quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

E se Dilma cair?

Abigail Pereira Aranha

A campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff e a campanha por Jair Bolsonaro para a eleição presidencial de 2018 são frutos dos mesmos quatro erros: a confusão do PT com a esquerda, de governo com Poder Executivo, de política com campanha eleitoral e de fracasso de um grupo da esquerda com vitória da direita como um todo. O Brasil teve protestos populares contra o PT com centenas de milhares de pessoas em dezenas de cidades? Foi ótimo! Mas e então? Não, o negócio não é conseguir uma vitória pontual e depois "vamos ver o que a gente faz". Por que a esquerda avança? A própria União Soviética não nasceu de uma simples agitação pra derrubar um czar na Rússia. Aconteceram congressos internacionais por décadas antes. Já existiam livros com as ideias socialistas e comunistas. Até gente de dentro do movimento socialista que já sabia a porcaria que isso ia dar com décadas de antecedência já existia. Quando os conservadores enxergam a cara de um movimento de esquerda, já existe uma preparação por trás e o caminho é só pra frente (pros esquerdistas).

Bom, vou repetir uma coisa que eu disse em 12 de outubro de 2015:

Os que tiraram a direita brasileira da invisibilidade foram, em ordem cronológica:

1) Olavo de Carvalho,

2) Nessahan Alita,

3) Silvio Koerich e a Real.

Alguns de vocês direitistas discordam de algum dos três, mas quem discorda mais da direita cristã do que eu, que sou uma ateia anarquista contra a castidade? Mas tenho uma coisa pior: os três não se anunciaram como direitistas. O primeiro fez um trabalho contra a esquerda, o segundo fez um trabalho contra o lado obscuro das mulheres (cujo incentivo é o Feminismo em si mesmo), os terceiros fizeram um trabalho contra o Feminismo. Os trabalhos que eles fizeram, por serem contra a esquerda ou o Lesbonazismo, atraíram INCLUSIVE A VERDADEIRA DIREITA.

Para mostrar o que eu estou dizendo:

1) A ÚNICA matéria da revista Época sobre masculinismo citou levemente Paul Elam do A Voice for Men e Aldir Gracindo do A Voice for Men Brasil para associá-los com a REAL.

2) A ÚNICA matéria da revista Fórum sobre antifeminismo foi para falar dos SANCTOS, que foram criados para difamar a REAL.

3) A ÚNICA referência do portal G1 ao antifeminismo foi a matéria mundo cão sobre a prisão do Emerson Eduardo Rodrigues, que se anuncia hoje como O VERDADEIRO NESSAHAN ALITA, mas que já tinha sido descoberto como tal em 2011, daí criaram o falso SILVIO KOERICH. Mesmo a revista Veja não faz mais do que assassinato de reputação, ligando o Emerson ao Marcelo Valle Silveira Melo.

4) A ÚNICA referência da Folha de São Paulo ao antifeminismo até meados do ano passado foi o print screen de um grupo fake no Orkut pregando a morte do Jean Wyllys, indicando como "blogs da Real" o silviofalsificado ponto com e o Contrafeminismo com o endereço escrito errado.

5) Muitos manifestantes anti-PT se conheceram compartilhando postagens e artigos do Olavo de Carvalho no Facebook.

6) Os únicos vídeos ou postagens com mais de mil acessos de muitos canais do Youtube e blogues são os que "desmascaram" a Real ou Olavo de Carvalho.

7) Temos subcelebridades como Fábio Ostermann, do Movimento Brasil Livre, que, depois de um movimento popular por causa do qual surgiu o MBL, não vice-versa, VIVE de falar mal do Olavo e dos holofotes que conseguiu da mídia.

Vamos tirar tudo isso, o que sobra?

1) Grupos como Instituto Mises Brasil ou Instituto Millenium, que soam como conversa de burgueses de terceira geração.

2) Partidos que até tiraram o "liberal" do nome, como o ex-PFL e o ex-PL.

3) NENHUM jornal ou revista.

4) NENHUM programa de rádio ou televisão.

5) NENHUMA igreja defendendo a direita, mas professores esquerdistas em faculdades católicas e presbiterianas.

6) NENHUMA empresa com frases como "defendemos o livre mercado" nos rótulos dos produtos ou nas fachadas, mas MUITAS com selos de ONG's ou frases tipo "cuidamos do meio ambiente".

(https://www.facebook.com/abigail.pereira.aranha.91/posts/704994849632059)

Mas vá lá, vamos supor Dilma saia da presidência da República este trimestre. Vamos pular a parte de quem vai assumir o lugar dela, vamos até supor que Jair Bolsonaro seja o nosso presidente em 2019. Sim, as pessoas razoáveis no meio direitista-conservador brasileiro não acreditam que a tirada de Dilma Rousseff e do PT dos três poderes vai resolver todos os problemas do Brasil no ano seguinte. O grande problema é que um processo de recuperação não existe, pelo menos não com a direita cristã. Por exemplo:

1) O Ultraliberalismo, chamado erradamente de Anarcocapitalismo, nunca vai ter chance na política e vai continuar sendo comido como um cookie por qualquer vlogueiro de raciocínio razoável que saiba o que ele é em linhas gerais. Quem pensa que as empresas privadas livres construirão o Paraíso, mas é censurado pela empresa privada Facebook por criticar o esquerdismo ou não percebeu que o Petrolão foi um negócio de empresas privadas COM um partido de esquerda, nunca mais será visto como quem dialoga com a realidade.

