sábado, 7 de dezembro de 2013

O Puritano-Feminismo episódio 8: onde estava a Marcha das Vadias antes da jovem do "vídeo íntimo" se suicidar? (ou: Viva a putaria, abaixo a hipocrisia)

Pornografia de vingança

Garota é encontrada morta após vídeo íntimo vazar no WhatsApp

Adolescente de 17 anos se desculpa com os pais nas redes sociais antes de morrer

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Publicado em 14/11/13 - 22h40

Terezina. A Polícia Civil do Piauí abriu inquérito ontem para investigar as circunstâncias da morte da estudante Júlia Rebeca, que ocorreu no último domingo, dia 10, na cidade de Parnaíba, litoral do Estado. Segundo o delegado regional da cidade, Rodrigo Moreira, a jovem de 17 anos foi encontrada pela tia em seu quarto com o fio da prancha alisadora enrolado em seu pescoço.

A polícia investiga a hipótese de a adolescente ter cometido suicídio após ter um vídeo íntimo compartilhado pela internet. No vídeo, que teria sido filmado pela própria adolescente estão ela, um rapaz e outra garota. As imagens vazaram para as redes sociais através do WhatsApp.

Rodrigo Moreira disse que o inquérito foi aberto, mas as informações que foram repassadas pela família e outros fatos estão sob segredo de justiça. "O inquérito foi aberto, mas não vamos falar muita coisa para não atrapalhar as investigações", disse. Ele não disse se a polícia sabe que vazou o vídeo.

A polícia também irá investigar crime contra a honra dos dois jovens que aparecem nas imagens.

A adolescente chegou a postar mensagens de despedida na conta que mantinha em uma rede social no mesmo dia em que foi encontrada morta. Em uma delas, Julia parecia se despedir dos pais. "Eu te amo, desculpa eu não ser a filha perfeita, mas eu tentei... desculpa desculpa eu te amo muito", postou a garota. Antes, Julia havia publicado: "É daqui a pouco que tudo acaba". A última mensagem deixada na rede foi: "E tô com medo, mas acho que é tchau pra sempre", postou.

Repercussão. O fato chocou a população de Parnaíba. Por meio das redes sociais, vários amigos deixaram mensagens tentando confortar a família da adolescente. Uma pessoa que se identificou como primo de Julia passou a alimentar a página um dia após a morte da garota.

Machismo

Análise. "Expor a mulher é um traço de violência machista. Há castigos e punições individuais e culturais para a mulher que se dá o direito de escolher o que fazer com o seu corpo", diz a psicóloga Marissa Sanabria.

O Tempo, 14/11/13, http://www.otempo.com.br/capa/brasil/garota-%C3%A9-encontrada-morta-ap%C3%B3s-v%C3%ADdeo-%C3%ADntimo-vazar-no-whatsapp-1.746696

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam - parte 1: as feministas não representam as mulheres de verdade

Esse caso foi usado como argumento para proibir o Tubby. Mas por que a adolescente não procurou um grupo feminista antes? Por que nenhuma feminista procurou a moça quando o vídeo estava correndo entre os colegas? Para quem existem os grupos feministas?

E a matéria termina com um suicídio retórico tanto para o jornal quanto para as lesbofeministas:

"Há castigos e punições individuais e culturais para a mulher que se dá o direito de escolher o que fazer com o seu corpo", diz a psicóloga Marissa Sanabria.

No parágrafo anterior, a "sociedade machista" foi consolar a família e até um rapaz machista violento continuou cuidando da página dela em uma rede social. A contradição do inimigo nos diverte. Hua, hua, hua, hua, hua!

E eu fiz questão de trazer aquela chamadinha antes do título da matéria no original: "Pornografia de vingança". Eu não sou coroa, mas passei pelo tempo em que pornografia de vingança era fotomontagem ou perfil falso no Orkut. Hoje, se existisse "pornô de vingança" contra um homem homossexual enrustido, seria um vídeo dele fazendo o que gosta, e quem espalhou (a ex-mulher) seria processada por homofobia.

Mas os feministas existem, agora respondo aquela pergunta do começo, para defender tudo que é mulher, menos as heterossexuais que se dão ao respeito, ainda mais se forem jovens... simpáticas. Por isso que quem diz que uma mulher não vale menos porque teve mais de um homem na vida quase sempre são homens. Isso inclusive no próprio movimento feminista. Mas de casamento aberto as feministas não falam, né?

Mas a revista Veja fez u'a matéria, no ano passado, sobre o "sexting". Eu já apontei uma vez que em condenar a sexualidade heterossexual, os feministas, os conservadores e mesmo os masculinistas brasileiros (a "Real") são muito parecidos ("O machismo foi criado pelas mulheres – parte 7: porque até as feministas são moralistas? (e porque os homens machistas falam igual a sua avó?)").

