quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Revide ao aplicativo Lulu foi proibido pela Justiça: o doutor Rinaldo também acredita em falsa simetria? (E era boato? Pior ainda!)

(Revisado em 06/12)

Justiça de BH proíbe lançamento e uso do Tubby no Brasil

Decisão foi tomada pelo juiz de direito Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher da capital mineira

Publicado em 04/12/13 - 20h32

Camila Kifer / Guilherme Ávila

A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte proibiu o lançamento e o uso do Tubby, um aplicativo avalia as mulheres e prega a revanche dos homens contra o Lulu. A ordem prevê pena diária de R$10 mil caso a decisão seja descumprida.

O juiz Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher da capital, foi quem deu o veredito. A ordem proíbe a GooglePlay Store, a AppleStore, o Facebook e a equipe Tubby de disponibilizarem o aplicativo para o público, em qualquer parte do país.

O juiz entendeu que o aplicativo – que avalia as mulheres, de acordo com seu “desempenho sexual” - submete as mulheres a uma forma de violência psicológica capaz de ser divulgada e potencializada em segundos. O pedido teve como fundamento a Lei Maria da Penha, visando a proteção dos direitos difusos das mulheres.

A ação foi promovida por mulheres das Brigadas Populares de Minas Gerais, o Coletivo Margarida Alves, o Movimento Graal no Brasil, a Marcha Mundial de Mulheres, Movimento Mulheres em luta, Marcha das Vadias e o Coletivo Mineiro Popular Anarquista (Compa).

A advogada e integrante do movimento coletivo Margarida Alves, Fernanda Vieira Oliveira, explicou que a ação aconteceu antes do lançamento do aplicativo como forma de prevenção. “A informação na internet se propaga muito rápido. Depois que o estrago está feito é difícil ou quase impossível de reparar”, afirma.

Para embasar o processo entregue nesta terça-feira (3) à Justiça, a advogada utilizou o caso da jovem de 16 anos que se matou depois de ter um vídeo intimo, em que aparecia com o namorado e outra menina, vazado na rede.

Lançamento

Os criadores do aplicativo Tubby adiaram seu lançamento em 48 horas com direito a contagem regressiva em seu site oficial. Por enquanto ninguém mais poderá se cadastrar ou descadastrar do polêmico serviço que deveria estrear nesta quarta (4). A justificativa dos desenvolvedores foi a sobrecarga nos servidores e eles prometem divulgar uma nova surpresa em breve, como recompensa pelo atraso.

Diante da notícia, diversos internautas manifestaram suas reclamações na página do app no Facebook. "Por que ninguém conseguia fazer o descadastro antes? Cadê a tais políticas de privacidade que dizem seguir?", criticou Caroline Paiva. "Quando lançarem não haverá mais mulheres para serem avaliadas", comentou Frederico Cavalcante. "Então agora sou obrigada a baixar se não quiser participar? Que contradição", disse Caroline Paiva.

Proteção

A melhor alternativa para se proteger da invasão de privacidade de aplicativos que se usam a base de dados do Facebook é mudar as configurações do seu perfil. Acesse a aba "Configurações de privacidade" e depois clique em "Aplicativos". Na seção "Aplicativos que você usa", selecione o Tubby App e depois clique em "Remover", para que o programa deixe de ter acesso aos seus dados. Na parte "Aplicativos usados por outras pessoas", você pode editar e desmarcar as categorias de informações que as pessoas podem levar com elas ao usar aplicativos, jogos e sites. Isso vai impedir que apps utilizem suas informações pessoais indevidamente.

Bolinha

Na próxima semana, estará disponível gratuitamente para Android e iOS o aplicativo brasileiro Bolinha, desenvolvido pela startup mineira GetSet. Trata-se de uma ferramenta, que permitirá aos rapazes realizar avaliações das mulheres que fazem parte de sua rede de amigos do Facebook. A ideia é incluir os homens na brincadeira proposta pelo aplicativo Lulu, lançado no Brasil na última semana, que permite às mulheres avaliarem com notas e hashtags o desempenho de amigos da rede social.

Os criadores do Bolinha encaram a ideia como uma brincadeira e garantem que o conteúdo será leve. Pedro Darma, fundador da GetSet, conta que já foi avaliado pela ferramenta feminina: “Eu vejo isso como uma brincadeira. Eu já fui avaliado tanto positivamente quanto negativamente pelo Lulu e levo tudo isso numa boa”, afirma.

O Tempo, 04/12/13, http://www.otempo.com.br/cidades/justi%C3%A7a-de-bh-pro%C3%ADbe-lan%C3%A7amento-e-uso-do-tubby-no-brasil-1.755731

Comentários de A Vez das Mulheres de Verdade / A Vez dos Homens que Prestam

Devemos ter em mente sempre, quando se trata de qualquer tipo de opressão, o conceito de "falsa simetria". A falsa simetria é quando, querendo tratar tudo com "igualdade", nós fingimos que a desigualdade de poder não existe. Por exemplo, a ideia de que precisaríamos ter um "Dia Internacional do Homem" porque existe o 8 de Março, é uma falsa simetria (assim como a falácia de que deveríamos ter "dia da consciência branca" e outras barbaridades e bobagens que escutamos e lemos por aí).

