sábado, 16 de agosto de 2014

Se informe para não dizer que dois mais dois são quatro - episódio 2: professora de Filosofia que devia estar presa dá uma prova contra si mesma na sala de aula e outra no blogue do Reinaldo Azevedo

Abigail Pereira Aranha

Prova da professora "black bloc" Camila Jourdan, da UERJ, faz proselitismo sob o pretexto de ensinar filosofia

Um aluno de filosofia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) me manda um troço que é mesmo do balacobaco! Trata-se de uma espécie do símbolo do desastre intelectual que acomete os cursos da chamada área de “humanidades” das universidades brasileiras, especialmente das públicas. É claro que há pessoas pensando com seriedade nos corpos docente e discente instituições afora. É claro que há ilhas de excelência. Mas é evidente que essa não é a regra.

Lembram-se de Camila Jourdan, a tal professora de filosofia da UERJ que é, digamos, uma espécie de farol dos black blocs do Rio? É uma das que tiveram prisão preventiva decretada e depois revogada. Em sua casa, foram encontrados artefatos explosivos. Pelo visto, a doutora não acredita que a arma de uma intelectual seja uma... caneta, ou um livro, ou um teclado. Estão preparados? Vejam a prova que a “doutora” Camila aplicou a seus alunos. Volto em seguida.

Retomo

Seria apenas folclórico não fosse um procedimento extremamente autoritário. Obviamente, a prova da doutora induz os alunos a desfazer supostas falácias lógicas que, na prática, endossam os preconceitos da professora. Ou seja: ela quer contestar as falácias com as quais não concorda empregando como instrumento aquelas com as quais concorda. Camila não está preparada para ensinar, mas para doutrinar. É ridículo! É patético!

Esse desastre não é de agora. De forma larvar, começou com as Marilenas Chauis lá da década de 80, quando a filosofia era mero pretexto para a pregação política. Nesta terça-feira, por exemplo, milhares de alunos, professores e funcionários da USP são reféns de uma suposta greve decretada por uma minoria de extremistas que só se criam no ambiente universitário. Com dinheiro público.

Eu olho cheio de vergonha para a “prova” que vai acima. O pressuposto do pensamento é ele ser livre. Nada impede a doutora Camila de pensar o que lhe der na telha, mas que renuncie, então, ao emprego público no Estado que ela não respeita, diz ser autoritário e expressão da violência de uma classe.

Hoje, meus caros, quase tudo está ao alcance das mãos. Pesquisem. Não se pratica esse tipo de proselitismo vagabundo em lugar nenhum do mundo. A universidade brasileira não é um dos reinos da ineficiência por acaso.

A propósito: quem não concorda com a pregação da “doutora” deve fazer o quê? Pedir uma prova alternativa? O mais nefasto nessa história não é Camila ser adepta de uma prática doidivanas, mas, na condição de “mestra”, conspurcar a própria teoria.

É um desastre intelectual, sim, mas também é um desastre moral e ético!

(Reinaldo Azevedo, 05/08/2014, 19:33, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/prova-da-professora-black-bloc-camila-jourdan-da-uerj-faz-proselitismo-sob-o-pretexto-de-ensinar-filosofia)

Comentários de Universidade Plebeia Revolucionária

Olá, meus amigos e minh@s inimig@s. A sujeitinha até respondeu. Quem acompanha o Tio Rei já viu. Viu inclusive que a afetação olímpica de desprezo, como diz o mestre Olavo de Carvalho, foi pior do que se ela tivesse ficado calada. Mas eu fiquei animada e vou entrar no pau também (o que vocês estão pensando vai ser mais tarde, hehehehe). Vou fazer essa questão 2, puxando a minha memória. Para o leitor entender a resposta, algumas notações de Lógica:

p Ù q: p e qp Ú q: p ou q~p: não p
p Þ q: se p, então q (ou p implica em q)
Px: x é P("x)(Px Þ Qx): todo x que é P é Q
($x)(Px Ù Qx): algum x é P e Q
Se no seu navegador estiverem uns símbolos esquisitos, Ù é tipo um acento circunflexo (^) maior, tipo um v pequeno de cabeça pra baixo; Ú é um v tipo o minúsculo fonte Tahoma ou DejaVu Sans (a que aparecer na sua tela); Þ é uma seta; " é aquele sinal de "para todo", o A maiúsculo de cabeça pra baixo; $ é aquele sinal de existe (o E ao contrário)

