terça-feira, 14 de agosto de 2012

Você já repete tanto a mentira que não percebe a verdade?

Pode parecer muita veadice eu dizer isso, mas quando uma mentira é muito repetida, pode ser externamente ou internamente, ela pode se tornar ela mesma uma visão de mundo substituindo a visão do mundo. Um conjunto de mentiras pode se tornar um universo paralelo que na mente da pessoa assume o lugar do mundo como é. Pode ser pior: duas coisas contrárias, uma do mundo ideológico e uma do mundo real, podem ser ambas aceitas como verdadeiras ao mesmo tempo. Claro, tais pessoas têm um raciocínio lógico-matemático medíocre, assim como a sua leitura e interpretação de texto, e não são dadas a raciocínios lógicos acima do mediano. Assim, não confrontam enunciados que descobririam serem contraditórios, alguns por falta de coragem, outros de costume e outros de caráter. Isso faz com que mesmo um pesquisador pós-graduado possa concluir um absurdo depois de uma coleta de dados do mundo real, tentando moldar o mundo real a um conjunto de explicações em vez de vice-versa. Isso acontece nas mentes medíocres mas também é possível para mentes mais inteligentes e fortes. Aqui vão mais alguns exemplos do que estou falando.

Preconceito contra a mulher, ou país machista

Piloto de avião sofre preconceito por ser mulher em Minas Gerais

A mineira Betânia Porto Pinto tem mais de nove mil horas de voo. Mas, no Aeroporto de Confins, na região metropolitana Belo Horizonte, um passageiro se recusou a voar com ela por ser mulher. Ele acabou deixando o avião debaixo de vaias.

Fantástico de 27/05/2012, vídeo disponível em http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/v/piloto-de-aviao-sofre-preconceito-por-ser-mulher-em-minas-gerais/1966254/

A ideia que se tenta mostrar como fato, de um machismo epidêmico, é tão ilógica e contraditória que pode ser desmascarada mesmo neste resumo.

  1. 9.000 horas são 375 dias. Não ajuda dizer que isto prova que a piloto é competente. Onde está o machismo que impera? Onde estava o Comando de Caça às Feministas para que essa mulher durasse tanto tempo em uma profissão masculina?
  2. O tal homem machista tem uma representação tão minoritária que foi vaiado pelos outros passageiros.
  3. O tal homem machista tem uma representação tão minoritária e representa uma visão de mundo tão poderosa que ele foi retirado do avião.
  4. O fato foi tão atípico que virou notícia.

Poderia citar que este mesmo homem é proibido de sequer entrar em certos veículos do transporte público de cidades como Rio de Janeiro apenas por ser homem. E isso não é um apartheid lésbico. Mas a ideia desta seleção de casos é mostrar como a divulgação da mentira teve o caminho aberto pela propagação da burrice e pela epidemia de preguiça mental, de tal forma que o circo dos horrores ideológico e intelectual que seria percebido e repudiado por uma população que sai alfabetizada do primeiro ano do primeiro grau vira "a realidade".

Caso de Aurora, e mais Corrida Desarmamentista

Os Estados Unidos é uma nação com medo, em permanente estado de guerra. E combate seu medo adquirindo e possuindo armas. O fato de que um jovem de 24 anos possa ter em seu poder tal carga de armamentos e tal quantidade de munição fala alto sobre a terrível ameaça que pesa sobre o país enquanto a lei do porte de armas não for modificada. Trezentos milhões de armas de fogo dentro dos lares americanos é um estopim fácil para uma tragédia como a de Aurora. E antes dela a de Columbine, da Virginia, e tantos outros.

BINGEMER, Maria Clara Lucchetti. Aurora mergulhada em trevas. Jornal do Brasil, 26 de julho de 2012. Disponível em http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/07/26/aurora-mergulhada-em-trevas/. Acesso em 14 de agosto de 2012.

"Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, é autora de 'A Argila e o espírito - Ensaios sobre ética, mística e poética' (Ed. Garamond), entre outros livros". Ou seja, mais uma deslumbrada levada muito a sério. Outra besteira do texto em questão é que "as estatísticas mais do que comprovam que os estados onde a pena de morte permanece só veem recrudescer a violência em seu interior", o que pode ser contraprovado sem dificuldade mas que cabe outra discussão. A discussão que faço aqui é sobre "tiros no pé". Vamos a eles:

  1. Qual a lei que permite porte de armas a uma pessoa sem equilíbrio emocional? Em que a lei de porte de armas teria que ser modificada?
  2. Mais armas nas mãos de pessoas com porte legal, com uma série de requisitos quase proibitivos para isto, seriam uma ameaça à segurança? Qual a pesquisa séria que prova que quanto mais armas, mais crimes?
  3. Se o atirador não tinha porte legal de armas, em que adianta mudar a lei?
  4. Este atirador era o único da "nação com medo, em permanente estado de guerra" que "combate seu medo adquirindo e possuindo armas" em um cinema com centenas de pessoas?

