sabem que recebem mais hostilidade de mulheres que de homens. E pra completar, uma mulher feminista que abandona ou questiona o movimento pode receber um mau tratamento das companheiras que ela não receberia de qualquer marido machista no Oriente Médio. Mas os homens que estão fugindo de casamento como o Diabo da cruz, às vezes fogem até de possibilidades de sexo casual, ainda são muito menos do que é merecido. Mesmo assim, muitas mulheres já estão chamando os homens de volta à máquina social ou encarando as mulheres que podem fazer que eles saiam.

Então, o que vai superar o Feminismo? Eu mesma, que tenho um trabalho antifeminista desde 2006, estou vendo com frequência artigos escritos por outras mulheres que repetem, confirmam ou tentam ser textos que eu escrevi anos antes. Por isso mesmo o meu trabalho é mais importante do que nunca. Exatamente porque artigos esporádicos na "mainstream media" e até pesquisas de órgãos estatais confirmam coisas que o A Voice For Men ou o Silvio Koerich diziam na década passada que os trabalhos deles nunca foram tão importantes de serem divulgados. Num projeto mais sonhador, teríamos a nossa imprensa, a nossa elite intelectual, os nossos técnicos, os nossos políticos, tudo para veicular os nossos pontos de vista e mostrar os nossos inimigos como percebamos que devem ser mostrados. Mas para não sonharmos muito, vamos no desenvolvimento pessoal mais ganho de poder. Poder, lembrando, é a capacidade de fazer alguma coisa. Saúde mais bom condicionamento físico é poder, você gasta o seu dinheiro com comida e lazer em vez de com remédio, você não se preocupa se um objeto que você vai carregar pesa mais de 20 kg ou uma distância que você vai caminhar é mais de 500 metros. Sem recursos materiais ou usando os veículos que temos para dar espaço ao adversário, vamos ter aparições esporádicas nos mesmos canais já existentes logo antes de toda a porcaria do feminismo radical ser reescrita no longo prazo, porque a caneta e o papel são deles.

E o que uma mulher que critica o Feminismo pensa em relação ao sexo (hétero) que uma feminista de esquerda não pensa? E o que ela faz em termos de sexo (hétero) que uma feminista de esquerda não faz? Explicando melhor: se a mulher feminista exclui os homens pelo lesbianismo, a mulher antifeminista exclui os homens pela castidade? E eu sei que eu já escrevi coisas contra o Feminismo aos 16 ou 17 anos que muita senhora antifeminista não teria coragem de escrever, e não me refiro aos meus casos de sexo com 2 ou 3 homens.

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