domingo, 29 de dezembro de 2013

Nota da Federação Feminista Brasileira sobre o caso Paulo Ghiraldelli vs Rachel Sheherazade

Nós, feministas, sempre que houve algum incidente de agressão, violência ou constrangimento contra uma mulher ou contra as mulheres como gênero, fomos nós mesmas que trouxemos o caso para a blogosfera, para as redes sociais, para as ruas e, por nossa causa, as nossas queixas chegaram à mídia. Você leitor deve se lembrar das Marcha das Vadias, que fazemos desde 2011 no Brasil porque um policial no Canadá nos disse como devíamos nos vestir. No ano passado, um comercial da Nova Schin que incentivava o estupro nos fez nos mexermos, dentro e fora da internet. Por exemplo, nossa companheira Lola escreveu sobre o assunto, postando em seu blogue apenas quatro horas depois de uma postagem sobre a nossa campanha no UOL Notícias.

Desta vez, excepcionalmente, foram o Twiter, o Facebook e o Felipe Moura Brasil, da Veja, que chegaram na frente e criaram uma tensão nos obrigando a falar do caso. Confessamos que foi descuido nosso, por não compartilharmos com as ideias de Rachel Sheherazade (ou ela com as nossas). Se Paulo tivesse mexido com Cynara Menezes da Carta Capital, teríamos reagido com mais energia. Se fosse Olavo de Carvalho defendendo o estupro de Lola Aronovich, faríamos com que ele fosse para fora do Brasil.

O caso foi algo pessoal entre os dois, e é o 'óbvio ululante' que alguém dizer que deseja que uma mulher seja estuprada é errado em qualquer circunstância, apesar de que quando a companheira Paula foi agredida por Gustavo Oliveira, um caso também pessoal entre dois militantes da Ocupação Social J13, nós não hesitamos em procurar a polícia e nos manifestar na internet, por entendermos que esta foi manifestação do machismo da sociedade brasileira e dos homens da nossa militância contra o gênero feminino. O leitor que não conhece o caso pode ver o relato na página do Centro de Mídia Independente (http://brasil.indymedia.org/pt/red/2013/11/526507.shtml) ou na página do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (http://institutohelenagreco.blogspot.com.br/2012/10/agressao-que-paula-sofreu-de-gustavo.html)

Se alguém dissesse que um certo jogador merecia ter seus dentes quebrados por jogar muito mal, será que algum movimento pelos direitos dos negros tem obrigação de falar alguma coisa só porque o jogador em questão é negro? Sim, teria obrigação, como o Unegro defendeu Orlando Silva quando Arnaldo Jabor comentou a sua queda do Ministério dos Esportes por corrupção dizendo que ele caiu do galho, acusando-o de racismo, já que Orlando é negro. Da mesma forma, quando o delegado Pedro Paulo Pontes Pinho disse que 13 das 14 das suas colegas mulheres na polícia eram desqualificadas para o cargo, nossa companheira Lola denunciou o machismo do delegado dois dias depois do caso estar na imprensa.

Apesar de nós mesmas insinuarmos que, afirmarmos que ou perguntarmos se alguém defende a violência contra a mulher e o fim da emancipação feminina por discordar do feminismo, o que Paulo Ghiraldeli disse é tão obviamente escroto que qualquer pessoas normal repudia.

Ghiraldelli apenas confirmou a "cultura do estupro", apesar de nós sermos pressionadas a nos pronunciarmos sobre isso depois de até a ultradireitista Veja dizer algo a respeito. E apesar de a nossa companheira Lola, combativa nos dois exemplos anteriores, não ter comentado nada até o momento.

Nossa companheira Asa Heuser recebeu um hatemail que falava exatamente isso, que seria até muito bom se ela fosse estuprada. Por mais que discordemos de praticamente TUDO que a Rachel Sheherazade diz, e não gostemos dela, é absolutamente INACEITÁVEL uma declaração como a de Ghiraldelli, de que "deseja que ela seja estuprada". Repetimos, INACEITÁVEL! Quando Marco Feliciano recebeu ameaças de morte e agressão a ele e a sua família, recebeu o apoio do pastor Silas Malafaia, evangélico de outra corrente, e do jornalista Reinaldo Azevedo, católico. Reconhecemos que essa é uma lição para nós.

Ameaças de estupro, insinuações que uma mulher "merece" ser estuprada é comum e recorrente e já aconteceu com TODAS as mulheres que se destacam de alguma forma que desagrade a algum grupo masculino. Apesar de que a jornalista desagradou basicamente homens esquerdistas e mulheres feministas.

Se for para discordar da Sheherazade, que seja com argumentos embasados, não com xingamentos vulgares e com declarações tão nojentas como a desse Ghiraldelli.

Pelos direitos da mulher sem tirar os dos homens. Viva a putaria heterossexual!

Abigail Pereira Aranha

Ghiraldelli e Sheherazade

Bem, muito já foi dito a respeito e um bom resumo de tudo pode ser encontrado aqui, neste artigo da Veja:

O curioso caso de Ghiraldelli contra Sheherazade

O que achei curioso foi que de repente começaram a cobrar que feministas e grupos feministas se pronunciassem a respeito do assunto. A isso eu respondo no Facebook da seguinte forma:

- Não acho que feministas precisem opinar a respeito do assunto. Foi algo meio pessoal entre os dois, e é o 'óbvio ululante' que alguém dizer que deseja que uma mulher seja estuprada é errado em qualquer circunstância.

Comparando, se alguém dissesse que um certo jogador merecia ter seus dentes quebrados por jogar muito mal, será que algum movimento pelos direitos dos negros tem obrigação de falar alguma coisa só porque o jogador em questão é negro?

- MUITA gente já se pronunciou a respeito. O que ele disse é tão obviamente escroto que qualquer pessoas normal repudia.

- Na verdade o que o Ghiraldelli fez foi apenas confirmar a 'cultura do estupro' - quando se discorda de uma mulher é esse tipo de ataque que se faz a ela. Isso é tipo 'feijão-com-arroz' para mulheres em geral.
Eu mesma há poucos dias recebi um hatemail que falava exatamente isso, que seria até muito bom se eu fosse estuprada.

Mas se é tão importante assim que uma feminista se pronuncie, eu faço isso então, já que sou feminista. Lá vai:

Por mais que eu discorde de praticamente TUDO que a Rachel Sheherazade diz, e não goste dela, é absolutamente INACEITÁVEL uma declaração como a de Ghiraldelli, de que 'deseja que ela seja estuprada'.

Repito, INACEITÁVEL!

Ameaças de estupro, insinuações que uma mulher 'merece' ser estuprada (como mencionei acima) é comum e recorrente e me arrisco a dizer que já aconteceu com TODAS as mulheres que se destacam de alguma forma que desagrade a algum grupo masculino.

Se for para discordar da Sheherazade, que seja com argumentos embasados, não com xingamentos vulgares e com declarações tão nojentas como a desse Ghiraldelli.

Asa Heuser, http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/12/ghiraldelli-e-sheherazade.html

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