Alguns esclarecimentos interessantes são dados em "Áreas livres de armas ou áreas livres para massacres?", de Fabrício Rebelo (publicado, por exemplo, no Mídia a Mais) e "Sobre armas, leis e loucos", de Bene Barbosa (publicado, por exemplo, na página do Movimento Viva Brasil).

Desempenho de cotistas fica acima da média

17 de julho de 2010 | 0h 00

Mariana Mandelli - O Estado de S. Paulo

Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp) mostraram que o desempenho médio dos alunos que entraram na faculdade graças ao sistema de cotas é superior ao resultado alcançado pelos demais estudantes.

O primeiro levantamento sobre o tema, feito na Uerj em 2003, indicou que 49% dos cotistas foram aprovados em todas as disciplinas no primeiro semestre do ano, contra 47% dos estudantes que ingressaram pelo sistema regular.

No início de 2010, a universidade divulgou novo estudo, que constatou que, desde que foram instituídas as cotas, o índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas.

A Unicamp, ao avaliar o desempenho dos alunos no ano de 2005, constatou que a média dos cotistas foi melhor que a dos demais colegas em 31 dos 56 cursos. Entre os cursos que os cotistas se destacaram estava o de Medicina, um dos mais concorridos - a média dos que vieram de escola pública ficou em 7,9; a dos demais foi de 7,6.

A mesma comparação, feita um ano depois, aumentou a vantagem: os egressos de escolas pública tiveram média melhor em 34 cursos. A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática.

MANDELLI, Mariana. Desempenho de cotistas fica acima da média. Estadão, 17 de julho de 2010. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,desempenho-de-cotistas-fica-acima-da-media,582324,0.htm. Acesso em 14 de agosto de 2012.

Querem dizer que alunos vindo da escola pública notoriamente horrível, que não sabem o que é ter que saber mais da metade do que viram na sala de aula para "passar de ano" e que só "entraram na faculdade graças ao sistema de cotas" têm desempenho melhor que a média? "O índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas" "desde que foram instituídas as cotas". Ou seja, as cotas estão não só empurrando os cotistas pra dentro como ajudando-os a não sair. "A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática". Sem surpresa. E os cotistas preferem os cursos fáceis, sem Matemática, o que lhes dá as notas altas.

Abigail Pereira Aranha

Revisão de 18.09.12

A Hamanndah, do comentário abaixo, também me mandou este comentário em 28.08:

"E os cotistas preferem os cursos fáceis, sem Matemática, o que lhes dá as notas altas." Quem não sabe matemática é burro!! Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió,Ió, Conclusão: Eu sou burra, não sei matemática... Tudo é difícil, na primeira vez que se estuda. Até Einstein teve uma professorinha, "esse ser inferior que possui cromossomos XX, ao invés de XY", que lhe ensinou a ler a escrever...e teve até uma "otária feiosa, frígida" que corrigia os cálculos matemáticos das teorias dele Bjs Hamanndah, a burrinha, o ser humano infinitamente inferior e menos merecedor de respeito que você, que só possui cromossomos XX, ao invés de XY.

Foi bom alguém comentar isso. Eu tenho dificuldades para imaginar um bom médico ou um bom historiador que tenha dificuldades em qualquer problema que use duas ou três fórmulas. Mas também tenho dificuldades para imaginar um bom engenheiro civil que seja uma toupeira em Biologia ou História. O problema do que nos é oferecido como Ciências Humanas é que deixaram de ser ciência para ser doutrinação e palco para pseudointelectuais esconderem a mediocridade intelectual e a mente fechada. Em Matemática, dois mais dois é quatro e a Lei dos Cossenos saiu de algum lugar, mesmo que a dedução envolva entidades abstratas. Em Física e em Química, poucas mudanças grandes acontecem, como a Física Moderna ou um novo modelo atômico, e é obrigatório que a descoberta nova abranja também as velhas. Mas em Ciências Humanas é possível se fazer uma obra de ficção ou de engano como se fosse fato, um "humano" mais otário pode se contradizer na própria obra. Perguntemos para alguns estudantes por que eles gostam de ciências humanas e eles dirão algo como "é só decorar". Estudantes que são burros e relapsos vão para cursos sem Matemática, a recíproca nem sempre é verdadeira.

2 comentários:

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