2. Estabeleça formalizações adequadas na linguagem do Cálculo de Predicados de primeira ordem utilizando a interpretação estabelecida (4,0 [pontos])

Domínio = O conjunto dos manifestantes

C: é coxinha

P: é professor em greve

B: é black bloc

P2: é policial infiltrado

P3: é do PSTU

P4: é do PSOL

G: é jornalista da Globo

S: (i) é liderança de (ii)

E: (i) entrega (ii)

L: (i) é contrário ao (ii)

I: (i) interpreta (ii) a partir de (iii)

T: (i) é crítico de (ii) a partir de (iii)

a: Ana

b: Bruno

c: Carlos

d: Daniel

e: Eduarda

f: Fábio

a) Bruno é Black bloc e professor em greve.

Bb Ù Pb

b) Nenhum professor que aderiu à greve é coxinha.

~("x) (Px Ù Cx), ou ("x) (Px Þ ~Cx) (todo professor que aderiu à greve não é coxinha)

c) Todo professor em greve, se não é do PSOL nem do PSTU, não é contrário à tática Black bloc.

~("x) L((Px Ù P4x Ù P3x), Bx)

d) Todo manifestante, do PSOL ou do PSTU, é coxinha, mas nem todo coxinha é do PSOL ou do PSTU.

("x)((P4x Ú P3x) Þ Cx) Ù ($x)(Cx Ù ~P4x Ù ~P3x)

e) Daniel, Eduarda e Fábio são a favor do uso da tática Black Bloc por quem quer que seja, eles, entretanto, não usam a tática.

(~L(d, B) Ù ~Bd) Ù (~L(e, B) Ù ~Be) Ù (~L(f, B) Ù ~Bf) (se eles não usam a tática, eles não são)

f) Carlos é seguidor de um membro do PSTU e contrário a todo usuário da tática Black Bloc.

P3m Ù S(m, c) Ù ("x)L(c, Bx), se "um membro do PSTU" for mesmo ALGUM MEMBRO, que eu chamei de m.

g) Alguns coxinhas criticam todos os Black Blocs a partir de uma jornalista da globo.

($x, "y, $z)((Cx Ù By Ù Gz) Þ T(x, y, z)), se "uma jornalista da globo" (minúscula no original) for ALGUMA JORNALISTA. Se "uma jornalista da globo" for a Rede Globo como um todo, fica ($x, "y, "z)((Cx Ù By Ù Gz) Þ T(x, y, z))

h) Se Carlos fosse do PSTU, ele também seria um policial infiltrado, pois todos que entregam alguém são policiais infiltrados.

("x, "y)(E(x, y) Þ P2x) Þ (P3c Þ P2c) (Viram a conexão? Nem eu)

i) Nenhum manifestante, professor ou Black bloc, que interpreta algum outro a partir do PSTU é liderança.

~("x, "y, "z)((Px Ú Bx) Ù (Py Ú By) Ù P3z Ù I(x, y, z) Ù S(x, y)) - vamos assumir que "a partir do PSTU" é "a partir de um membro do PSTU".

Camila Jourdan, a Salomé dos black blocs, fica bravinha comigo e decide posar de grande especialista… Estou tão assustado!!!

Camila Joudan, a Salomé dos black blocs, quer brincar comigo...

Camila Jourdan, a Salomé dos black blocs, quer brincar comigo…

Oba! Hoje tem festa! A professora e doutora Camila Jourdan — a Salomé dos black blocs — resolveu responder a um post que escrevi aqui no blog, em que demonstro que ela usa prova de filosofia para fazer proselitismo político de baixa extração. Doeu. Tanto doeu que ela respondeu. E resolveu, arrogante como é — o que eu já tinha percebido —, brincar de senhora do “discurso competente”, como diria Marilena Chaui, a decana da ideóloga disfarçada de filósofa.