2) Para termos uma ideia da nossa iniciativa privada, a matéria "O que o caso do bar Quitandinha ensina sobre redes sociais", publicada na revista Exame[1], ensina que uma boa marca "dialoga com seu público e vê quais são seus valores", mas quando essa marca é alvo de uma calúnia do movimento lesbofeminista, deve aceitá-la bovinamente em vez de desmascarar a lésbica psicótica publicando as provas contrárias no Youtube.

3) Se a Educação Sexual não puder continuar acontecendo nas escolas E fora delas, acontecerá SÓ fora delas E fora da vista dos pais. E se os liberais e os conservadores brasileiros defenderem a censura à pornografia na internet em nível nacional, como acontece no Reino Unido e na Rússia, provarão que não aprenderam nada de quando os censurados no Facebook eram eles mesmos.

Nisso, estou pressupondo que todos os deputados, senadores e vereadores do PT sejam cassados e o partido seja extinto, não apenas que a presidente petista e seus comparsas no Judiciário saiam. Mesmo assim, a esquerda estará melhor do que na década de 1960. Qual a ação do conservadorismo cristão e da direita na cultura, nas universidades e na comunicação de massa, mesmo depois disso? A grosso modo, repetir os mesmos sermões preparados para amedrontar subempregados e afagar egos de velhotes sexualmente frustrados do interior. Na década de 1960, a esquerda parecia na estaca zero. Esperar que ela gaste outros 50 anos para fazer tudo de novo é otimismo. Hoje, se o PT fosse tirado da política, ainda teríamos uma legião de ninfetas fúteis no jornalismo, machorras pseudointelectuais nos corpos docentes das universidades, cavaleiros brancos[2] nas delegacias de polícia, etc. Tirá-los um por um para que eles nunca mais participem da vida política, da vida intelectual-cultural ou do serviço público até a segunda geração vai trazer para o lugar deles, no máximo, alguns puritanos de raciocínio mediano pra bom. O movimento esquerdista continuará existindo no Brasil e poderá provar que o Conservadorismo cristão não passa de uma patacoada caipira que só sobreviveu até o Manifesto Comunista porque nunca teve um adversário à altura que pudesse encontrar um povo alfabetizado em 15 séculos.

A destruição da Petrobras[3], maioria de analfabetos funcionais nas nossas universidades sem perder os últimos lugares no PISA e a irrelevância da USP no contexto mundial, "PIB só recupera nível de 2013 em 2018"[4], a previsão de um em cada cinco novos desempregados no mundo em 2016 e 2017[5], todas as empresas na maior bolsa de valores do Brasil juntas valem menos que o Google, a Apple ou a Microsoft[6]; tudo isso fez a saída de Dilma Rousseff da presidência deixar de ser questão direita versus esquerda para ser o mínimo de uma dívida do Brasil consigo mesmo. Para ganhar respeitabilidade internacional, o Brasil precisa de tal evolução do povo para a classe política, e não o contrário, que nada que se pareça com o PT, ou ainda pior como o PSOL, seja sequer publicável. Essa evolução é cultural, mas, para ela, algumas profissionais do sexo contrárias ao feminismo radical-lésbico e a parte não-LGBT-feminista do meio ateu-agnóstico podem trazer mais inteligência ao debate público do que toda a produção "libertarian" conservadora cristã. Nós temos 13 anos de um partido esquerdista no Poder Executivo porque não existe uma opção aparente para substituí-lo que não seja pelo menos de centro-esquerda. Sem Dilma Rousseff e com uma extrema-esquerda que só precisa das próprias atrocidades para ser cada vez mais desacreditada inclusive por outros esquerdistas, a direita e o Conservadorismo cristão vão ser obrigados a perceber que estão mortos como ideias intelectualmente dignas de nota.

NOTAS

[1] Exame, 17 de fevereiro de 2016, http://exame.abril.com.br/pme/noticias/o-que-o-caso-do-bar-quitandinha-ensina-sobre-redes-sociais

[2] "Cavaleiro branco" é um homem disposto a salvar uma mulher de qualquer sandice que ela faça apenas porque ela é mulher.

[3] "Uber já vale mais que Petrobras e Vale somadas", Lauro Jardim, citado por Fábio Campana, 23 de dezembro de 2015, em http://www.fabiocampana.com.br/2015/12/uber-ja-vale-mais-que-petrobras-e-vale-somadas

[4] Estadão Economia & Negócios, 28 de agosto de 2015, http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,pib-so-recupera-nivel-de-2013-em-2018,1752716. Os dados do relatório Focus do Banco Central, citados na reportagem, são de recessão de 2,06% em 2015 e de 0,24% em 2016 e crescimento de 1,50% em 2017. Já tivemos previsões, depois, de -3,7% para 2015, -3,5% em 2016 e 0 em 2017.

[5] "Brasil pode ter quase 1 em cada 5 novos desempregados do mundo em 2017, diz OIT", BBC Brasil, 19 de janeiro de 2016, http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160119_brasil_desemprego_oit_fd

[6] "Google, Apple e Microsoft valem mais que todas as empresas da BOVESPA", UOL Economia, 03 de fevereiro de 2016, http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/02/03/google-apple-e-microsoft-valem-mais-que-todas-as-empresas-da-bovespa.htm

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