Ah, e há menos de dois meses e meio nos trouxemos outro caso de vídeo erótico de adolescente, esse foi na Argentina ("O Puritano-Feminismo episódio 4: ver nome feio na TV com 9 anos no Brasil ou gravar vídeo safado na Argentina com 13 não pode, mas menino virar menina com 6 tudo bem, né?"). E de acordo com a matéria que eu vi, o vídeo foi assunto de debate na escola conduzido por psicólogos. Por essa época, uma senhora estava pedindo autorização ao governo argentino para mudança de sexo do filho de 6 anos. No Brasil, talvez na Argentina também, a gente não poderia falar de levar psicólogo ao pré-escolar para falar mal deste caso, né?

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam - parte 2: o caso em si

Das duas, uma: ou a moça era uma vagaba enrustida, ou era uma moça mais esclarecida, mas não o suficiente. Prometo que na segunda hipótese vou caprichar na bondade.

No primeiro caso, a vergonha não era do vídeo, talvez nem mesmo da exposição pública, mas da máscara caída. A humilhação de ter talvez não adiantar mudar de cidade para encontrar um capitão salva-putas aos 25 ou 30 anos. E até lá, a humilhação de não poder desprezar um bonzinho virgem.

No segundo caso, ela pode ter começado um caminho de sair do puritanismo. Mas tinha pouca gente com quem trocar ideias no mundo real. E as páginas feministas que ela encontrou não diziam nada sobre sexualidade hétero, mal discutiam algo que não fosse um boneco de judas. Por isso digo sem medo de errar que ela já tinha ouvido falar da Marcha das Vadias, a mesma que entrou na Justiça para proibir o Tubby, mas aquela macacada saindo seminua em avenida em nome de transar com quem quisesse não significava nada pra ela.

Uma mulher heterossexual "que se dá o direito de escolher o que fazer com o seu corpo", como disse a lesbofeminista Marissa, não vai achar uma página feminista na internet ou um grupo feminista na vida real com os quais vai se identificar. Assim como um gay que quer apenas viver a sua homossexualidade como um cidadão normal não se vê no Movimento LGBT, ou como um negro que quer entrar e se formar na universidade pública estudando não se vê no Movimento Negro. E quando eu contei a estorinha da Isadora Rola antes de ser expulsa do feminismo, tinha gente achando que era piada e eu estava inventando (bom, era piada e a Isadora Rola é ficção mesmo, hehehehe).

Bom, falando em piada e ficção, vou fazer mais uma aventura: "A ex-prostituta e ex-atriz pornô Amanda Rola com seus netos". Obrigada aos amigos que gostaram da outra estorinha.

Abigail Pereira Aranha

Apêndice

Sexting adolescente, um convite para o sexo

Pesquisa revela que compartilhar fotos íntimas via celular e praticar sexo são atividades afins para os jovens. Eles, contudo, subestimam riscos envolvidos

Paula Reverbel

Quase 70% das garotas ouvidas no levantamento foram convidadas a praticar sexting

Quase 70% das garotas ouvidas no levantamento foram convidadas a praticar sexting (Getty Images)

Uma pesquisa publicada nos Estados Unidos nesta semana revelou que quase 30% dos adolescentes americanos já praticaram alguma vez o sexting – ou seja, usaram seus smartphones para disparar mensagens contendo fotos em que aparecem nus, acompanhadas ou não de texto. O número, é claro, assusta. E os estudiosos da Universidade do Texas responsáveis pela pesquisa descobriram ainda outras pistas que ajudam a entender melhor esse fenômeno. A principal delas é que o sexting tem um vínculo com a prática "real" do sexo. De acordo com o levantamento, entre as adeptas do compartilhamento de fotos íntimas, cerca de 80% já praticaram sexo; o número de sexualmente ativas cai pela metade entre aquelas que também não se envolvem com sexting. Entre os garotos, o comportamento é semelhante. "Ainda não sabemos se é o sexting que leva ao sexo ou vice-versa, mas a prática de compartilhar essas imagens íntimas parece ser um bom indício de comportamento sexual", afirma o psicólogo Jeff Temple, principal autor do estudo, em entrevista a VEJA.com. "Se um adolescente está enviando SMS com fotos ousadas, provavelmente já está fazendo sexo." Ou está a caminho de perder a virgindade.

O levantamento da Universidade do Texas também descobriu que as fotos não são enviadas indistintamente. Normalmente, o sexting é direcionado a uma pessoa específica, com quem o adolescente já namora – ou gostaria de namorar. Outra revelação importante traça uma distinção clara entre homens e mulheres. Quase 70% das garotas ouvidas na pesquisa afirmaram que já receberam a solicitação que pode dar início ao sexting, algo no estilo: "Me envie uma foto íntima sua." Entre os rapazes, o índice é bem menor: 42% deles já foram convidados à prática.