Essa e outras pérolas da lesbonazista Marília Moschkovich estão no texto "'Lulu', machismo invertido?", da Carta Capital. Aquela revista que tinha uma perereca na capa na semana em que até em jornais de R$ 0,25 a manchete era a prisão de mensaleiros. Mas essa e outras asneiras foram bem respondidas pelo Luciano Ayan.

Eu mesma não estava dando muita importância para o tal Lulu. Em um país onde qualquer mulher pode denunciar qualquer homem por agressão física, assédio sexual ou estupro sem provas, e ele ser preso sem provas ou apenas ter a vida destruída por nada, ser um homem virgem com 25 anos não é garantia de não ser avaliado como "gay", "broxa" ou "violento". Mas até hoje de manhã, me parecia que isso era tudo.

Só que o Luciano é meio otimista no título "Alinskyando Lulu: feministas sucumbindo pelo seu próprio livro de regras por causa do aplicativo Lulu". Elas não estão sucumbindo exatamente porque convenceram o povo da tal "falsa simetria". Aliás, já vimos o professor de Direito Penal da UFMG Túlio Vianna escrever um texto intitulado "Igualdade e falsas simetrias" em janeiro de 2011. Eu comentei a respeito. E é esse ponto que eu gostaria de enfocar.

A "falsa simetria" pode ser definida como a percepção inexistente em qualquer pessoa que não seja psicopata ou irrecuperavelmente burra da existência de direitos de um grupo que não são direitos do outro.

Pegando por exemplo o trecho citado do texto da Marília, quem não sabia da existência do Dia Internacional do Homem e teve a simples curiosidade de pesquisar na Wikipedia, por exemplo, descobriu que o Dia Internacional do Homem não é a mesma coisa de um modelo de saia para homens.

Ou seja, a "falsa simetria" é uma censura em princípio para questionar ou denunciar a hipocrisia, o abuso e a insanidade da turma da igualdade. E o pior, podemos ver isso neste caso, é que não é só essa turma que acredita nela.

Vamos voltar em um trecho da matéria, que podem até ser má redação, mas é denunciador: "A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte proibiu (...) a revanche dos homens contra o Lulu". Ou seja, assim como o masculinismo foi transformado em caso de polícia, revidar fofoca de vadia também foi.

Ops, falando em vadia, quem moveu a ação mesmo? Entre outros grupos, a MARCHA DAS VADIAS. O mesmo grupo de mulheres que fizeram passeatas seminuas no centro da cidade com cartazes mostrando ofensas contra os homens, e em outras cidades as moças invadiram igrejas e enfiaram crucifixo naquele lugar. E o julgamento foi na Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher, algo curioso para um país machista. Dizer que esse juiz foi temeroso é o mínimo, mas parece que ele também acredita na falsa simetria criminal.

Revisão de 06/12/13

Eu já tinha comentado o caso e um amigo compartilha esta notícia:

06/12/2013 08h38 - Atualizado em 06/12/2013 08h38

Aplicativo para avaliar moças, ‘Tubby’ nunca existiu, dizem criadores

App era 'mensagem' contra violação da intimidade, dizem jovens em vídeo.

Na quarta, TJ-MG proibiu app no Brasil com base na Lei Maria da Penha.

Do G1, em São Paulo

Guilherme Salles e Rafael Fidelis, criadores do aplicativo 'Tubby', que nunca existiu, e se tratava de uma "mensagem" contra a violação da intimidade. (Foto: Reprodução/YouTube)

Guilherme Salles e Rafael Fidelis, criadores do aplicativo 'Tubby', que nunca existiu, e se tratava de uma "mensagem" contra a violação da intimidade. (Foto: Reprodução/YouTube)

Os criadores do aplicativo “Tubby”, para homens avaliarem mulheres, revelaram que o lançamento do app nunca existiu e, na verdade, se tratava de uma campanha para conscientizar as pessoas dos limites da exposição da intimidade e dos riscos da violação da intimidade, de acordo com um vídeo publicado nesta sexta-feira (6) no YouTube pelos criadores.

A proposta do aplicativo gerou comoção entre as mulheres. A 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte (MG) chegou a proibir a disponibilização do “Tubby” em todo o Brasil na quarta-feira (4), dia em que o app seria lançado. Antes, a equipe responsável por ele cancelou seu lançamento para esta sexta.

No vídeo, os idealizadores, Guilherme Salles e Rafael Fidelis, apresentam, como parte da brincadeira, um suposto investidor que explica os objetivos do aplicativo. Ele fala em coreano, e o vídeo exibe uma legenda falsa em português. Ao ativar o sistema de legendas do YouTube, a legenda verdadeira surge.