Por que ela está tão bravinha? Porque caiu nas graças da imprensa — que seus amiguinhos chamam “mídia” —, onde se podia ler que, apesar de ela se misturar a extremistas, seria uma intelectual preparada. Sua “prova” denuncia o contrário. Não passa de uma prosélita vulgar. Mas vamos à resposta em que a black bloc decide posar de grande pensadora.

*

“Vou repetir aqui os comentários que fiz na postagem de um amigo, pois isso precisa ser divulgado. Eu normalmente não leio a mídia falando de mim para evitar a fadiga e o estresse, mas depois do comentário deste amigo não pude deixar de ler o link abaixo e responder. Reinaldo Azevedo, desastre intelectual é você não sabe sequer o que é uma falácia (meus alunos do primeiro período poderiam talvez ajudá-lo), a avaliação demanda uma simples formalização, não demanda qualquer avaliação de validade até porque, em sua maioria, as proposições que devem ser formalizadas não são sequer argumentos. Não que você saiba o que é validade ou o que é um argumento, já que não sabe sequer o que é uma falácia. Você tem mesmo, Reinaldo, que olhar cheio de vergonha para a prova, já que não é sequer capaz de entendê-la, muito menos de resolvê-la. Falar bobagens sobre a prova é mole, quero ver me enviar ela resolvida. Mas já que você não sabe o que é formalização, acredita que estou defendendo posições com a questão e, assim, doutrinando alguém. Por outro lado, você sim está doutrinando quando fala de algo que poucos conhecem como se conhecesse e, portanto, leva as pessoas a acreditarem que se trata do que você falou (ah, isso sim é mesmo uma falácia!). Outra coisa: as formalizações excluem o conteúdo (claro que você não sabe a diferença entre forma e conteúdo), por isso o professor ou autor pode usar o conteúdo que quiser. Os conteúdos atuais são atrativos aos estudantes e este é o caso do conteúdo na prova em questão. Se isso passa mensagens independentes da matéria, isto é, independente do que está sendo avaliado (de tal modo que qualquer um pode discordar de mim e tirar 10, desde que saiba formalizar, o que não é o seu caso) é outra questão, e é, de qualquer modo, inevitável qualquer que seja o conteúdo escolhido. Natural que eu passe as mensagens que eu acredito, não que o aluno precise concordar com isso para acertar a formalização. Ninguém nunca reclamou das mensagens reacionárias que um dos manuais mais famosos de lógica, do Copi, utiliza em seus exemplos, defendendo explicitamente o EUA durante a Guerra Fria. Bom lembrar que este foi, e ainda é hoje, o livro de Lógica mais adotado nas escolas e universidades. Mas é claro que Reinaldo Azevedo não sabe disso porque ele jamais estudou lógica. Só mais uma coisa, tenho que agradecer por terem divulgado minha prova, tenho muito orgulho dela. ” (Camila Jourdan. 06.08.14)

*

Respondo

Isso é professora de filosofia sem SEQUER saber empregar a palavra “sequer”, tropeçando de modo vergonhoso na regência verbal. Então tire a máscara, mocinha, e vamos falar como gente grande, sem explosivos na mão. De todo modo, interessante o estilo: imaginem o efeito que ela provoca em jovenzinhos assanhados, com a testosterona à flor da pele e sem nenhum livro na cabeça. Como não sou candidato a seu namorado…

Embora ela apele a um trololó mal digerido sobre a distinção entre forma e conteúdo — acha que me assusta com essas distinções de meados do século passado… — para negar que sua prova seja proselitismo intelectualmente vigarista, admite, sim, que está, como é mesmo?, “passando mensagens”, não é? Como ignorar esta maravilha de terceira categoria intelectual, redigida num português de quinta: “Natural que eu passe as mensagens que eu acredito (…)”. Não! O natural é que a senhora dote seus alunos de instrumentais para pensar por conta própria. A sua militância pessoal não tem de ser levada para a sala de aula. Ou, então, monte uma seita religiosa.

