segunda-feira, 30 de maio de 2016

Abigail P. Aranha estupra Pitty com seu próprio texto sobre cultura do estupro


Pitty

29 de maio de 2016 às 12:01

a pessoa lê "os estupradores eram homens (e não seres mitológicos) e entende como "todo homem é um estuprador". como chegamos a esse nível de distorção de texto?

desenvolvo aqui: http://www.pitty.com.br/boteco/?p=298

peço que leiam e compartilhem, por favor.

ps- os xingamentos sexistas que recebi só reforçam os argumentos e faz mais necessária a leitura ;)

» normatividade patriarcal e educação PITTY

a pessoa lê "os estupradores eram homens (e não seres mitológicos) e entende como "todo homem é um estuprador". como chegamos a isso?

PITTY.COM.BR

Abigail Proibida Estupro? O que deixa de ser isso? E se alguns homens babacas fazendo cantadas idiotas ou contando casos sexuais que não tiveram são cultura do estupro, um estupro coletivo cometido em uma favela não seria um exemplo da cultura negra?

A heterossexualidade em si mesma é cultura do estupro, lésbica tosca? Xi, mais um comentário sexista homofóbico, né? É, eu gosto do sexo hétero, defendo e recomendo.

Se quando você disse que aqueles homens aprenderam a estuprar, nós entendemos errado como se você tivesse dito que todos os homens aprendem a estuprar, é porque nós já tínhamos lido postagens no Facebook muito parecidas com a sua dizendo exatamente isso. Eu mesma vi duas, uma delas defendendo o extermínio dos homens.

E você ainda não entendeu que quando uma senhorita escreve com pose pedante de mal comida, nós já sabemos que ela saiu com a bunda vermelha depois de dizer alguma porcaria? Até o "estude mais" apareceu aqui? Pitty, please!

E por falar em desrespeito à mulher, já denunciou uma postagem no Facebook retratando com bonecos um homem ao lado de mulheres mortas, e ela ainda estava lá três meses depois daquela e outras denúncias? Já viu uma imagem com um homem segurando um rolo de macarrão e uma mulher com hematomas e a legenda "nunca mais ela olha pra outro"? Troque os gêneros e isso foram coisas que eu mesma vi. Mas o que é isso para quem acha que só 7 ou 9 por cento dos homicídios importa porque a vítima tem uma vagina?

E como os rapazes vão nos respeitar se os melhores homens, pra começo de conversa, têm de ouvir o que devem ser e fazer quando OUTRO homem estupra uma mulher ou faz uma namorada sofrer? Ainda mais se você não é responsável pelo Manifesto SCUM ou pelo Kill All Men, ou por homens divorciados que se suicidam. E você, a sua contribuição para um mundo melhor também para os homens, você também dá como eu tenho dado?

(Abigail Pereira Aranha, avezdoshomens.blogspot.com)

29 de maio de 2016 às 22:12

https://www.facebook.com/PittyOficial/posts/1369270586423182?comment_id=1369575549726019

Abigail Pereira Aranha

Apêndice

"Normatividade patriarcal na educação", Pitty, 29 de maio de 2016. Disponível em http://www.pitty.com.br/boteco/?p=298.

Normatividade patriarcal na educação

by Pitty

29/05/2016, 10:45 am

a pessoa lê "os estupradores eram homens (e não seres mitológicos) e entende como "todo homem é um estuprador". como chegamos a isso?

eu detesto esse papo de "as pessoas não me entenderam porque elas são burras", acho pedante. acredito em comunicação como via de duas mãos, mas em certos casos é preciso observar o alcance de entendimento e mensurar o nível de ignorância, principalmente em relação ao subjetivo, ao figurado e ao metafórico.

na questão dessa semana em particular, me surpreendeu o baixo nível cognitivo e falta de capacidade de interpretar uma sentença simples- subjetiva, mas simples.

claro, houve também a má-vontade e a manipulação: depois percebi que algumas páginas direcionaram a informação nesse sentido, e usaram isso como ataque por serem contra tudo que acredito: são machistas, homofóbicos, defensores de pena de morte, tortura e outras crueldades físicas e psicológicas. acho isso tudo péssimo, e não acredito em violência como solução para a violência. acredito em conscientização, direitos iguais, justiça e educação; e esse era o ponto. essa era a chamada de reflexão da fala: como estamos educando nossos meninos e homens?

NÓS sim, enquanto sociedade.

eu, você, cada um de nós. não adianta lavar as mãos. se a pessoa não enxerga a relação entre violência contra a mulher e a forma que educamos nossos meninos e homens, já começamos com um problema. a educação das meninas também, por tabela nessa normatividade patriarcal que as ensina a se reprimir, a terem medo de se vestir, de andar na rua, de se expressar. mesmo a educação dentro de casa sendo exemplar, os meninos e meninas vão lidar com isso da porta pra fora, vocês sabem disso. nós lidamos. nossos filhos vão lidar, e nossos netos e bisnetos, a menos que a gente comece a olhar essa questão com honestidade, reconheça que isso acontece e quebre esse ciclo.

você ensina seu filho a respeitar as mulheres, e na roda de amigos ele vai ser chamado de frouxo porque não engrossou o coro de "gostosa" quando uma menina passou por eles.

você o ensina que "não é não", e no banheiro da escola ele vai ser ridicularizado porque não conseguiu "traçar a mina".

você mostra a ele que homens e mulheres têm os mesmos direitos, mas na rua ele vai se sentir impelido a corresponder à esse padrão que diz que "mulher tem que se dar ao respeito". "se estava na rua é porque estava pedindo"; e todos esses absurdos que a gente vê serem repetidos todos os dias

está claro o sentido do "aprendem"?

esse conjunto de situações de desigualdade de gênero, objetificação, desumanização e culpabilização da mulher é o que se chama de cultura do estupro.

aí eu volto na ignorância: "como assim estupro é cultura, que absurdo". pois é, eu tive que ler isso, rs.

ninguém tem obrigação de nascer sabendo, mas cadê a curiosidade, a vontade de aprender? será que antes de escrever uma bobagem assim a pessoa não pensa "hum, o que será isso? deixa eu procurar saber". e hoje é tão fácil, com um clique isso se resolve. se a pessoa tivesse pesquisado, teria descoberto o que significa o conceito de cultura do estupro, e por quê esse termo é usado. pode concordar ou não, mas pelo menos saberia do que se trata.

meu chamado desde o começo foi à reflexão. não adianta vestir a carapuça. é preciso tirar o ego da frente e discutir questão de gênero de forma ampla e honesta.

quando não fazemos isso ou lavamos a mãos, nossa responsabilidade sobre toda violência que permitimos que aconteça com as meninas e mulheres aumenta

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