terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ódio aos negros é a defesa das pessoas de bem

Abigail Pereira Aranha

Já faz algum tempo que eu quero falar sobre neonazismo, mas sei que é um assunto polêmico e que posso vir a me chatear com irmãos de movimento. Muito tem se falado sobre o neonazismo dentro e fora do movimento direitista, parece algo ruim e gratuito, mas não é. Eu não sou racista, mas se você está lendo esse texto esperando que me posicione contra o neonazismo, pode desistir. Pra falar de neonazismo precisamos ter amor no coração e empatia pela vivência e sofrimento de outras pessoas.

Vocês podem me perguntar "Mas, por que eu preciso de amor e empatia pra falar de ódio?". Simples, porque quem é contra o neonazismo cobra que direitistas não odeiem, mas julgam e espalham ódio em cima dessas pessoas que têm seus motivos, que têm seus traumas e suas vivências. Então se você não sente empatia com vítimas da criminalidade, com pessoas traumatizadas, pode parar de ler porque o texto será inútil pra você.

Primeiro, o que é neonazismo?

Eu defino neonazismo como o ódio/medo da RAÇA negra, do poder que essa classe política exerce, do esquerdismo que essa classe apóia.

Neonazismo é o contrário do Movimento Negro?

Não. O neonazismo como SISTEMA opressor, que afeta todas as pessoas de determinada raça nunca existiu.

Generalização?

Para discutir neonazismo é importante lembrar que nós vivemos numa sociedade onde os negros e mestiços fazem uma superestrutura e são os seres dominantes dela, ou seja: todo negro é parte dominante e ESSENCIAL para a manutenção desta sociedade corrompida. Falamos da classe política NEGRO e não das experiências individuais. Todos os negros propagam – de forma consciente ou inconsciente – a corrupção

Agora eu vou me posicionar em relação a tudo isso.

Ninguém escolhe odiar, o ódio é construído na nossa vida. Não acordamos um dia e dizemos "nossa, que legal, acho que hoje vou odiar os negros como classe.", não, esse sentimento nasce aos poucos, o ódio nasce das vezes que fomos estupradas, das vezes que fomos espancados, que tivemos uma irmã/mãe/familiar/amiga morta por causa de ser branca, o ódio nasce de todas as vezes que saímos na rua e somos assaltadas, de todas as vezes que fomos diminuídos e calados. Então, esse ódio, esse medo e esse nojo não é gratuito, é uma forma de proteção, é forma de criar um espaço seguro. Vocês criticam tanto as pessoas de direita, mas são os primeiros a destilar ódio quando encontram com uma. Acham mesmo que uma pessoa que passou por um estupro, assalto, ou por um sequestro não tem nem o direito de sentir, nem de odiar?

O direitismo não é neonazismo, mas o neonazismo está sim presente na direita, assim como está presente fora dela. Eu poderia citar o caso de uma senhora de 82 anos que não é militante de direita, mas que na juventude teve sua filha mais velha estuprada por um negro, que viu sua filha mais nova sofrer com um relacionamento abusivo com um mestiço que culminou em homicídio, que teve sua neta espancada e estuprada por um mestiço, além das violências que ela mesma já sofreu. Vocês diriam pra essa senhora que ela não tem o direito de odiar a raça negra? Porque ela odeia negros enquanto raça, mas não individualmente.

No movimento eu já ouvi muitas vivências de irmãos que foram sequestrados, assaltados e espancadas, eles tem todo o direito do mundo de sentir ódio dos negros.

O ódio não é individual, nenhum deles vai acordar de manhã, ver um desconhecido atravessando quieto uma rua e dizer "nossa, aquele ali eu vou odiar".

"Mas muitas pessoas deixam de simpatizar com o movimento por causa dos neonazistas"

Eu sei disso, mas eu estou muito mais preocupado com essas pessoas de bem que sofreram violência, que passaram por coisas horríveis, por traumas inimagináveis do que com alguém que não entende que essas pessoas podem sentir. Se elas precisam do ódio pra curar suas feridas, pra se protegerem e pra fazerem com que suas vozes sejam escutadas, eu vou apoiá-las porque elas precisam do nosso apoio.

Vivemos numa sociedade que ensina as pessoas honestas a sermos passivas, a sermos dóceis e amorosas, o ódio é uma forma de dar voz à essas pessoas que sofreram, dar à elas a voz que lhes foi tirada ao longo de sua vida.

"Mas ódio não é bom, odiar não é bom."

Ninguém diz que ódio é bom, ninguém gosta de odiar, se você pudesse voltar ao passado e apagar a vivência ruim dessas pessoas em troca delas não odiarem, eu te garanto que elas escolheriam não odiar os negros. Mas elas tiveram essas vivências ruins que não podem ser apagadas e elas tem o direito de sentir e odiar.

"Mas eu passei por essas coisas e não odeio."

Ótimo, eu também passei por coisas horríveis, traumatizantes e dolorosas e hoje eu não odeio mais, mas eu entendo a dor dessas pessoas, eu entendo o ódio delas e o ódio pode sim ser empoderador, o ódio ajuda sim a cicatrizar as feridas e a se sentir segura. Se você não odeia, ótimo pra você, mas respeite a dor dessas pessoas que ainda precisam do ódio pra continuar a caminhada.

Por ultimo, eu quero dizer que ninguém obriga você a ser neonazista, não tem como impor um sentimento. Não precisa ser neonazista e se você não tem motivos pra ser, não seja, mas respeite essas pessoas que tem seus motivos, respeite as vivências delas. Elas precisam disso para se sentirem seguras. Você cobra tanta compreensão delas, mas que compreensão e respeito você tem com a vivência delas? Respeite a dor delas, porque não é fácil senti-la.

2 comentários:

  1. Vc e um genio, rapaz. vc não vai. aprovar o comentario ao inves disso vc vai fazer um comentário dizendo que falei x qdo falei y, mas não importa. vou comentar assim mesmo. sabe o que acho? Que vc Biga não existe. existe um homem branco extremamente racista que esta escudado num perfil falso para falar ou escrever o que quiser. pronto falei

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    1. Menina, eu sabia que você ia cair. Repete o comentário aqui:
      http://avezdoshomens.blogspot.com.br/2015/02/odio-aos-negros-e-defesa-das-pessoas-de.html

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