Segundo Camila, qualquer um pode discordar dela e tirar 10 — quanta generosidade! Embora toda a sua prova — submetam a qualquer especialista — induza os alunos a concordar com ela. A brincadeira desta livre-pensadora é a seguinte: “Discorde de mim se for capaz”. Com todo o respeito, não passa de vigarice intelectual — e meio analfabeta, o que é pior.

Um trecho de sua cascata me intrigou: durante a Guerra Fria, o bom era defender o outro lado, doutora? Pelo visto, segundo as suas considerações, sim. Desde que se estivesse do lado de cá da Cortina de Ferro, não é mesmo?, já que os que estavam do lado de lá não tinham a chance de fazer o contrário. Eu não sei se a senhora entendeu. Acho que não.

Que pena! Até eu cheguei a achar que estávamos diante de uma pessoa mais interessante. Camila Jourdan é só mais uma que usa o posto privilegiado de professora — funcionária do estado que ela renega — para se comportar como “a bufona séria que não mais toma a história universal por uma comédia, mas a sua própria comédia pela história universal”.

Camila, tire a máscara de professora e vá definitivamente para a rua ou tire a máscara de black bloc e assuma o seu posto com mais responsabilidade. Os pobres que pagam o seu salário merecem que esse dinheiro tenha uma boa destinação.

(Reinaldo Azevedo, 06/08/2014, 15:47, http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/camila-jourdan-a-salome-dos-black-blocs-fica-bravinha-comigo-e-decide-posar-de-grande-especialista-estou-tao-assustado)

Fechando

Olha, a parte do Copi (Irving Copi, "Introdução à Lógica") defender os Estados Unidos eu não me lembro, pode até ser um lapso da minha memória. Mas o que é achar americanismo em livro de Lógica para quem acha que baderneiro assassino é preso político?

"Tio Rei, pra rir um pouquinho…vc já percebeu como as 'militantes' esquerdopatas em sua grande maioria são mequetrefes e nenhuma beldade…a Sininho até que é bonitinha (mas ordinária),mas veja só..Graça Foster, Ideli Salvati,Marilena Chaui, Dilma, Marta Suplicy, Erenice, essa 'filósofa' citada acima, e tantas outras… … eu detesto esquerdopata! essa moça teve o que mereceu..sua resposta foi uma obra prima!". Comentário do Susca, 7/8/2014 às 15:49. Pensei nisso também.

Pra você ver como esquerdopata (royalties para o Tio Rei) ensinando Lógica em curso de Filosofia é como homeopata dando aula em curso de Farmácia: aquela parte dos predicados está melhor no "Iniciação à Lógica Matemática", do Edgar de Alencar Filho (me baseei nele, de memória). Até na dica de livro ela podia ter sido melhor. Normal! Qualquer universitário decente já viu ou tem colega que teve um professor que errou gabarito, que teve que anular questão por erro de digitação, que deu questão de prova com matéria que não ensinou, que só deu metade da ementa a três semanas de acabar o semestre, que já deu gafe na própria matéria em sala. Fora os professores que dão mais da metade dos pontos do semestre em "trabalho prático" que é procurar material na internet para montar apresentação do PowerPoint.

Ah, e já que o Tio Rei disse que "a universidade brasileira não é um dos reinos da ineficiência por acaso", a Universidade Federal do Rio de Janeiro é a melhor do Rio e posição 284 no ranking 2013, atrás da Universidade de Mahidol, Tailândia (283); da Universidade dos Andes, Colômbia (274); Universidade Nacional Chiao Tung, Taiwan (230); da Universidade do Chile (223); da Universidade de Buenos Aires, Argentina (209 - só a USP está na frente, imagine a Argentina ganhando a Copa aqui); da Universidade da Malásia (167); da Pontifícia Universidade Católica do Chile (166); da Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul (145); da Universidade Técnica da Dinamarca (134, menos de 6 milhões de habitantes, uns 700 mil a menos que a cidade do Rio de Janeiro) e de três universidades de Israel (é, se Israel entendesse só de guerra, seria uma Coreia do Norte mal sucedida). A srta. Camila ensina na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que não está nem entre as 500. Só pra lembrar na hora que uma greve de professores com participação de PSOL e black blocs pedir 10% do PIB na educação. Não pague os 10%!

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