O estudo americano considerou apenas imagens de nudez enviadas pelo celular, descartando casos em que jovens usam o computador ou outro meio digital para mandar autorretratos picantes. É o que a própria expressão "sexting" sugere. A palavra, que já entrou para o dicionário Oxford da língua inglesa, é a junção de outras duas: "sex", sexo, e "texting", que designa a troca de mensagens de texto via celular. Pesquisas que levam em conta também o computador costumam encontrar taxas de adesão menores à prática – daí o susto com os 30% revelados pelo novo estudo. Isso serve de alerta aos brasileiros. A pesquisa que se tornou referência sobre o assunto no país, feita em 2009 pela SaferNet, associação que zela pelos direitos humanos na internet, apontou que 12,1% das 2.525 crianças e adolescentes ouvidos já haviam praticado o sexting usando algum dispositivo eletrônico. É possível, portanto, que a participação seja maior, se forem considerados os celulares exclusivamente.

A lógica e os especialistas têm argumentos razoáveis para explicar por que os telefones móveis concentram – e estimulam – o sexting. Em primeiro lugar, porque o celular é um dispositivo para uso e porte pessoal por excelência, o que garante privacidade a seu proprietário. No caso do computador, dá-se o inverso, e não raro a máquina é compartilhada por várias pessoas da família. Temple acrescenta ainda outra razão: "No celular, é muito fácil tirar uma fotografia e mandá-la em seguida para um amigo ou pretendente. Já no computador, é preciso salvar a foto e anexá-la a um e-mail, por exemplo. Esse percurso maior faz com que o adolescente tenha mais oportunidade de refletir sobre o que está fazendo."

Refletir sobre o sexting é uma etapa oportuna – obrigatória, na verdade –, diante dos riscos a que estão sujeitos seus praticantes. Uma das mais frequentes ameaças é o vazamento indiscriminado das fotos, originalmente enviadas para destinatários (e com propósitos) bem definidos. Seja nos Estados Unidos ou no Brasil, as ocorrências mais alarmantes parecem seguir um roteiro: a garota manda suas fotos para o namorado, que, após o término do relacionamento, as repassa a amigos e inimigos, preferencialmente os colegas de escola. A protagonista da trama, é claro, é esmagada pelo constrangimento. Em 2008, a história teve desfecho trágico: a americana Jessica Logan se enforcou aos 18 anos após sua foto, feita na intimidade, passar pelos olhos de todos.

No Brasil, o caso mais recente acabou em prisão. Aluna do primeiro ano do ensino médio do Colégio Maxi de Cuiabá – primeiro colocada no ranking do Enem entre as escolas do Mato Grosso –, uma garota de 14 anos fotografou-se nua. As imagens circularam entre os colegas até que, há três semanas, um jovem de 18 anos foi preso em flagrante, acusado de armazenar as tais fotos em seu celular. É crime produzir, divulgar, compartilhar ou até mesmo possuir pornografia infantil. Imagens de outras estudantes também circularam, mas não continham nudez, apenas insinuações sensuais.

"Nós denunciamos o caso à Polícia, embora as fotos tenham sido feitas fora dos domínios da escola", diz o pedagogo Virgílio Tomasetti Júnior, diretor geral dos Colégios Maxi de Londrina e de Cuiabá. "Recomendamos aos pais de todas as envolvidas que as estudantes fossem transferidas para outra escola, evitando constrangimentos, mas eles optaram por mantê-las aqui. Agora, nosso desafio é protegê-las de um eventual bullying." O pedagogo tem uma opinião bem definida sobre a prática do sexting: "Deve que ser coibido: não leva a nada e não ajuda em nada esses jovens. Erram os pais que permitem que isso aconteça."

De acordo com a delegada que cuida do caso, Alexandra Fachone, da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), o jovem que acabou preso era um "paquera" da vítima. Após pagar pouco mais de 3.000 reais de fiança, foi colocado em liberdade. Além da posse das imagens, ele também pode ser responsabilizado pela transmissão das fotos, caso fique comprovado, através da perícia, que ele as divulgou. "Qualquer pessoa, maior de idade ou até mesmo adolescente, que recebe imagens pornográficas de crianças e adolescentes comete um crime ao armazená-las ou divulgá-las."

O castigo é certo, previsto em lei. Mas seu potencial pedagógico é colocado em xeque pela SaferNet, entidade que continua a se dedicar à questão. "Penalizar ações individuais nesse caso é como enxugar gelo. Seria mais produtivo nos antecipar ao problema, tentando ensinar os adolescentes a fazer boas escolhas na internet", diz o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da SaferNet e estudioso do assunto. "A sexualidade da criança e do adolescente ainda é um tabu para muitos pais e educadores. É preciso conversar com eles e ensiná-los a usar a tecnologia com consciência."

Veja, Vida Digital, 08/07/2012, http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/sexting-adolescente-um-convite-para-o-sexo

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