“Sério, caras, vocês caíram nessa bobagem? 2014 já está chegando e ainda tem gente querendo regredir para 6ª série, dando notas pra pessoas do sexo oposto”, diz o rapaz, que permeia o discurso com menções ao aplicativo “Lulu”, direcionado ao público feminino que é incentivado a avaliar o comportamento masculino.

“Pessoas não são objetos, e a intimidade de um relacionamento, por pior que tenha sido, não pode ser exposta dessa forma."

"Esse tipo de aplicativo pode até ser "mera brincadeira", mas dão as ferramentas para pessoas anonimamente fazerem estragos na imagem pública das outras, caso ainda mais grave nos dias atuais, em que observamos intimidades filmadas por ex-namorados por exemplo vazando na rede e tendo repercussão drásticas”, continua.

O jovem fala ainda no “aspecto sexista”, “machista” e “heteronormativo” de aplicativos como o "Lulu" --e como também seria o "Tubby".

Ao fim, questiona se pessoas que usam apps como esses ouviram falar de “respeito, intimidade e privacidade” e sugere que deixem de ser “babaca, imaturo e sem noção”.

O aplicativo chegou à Google Play. Ao ser instalado, porém, o objetivo é direcionar os usuários para o vídeo no YouTube, mas apresenta falhas em alguns celulares. Os jovens que idealizaram o “Tubby” contaram com a ajuda do blogueiro Cid, do "Não Salvo".

http://g1.globo.com/tecnologia/tem-um-aplicativo/noticia/2013/12/aplicativo-para-avaliar-mocas-tubby-nunca-existiu-dizem-criadores.html

Essa matéria tem atalho para uma outra matéria: "'Tubby' incita violência contra mulher, diz militante que foi à Justiça". A militante, do Coletivo Margarida Alves, disse que:

O aplicativo é extremamente machista e violento.

A página do "Tubby" no Facebook já começou a reunir agressões verbais contra as mulheres. "Tinha comentários do tipo: 'Eu tenho um pênis e uma faca, um deles vai ter que entrar em você'. São posts extremante violentos e reproduzem a ideia de que o homens têm de manter as mulheres em posição de submissão.

Quando um fake misógino (ou feminista) como esse fala bobagens em páginas de terceiros, é isto que uma lesbonazista pensa, diz e faz:

As postagens não foram feitas pela equipe do aplicativo, mas por usuários da rede social. Alguns desses comentários já foram apagados, mas as militantes guardaram cópias. "Nós não podemos legitimar um aplicativo que reproduz esse comportamento contra a mulher", afirma Laysa.

Mas na hora em que as podridões das militantes feministas aparece, elas falam como a amiga de um amigo meu no Facebook:

Eu não posso ficar opinando sobre o feminismo alheio, não sou a detentora do "Feminismo Universal" (...). Se essas pessoas acham que são feministas eu não posso fazer nada. Não existe uma carteira de feminista pra rasgar, não é um emprego pra você demitir, não é um partido pra você cancelar filiação. O mais engraçado é que essas mulheres chamam mais atenção do que a própria luta feminista.

Isso foi o comentário a uma postagem onde eu citei uma mulher que agride o marido e ainda ameaça fazer falsa denúncia caso ele o denuncie ou se separe dela; e outra que diz que os homens são criados para matar ("O que você mulher feminista tem a ver com mulheres cretinas e com extremistas que se dizem feministas? TUDO, lésbica duas caras"). Mas achar isso condenável é questão de opinião. E é claro que o machismo alheio não é questão de opinião. E também é claro que se não existe uma carteira de feminista, para ser machista ou ser da turma do falso Silvio Koerich basta você discordar delas.

Mas agora vemos que era tudo boato. Isso faz tudo pior ainda. Os anunciantes do aplicativo queriam dar uma lição nas mulherzinhas em geral e acabaram recebendo eles mesmos uma "real", e talvez nem tenham notado:

1 - uma página do Facebook pode ser responsabilizada criminalmente por comentários de fakes criados por gangues feministas, provavelmente apagados assim que descobertos, mas uma página feminista pode defender ASSASSINATOS DE HOMENS (já publicamos dois casos, o do Machismo Nosso de Cada Dia e o da página de apoio a Elize Matsunaga).

2 - um movimento (Marcha das Vadias) que comete ofensa à religião, apologia ao crime (defesa do aborto) e atentado ao pudor é aceito como tendo direito a abrir uma ação legal contra um aplicativo que nem existe, desde que o caso seja a favor de mulheres e/ou contra homens.

3 - um aplicativo para mulheres não é caso de polícia mesmo quando o simétrico dele é proibido pela Justiça antes de ser lançado e de existir.

4 - e tudo isso pode acontecer mais rápido que o tempo até que se descubra que o objeto da denúncia nem existe. Mulher brasileira em primeiro lugar, principalmente se for feminista.

Abigail Pereira Aranha

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